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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em 2016 era obeso, hoje sou maratonista (6 oficiais e quase 20 meias-maratonas). A viagem segue agora com muita dedicação, meditação, foco e crença na partilha das histórias e do conhecimeto na corrida.

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16
Mar20

Porque não importo apenas eu quando importamos todos


João Silva

Passaram alguns dias desde as novas mudanças que vieram afetar as nossas vidas.

Não venho dar uma de entendido, pois não o sou nem pretendo ser.

Venho, isso sim, manifestar a minha compreensão para com quem tomou todas estas decisões. Independentemente da cor política de cada um, acredito que um governo não pára um país de ânimo leve. Portanto, toca a colaborar para um bem comum. É disso que se trata.

Apesar de tudo, cá em casa temos uma vida mais recolhida. Saímos muito pouco, tirando o necessário. 

No meu caso concreto, saía todos os dias para ir correr. Nem sequer escolhia aglomerados e procurava sempre estradas mais recatadas, junto à natureza. 

Com o avançar de tudo isto, comecei a sentir muito medo. Não sou mais do que os outros. Todos os pensamentos aterradores ganham forma, mesmo tendo em conta que cá em casa não seguimos notícias e que só nos guiamos pelo que diz a DGS e a OMS. 

No entanto, chegou-se a um ponto em que tudo isto é maior do que nós.

Por nada deste mundo, pensava eu, ia ficar sem as minhas corridas ao ar livre, sem o meu momento de equilíbrio mental e de comunhão com o ar livre e a natureza. 

Não que antes não pensasse em nós, mas agora com um filho a caminho, já em fase de preparação para o receber, senti-me frágil. Arrepia-me a ideia de que uma simples sida para correr o pode matar.

Faz-me chorar e, mesmo procurando o equilíbrio, a sanidade, fica difícil não me assustar, sobretudo, pelo comportamento displicente de muitos. 

Ainda que tenha saído pouco na semana passada, numa ida normal ao supermercado, ia dando em maluco, não pelas compras, mas pelo risco de contágio. A juntar a tudo isto, tivemos uma consulta normal de gravidez. 

E sabem que mais? Como está tudo a correr bem, desejámos, quase que pedimos encarecidamente, não ter a consulta. Mas tivemos mesmo de ir. E fomos. E sofremos os dois com medo de tocar no que quer que fosse.

Perante este sentimento de terror, decidi que não iria correr enquanto isto não passasse. Não sei se imaginam o quanto isto me custou. Até ao dia 13 de Março, já levava mais de 1100 km (per)corridos em 2020. Tenho medo pela manutenção do peso, pela eventualidade de ter de deixar de correr. Destrói-me por dentro pensar nisso. Digo-o sem pruridos nem pudores. Porque me destrói muito mais saber que a minha irresponsabilidade pode matar o meu filho ou a minha mulher.

O Mateus ainda não está cá fora e já me dói tanto tudo o que lhe possa acontecer. 

Posto isto, parei a corrida na rua. Mas não parei o desporto. Continuo a pedalar na minha estática e amealhei conhecimento ao longo destes anos que me permite fazer trabalho intenso de força em casa.

Não sou mais do que ninguém é este texto não teve o intuito de mostrar superioridade. Tem, pelo contrário, o intuito de apelar a quem me lê para que se cuide e possa pensar um pouco em si e nos seus. Além disso, pensemos em todos aqueles que estarão no campo de batalha para nos ajudar. A troco de nada. Porque de nada serve o dinheiro se morrermos todos. 

Não me interessa discutir para já se é um exagero, se é tarde, se há dinheiro. Como disse Macron, présidente francês, na semana passada: “quoi qu'il en coûte".

 

 

Ninguém pára uma sociedade de ânimo leve. Posto isto, a maior força a todos e que nada vos afete. Que façam por isso e que olhem também pelo próprio. 

Quanto ao desporto, não deixem de o fazer, mesmo que limitado e em casa, porque vai acabar por vos ajudar. 

Um forte abraço. 

 

 

 

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