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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

30
Mar20

Fonte de conhecimento II


João Silva

Não conheço pessoalmente o autor da página que vos apresento, mas posso garantir que foi importantíssimo na minha evolução como atleta.

Quando percebi verdadeiramente que queria correr e melhorar o meu desempenho, foram as informações exaustivas do Carlos que me serviram de suporte.

Vale cada segundo de consulta. Tem textos e esquemas de treinos riquíssimos e abrange todo o tipo de temáticas. Lembro-me, por exemplo, que foi naquele espaço que descobri as técnicas de fartleks watson e que tirei referência dos tempos de treinos intercalados.

Se ou quando tiverem oportunidade e interesse, deem lá um salto. 

 

O espaço do Carlos encontra-se aqui:

http://www.atletismo.carlos-fonseca.com/

28
Mar20

É hora de mexer a anca


João Silva

É uma zona muito menosprezada nos atletas mais amadores. Em especial, tal ocorre porque poucos se dão ao trabalho de reforçar os quadris e de melhorar a sua postura.

Com os exemplos que vos mostro na partilha abaixo poderão melhorar a vossa passada, dando uma maior estabilidade à zona central do corpo e "agredido" menos os joelhos.

Foi através deste método que consegui melhorar o meu ritmo, pois passei a economizar mais energia e conseguir percorrer uma maior distância em menos tempo.

Demora até se tornar numa postura natural do atleta. Em média, diria que são precisas 4 semanas para que a adaptação ocorra efetivamente.

Além disso, acrescento que haverá algumas dores pela forma como os pés vão aterrar no piso. No entanto, o corpo adapta-se e a dor deixa de se sentir.

Termino com uma nota: no exercício com a kettle bell, por não ter, acabei por fazer com um peso semelhante. Por vezes, também fiz sem suplementos, só com o movimento do corpo.

Faço votos para que vos ajude tanto quanto o fez por mim:

 

https://youtu.be/ULmO1q5G_ug

 

26
Mar20

Silêncio, meditação, cérebro


João Silva

IMG_20190518_085004.jpg

Aflorei esta questão há uns dias, mesmo a terminar o mês de março e agora dou-lhe o remate final.

Disse que o silêncio era importante sem, no entanto, explicar verdadeiramente o motivo.

Em termos científicos, o silêncio assume, face ao cérebro, a mesma função que o esquecimento. Ou seja: são mecanismos de limpeza. Ao contrário do esquecimento, cuja importância se revê mais na limpeza e na higiene cerebral, o silêncio permite a assimilação do conhecimento. É, na verdade, o elemento responsável pela entrada em cena dos nossos pensamentos mais básicos.

Podem fazer a seguinte experiência: não ter nada ligado nem ninguém por perto. Verão que daí a uns minutos o vosso cérebro vai viajar sozinho para terrenos distantes, bem remotos, mas sempre com base nas informações que recolheram.

No fundo, o silêncio é o indutor da meditação, daqueles pensamentos puros (não necessariamente bons) que circulam e navegam no nosso cérebro. Aliás, numa fase em que não pude fazer sessões "reais" de meditação, foi assim que consegui organizar ideias e arrumar a minha cabeça.

Mais tarde, em pesquisas e em programas científicos, percebi que o silêncio ajuda, de facto, a compartimentar a informação, sendo ainda benéfico para as redes neuronais, porque lhes oferece organização. É desta mistura de silêncio, abstração e meditação que sai um cérebro mais completo e mais capaz de lidar com fases negativas. 

E entre vós, quantos são os que valorizam uma bela dose de silêncio? E preferem de manhã, de tarde ou à noite?

 

 

24
Mar20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Em mais um "episódio" desta rubrica, trago-vos uma pessoa que encontrei nestas andanças de blogues.

Foi, na verdade, talvez dos primeiros a encontrar o meu canto.

Com o passar do tempo, tem-se vindo a criar uma ligação de simpatia, arrisco-me a dizer.

E, portanto, não podia ficar indiferente ao facto de o jovem em causa também ser um corredor, embora, no seu entender, seja "apenas" alguém que leva a corrida com um fator social, parafraseando: "como workout".

Seja como for, deixo-vos abaixo com a entrevista feita ao autor do blogue muito conhecido O último fecha a porta, que, após lerem as palavras do autor, podem visitar aqui.

Vale a pena e, para quem o segue no blogue, fica "revelado" o mistério, já que o poderão ver "de frente" e, quiçá, apoiá-lo em algum evento desportivo.

bravos.jpg

  • Idade

31 anos

  • Equipa

Individual

  • Praticante de atletismo desde

Não diria atletismo, mas corrida de fim de semana desde meados de 2017

  • Modalidade de atletismo preferida

Estrada

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Como tenho pouca resistência, opto por distâncias mais curtas (10 km)

  • Volume de treinos por semana

Dois (um mais curto e outro mais longo)

  • Importância dos treinos

Os treinos são importantissimos. Não há milagres. O nosso corpo só responde (sem lesões e sem “extras”) se for treinado para os objetivos. Procuro, sempre que possível, treinar em grupo, tendo a de na minha zona haver vários grupos amadores gratuitos de corrida. Com diferentes grupos e ritmos e com pessoas que também vêm correr depois de um dia de trabalho numa lógica de “workout”.

runnesmoriz.jpg

  • Se tem ou não treinador

Não tem

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Hoje em dia creio que há mais atletas nas corridas, seja estrada ou trail. Uns aderem por gosto, outros por moda, outros por arrasto, outros pela vida saudável.

Ao olhar para a agenda no dia de hoje, há uma enorme variedadede opções para o fim de semana, numa geografia reduzida. Muita oferta, umas mais comerciais, outras mais amadoras. Acho isso positivo, quer para a prática desportiva e saudável, quer para a própria dinamização das localidades.

Na minha opinião, está-se também a tornar numa indústria, onde a rentabilidade começa a ser procurada. Preços elevados para poucas contrapartidas. Porém, os atletas vão-se também ajustando ao que lhes interessa.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Vomitei uma vez porque tomei o pequeno almoço 10 minutos antes de começar a correr. Numa subida e com mais esforço, “virei o barco”. Nunca mais comi iogurte antes de correr (risos).

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  • Aventura marcante

Foi num “grande prémio”. Foi a primeira e única vez que fui. O preço era acessível e perto de casa. Isso motivou-me a inscrever. Em pleno mês de julho, num sábado à tarde, quando cheguei, chamou-me a atenção estar pouca gente e tudo com t-shirts de clubes. Ao fim do primeiro quilómetro, já ia em último. E fui mesmo o último. Atrás de mim, vinha a amabulância e sentia o motor a fazer o meu ritmo. Pior, era a duas voltas e ia eu a acabar a primeira, já havia alteltas que tinham acabado. Não me meti mais em corridas dessas.

  • Participação em prova mais longa

Será no Trail do Ermelo (21 km)

 ssovar.jpg

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Vejo o atletismo como uma indústria e tentar a encontrar o seu ponto de equilibrio.

Com um mundo cada vaz mais tecnológico, já é possível com um leve e simples relógio ter todas as métricas e percursos de uma corrida. Perspetivo uma enorme evolução por essa via, com o aparecimento de novos players na medição de performance.

Por outro lado, nos últimos anos têm aparecido muitos eventos e novas variedades, desde corridas, trails e em 2019 muitas provas de obstáculos (chamados “challenges”).

Com tanta oferta e sem saber se o número de participantes consegue acompanhar,  têm desurgir ideias diferenciadoras: criatividade, novas formas de negócio, novos prémios aleatórios, cross selling, medalhões de várias provas, parcerias cada vez intensas com ginásios, ofertas de inscrições e até leilões de descontos já se veem. Ao nível de marketing, vai haver ainda mais agressividade. Daqui a cinco anos, prevejo mais participantes (o que me parece muito bom em termos de combate ao sedentarismo e a bons hábitos de saúde), mas também mais pressão comercial sobre os atletas.

Mesmo que uns adiram por moda, conseguirão estas ideias reter os corredores?

 trail sta catarina.jpg

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Se não tiver lesões, já será bom sinal. Como gosto de correr, gostava de continuar neste desporto. Revejo-me a continuar no meu amadorismo e como workout, sempre na desportiva, melhorando o meu ritmo e resistência e ambicionando distâncias um pouco maiores. Gostava também de experimentar novas corridas e trails todos os anos.

 

trilhos espinho.jpg

 

 

22
Mar20

A subir também se aprende


João Silva

Além de ser algo que nos ajuda a aprender, o treino de escadas é essencial para quem corre mais do que uma ou duas vezes por semana.

Passa por esse tipo de treino a chave do reforço muscular do corpo.

No entanto, apesar de ser "a chave", não tem de ser feito a toda a hora e a todo o instante. Basta que incorporem algumas subidas de escadas no final das vossas corridas ou que adotem uma sessão específica a rondar os 30 minutos depois de um treino menos intenso.

Deparei-me com o seguinte vídeo "por acidente", numa das pesquisas aleatórias pelo Youtube.

Após uma análise cuidada, vi que se tratava de mais um grupo francês (sempre eles os mais preocupados com a partilha de conhecimento nesta área) e fui "bisbilhotar".

Pois bem, antes de vos deixar praticar os exercícios de escadas revelados no vídeo, informo-vos de que o site dos Globe-Runners é uma mina de conhecimento e partilha para quem quer evoluir. Mesmo os que pretendem manter o "low profile" têm aqui uma excelente fonte de informação.

Partilham vídeos regularmente e falam também de fundamentos técnicos.

O site é: www.globe-runners.fr

Quanto ao vídeo, pratiquem e contem aqui se ficou a doer tanto quanto me doeu a mim após a primeira vez em que adotei este treino:

20
Mar20

O dia que mudou tudo


João Silva

Foi a 20 de março de 2009 que nasceu esta história, a nossa história, que se prepara agora para mais um capítulo extraordinário.

IMG_20200217_161557.jpg

Hoje estamos novamente de parabéns. Já levamos 11 anos de vida conjunta, 4 dos quais como marido e mulher. 

Já nem sei bem o que é a minha vida sem ti e, honestamente, também não pretendo saber. Sei, isso sim, que aquela tarde a dois junto ao Meliá em Aveiro marcou o início de um amor sem par. 

Sei, isso sim, que jamais me teria tornado no homem que sou hoje, se não te tivesse na minha vida. 

Sabes o que é mais interessante no meio disto? É que já passou tanto tempo e nunca nenhum de nós se cansou, porque, mesmo nos momentos mais complexos, nenhum de nós virou as costas ao desafio. Crescemos juntos. O casal que somos agora é diferente daqueles dois jovens que se começaram a apaixonar naquele passeio junto à Ria de Aveiro. 

E agora, superadas tantas etapas, preparamo-nos para crescer... a três. Falta tão pouco e mal posso esperar por contar ao Mateus as peripécias que envolveram o amor e a relação dos pais. 

Como já tantas vezes te disse, meu amor: muito obrigado! 

Parabéns a nós por estes 11 anos 😉

Amo-te muito! 

 

18
Mar20

Os dois lados do desporto na hora do aperto


João Silva

Adoro desporto. 

Não é novidade. 

No entanto, há momentos em que importa ter juízo e seguir as regras. A doença não escolhe nada. Ataca e pronto. 

Por outro lado, nós podemos escolher ajudar, prejudicar ou não fazer nada, sendo que, neste caso, este último já seria uma grande ajuda. 

Na semana passada, em Mönchengladbach, Alemanha, e em Paris, França, houve manifestações de afeto em massa perante resultados de equipas de futebol.

Como um romântico do futebol, reconheço que aquele jogo sem adeptos não tem sal, não tem paixão. 

Noutro prisma, furar o protocolo público previamente estabelecido e pôr em perigo a sociedade, desde logo, a própria equipa, é só estúpido. Não se faz. É de uma irresponsabilidade extrema, o que me deixa honestamente preocupado.

Posto isto, deixo-vos imagens dos dois casos para que saibam bem do que falo.

 

 

 

 

16
Mar20

Porque não importo apenas eu quando importamos todos


João Silva

Passaram alguns dias desde as novas mudanças que vieram afetar as nossas vidas.

Não venho dar uma de entendido, pois não o sou nem pretendo ser.

Venho, isso sim, manifestar a minha compreensão para com quem tomou todas estas decisões. Independentemente da cor política de cada um, acredito que um governo não pára um país de ânimo leve. Portanto, toca a colaborar para um bem comum. É disso que se trata.

Apesar de tudo, cá em casa temos uma vida mais recolhida. Saímos muito pouco, tirando o necessário. 

No meu caso concreto, saía todos os dias para ir correr. Nem sequer escolhia aglomerados e procurava sempre estradas mais recatadas, junto à natureza. 

Com o avançar de tudo isto, comecei a sentir muito medo. Não sou mais do que os outros. Todos os pensamentos aterradores ganham forma, mesmo tendo em conta que cá em casa não seguimos notícias e que só nos guiamos pelo que diz a DGS e a OMS. 

No entanto, chegou-se a um ponto em que tudo isto é maior do que nós.

Por nada deste mundo, pensava eu, ia ficar sem as minhas corridas ao ar livre, sem o meu momento de equilíbrio mental e de comunhão com o ar livre e a natureza. 

Não que antes não pensasse em nós, mas agora com um filho a caminho, já em fase de preparação para o receber, senti-me frágil. Arrepia-me a ideia de que uma simples sida para correr o pode matar.

Faz-me chorar e, mesmo procurando o equilíbrio, a sanidade, fica difícil não me assustar, sobretudo, pelo comportamento displicente de muitos. 

Ainda que tenha saído pouco na semana passada, numa ida normal ao supermercado, ia dando em maluco, não pelas compras, mas pelo risco de contágio. A juntar a tudo isto, tivemos uma consulta normal de gravidez. 

E sabem que mais? Como está tudo a correr bem, desejámos, quase que pedimos encarecidamente, não ter a consulta. Mas tivemos mesmo de ir. E fomos. E sofremos os dois com medo de tocar no que quer que fosse.

Perante este sentimento de terror, decidi que não iria correr enquanto isto não passasse. Não sei se imaginam o quanto isto me custou. Até ao dia 13 de Março, já levava mais de 1100 km (per)corridos em 2020. Tenho medo pela manutenção do peso, pela eventualidade de ter de deixar de correr. Destrói-me por dentro pensar nisso. Digo-o sem pruridos nem pudores. Porque me destrói muito mais saber que a minha irresponsabilidade pode matar o meu filho ou a minha mulher.

O Mateus ainda não está cá fora e já me dói tanto tudo o que lhe possa acontecer. 

Posto isto, parei a corrida na rua. Mas não parei o desporto. Continuo a pedalar na minha estática e amealhei conhecimento ao longo destes anos que me permite fazer trabalho intenso de força em casa.

Não sou mais do que ninguém é este texto não teve o intuito de mostrar superioridade. Tem, pelo contrário, o intuito de apelar a quem me lê para que se cuide e possa pensar um pouco em si e nos seus. Além disso, pensemos em todos aqueles que estarão no campo de batalha para nos ajudar. A troco de nada. Porque de nada serve o dinheiro se morrermos todos. 

Não me interessa discutir para já se é um exagero, se é tarde, se há dinheiro. Como disse Macron, présidente francês, na semana passada: “quoi qu'il en coûte".

 

 

Ninguém pára uma sociedade de ânimo leve. Posto isto, a maior força a todos e que nada vos afete. Que façam por isso e que olhem também pelo próprio. 

Quanto ao desporto, não deixem de o fazer, mesmo que limitado e em casa, porque vai acabar por vos ajudar. 

Um forte abraço. 

 

 

 

14
Mar20

Opinião no feminino VII


João Silva

E por fim, trago-vos a reflexão da Sarin, certamente já do conhecimento da maioria que circula nestas andanças, à minha pergunta.

Fazia parte do núcleo duro das minhas escolhidas para esta ação. É uma mulher de opiniões fortes, mas, mais importante, de opiniões muito fundamentadas. Não deixa créditos por mãos alheias. 

É curioso que tropecei nos seus escritos a propósito do blogue em que expõe o seu lado familiar. Revi-me com aquele lado de partilha das peripécias da sua sobrinha. Mais tarde, quando passei para o blogue dos "adultos", foi aí que percebi o quão capaz é esta jovem.

Certamente que não é indiferente a ninguém, principalmente, porque não se nega a um bom debate fundamentado, mas sem fundamentalismos.

Fiquem, portanto, com esta bela reflexão:

De que forma o desporto me faz sentir uma mulher mais forte?

Não faz. Estive em pausa prolongada no desporto, uma pausa que se arrasta há demasiado tempo e não apenas por minha vontade.

Mas fez. Desde miúda envolvida em actividades desportivas e dança, demorei anos a perceber o efeito que o desporto tinha e continuou a ter em mim – não a percepção teórica do “mens sana in corpore sano” que nos vem dos gregos, mas a percepção sensorial dos quase inexistentes episódios agudos de doença, da agilidade mental no pós-desporto por descansar a mente enquanto cansava o corpo, da calma satisfação nascida na empatia dos treinos e dos jogos. O desporto fez-me mais forte porque me fez física e mentalmente mais saudável e robusta, sim, mas também porque me permitiu explorar vários níveis de entrega e resistência ao cansaço – a paragem no desporto reduziu a eficácia alcançada, mas alguns dos efeitos perduram. E, tendo sido praticante de desportos colectivos (especialmente basquetebol), o desporto demonstrou-me poder-se aniquilar o adversário sem deixar de o respeitar em campo e abraçar fora dele, o que foi extremamente importante na consolidação de valores que me foram incutidos. A força da teoria feita prática.  

E fará. Porque meditação é bom, mas há que desarticular o sedentarismo.

A pergunta exige uma segunda reflexão: o desporto far-me-ia sentir um homem mais forte, se homem fosse. Mas numa sociedade ainda tão presa a preconceitos como as mulheres não jogam futebol (apesar de muitas demonstrarem que jogam e jogam bem), é fundamental que uma mulher seja emocional e mentalmente tão forte quanto possível, pois que fazemos o que os homens fazem e fazemo-lo de saltos altos – mas os saltos altos afectam a coluna e toda a paciência é pouca perante a discriminação a que estamos sujeitas, alguma tão subtil ou tão inconsciente que passa despercebida.

13
Mar20

Opinião no feminino VI


João Silva

A convidada seguinte dá pelo nome de Helena. Conheço-a há muito pouco tempo, mas já deu para perceber que a tenra idade engana e que não foge de reflexões complexas como esta que lhe pedi a propósito do dia da mulher.

Recentemente, criou um blogue e podem acompanhá-la aqui.

Verão que se trata de uma pessoa com conteúdo.

Aliás, o texto que se segue é a prova das minhas palavras:

 

 

 

A minha relação com o desporto começa, obrigatoriamente, na escola. As aulas de Educação Física eram tão complicadas. Por pressão social, apercebi-me de que teria de perder peso, mas não queria suar, correr, esforçar-me. Aos 18 anos, decidi, por iniciativa própria, apostar em algo que me ocupasse algum tempo. É aqui que as coisas mudam.

Atualmente, é difícil ter tempo livre. Não há muitas coisas que eu faça por mim própria, mas o desporto é uma delas.

O desporto é para mim algo “casual”. Não me considero uma desportista, sequer. Ainda assim, retiro benefícios de praticar desporto, que fazem de mim uma mulher forte, a nível individual e coletivo.

A nível individual destaco a minha saúde. Durante a prática do desporto, as minhas preocupações dissipam-se, dando forma a apenas uma: eu própria. Pela minha saúde física e mental, interrompo a rotina diária “automática”, – o clássico trabalhar, comer e dormir, - para me dedicar a mim mesma. Naquela hora e meia, preocupo-me em respirar, em esticar os braços, em desaparecer do mundo e ser eu própria.

Já a nível coletivo, e fazendo a ligação para o tema deste texto, destaco o papel das mulheres, como grupo social, no desporto. Quando iniciei a minha “jornada desportiva”, por muitas vezes que ouvi dizer: “Isso não é desporto” ou “Isso é desporto de mulher.” Por oposição a quê? A “desportos de homem”? Ainda hoje não percebo tal distinção. Enquanto que as mulheres têm o papel de “mãe” e “esposa” para desempenhar, os homens são o sexo do desporto, da força, do suor. Esta ideologia é retrógrada e cada vez mais diverge da realidade.

O simples ato de interromper a minha rotina diária para fazer exercício já demonstra que tenho vontades dentro de mim. Disso não haja dúvidas. Pô-las em prática é o que me diz que faço o que quero, não o que as pressões sociais exigem de mim. Posso ter uma casa para limpar, uma pilha de pratos para lavar, mas se o meu namorado quer acabar o jogo antes de ir arrumar a loiça ou fazer a cama de lavado, porque é que eu não poderia despender do meu tempo para dedicá-lo a mim mesma?

Este estereótipo de que só os homens é que praticam desporto tem de ser anulado. A diferença que existe entre os homens e as mulheres na área do desporto era grande. Está a começar a desaparecer e isso, claro, assusta a população machista. Mulheres e homens podem partilhar a vontade e a prática do desporto. Não é por isso não ser reconhecido que se põe em causa a virilidade dos homens.

As mulheres são fortes. Cada uma sofre, chora em silêncio, luta muito. Todas essas coisas nos definem, ainda que sejam “fraquezas” aos olhos de metade da população mundial. Não podemos continuar a ser vistas como o “sexo fraco” no desporto, como aquelas que só praticam desporto para ter um corpo bonito e agradar aos homens, em vez de se agradarem a si próprias. Há que bater com o pé e, principalmente, fazer aquilo que queremos. Não há ninguém que nos possa dizer o que fazemos ou deixamos de fazer a não ser nós mesmas. Isso é o que importa. Isso é o que nos torna fortes.

 

Desde cedo que todos ouvimos a expressão “corres como uma menina” atirada da boca para fora como um insulto entre crianças. Mas as meninas também correm rápido.

 

Mudemos isto, Mulheres.

 

12
Mar20

Opinião no feminino V


João Silva

Já com o "barco" em maré alta, apresento-vos mais uma reflexão feminina sobre o papel do desporto no fortalecimento da mulher e do seu papel.

Hoje trago-vos a Alala, uma guerreira que tem a particularidade de ter sido a minha primeira seguidora nisto dos blogues. Podem acompanhar tudo o que tem para nos dizer aqui.

Claro está, empatia criada de imediato. A juntar ao seu lado mais revoltado e explosivo, traz-nos uma paixão muito grande pelo desporto, o que, está-se me mesmo a ver, é motivo mais do que suficiente para fazer parte do "clã" deste blogue.

Ora vamos lá seguir o que diz a Alala:

 

De que forma o desporto te faz sentir uma mulher mais forte?

O desporto é o meu aliado em muitas situações. É quase como aquele amigo que está sempre disponível para te ouvir e que te levanta a cabeça quando te sentes em baixo, é aquele que eu muitas vezes ofereço resistência mas que depois de ceder só me dá alegrias e sensações boas. Até o cansaço no corpo é uma sensação boa. Adoro a sensação de chegar a casa com o corpo todo dorido e não há nada melhor do que cair na cama sem pensar em nada porque libertei tudo, toda a minha energia ficou ali naquela atividade que optei por fazer. Seja a dança, uma simples caminhada ou até algum desporto de explosão que tanta falta me faz. Quando o corpo dói, o peito queima, a mente grita em silêncio que não consigo mais e tenho de parar, há algo que me faz continuar… Isso torna-me mais forte! Desafio-me a mim mesma a conhecer os meus limites. Ainda não descobri alguns limites mas a pouco e pouco o desporto também me vai trazendo respostas. O corpo fala mas a mente comanda. E o que a mente quer, o corpo cede. Bem, pelo menos comigo… o limite de cada um de nós não é algo que se conhece facilmente. Só sei o que sou capaz de fazer se conhecer os meus próprios limites. O desporto faz-me muita falta. É um momento em que estou comigo mesma e ponho as ideias em ordem, o momento em que ouço uma música que tem todo o significado para mim e que me faz correr com mais vontade e garra. Faz-me sentir que estou viva e em equilíbrio com o que me rodeia. O desporto traz também momentos de convívio e de aproximação entre as pessoas. E sim, sou uma mulher mais forte quando pratico desporto. O desporto devolve muito mais do que um corpo “Danone”. Mais importante do que isso, devolve a confiança, a segurança, a vontade de vencer, a paz, a alegria, a disposição, o entusiasmo, a saúde e a percepção de que estar vivo e sentir-se vivo é realmente importante! E é importante saber VIVER!

11
Mar20

Opinião no feminino IV


João Silva

Mais um dia e mais um texto escrito no feminino.

Desta feita, o espaço é todo da Luísa, sempre presente e bem ativa nos seus blogues. Podem vê-los aqui e aqui.

Nunca escondi a admiração que tenho pelo que a Luísa representa e não seria possível deixar passar esta ocasião sem perceber até que ponto o desporto é benéfico na sua evolução e afirmação como mulher. 

O texto dela em resposta ao meu repto versa assim:

 

A prática regular de desporto ou de uma atividade física nas crianças, jovens adultas e mulheres pré e pós-menopausa, assim como nas mulheres no envelhecimento, gera benefícios físicos, psíquicos e de integração social, além da redução de doenças crónico-degenerativas, como hipertensão, diabetes e obesidade.

Na infância e na adolescência, principalmente para as jovens, a prática de atividade física auxilia no desenvolvimento social e na autoestima, contribui para melhorar o perfil lípido e reduzir a prevalência da obesidade, além da prevenção do sedentarismo na idade adulta.

Na mulher adulta a prática da atividade física ajuda na melhoria da capacidade cardiorrespiratória e muscular, reduz o risco de doenças cardíacas e metabólicas, ajuda na manutenção do peso e menor risco de sintomas de depressão.

No envelhecimento e por altura da menopausa, a prática do exercício físico é um aliado para a prevenção das doenças músculo-esqueléticas - osteoporose, sarcopenia, que leva a risco de queda e consequente morbilidade e mortalidade, reduz o risco de morte por doenças cardíacas e metabólicas, ajuda na melhoria da função cognitiva e aumento da aptidão física e funcional, contribuindo, assim, para uma melhor habilidade na prática das atividades do dia-a-dia.

 

Atualmente o conceito de saúde e bem-estar está intimamente ligado à prática do desporto e de uma atividade física e é procurado cada vez mais pelas mulheres em qualquer idade, que cuidam mais de si, da sua imagem, dos seus interesses profissionais e sociais e procuram uma boa saúde física e mental."

10
Mar20

Opinião no feminino III


João Silva

Seguimos em velocidade de cruzeiro neste périplo pela opinião feminina neste espaço e hoje damos "voz" à MJP, uma leitora assídua deste canto e alguém que, sem me conhecer pessoalmente, já mostrou mais preocupação com o meu bem-estar do que muitos conhecidos.

Só lhe podia "encomendar" mais um belo texto.

Aqui fica:

 

Recebi (mais) um generoso convite do João para escrever no seu blogue, que me desafiava a reflectir sobre a seguinte questão:

“De que forma o desporto a faz sentir uma mulher mais forte?

O intuito é perceber de que forma o desporto pode ser um elemento agregador para valorizar e evidenciar o papel da mulher na sociedade atual.”

Ora bem, não sendo, eu, uma desportista e tão-somente uma entusiasta do desporto (sobretudo atletismo e ciclismo), enquanto espectadora, decidi aceitar tão amável convite e focar-me no papel que as caminhadas desempenham na minha Vida…

Gosto muito de caminhar, sobretudo, à beira-mar, embora não o faça com a regularidade que gostaria…

Também gosto de fazer longos passeios pelo campo…

O que ambos têm em comum (o Mar e o campo) é o facto de constituírem locais que me fazem “viajar ao sabor do pensamento”, proporcionando-me momentos de intenso prazer e profunda Liberdade enquanto caminho… 

De um ponto de vista mais abrangente, tendo por base o desporto de competição, diria que, lamentavelmente, ainda há uma enorme clivagem entre homens e mulheres que urge corrigir, nomeadamente, no que concerne aos prémios monetários, que são manifestamente inferiores no sector feminino, sendo transversal a qualquer desporto praticado. 

No entanto, considero que as mulheres desempenham um papel (muito) relevante no panorama desportivo, que deve ser valorizado e incentivado desde tenra idade, onde o desporto escolar deverá constituir um pilar primordial, desmistificando a ideia de que existem “desportos para meninos” e “desportos para meninas”.

O desporto deve ser inclusivo e agregador, não discriminando género, cor da pele ou qualquer outra diferença existente entre os seus intervenientes…

 

09
Mar20

A opinião no feminino II


João Silva

Hoje trago-vos um texto da estimada Nala, cujo blogue podem consultar aqui.

Decidi lançar-lhe o repto porque reconheço nela um espírito íntegro e vejo nos seus textos alguém com ideias muito claras sobre a forma como a sociedade deve ver a mulher na atualidade.

 

De que forma o desporto te faz sentir uma mulher mais forte?

 

Mentiria se dissesse que faço desporto pelo prazer do desporto... 

 

Pratiquei vários desportos ao longo da minha vida e, como não era propriamente muito dada ao desporto e de tanto me terem dito isso, acabei por me classificar como “um zero à esquerda” e a prática desportiva deixou de fazer parte da minha vida. 

 

Hoje em dia tenho, portanto, uma relação de amor-ódio com o desporto. Obrigo-me a fazê-lo em primeiro lugar porque me faz bem ao corpo e depois porque me faz bem à alma mas não posso dizer que não seja uma grande batalha cada vez que preciso de começar. 

 

O desporto faz-me sentir forte não no momento em que o faço mas essencialmente quando sinto os seus efeitos a longo prazo: quando me sinto mais calma e capaz de gerir o stress, quando estou motivada e com os pensamentos renovados depois de uma boa sessão de exercício ou quando sinto a autoconfiança típica de quem está em boas condições físicas. 

 

No fundo o desporto para mim funciona como uma arma secreta para lidar com o stress e a ansiedade a que estamos todos tão sujeitos e fazer aquela pausa que me é muitas vezes tão necessária e que me faz sentir muito mais forte e segura de mim. 

 

E as diferenças entre os momentos em que estou mais focada no exercício e aqueles em que me desleixo são notórias: sou muito mais eu, muito mais capaz de responder às exigências de uma vida a 100 à hora e muito mais forte graças a ele. 

08
Mar20

Opinião no feminino I


João Silva

No arranque deste Dia Mundial da Mulher, decidi dar este canto à minha esposa. Já sei o que ela acha sobre a influência do desporto na afirmação social da mulher, mas gostaria de partilhar essa opinião convosco. E foi assim que lhe lancei o repto de escrever no blogue. 

Trata-se da mulher que mais admiro no mundo e em quem revejo um ser humano extraordinário, pelo que tudo o que possa dizer é suspeito.

Por isso mesmo, faço questão de vos deixar de seguida com o texto dela. 

Aproveito igualmente para desejar um feliz dia a todas as mulheres. 

 

De que forma o desporto te faz sentir uma mulher mais forte?

Qualquer pessoa deve procurar um desporto que a faça sentir-se melhor. Sei que parece cliché, mas há um desporto perfeito para cada um de nós. É uma questão de experimentar até o encontrarmos. Quando isso acontece, sentimo-nos muito mais confiantes e prontos para enfrentar os desafios do quotidiano.

O (pouquíssimo) desporto que pratico faz-me sentir que posso conquistar muito mais do que aquilo que pensava. Há uns anos, mal conseguia andar meio quilómetro sem dores e há um ano já conseguia fazer mais do que isso a correr.
Quando decido praticar uma atividade desportiva (nem que seja correr apenas uns minutos), sinto que estou a desafiar o meu corpo para saber quais são os meus verdadeiros limites. Sinto-me em paz e feliz. Sinto-me mais leve, embora esse sentimento passe quando sinto as dores nos dias que se seguem 😉. Mesmo assim, sinto que vale a pena. Mesmo que sejam apenas uns minutos e muito raramente, a sensação é maravilhosa e sinto-me renovada a cada passo dado.

 

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