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Tira o rabo do sofá

Em 2016 era obeso. Hoje sou maratonista com 8 maratonas e mais de 70 provas. Partilho histórias, dicas para iniciantes e motivação diária para te ajudar a perder peso e sair do sedentarismo. Tira o rabo do sofá!

Tira o rabo do sofá

Em 2016 era obeso. Hoje sou maratonista com 8 maratonas e mais de 70 provas. Partilho histórias, dicas para iniciantes e motivação diária para te ajudar a perder peso e sair do sedentarismo. Tira o rabo do sofá!

Tira o Rabo do Sofá

https://youtu.be/9sw9AHC7wiU?si=JEvLDlihcdZiHKoy

O que dizem as minhas sapatilhas

28.02.20

Ser melhor implica ir além da dor


João Silva

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É um

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É um assunto recorrente e, na verdade, muito ou pouco "polémico". Primeiro, a "dor" depende do que cada um consegue suportar e não há mal nenhum nisso.

A dor é como os gostos: "cada um com o seu", portanto, não se questiona.

Onde pretendo chegar com a afirmação do título é que a melhoria de cada um passa invariavelmente pela superação.

Passo a explicar: se estivermos sempre no mesmo patamar com o mesmo nível de treino, é muito pouco provável que evoluamos, se esse for o nosso propósito. Se não for, pode-se continuar. No entanto, só com aumento do nível e da intensidade é possível passar para o nível seguinte.

Não falo em ser teimoso e provocar dor ou treinar com dores. Apesar de o fazer mais vezes do que gostaria e deveria, sei que não é benéfico. 

Por outro lado, refiro-me sim à superação do "Cabo das Tormentas". Para se correr mais rápido, é importante e necessário fazer treinos de séries, o que, invariavelmente, vai trazer dor inicial. Sofre-se muito porque se está a treinar a respiração anaeróbia, logo, há muito pouco oxigénio entre repetições. 

Portanto, resumindo, com dor, refiro-me às sessões mais duras que nos colocam fora do nosso habitat, que são extraordinárias pela sua irregularidade, mas que são simultaneamente muito benéficas para todo o nosso corpo.

Concluindo, na minha opinião, não há (muita) evolução sem passar por estágios de dor. É necessário enfrentar monstros. Pelo menos, vejo as coisas assim e é dessa forma que me consigo superar.

Mas há dor e (ar)dor e esta última não é benéfica...

Como se posicionam nesta questão?

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26.02.20

Inibição habituada?


João Silva

Este foi um tema muito caro à minha pessoa nos últimos meses.

Em janeiro tive a primeira prova do que pode ser o caos na vida de uma pessoa.

Não foi a primeira vez e depois acumulou-se tudo, desde as dificuldades que crio na minha cabeça às necessidades profissionais. Nada de novo para ninguém, cada um com as suas e também não estou aqui a dizer que sou um mártir ou um coitadinho. Estou e fico grato pelo que tenho, mas, como é óbvio, há situações que nos deslocam. Não duvido que façam crescer, mas o crescimento e a aprendizagem só aparecem após a ultrapassagem do momento.

Voltando ao asunto, aquele foi um mês de reformulação dos meus treinos. No entanto, apesar de ter atenuado a duração, não o fiz na dureza.

Só que tudo isto cria habituação e depois parece "moleza". Passo a explicar: a duração mínima das corridas diárias em janeiro passou de 1 para 1h30. Pelo menos duas vezes por semana, tinha sessões de corrida acima de 2 h. Portanto, não se pense que é algo "leve". Mas este vosso caríssimo achou que sim. Aliás, acha que sim numa grande parte dos temas que o possam prejudicar, no caso, fisicamente.

No entanto, a meio do processo, houve uma altura em que percebi que podia implementar umas duas ou três diferenças no treino como forma de me estimular. Contudo, aos meus olhos, completamente vidrados e obcecados, isso era aligeirar, logo, as perdas não seriam as mesmas. E portanto, achei melhor ir correr 2 horas.

Cheguei ao fim com imensas dores nos adutores e nas coxas. Foram dias terríveis e isso entristece-me um pouco. Sei claramente que fiz mal e não deixa de ser característico da minha personalidade o facto de achar que ir correr 2 horas com subidas era "mais fácil" do que fazer um treino de bicicleta estática para aliviar a carga sobre o meu corpo.

Indiscutivelmente, foi um momento de falta de lucidez, como têm sido tantos nos últimos meses.

Estou num processo, principalmente, de autoaceitação e de aceitação das mudanças na minha vida, mas tudo isso requer tempo, paciência e compreensão. Não de quem está ao meu lado. Nada disso me falta dessa parta. O problema está em mim. 

Pegando na célebre frase de um treinador de futebol, "o burro sou eu".

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24.02.20

Contra o RICE, PEACE & LOVE


João Silva

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Há uns tempos, falei-vos da diferença entre quente e frio para cuidar de lesões e da importância do gelo quando bem aplicado.

Agora, volvidos alguns meses, chegou-me aos olhos, fruto do trabalho de "pesquisa" da minha incansável treinadora e eposa, um artigo da DECO Proteste a explicar que, afinal, o gelo pode mesmo ser prejudicial no processo de recuperação de lesões em tecidos moles. Qual a razão? Apesar de continuar a ser seguro logo após uma lesão, o gelo tem tendência para impedir o processo de regeneração, já que impede a migração das células para a zona afetada.

Portanto, o método RICE, durante anos tido como profícuo, tem-se revelado ineficaz, como confirma, em parte, o próprio responsável pela descoberta daquela forma de tratamento.

Assim, de RICE (Rest, Ice, Compression, Elevation), passamos a lidar com dois conceitos diferentes: um, o PEACE, incide na fase imediatamente após a lesão, o outro, o LOVE, responsável pelo processo de recuperação.

PEACE significa, na verdade, ProteçãoElevação, Anti-inflamatórios (no sentido de evitar), Compressão e Educação (no sentido de gerir expectativas).

Por seu turno, LOVE designa Load (adaptação da carga e implementação gradual), Otimismo, Vascularização (aumentar o fluxo sanguíneo sem causar dor),  Exercício

Podem ler o artigo na íntregra através da seguinte ligaçãohttps://www.deco.proteste.pt/saude/exercicio-fisico/dicas/gelo-e-o-mais-eficaz-para-lesoes-musculares

E por aí, há adeptos de RICE, PEACE, LOVE ou dos três?

 

https://www.deco.proteste.pt/saude/exercicio-fisico/dicas/gelo-e-o-mais-eficaz-para-lesoes-musculares

22.02.20

Reduzir ou destruir?


João Silva

Gosto disto: ler, ver ou pensar em alguma coisa aleatória e depois utilizar para refletir sempre com o foco e o termo comparativo na corrida.

Desta feita, uma vez mais, foi a minha querida Diana que me sugeriu o texto que esteve na base desta publicação. Podem lê-lo na íntegra aqui: 

https://corredoresanonimos.pt/actualidade/especialistas/reducao-treinos-maratona

MAS PRIMEIRO TOCA A VER O QUE VOS DIZ ESTE VOSSO ESTIMADO! 

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Quando se aproxima uma prova da dimensão de uma maratona, é importante perceber que há uma fase decisiva para determinar, em grande medida, o vosso desempenho.

Tenho lido e percebido que há um grande dilema sobre o que fazer perto do grande dia.

As opiniões dividem-se entre treinar, abrandar o ritmo ou parar por completo-

Pela experiência pessoal, defendo que é necessário abrandar, pois isso vai permitir que o corpo assimile a carga dos últimos meses e recupere energias para a prova. Na minha primeira experiência, as duas semanas anteriores à prova redundaram numa redução da carga de corrida e na repetição continuada de reforço muscular. Folguei no dia anterior à prova.

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Na segunda passagem, em Aveiro, procedi da mesma forma. Cheguei relaxado mas bem, ativado, sem perda de foco muscular. Na terceira, optei por manter um nível aceitável de corrida na semana que antecedeu a aventura no Porto e não folguei. Na véspera, decidi fazer duas horas de reforço muscular nos braços e peito. Posso dizer que ajudou, já que me senti bem soltinho e consegui um bom desempenho, que conta mais para mim do que o resultado final.

Isto para dizer o quê? Que em momento algum me passou pela cabeça parar por completo. Não o faço por convicção e por necessidade de equilíbrio mental e de regulação do peso. Ainda assim, parece unânime, como poderão ver na ligação da referida reportagem do Corredores Anónimos, que não é aconselhável parar por completo. Porquê? Simples de explicar: os sinais enviados ao corpo são de que não há necessidade de manter o "alerta", pelo que a consequência será um grande relaxamento. Logicamente, a ativação perde-se e a forma vai atrás, embora não na totalidade, dificultando muito a resposta do corpo no dia da prova.

Na verdade, como certamente percebem, abrandar não é parar, o que implica manter algum exercício. No artigo que sustentou este meu texto, têm "direito" a ficar com alguns conselhos para adotar na fase de aproximação ao grande dia. O volume de treinos, ainda que menos intenso, permite igualmente não baixar a guarda, manter o foco. Mentalmente, é muito importante. A performance passa muito pela força psicológica para enfrentar as dificuldades.

Portanto, antes de vos "deixar" ir ler o texto, pergunto: reduzir ou destruir?

 

20.02.20

O Carlos tinha três e "você"?


João Silva

Logo em forma de ponto prévio, devo dizer que o artigo que sustentou esta minha publicação me foi passado pela minha estimada Diana, o que só prova o quanto ela também já está embrenhada no mundo do atletismo (na verdade, já estava. Sempre foi fã dos Jogos Olímpicos e costumamos passar belas sessões a debater performances).

Relativamente ao assunto de hoje, fiquei logo "preso" quando ouvi falar na questão das três passadas. Depois, não podia ficar indiferente ao testemunho de um campeão olímpico como o Carlos Lopes.

Na entrevista, feita pela publicação Corredores anónimos, o antigo atleta do Sporting revela que usava três tipos de passada. 

Na verdade, antes de vos deixar a minha opinião sobre a questão, confesso que fiquei fascinado ao ler que o campeão nunca abandonou o seu trabalho. Segundo ele, o atletismo era efémero. Esta "filosofia" não mostra outra coisa que não uma pessoa dotada de um grande espírito de sacrifício. Não tenho dúvidas de que foi isso que o conduziu ao sucesso.

A propósito do tema em concreto desta publicação, consigo perceber a ideia das três passadas, até porque se percebe que cada uma é própria de cada vertente do atletismo que ele praticou.

Entre vós, desportistas e corredores, quando correm, sobretudo em prova, fazem-no sempre da mesma forma?

Já tinha lido sobre isso há algum tempo no blogue do José Guimarães e, depois de ter começado a correr, pude, eu próprio confirmar que o desempenho e os resultados requerem estratégias diferentes. 

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Basta pensar no seguinte: quem corre em trails, devido às irregularidades e obstáculos, por norma, tem de adotar uma postura com os joelhos mais elevados e a aterragem do pé tem de ser mais afastada. Em estrada, por outro lado, devido ao desgaste do alcatrão, a passada pode ser mais curta e o tronco mais direito (sem estar rígido). Com efeito, a esse nível, consegui perceber no último ano que uma das chaves para uma evolução positiva dos tempos de corrida está na colocação da anca e no levantamento do joelho. Ou seja: anca direita e passada com pé a aterrar com a almoda da planta e depois com o calcanhar. É algo que se treina e que demora algum tempo a aperfeiçoar. Além disso, a tendência do cansaço é para retomar uma passada mais curta e os joelhos não sobem tanto. Se experimentarem contrariar isso, vou comprovar o que digo em relação ao ganho de velocidade. Passam a dar menos passos, mas percorrem mais espaço em menos tempo.

Não sei se também dão atenção a esse aspeto, mas confesso que ligo muito e que procuro estar constantemente a subir os joelhos (ou a tocar com os calcanhares no rabo).

O outro tipo de passada que já experimentei foi a do corta-mato, que obriga a uma maior rapidez, continua a permitir um ritmo constante, mas traz alguns obstáculos ao terreno, forçando assim uma colocação distinta dos pés.

Quantas passadas já experimentaram?

Como definiriam a vossa forma de correr?

Caso pretendam, podem ler a entrevista aqui e ouvir o campeão Carlos Lopes em primeira mão aqui:

 

18.02.20

Envelhecer não (nunca) é perder


João Silva

 

 

 

O convite já tinha sido feito há algum tempo e foi um daqueles que tinham mesmo de ser. Porquê? Porque reconheço na Luísa uma enorme paixão pelo desporto e isso é logo o facto digno de destaque. Partilha no seu blogue Mais boa forma conselhos muito bons. Além disso, é a prova provada de que velhos são os trapos e de que não há idades, há personalidades. A juntar a tudo isto, reúne, precisamente pelo gosto e pela idade, algumas características que reconheço em pessoas próximas de mim e que vejo como exemplo enquanto ser humano e ser desportivo. Antes de vos deixar ler o seu grande testemunho, convido-vos a visitar outro espaço dela, o blogue Uma pepita de sucesso, onde nos presenteia com histórias da sua vida e da sua bela ilha, a da Madeira.

Quando tinha 20 anos perguntavam-me porque me preocupava tanto com a saúde e com a boa forma, porque me alimentava de forma equilibrada, fazia exercício físico diariamente, estando muito bem de saúde? Respondia que era para continuar assim bem de saúde e em forma aos 40 anos.

Quando fiz 40 anos voltavam a perguntar-me o mesmo! Respondia que era para chegar aos 60 anos com saúde e energia.

Agora que estou à beira dos 60 anos, ainda me perguntam porque sou “viciada” em hábitos saudáveis, se não tenho problemas de saúde e estou em boa forma física. E mais … perguntam-me como consigo estar tão bem de saúde e em forma com quase 60 anos! Respondo que é porque sempre tive cuidado com a minha alimentação, sempre fiz exercício físico e porque quero chegar aos 80 anos assim saudável, a fazer exercício físico diariamente, a alimentar-me corretamente e ser uma velhinha muito feliz e independente!

A minha relação de amor/paixão com a saúde, atividade física e bem-estar vem de há muitos anos. Desde os 12 anos, quando decidi entrar para a única escola de ballet que havia no Funchal, percebi que o movimento é parte integrante de uma vida saudável. A partir daí o “bichinho” pelo exercício físico virou um hábito diário.

Fui também inspirada pelo meu pai, amante do desporto, jogador de futebol e massagista no Club Sport Marítimo.

Desde então, nunca deixei de introduzir no meu dia-a-dia o ballet, dança, yoga, pilates, aeróbica, treino de tonificação e todas as modalidades desportivas para as quais tenha vontade de praticar e que sinta que me motivam e fazem bem.

Sou também uma acérrima curiosa em tudo o que se relaciona com a saúde e o bem-estar, modelando e inspirando-me nos gurus de fitness, “abraçando” formações, estudos científicos e toda a informação pertinente para “suportar” esta minha paixão e adaptar aos meus treinos e ao meu dia-a-dia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002, salientou que muitas das alterações que ocorrem durante o envelhecimento, bem como a maneira como ocorre nos indivíduos, são motivadas por fatores como a exposição solar, hábitos alimentares incorretos, inatividade física, obesidade, tabagismo e outros estilos de vidas incorretos.

Acredito que muitas das acentuadas alterações na aptidão física e na capacidade funcional do indivíduo, devem-se ao desuso e ao uso exagerado ou incorreto a que está sujeito o organismo.

Acredito, também, que o envelhecimento da população atualmente é uma tendência positiva, que caminhamos para sermos idosos mais ativos e que está intimamente ligada à maior eficácia das medidas preventivas em saúde, ao progresso da ciência no combate à doença, a uma melhor intervenção no meio ambiente e, sobretudo, à consciencialização progressiva de que somos os principais agentes da nossa própria saúde, alterando hábitos de vida sedentários e contrariar a degeneração e enfraquecimento do organismo de modo a preservar a aptidão física, psíquica e cognitiva, a independência e a saúde.

E nunca se esteve tão bem como agora no que se refere à promoção e prevenção da saúde e do bem-estar.

Existem ginásios com uma variedade de modalidades desportivas ao gosto e motivação de cada um e a preços suportáveis.

Existem livros, vídeos, jogos, todos com excelentes programas de atividade física, nutrição e estilos de vida saudáveis.

Existem canais no Youtube com vídeos gratuitos, com planos e programas de exercício físico para todas as faixas etárias, níveis de intensidade e duração.

E no envelhecimento existem muitos equipamentos orientados para a o envelhecimento ativo, tais como academias e/ou universidades seniores e centros de dia, todos como uma resposta social que visa promover e proporcionar momentos de educação, prazer, cultura, promoção da saúde, lazer e de bem-estar.

Está nas nossas mãos preparamos o nosso envelhecimento com saúde e qualidade.

Ser saudável é uma escolha!

 

*** Obrigada, João Silva, por me ter dado o privilégio de escrever no seu blog e poder dar o meu testemunho sobre envelhecimento com saúde, atividade física e qualidade de vida.

 

16.02.20

O que não mata, engorda e também te pode transformar num ciclista


João Silva

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O texto que se segue não é da minha autoria. É do Rui, criador do blogue Bike Azores, que tem uma enorme paixão por ciclismo e por bicicletas.

Perante tamanha paixão, era impensável não lhe pedir, com jeitinho, um texto sobre a sua ligação a esse desporto, que também me apaixona. Foi, pois, um muitos em um.

Amavelmente, aceitou o desafio que lhe fiz, o que me deixa imensamente satisfeito e, por essa razão, agradeço-lhe pessoalmente.

Deixo-vos com a dissertação do estimado Rui. Antes disso, recomendo a vossa passagem no espaço dele.

Espero genuinamente que gostem tanto quanto eu:

“Tal como a maioria das pessoas, o meu contacto com as bicicletas surgiu em criança e alastrou-se para a adolescência. Sempre tive um gosto especial por veículos com rodas, sendo que o seu número foi variando conforme as minhas fases de desenvolvimento. A entrar na idade adulta tive um último contacto com os pedais, mas abdiquei definitivamente deles a favor das motas.

Só 15 anos depois voltei às bicicletas. Estava longe de pensar que a BTT de entrada de gama que acabava de comprar, para efeitos de exercício físico, ia dar início a toda uma nova fase da minha vida onde as bicicletas ganhariam grande relevância.

Comecei com alguma apreensão, mas que depressa deu lugar a um grande entusiasmo. Queria fazer parte deste meio, queria munir-me de mais e mais meios. Fiz algumas provas. Troquei de bicicleta um ano depois, aquela que ficou marcada como a bicicleta mais cara que já comprei. Ainda a tenho, fez recentemente 10 anos.

Passados 3 anos, compro uma bicicleta de estrada. Diferente, no conceito, na atitude. Foi aqui que inverti o trilho que seguia. Passei a ter outros objetivos, outras prioridades. Afastei-me da competição, da qual nunca estive especialmente próximo, tirei o foco dos meios, da eficácia e da eficiência. Apaixonei-me pelo conceito mais básico da bicicleta, pela função, pela manufatura, pela tradição, pela mais pura relação homem/máquina!

Não fazia sentido continuar a ver a bicicleta apenas como meio de desporto e lazer. Comprei uma citadina, dobrável, onde comecei timidamente a fazer dela a minha companheira de deslocação e transporte. Comprei outra, mais capaz, e então nunca mais parei.

Uma nova fase ficou marcada pela amadurecida compra de uma bicicleta de carreto fixo. Devo ter passado um par de anos ou mais, a ponderar esta compra. São bicicletas exigentes e com algumas limitações, mas que prazer me dão. Adoro-as!

Mesmo assim e mais recentemente, acabei por adquirir uma bicicleta de estrada, que não sendo o último grito, é assumidamente uma bicicleta moderna. Talvez seja mesmo aquela com que menos me identifico, mas que me permitiu dizer sim a certos desafios, que de outra forma seria difícil.

Os grupos extinguiram-se e atualmente ando quase sempre sozinho, e na estrada. De quando em vez faço uma perninha na competição, apenas por diversão, quando sei que esta está assegurada.

O meu regresso às bicicletas conta com quase uma dúzia de anos, várias bicicletas, alguns quilómetros sobre elas e muito prazer e paixão associados. É uma relação total, onde o gosto passa por andar, intervencionar e apreciar estaticamente. As bicicletas alcançaram uma dimensão inesperada na minha vida, mas perfeitamente legítima e compreensível, tal é o nível das mais-valias que agora lhes reconheço.

O ciclismo é uma modalidade desafiante que nos coloca constantemente à prova, mesmo quando encarada da forma mais descontraída, como o faço. Se calhar é por isso que é tão cativante e apelativa. A prática permite-nos progredir e ir mais além. Dá-nos mais segurança e confiança. Dá-nos uma incrível sensação de prazer e liberdade. Aumenta-nos a autoestima. Que não se queira falar em ciclismo, por estar demasiado conotado como competição, mas que se fale em andar de bicicleta. Tudo faz sentido, tudo é relevante. Seja uma jornada em que se ultrapassa os 3 dígitos de quilometragem, seja uma pequena e tranquila volta a usufruir calmamente da bicicleta e da ambiência que nos rodeia.

 

Para além de me propor a escrita deste texto, o João desafiou-me para “escrever também sobre a medida em que o ciclismo pode "aprender" ou dar ao atletismo.”

Já recorri à corrida como forma alternativa de manter a forma, mas infelizmente fui obrigado a abdicar devido a uma lesão grave num joelho. Uma das coisas em que a prática do ciclismo, na vertente BTT, me era útil nas minhas corridas era o conhecimento de certos percursos fora de estrada, como forma de introduzir alguma inovação e variedade às mesmas. Outra coisa importante que se aprende, reciprocamente, é a gestão do esforço e o controlo da ansiedade, que podem fazer toda a diferença em qualquer uma das modalidades.

 

Obrigado, João!”

14.02.20

Fazer exercício da forma mais básica possível


João Silva

Numa senda de (boas) sugestões, trago-vos uma imagem, que, infelizmente, não está nas melhores condições, mas que dá uma dica daquilo que pode ser uma forma básica e simplista de fazer exercício físico.

Bem sei que hoje não haverá muitos interessados em seguir este conjunto de conselhos, mas podem perfeitamente fazer alguns (ou todos) no fim de semana. Verão que não custa nada mesmo.

Não tem de ser sempre ginásio ou atividade dura. As coisas mais simples da vida dão perfeitamente para irmos “castigando” o corpo e para o tonificarmos um pouco, sem esquecer, claro, aquilo que me parece o mais importante: a nossa saúde.

Já tinha ouvido, por exemplo, que o povo tailandês passa os dias agachado como forma ded promover o exercício físico. Sobretudo os povos ocidentais têm uma tendência (demasiado) exagerada para o sedentarismo. No entanto, basta pensar um pouco.

No meu quotidiano, posso adiantar que opto sempre por escadas, que agacho com as pernas e não com as costas, que às vezes gatinho ou saltito para ir à cozinha, que opto por carregar lenha para a lareira de forma faseada e que, por exemplo, vou buscar os garrafões de água ao carro gradualmente. Ou seja, se tiver comprado dez, opto por fazer cinco viagens de ida e outras tantas de regresso. Além disso, ainda procuro ativar os abdominais quando carrego pesos.

Nem sempre fui (e foi) assim, mas agora é uma forma de ir fazendo muito mais pela minha saúde. E nunca é tarde. Parece cliché mas é uma questão de nos obrigarmos a recordar que é para o nosso bem.

Deixo-vos esta imagem com algumas explicações e sugestões publicadas na revista Mais do Lidl. É tão básico que só apetece perguntar: mas como é que não me lembrei disto antes?!

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12.02.20

Fonte de conhecimento


João Silva

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Numa publicação diferente do habitual, hoje pretendo partilhar convosco uma das melhores fontes de informações de atletismo que conheço.

Trata-se da revista Atletismo. Além das mais variadas notícias nacionais relacionadas com esta modalidade desportiva, ainda procuram dar voz a atetas amadores e às suas histórias.

A propósito da mudança que a minha vida teve na altura, concederam-me a honra de me dar algum destaque, mas não é de todo por isso que vos falo deles. As histórias que já li na página deles prometem ser uma grande ajuda para quem pretende usar o desporto como trampolim para mudar de vida. São uma excelente forma de nos mostrar que há sempre alguém pronto a valorizar a nossa história.

Quem ainda não o fez, pode ler a minha aqui: https://revistaatletismo.com/joao-balcas-silvade-118-kg-a-maratonista-em-dois-anos/

Já lá vão alguns meses desde a dita entrevista e algumas coisas mudaram, mas posso garantir que continuo fã do trabalho deles: as pessoas que, de uma forma ou de outra, procuram mostrar que o país é mais do que futebol merecem todo o destaque do mundo.

Por isso, parece-me incontornável para todos os amantes das diferentes vertentes do atletismo.

Têm abaixo a ligação direta para a primeira página do site. Espero que seja do vosso agrado:

https://revistaatletismo.com/

10.02.20

“Ou ganho ou aprendo”


João Silva

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O objetivo não passa por dar uma de guru do mindset. Não tenho nada a ver com isso, afasto-me o mais que posso. Por outro lado, acho que há frases e lemas que nos assentam que nem uma luva e que nos ajudam a ver a vida de outra perspetiva.

Esta citação pertence, ao que consta, a Nelson Mandela e tem originado alguns debates interessantes no interior da minha cabeça.

Mais do que nunca, tenho analisado, tenho pensado, refletido. Contudo, por defeito, vejo o copo sempre meio vazio. Ora, por questões de justiça face à realidade, é muito importante ver mais vezes o “bright side of the life”, como diriam os meus estimados Monty Python.

E uma coisa eu sei por experiência própria: mesmo quando “perco”, sobretudo nestes casos, estou a aprender, a amealhar conhecimento, a enriquecer a minha base de dados interna. Posso não conseguir aplicar os conhecimentos em termos empíricos, mas tal não significa que não tenha aprendido. Modéstia à parte, sei que aprendo muito e também reconheço que me martirizo muito e que o facto de não aceitar as coisas me coloca vezes sem fim numa posição desconfortável.

No entanto, quando consigo ver para lá da muralha que ergo, tudo se torna mais fácil de aguentar.

A vida não é fácil, mas pior se torna quando decidimos complicar. Por natureza, sou demasiado complicado. Felizmente, tenho alguém junto a mim que me ajuda a descomplicar.

E vocês, também se reveem neste lema?

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