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Tira o rabo do sofá

Em 2016 era obeso. Hoje sou maratonista com 8 maratonas e mais de 70 provas. Partilho histórias, dicas para iniciantes e motivação diária para te ajudar a perder peso e sair do sedentarismo. Tira o rabo do sofá!

Tira o rabo do sofá

Em 2016 era obeso. Hoje sou maratonista com 8 maratonas e mais de 70 provas. Partilho histórias, dicas para iniciantes e motivação diária para te ajudar a perder peso e sair do sedentarismo. Tira o rabo do sofá!

Tira o Rabo do Sofá

https://youtu.be/9sw9AHC7wiU?si=JEvLDlihcdZiHKoy

O que dizem as minhas sapatilhas

31.05.20

De treino à sessão de exercício físico


João Silva

Já se passou um mês desde o dia mais feliz da minha vida. 

Os desafios têm sido muitos e bons, embora também muito complexos.

Não vou falar agora disso, haverá um momento para o fazer. 

Ainda assim, como já esperava, a paternidade trouxe uma mudança enorme na minha forma de treinar, que agora virou prática de exercício.

Isto é: o treino com método, com horas à vontade do freguês, disciplina, técnica e método deram lugar à prática de exercício físico quando possível, por um tempo muito mais limitado e apenas destinado à preservação da minha saúde.

Já sabia que ia ser assim e foi por isso que lutei comigo próprio durante meses. Precisava de encontrar uma forma, de ajustar as minhas expectativas, de fazer cair as minhas ilusões. Sabia que o novo "cargo" ia ser mais importante, mas doeu de morte abandonar alguns sonhos pessoais. Talvez um dia, dirão uns, talvez nunca, dirão outros, mas a verdade é que esse foi o meu maior desafio em todo o processo: ajustar-me e não reclamar nem sofrer se faço exercício apenas 1h por dia ou por semana  em vez das habituais 2/3 ou 14/21 respetivamente.

Por isso, agora todos os 10 minutos contam para fazer alguns exercícios, todos os segundos são úteis e importantes para fazer o bem pela saúde e para tentar manter o peso, outro dos aspetos que me perseguem.

Não sei se algum dia voltarei a ter hipótese de treinar como o fiz em quase dois anos. E isso tem o poder de me fazer duvidar de mim e da minha capacidade para voltar a competir. Muitos já provaram que é possível. E é. Mas o meu problema está precisamente aí, em acreditar nisso e em deixar o medo de perder o que trabalhei para conseguir (em termos físicos e psiquicos).

Por agora, questiono a minha vontade/capacidade para competir em novembro na única prova em que ainda estou inscrito. No entanto, se a mesma se realizar, fazê-la em condições físicas precárias não é uma opção, pelo que terei mesmo de analisar. Isso e a eventual persistência do Covid-19.

Não se pode ter tudo, temos de abdicar de umas coisas para conseguirmos melhores, mas, honestamente, gostava de não perder o caminho traçado.

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29.05.20

Valorizar o pouco que se pode fazer


João Silva

Uma ida ao oftalmologista e um atraso de meia hora resultam em algo bom. 

No meu caso, nada melhor do que aproveitar e fazer tempo a correr. 

Ja não corria há imenso tempo e com a quarentena que passou, acabei por me render a mim próprio e palmilhei uma parte pacata e sossegada da vila, garantindo sempre que não me cruzava com ninguém.

Foi uma parte de um percurso comum nos meus treinos e soube-me pela vida. Tive o bónus de poder sentir a chuva no corpo e de perceber que, com todas estas mudanças na minha vida, ainda houve hipótese de sentir o ar puro entrar-me no peito.

Honestamente, pensei que só seria novamente o caso daqui a uns dez anos. 

Consegui esticar bem a máquina, até porque, de novembro ao dia 3 de maio, não deixei de treinar uma única vez. Portanto, em forma, estava. Foi o saber que "tinha permissão" para aquela sessão que me deixou particularmente realizado.

Tudo serve para treinar, uso tudo o que conheço e posso, mas ali foi uma espécie de voltar às origens.

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28.05.20

De volta à Revista Atletismo


João Silva

Menos de um ano após a primeira entrevista à revista Atletismo, na pessoa do senhor Manuel Sequeira, eis que este vosso estimado voltou a ser contactado para dar o seu parecer sobre as participações em maratonas, numa rubrica bem interessante deste mesmo jornalista, que, segundo pude apurar, também ele dá "perninhas" no mundo da corrida.

 

Ora, pois bem, podem consultar aqui o destaque que a minha pessoa mereceu no site Revista Atletismo:

https://revistaatletismo.com/a-minha-1a-maratona-por-joao-silva/

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Caso tenham interesse adicional e ainda não tenham vislumbrado a entrevista do ano passado, que versou sobre uma parte da minha história, podem descobri-la aqui:

https://revistaatletismo.com/joao-balcas-silvade-118-kg-a-maratonista-em-dois-anos/

27.05.20

Corridas da e na quarentena


João Silva

Foram três as sessões de corrida nesse período de confinamento e nenhuma foi propositada. 

Ocorreram sempre na sequência de consultas com a esposa.

Foi curioso porque só no dia é no momento em causa tive a hipótese de fazer mesmo aquilo de que mais gosto: correr.

 O objetivo foi sempre proteger a esposa e o bebé na gravidez (tal como o é agora que ele nasceu) e, por isso, não tive sequer a coragem de esboçar algum percurso longe da vista humana.

No entanto, naqueles três dias, apesar do medo de ser contagiado, consegui ser tão feliz como em poucos casos. E nem sequer foram sessões longas. Como não podia entrar no centro de saúde ou na maternidade, aproveitava e ia correr. Em Condeixa, do lado oposto à passagem de peões, mas em Coimbra, na zona do Cidral, o que fiz foi agastar-me sempre do raio de passagem de pessoas.

Não me arrependo, apesar de ser uma situação melindrosa, pois parecia que estava a fugir de tudo e todos. 

Nessa vez em Coimbra, ainda antes de o Mateus nascer treinei mesmo com sapatilhas casuais, sem amortecimento, com a mala dos documentos na mão, sem óculos e com máscara. Apesar do desconforto na respiração, senti-me seguro.

Se as duas primeiras sessões foram em março e abril, a outra, mais prolongada, já foi em maio e aí estive nas minhas sete quintas, numa estrada escondida, sem movimento, lá fiz 40 minutinhos de sonho.

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25.05.20

Ajustes


João Silva

Dentro de dias faz um mês que esta casa ganhou uma nova alegria. 

Com todos os desafios e momentos mágicos associados, não estou aqui para dourar a pílula. Quem os tem, sabe o que custa, quem não os tem, não deve ficar melindrado nem motivado por algo do que aqui diga. 

Vidas, cada um com a sua, já diz o ditado. 

Como não podia ser diferente, os desafios são muitos. Só que, contrariamente a tudo o que se pensa durante a gravidez, bem gerida, esta pode ser uma fase de grande crescimento para qualquer família. É isso que decide um pouco o sucesso das relações a três ou a quatro (ou com mais filhos). Porém, não há soluções mágicas. Há aprendizagens todos os dias e há desafios.

Era precisamente aqui que queria chegar, porque, naturalmente, toda a minha orientação em termos de treinos sofreu alterações. 

Quando houve disponibilidade, é disso que prometo falar. 

E com isso, vou trazer para aqui o pequeno Mateus, do ponto de vista escrito, não visual. Com todo o respeito e sem qualquer tipo de apontar de dedos ou de demagogias, isso fica para os pais. 

Uma coisa sei que ele já fez por mim: mostrar-me que não sou tão (pouco) emotivo quanto achava. Isso e o facto de o coração destes pais estar nas mãos dele. Ainda assim, acho que falo pelos adultos cá da casa: estamos de bem com essa ideia.

E portanto, mais do que nunca, este blogue vai passar a ter mais Mateus, porque o que não mata engorda e transforma-te num maratonista papá (babado e lamechas) de um Mateus ❤️

 

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23.05.20

A falta que fará


João Silva

Ponto prévio, só porque não me sinto com paciência para dar ideias erradas: não, o texto não serve de arrependimento de nada na minha vida.

É só uma forma de expressão do meu estado de alma, que, no fundo, traz um acumulado dos últimos 2 meses e meio. 

E, olhando para a frente e perante a incerteza que nos rodeia mas que também já estava contemplada na minha vida, fica aquele travo a dúvida sobre o que virá. Sobre o que não virá. 

Sobre as passadas que não darei, as séries que não farei, as rampas que não subirei ou as estradas que não (per)correrei.

Deixamos umas coisas para ganhar outras. No entanto, isso não significa que devamos deixar de dizer que sentimos falta do que ajuda a completar o ser que somos. 

Ainda não cheguei lá, mas sei, desde já, que sinto falta do que não vou fazer. Talvez o que fizer ajude a equilibrar essa saudade. 

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21.05.20

A falta que faz


João Silva

11 de março foi o último dia em que corri ao ar livre. Mais de dois meses e já nem sei o que é pôr os pés no asfalto e voar sem destino por tempo ilimitado. 

Não sou diferente de ninguém, nem sequer me estou a queixar por ter tido de ficar em casa, numa primeira fase, devido à situação de quarentena. Chama-se respeito pela minha vida e pela dos outros, ao contrário de muitos que escolheram continuar como se nada fosse. Negacionistas, I say. Ainda assim, aos poucos, as coisas estão a encarreirar e todos estão a a criar uma nova realidade.

Depois da mudança forçada de metodologia de treinos, sendo curioso o facto de ter começado a treinar ainda mais no tempo em que estive sempre em confinamento, entrei numa limitação diferente. No fundo, era aquela com que já contava desde agosto de 2010: a paternidade.

Agravada pela situação pandémica que vivemos, a saudade e a falta cresceram.

Mas saudade e falta de quê?

Daquilo que se tornou o meu ponto de equilíbrio nos últimos três anos e meio (celebrados há dois dias).

De sair de casa com as sapatilhas calçadas e de sentir o fresco e o quente no corpo. 

De subir a primeira "ladeira" de Condeixa.

De passar junto à escola e ao estádio e de praguejar com tanto carro a passar. 

De ouvir os apitos de conhecidos l. 

De dizer olá ao senhor que passeava o cão todos os dias e que já me conhecia há mais de 3 anos. 

De seguir para Alcabideque e de passar pelo velhinho pastor alemão que guardava um terreno. 

De cruzar o Bom Velho de Cima a arfar e de descer pelo lado oposto, no IC3 rumo a Condeixa.

De subir pela Casa telhada, sem viv'alma por perto, e de ver a raposa ao longe a fugir.

De sentir o ar puro da estrada de Alcabideque.

De subir ao Casal da Légua depois de ter descido pela Venda. 

De tudo isso sinto uma falta de "morte".

Enquanto pude, treinei o mais que deu, portanto, nem sequer é um lamento. Fui um privilegiado em relação a muitos e não descuro isso. 

Porém, constato uma falta que sinto: correr.  Faz-me mesmo muita falta.

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19.05.20

Mais fácil do que se pensa


João Silva

 

 

 

Cada vez mais há entidades disponíveis para divulgarem informação capaz de nos pôr a mexer. 

Hoje trago-vos mais um desses casos. E por ser tão simples naquilo que chamo "a base de um trabalho de força", decidi "espicaçar-vos" para a prática deste grupo de treino, que é exigente mas muito prazeroso. 

Força nesses braços e nessas pernas. 

E nunca esquecer: tudo é treino!

 

17.05.20

Um treino diferente


João Silva

Hoje trago-vos um desafio muito simples e fácil de executar:

só têm de fazer o exercício indicado para cada letra do vosso nome.

Vão ver que se trata de um treino de força intenso mas muito "divertido". Isso e vão rezar para ter um nome pequeno.

Nesse caso, podem usar os restantes nomes da vossa identificação.

Se a "sede" for muita, também podem fazer os nomes de familiares e amigos.

Façam lá e digam-me se vos parece bem.

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15.05.20

Frustração sem destinatário "visível"


João Silva

O episódio aconteceu no final de março, mas, por querer digeri-lo primeiro melhor comigo e com os meus, entendi que era melhor esperar para escrever sobre isso.

Falo-vos de um dos momentos mais duros da minha vida em que me tiraram a hipótese de cumprir um sonho e de ajudar a minha esposa num momento mágico e importantíssmo para nós: as maternidades, por alegada recomendação da DGS, entenderam proibir a presença dos pais no momento do parto.

O mais curioso de toda esta história é que a OMS recomendou que tal não fosse feito mesmo em caso de Covid-19, o que não constituía o nosso quadro.

Tiraram-nos tudo, caiu-nos o telhado em cima, ficámos sem chão. Não consigo sequer transmitir a dor: a minha não a sei explicar e a da minha esposa não a sei medir. Era tão mas tão importante estar ali e tudo o que pude fazer foi transmitir as minhas forças, foi torcer para que tudo se alinhasse em condições. Nem os pude visitar na maternidade após o parto. Sem medos de o confessar, chorei tanto como nunca. No dia em que deixei a esposa nas urgências, sofri muito. Com tudo, por tudo, porque uma pessoa no sabe o que se passa e está horas a fio à imaginar o sofrimento da cara-metade. Chorei tanto, ri tanto e depois chorei e ri ao mesmo tempo, como se o corpo não soubesse o que fazer. E não sabia. E comi tanto como já não o fazia há anos. Mas tudo isto passou para segundo plano quando os vi. Que trabalho mágico daqueles dois!! 

Durante os dias em que nos foi transmitida a decisão da DGS, a injustiça e o desânimo que nos invadiram foram tão grandes que precisávamos de um "destinatário", de um alvo para injuriar, porque não se faz, dói e é só uma monstruosidade. Mais ainda, quando havia profissionais do setor a defender precisamente que essa diretiva não avançasse, precisamente por ser mais prejudicial para a família do que um eventual contágio.

Além de tudo isto, doía ver tantos irresponsáveis a brincar com a vida e a liberdade dos outros e nós, desde o início, cumprimos tudo o que nos foi pedido socialmente.

O tempo tudo ajudou a passar, como sempre, claro, e pude finalmente encontrar-me com a "obra de arte" que eu e a minha esposa construímos.

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