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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em 2016 era obeso, hoje sou maratonista (6 oficiais e quase 20 meias-maratonas). A viagem segue agora com muita dedicação, meditação, foco e crença na partilha das histórias e do conhecimeto na corrida.

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13
Mar20

Opinião no feminino VI


João Silva

A convidada seguinte dá pelo nome de Helena. Conheço-a há muito pouco tempo, mas já deu para perceber que a tenra idade engana e que não foge de reflexões complexas como esta que lhe pedi a propósito do dia da mulher.

Recentemente, criou um blogue e podem acompanhá-la aqui.

Verão que se trata de uma pessoa com conteúdo.

Aliás, o texto que se segue é a prova das minhas palavras:

 

 

 

A minha relação com o desporto começa, obrigatoriamente, na escola. As aulas de Educação Física eram tão complicadas. Por pressão social, apercebi-me de que teria de perder peso, mas não queria suar, correr, esforçar-me. Aos 18 anos, decidi, por iniciativa própria, apostar em algo que me ocupasse algum tempo. É aqui que as coisas mudam.

Atualmente, é difícil ter tempo livre. Não há muitas coisas que eu faça por mim própria, mas o desporto é uma delas.

O desporto é para mim algo “casual”. Não me considero uma desportista, sequer. Ainda assim, retiro benefícios de praticar desporto, que fazem de mim uma mulher forte, a nível individual e coletivo.

A nível individual destaco a minha saúde. Durante a prática do desporto, as minhas preocupações dissipam-se, dando forma a apenas uma: eu própria. Pela minha saúde física e mental, interrompo a rotina diária “automática”, – o clássico trabalhar, comer e dormir, - para me dedicar a mim mesma. Naquela hora e meia, preocupo-me em respirar, em esticar os braços, em desaparecer do mundo e ser eu própria.

Já a nível coletivo, e fazendo a ligação para o tema deste texto, destaco o papel das mulheres, como grupo social, no desporto. Quando iniciei a minha “jornada desportiva”, por muitas vezes que ouvi dizer: “Isso não é desporto” ou “Isso é desporto de mulher.” Por oposição a quê? A “desportos de homem”? Ainda hoje não percebo tal distinção. Enquanto que as mulheres têm o papel de “mãe” e “esposa” para desempenhar, os homens são o sexo do desporto, da força, do suor. Esta ideologia é retrógrada e cada vez mais diverge da realidade.

O simples ato de interromper a minha rotina diária para fazer exercício já demonstra que tenho vontades dentro de mim. Disso não haja dúvidas. Pô-las em prática é o que me diz que faço o que quero, não o que as pressões sociais exigem de mim. Posso ter uma casa para limpar, uma pilha de pratos para lavar, mas se o meu namorado quer acabar o jogo antes de ir arrumar a loiça ou fazer a cama de lavado, porque é que eu não poderia despender do meu tempo para dedicá-lo a mim mesma?

Este estereótipo de que só os homens é que praticam desporto tem de ser anulado. A diferença que existe entre os homens e as mulheres na área do desporto era grande. Está a começar a desaparecer e isso, claro, assusta a população machista. Mulheres e homens podem partilhar a vontade e a prática do desporto. Não é por isso não ser reconhecido que se põe em causa a virilidade dos homens.

As mulheres são fortes. Cada uma sofre, chora em silêncio, luta muito. Todas essas coisas nos definem, ainda que sejam “fraquezas” aos olhos de metade da população mundial. Não podemos continuar a ser vistas como o “sexo fraco” no desporto, como aquelas que só praticam desporto para ter um corpo bonito e agradar aos homens, em vez de se agradarem a si próprias. Há que bater com o pé e, principalmente, fazer aquilo que queremos. Não há ninguém que nos possa dizer o que fazemos ou deixamos de fazer a não ser nós mesmas. Isso é o que importa. Isso é o que nos torna fortes.

 

Desde cedo que todos ouvimos a expressão “corres como uma menina” atirada da boca para fora como um insulto entre crianças. Mas as meninas também correm rápido.

 

Mudemos isto, Mulheres.

 

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