Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

28
Fev20

Ser melhor implica ir além da dor


João Silva

IMG_20190831_101725.jpg

É um

IMG_20190831_101715.jpg

É um assunto recorrente e, na verdade, muito ou pouco "polémico". Primeiro, a "dor" depende do que cada um consegue suportar e não há mal nenhum nisso.

A dor é como os gostos: "cada um com o seu", portanto, não se questiona.

Onde pretendo chegar com a afirmação do título é que a melhoria de cada um passa invariavelmente pela superação.

Passo a explicar: se estivermos sempre no mesmo patamar com o mesmo nível de treino, é muito pouco provável que evoluamos, se esse for o nosso propósito. Se não for, pode-se continuar. No entanto, só com aumento do nível e da intensidade é possível passar para o nível seguinte.

Não falo em ser teimoso e provocar dor ou treinar com dores. Apesar de o fazer mais vezes do que gostaria e deveria, sei que não é benéfico. 

Por outro lado, refiro-me sim à superação do "Cabo das Tormentas". Para se correr mais rápido, é importante e necessário fazer treinos de séries, o que, invariavelmente, vai trazer dor inicial. Sofre-se muito porque se está a treinar a respiração anaeróbia, logo, há muito pouco oxigénio entre repetições. 

Portanto, resumindo, com dor, refiro-me às sessões mais duras que nos colocam fora do nosso habitat, que são extraordinárias pela sua irregularidade, mas que são simultaneamente muito benéficas para todo o nosso corpo.

Concluindo, na minha opinião, não há (muita) evolução sem passar por estágios de dor. É necessário enfrentar monstros. Pelo menos, vejo as coisas assim e é dessa forma que me consigo superar.

Mas há dor e (ar)dor e esta última não é benéfica...

Como se posicionam nesta questão?

IMG_20190831_075136.jpg

 

 

26
Fev20

Inibição habituada?


João Silva

Este foi um tema muito caro à minha pessoa nos últimos meses.

Em janeiro tive a primeira prova do que pode ser o caos na vida de uma pessoa.

Não foi a primeira vez e depois acumulou-se tudo, desde as dificuldades que crio na minha cabeça às necessidades profissionais. Nada de novo para ninguém, cada um com as suas e também não estou aqui a dizer que sou um mártir ou um coitadinho. Estou e fico grato pelo que tenho, mas, como é óbvio, há situações que nos deslocam. Não duvido que façam crescer, mas o crescimento e a aprendizagem só aparecem após a ultrapassagem do momento.

Voltando ao asunto, aquele foi um mês de reformulação dos meus treinos. No entanto, apesar de ter atenuado a duração, não o fiz na dureza.

Só que tudo isto cria habituação e depois parece "moleza". Passo a explicar: a duração mínima das corridas diárias em janeiro passou de 1 para 1h30. Pelo menos duas vezes por semana, tinha sessões de corrida acima de 2 h. Portanto, não se pense que é algo "leve". Mas este vosso caríssimo achou que sim. Aliás, acha que sim numa grande parte dos temas que o possam prejudicar, no caso, fisicamente.

No entanto, a meio do processo, houve uma altura em que percebi que podia implementar umas duas ou três diferenças no treino como forma de me estimular. Contudo, aos meus olhos, completamente vidrados e obcecados, isso era aligeirar, logo, as perdas não seriam as mesmas. E portanto, achei melhor ir correr 2 horas.

Cheguei ao fim com imensas dores nos adutores e nas coxas. Foram dias terríveis e isso entristece-me um pouco. Sei claramente que fiz mal e não deixa de ser característico da minha personalidade o facto de achar que ir correr 2 horas com subidas era "mais fácil" do que fazer um treino de bicicleta estática para aliviar a carga sobre o meu corpo.

Indiscutivelmente, foi um momento de falta de lucidez, como têm sido tantos nos últimos meses.

Estou num processo, principalmente, de autoaceitação e de aceitação das mudanças na minha vida, mas tudo isso requer tempo, paciência e compreensão. Não de quem está ao meu lado. Nada disso me falta dessa parta. O problema está em mim. 

Pegando na célebre frase de um treinador de futebol, "o burro sou eu".

2020-01-08_09_41_40_644.jpg

 

 

24
Fev20

Contra o RICE, PEACE & LOVE


João Silva

IMG_20191216_112602.jpg

Há uns tempos, falei-vos da diferença entre quente e frio para cuidar de lesões e da importância do gelo quando bem aplicado.

Agora, volvidos alguns meses, chegou-me aos olhos, fruto do trabalho de "pesquisa" da minha incansável treinadora e eposa, um artigo da DECO Proteste a explicar que, afinal, o gelo pode mesmo ser prejudicial no processo de recuperação de lesões em tecidos moles. Qual a razão? Apesar de continuar a ser seguro logo após uma lesão, o gelo tem tendência para impedir o processo de regeneração, já que impede a migração das células para a zona afetada.

Portanto, o método RICE, durante anos tido como profícuo, tem-se revelado ineficaz, como confirma, em parte, o próprio responsável pela descoberta daquela forma de tratamento.

Assim, de RICE (Rest, Ice, Compression, Elevation), passamos a lidar com dois conceitos diferentes: um, o PEACE, incide na fase imediatamente após a lesão, o outro, o LOVE, responsável pelo processo de recuperação.

PEACE significa, na verdade, ProteçãoElevação, Anti-inflamatórios (no sentido de evitar), Compressão e Educação (no sentido de gerir expectativas).

Por seu turno, LOVE designa Load (adaptação da carga e implementação gradual), Otimismo, Vascularização (aumentar o fluxo sanguíneo sem causar dor),  Exercício

Podem ler o artigo na íntregra através da seguinte ligaçãohttps://www.deco.proteste.pt/saude/exercicio-fisico/dicas/gelo-e-o-mais-eficaz-para-lesoes-musculares

E por aí, há adeptos de RICE, PEACE, LOVE ou dos três?

 

https://www.deco.proteste.pt/saude/exercicio-fisico/dicas/gelo-e-o-mais-eficaz-para-lesoes-musculares

22
Fev20

Reduzir ou destruir?


João Silva

Gosto disto: ler, ver ou pensar em alguma coisa aleatória e depois utilizar para refletir sempre com o foco e o termo comparativo na corrida.

Desta feita, uma vez mais, foi a minha querida Diana que me sugeriu o texto que esteve na base desta publicação. Podem lê-lo na íntegra aqui: 

https://corredoresanonimos.pt/actualidade/especialistas/reducao-treinos-maratona

MAS PRIMEIRO TOCA A VER O QUE VOS DIZ ESTE VOSSO ESTIMADO! 

FB_IMG_1574463823253.jpg

Quando se aproxima uma prova da dimensão de uma maratona, é importante perceber que há uma fase decisiva para determinar, em grande medida, o vosso desempenho.

Tenho lido e percebido que há um grande dilema sobre o que fazer perto do grande dia.

As opiniões dividem-se entre treinar, abrandar o ritmo ou parar por completo-

Pela experiência pessoal, defendo que é necessário abrandar, pois isso vai permitir que o corpo assimile a carga dos últimos meses e recupere energias para a prova. Na minha primeira experiência, as duas semanas anteriores à prova redundaram numa redução da carga de corrida e na repetição continuada de reforço muscular. Folguei no dia anterior à prova.

image.jpg

Na segunda passagem, em Aveiro, procedi da mesma forma. Cheguei relaxado mas bem, ativado, sem perda de foco muscular. Na terceira, optei por manter um nível aceitável de corrida na semana que antecedeu a aventura no Porto e não folguei. Na véspera, decidi fazer duas horas de reforço muscular nos braços e peito. Posso dizer que ajudou, já que me senti bem soltinho e consegui um bom desempenho, que conta mais para mim do que o resultado final.

Isto para dizer o quê? Que em momento algum me passou pela cabeça parar por completo. Não o faço por convicção e por necessidade de equilíbrio mental e de regulação do peso. Ainda assim, parece unânime, como poderão ver na ligação da referida reportagem do Corredores Anónimos, que não é aconselhável parar por completo. Porquê? Simples de explicar: os sinais enviados ao corpo são de que não há necessidade de manter o "alerta", pelo que a consequência será um grande relaxamento. Logicamente, a ativação perde-se e a forma vai atrás, embora não na totalidade, dificultando muito a resposta do corpo no dia da prova.

Na verdade, como certamente percebem, abrandar não é parar, o que implica manter algum exercício. No artigo que sustentou este meu texto, têm "direito" a ficar com alguns conselhos para adotar na fase de aproximação ao grande dia. O volume de treinos, ainda que menos intenso, permite igualmente não baixar a guarda, manter o foco. Mentalmente, é muito importante. A performance passa muito pela força psicológica para enfrentar as dificuldades.

Portanto, antes de vos "deixar" ir ler o texto, pergunto: reduzir ou destruir?

 

20
Fev20

O Carlos tinha três e "você"?


João Silva

Logo em forma de ponto prévio, devo dizer que o artigo que sustentou esta minha publicação me foi passado pela minha estimada Diana, o que só prova o quanto ela também já está embrenhada no mundo do atletismo (na verdade, já estava. Sempre foi fã dos Jogos Olímpicos e costumamos passar belas sessões a debater performances).

Relativamente ao assunto de hoje, fiquei logo "preso" quando ouvi falar na questão das três passadas. Depois, não podia ficar indiferente ao testemunho de um campeão olímpico como o Carlos Lopes.

Na entrevista, feita pela publicação Corredores anónimos, o antigo atleta do Sporting revela que usava três tipos de passada. 

Na verdade, antes de vos deixar a minha opinião sobre a questão, confesso que fiquei fascinado ao ler que o campeão nunca abandonou o seu trabalho. Segundo ele, o atletismo era efémero. Esta "filosofia" não mostra outra coisa que não uma pessoa dotada de um grande espírito de sacrifício. Não tenho dúvidas de que foi isso que o conduziu ao sucesso.

A propósito do tema em concreto desta publicação, consigo perceber a ideia das três passadas, até porque se percebe que cada uma é própria de cada vertente do atletismo que ele praticou.

Entre vós, desportistas e corredores, quando correm, sobretudo em prova, fazem-no sempre da mesma forma?

Já tinha lido sobre isso há algum tempo no blogue do José Guimarães e, depois de ter começado a correr, pude, eu próprio confirmar que o desempenho e os resultados requerem estratégias diferentes. 

FB_IMG_1561406758105.jpg

Basta pensar no seguinte: quem corre em trails, devido às irregularidades e obstáculos, por norma, tem de adotar uma postura com os joelhos mais elevados e a aterragem do pé tem de ser mais afastada. Em estrada, por outro lado, devido ao desgaste do alcatrão, a passada pode ser mais curta e o tronco mais direito (sem estar rígido). Com efeito, a esse nível, consegui perceber no último ano que uma das chaves para uma evolução positiva dos tempos de corrida está na colocação da anca e no levantamento do joelho. Ou seja: anca direita e passada com pé a aterrar com a almoda da planta e depois com o calcanhar. É algo que se treina e que demora algum tempo a aperfeiçoar. Além disso, a tendência do cansaço é para retomar uma passada mais curta e os joelhos não sobem tanto. Se experimentarem contrariar isso, vou comprovar o que digo em relação ao ganho de velocidade. Passam a dar menos passos, mas percorrem mais espaço em menos tempo.

Não sei se também dão atenção a esse aspeto, mas confesso que ligo muito e que procuro estar constantemente a subir os joelhos (ou a tocar com os calcanhares no rabo).

O outro tipo de passada que já experimentei foi a do corta-mato, que obriga a uma maior rapidez, continua a permitir um ritmo constante, mas traz alguns obstáculos ao terreno, forçando assim uma colocação distinta dos pés.

Quantas passadas já experimentaram?

Como definiriam a vossa forma de correr?

Caso pretendam, podem ler a entrevista aqui e ouvir o campeão Carlos Lopes em primeira mão aqui:

 

18
Fev20

Envelhecer não (nunca) é perder


João Silva

 

 

 

O convite já tinha sido feito há algum tempo e foi um daqueles que tinham mesmo de ser. Porquê? Porque reconheço na Luísa uma enorme paixão pelo desporto e isso é logo o facto digno de destaque. Partilha no seu blogue Mais boa forma conselhos muito bons. Além disso, é a prova provada de que velhos são os trapos e de que não há idades, há personalidades. A juntar a tudo isto, reúne, precisamente pelo gosto e pela idade, algumas características que reconheço em pessoas próximas de mim e que vejo como exemplo enquanto ser humano e ser desportivo. Antes de vos deixar ler o seu grande testemunho, convido-vos a visitar outro espaço dela, o blogue Uma pepita de sucesso, onde nos presenteia com histórias da sua vida e da sua bela ilha, a da Madeira.

Quando tinha 20 anos perguntavam-me porque me preocupava tanto com a saúde e com a boa forma, porque me alimentava de forma equilibrada, fazia exercício físico diariamente, estando muito bem de saúde? Respondia que era para continuar assim bem de saúde e em forma aos 40 anos.

Quando fiz 40 anos voltavam a perguntar-me o mesmo! Respondia que era para chegar aos 60 anos com saúde e energia.

Agora que estou à beira dos 60 anos, ainda me perguntam porque sou “viciada” em hábitos saudáveis, se não tenho problemas de saúde e estou em boa forma física. E mais … perguntam-me como consigo estar tão bem de saúde e em forma com quase 60 anos! Respondo que é porque sempre tive cuidado com a minha alimentação, sempre fiz exercício físico e porque quero chegar aos 80 anos assim saudável, a fazer exercício físico diariamente, a alimentar-me corretamente e ser uma velhinha muito feliz e independente!

A minha relação de amor/paixão com a saúde, atividade física e bem-estar vem de há muitos anos. Desde os 12 anos, quando decidi entrar para a única escola de ballet que havia no Funchal, percebi que o movimento é parte integrante de uma vida saudável. A partir daí o “bichinho” pelo exercício físico virou um hábito diário.

Fui também inspirada pelo meu pai, amante do desporto, jogador de futebol e massagista no Club Sport Marítimo.

Desde então, nunca deixei de introduzir no meu dia-a-dia o ballet, dança, yoga, pilates, aeróbica, treino de tonificação e todas as modalidades desportivas para as quais tenha vontade de praticar e que sinta que me motivam e fazem bem.

Sou também uma acérrima curiosa em tudo o que se relaciona com a saúde e o bem-estar, modelando e inspirando-me nos gurus de fitness, “abraçando” formações, estudos científicos e toda a informação pertinente para “suportar” esta minha paixão e adaptar aos meus treinos e ao meu dia-a-dia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002, salientou que muitas das alterações que ocorrem durante o envelhecimento, bem como a maneira como ocorre nos indivíduos, são motivadas por fatores como a exposição solar, hábitos alimentares incorretos, inatividade física, obesidade, tabagismo e outros estilos de vidas incorretos.

Acredito que muitas das acentuadas alterações na aptidão física e na capacidade funcional do indivíduo, devem-se ao desuso e ao uso exagerado ou incorreto a que está sujeito o organismo.

Acredito, também, que o envelhecimento da população atualmente é uma tendência positiva, que caminhamos para sermos idosos mais ativos e que está intimamente ligada à maior eficácia das medidas preventivas em saúde, ao progresso da ciência no combate à doença, a uma melhor intervenção no meio ambiente e, sobretudo, à consciencialização progressiva de que somos os principais agentes da nossa própria saúde, alterando hábitos de vida sedentários e contrariar a degeneração e enfraquecimento do organismo de modo a preservar a aptidão física, psíquica e cognitiva, a independência e a saúde.

E nunca se esteve tão bem como agora no que se refere à promoção e prevenção da saúde e do bem-estar.

Existem ginásios com uma variedade de modalidades desportivas ao gosto e motivação de cada um e a preços suportáveis.

Existem livros, vídeos, jogos, todos com excelentes programas de atividade física, nutrição e estilos de vida saudáveis.

Existem canais no Youtube com vídeos gratuitos, com planos e programas de exercício físico para todas as faixas etárias, níveis de intensidade e duração.

E no envelhecimento existem muitos equipamentos orientados para a o envelhecimento ativo, tais como academias e/ou universidades seniores e centros de dia, todos como uma resposta social que visa promover e proporcionar momentos de educação, prazer, cultura, promoção da saúde, lazer e de bem-estar.

Está nas nossas mãos preparamos o nosso envelhecimento com saúde e qualidade.

Ser saudável é uma escolha!

 

*** Obrigada, João Silva, por me ter dado o privilégio de escrever no seu blog e poder dar o meu testemunho sobre envelhecimento com saúde, atividade física e qualidade de vida.

 

16
Fev20

O que não mata, engorda e também te pode transformar num ciclista


João Silva

rp_bike_azores (1).jpg

O texto que se segue não é da minha autoria. É do Rui, criador do blogue Bike Azores, que tem uma enorme paixão por ciclismo e por bicicletas.

Perante tamanha paixão, era impensável não lhe pedir, com jeitinho, um texto sobre a sua ligação a esse desporto, que também me apaixona. Foi, pois, um muitos em um.

Amavelmente, aceitou o desafio que lhe fiz, o que me deixa imensamente satisfeito e, por essa razão, agradeço-lhe pessoalmente.

Deixo-vos com a dissertação do estimado Rui. Antes disso, recomendo a vossa passagem no espaço dele.

Espero genuinamente que gostem tanto quanto eu:

“Tal como a maioria das pessoas, o meu contacto com as bicicletas surgiu em criança e alastrou-se para a adolescência. Sempre tive um gosto especial por veículos com rodas, sendo que o seu número foi variando conforme as minhas fases de desenvolvimento. A entrar na idade adulta tive um último contacto com os pedais, mas abdiquei definitivamente deles a favor das motas.

Só 15 anos depois voltei às bicicletas. Estava longe de pensar que a BTT de entrada de gama que acabava de comprar, para efeitos de exercício físico, ia dar início a toda uma nova fase da minha vida onde as bicicletas ganhariam grande relevância.

Comecei com alguma apreensão, mas que depressa deu lugar a um grande entusiasmo. Queria fazer parte deste meio, queria munir-me de mais e mais meios. Fiz algumas provas. Troquei de bicicleta um ano depois, aquela que ficou marcada como a bicicleta mais cara que já comprei. Ainda a tenho, fez recentemente 10 anos.

Passados 3 anos, compro uma bicicleta de estrada. Diferente, no conceito, na atitude. Foi aqui que inverti o trilho que seguia. Passei a ter outros objetivos, outras prioridades. Afastei-me da competição, da qual nunca estive especialmente próximo, tirei o foco dos meios, da eficácia e da eficiência. Apaixonei-me pelo conceito mais básico da bicicleta, pela função, pela manufatura, pela tradição, pela mais pura relação homem/máquina!

Não fazia sentido continuar a ver a bicicleta apenas como meio de desporto e lazer. Comprei uma citadina, dobrável, onde comecei timidamente a fazer dela a minha companheira de deslocação e transporte. Comprei outra, mais capaz, e então nunca mais parei.

Uma nova fase ficou marcada pela amadurecida compra de uma bicicleta de carreto fixo. Devo ter passado um par de anos ou mais, a ponderar esta compra. São bicicletas exigentes e com algumas limitações, mas que prazer me dão. Adoro-as!

Mesmo assim e mais recentemente, acabei por adquirir uma bicicleta de estrada, que não sendo o último grito, é assumidamente uma bicicleta moderna. Talvez seja mesmo aquela com que menos me identifico, mas que me permitiu dizer sim a certos desafios, que de outra forma seria difícil.

Os grupos extinguiram-se e atualmente ando quase sempre sozinho, e na estrada. De quando em vez faço uma perninha na competição, apenas por diversão, quando sei que esta está assegurada.

O meu regresso às bicicletas conta com quase uma dúzia de anos, várias bicicletas, alguns quilómetros sobre elas e muito prazer e paixão associados. É uma relação total, onde o gosto passa por andar, intervencionar e apreciar estaticamente. As bicicletas alcançaram uma dimensão inesperada na minha vida, mas perfeitamente legítima e compreensível, tal é o nível das mais-valias que agora lhes reconheço.

O ciclismo é uma modalidade desafiante que nos coloca constantemente à prova, mesmo quando encarada da forma mais descontraída, como o faço. Se calhar é por isso que é tão cativante e apelativa. A prática permite-nos progredir e ir mais além. Dá-nos mais segurança e confiança. Dá-nos uma incrível sensação de prazer e liberdade. Aumenta-nos a autoestima. Que não se queira falar em ciclismo, por estar demasiado conotado como competição, mas que se fale em andar de bicicleta. Tudo faz sentido, tudo é relevante. Seja uma jornada em que se ultrapassa os 3 dígitos de quilometragem, seja uma pequena e tranquila volta a usufruir calmamente da bicicleta e da ambiência que nos rodeia.

 

Para além de me propor a escrita deste texto, o João desafiou-me para “escrever também sobre a medida em que o ciclismo pode "aprender" ou dar ao atletismo.”

Já recorri à corrida como forma alternativa de manter a forma, mas infelizmente fui obrigado a abdicar devido a uma lesão grave num joelho. Uma das coisas em que a prática do ciclismo, na vertente BTT, me era útil nas minhas corridas era o conhecimento de certos percursos fora de estrada, como forma de introduzir alguma inovação e variedade às mesmas. Outra coisa importante que se aprende, reciprocamente, é a gestão do esforço e o controlo da ansiedade, que podem fazer toda a diferença em qualquer uma das modalidades.

 

Obrigado, João!”

14
Fev20

Fazer exercício da forma mais básica possível


João Silva

Numa senda de (boas) sugestões, trago-vos uma imagem, que, infelizmente, não está nas melhores condições, mas que dá uma dica daquilo que pode ser uma forma básica e simplista de fazer exercício físico.

Bem sei que hoje não haverá muitos interessados em seguir este conjunto de conselhos, mas podem perfeitamente fazer alguns (ou todos) no fim de semana. Verão que não custa nada mesmo.

Não tem de ser sempre ginásio ou atividade dura. As coisas mais simples da vida dão perfeitamente para irmos “castigando” o corpo e para o tonificarmos um pouco, sem esquecer, claro, aquilo que me parece o mais importante: a nossa saúde.

Já tinha ouvido, por exemplo, que o povo tailandês passa os dias agachado como forma ded promover o exercício físico. Sobretudo os povos ocidentais têm uma tendência (demasiado) exagerada para o sedentarismo. No entanto, basta pensar um pouco.

No meu quotidiano, posso adiantar que opto sempre por escadas, que agacho com as pernas e não com as costas, que às vezes gatinho ou saltito para ir à cozinha, que opto por carregar lenha para a lareira de forma faseada e que, por exemplo, vou buscar os garrafões de água ao carro gradualmente. Ou seja, se tiver comprado dez, opto por fazer cinco viagens de ida e outras tantas de regresso. Além disso, ainda procuro ativar os abdominais quando carrego pesos.

Nem sempre fui (e foi) assim, mas agora é uma forma de ir fazendo muito mais pela minha saúde. E nunca é tarde. Parece cliché mas é uma questão de nos obrigarmos a recordar que é para o nosso bem.

Deixo-vos esta imagem com algumas explicações e sugestões publicadas na revista Mais do Lidl. É tão básico que só apetece perguntar: mas como é que não me lembrei disto antes?!

IMG_20200122_233933.jpg

12
Fev20

Fonte de conhecimento


João Silva

IMG_20190427_103820.jpg

 

Numa publicação diferente do habitual, hoje pretendo partilhar convosco uma das melhores fontes de informações de atletismo que conheço.

Trata-se da revista Atletismo. Além das mais variadas notícias nacionais relacionadas com esta modalidade desportiva, ainda procuram dar voz a atetas amadores e às suas histórias.

A propósito da mudança que a minha vida teve na altura, concederam-me a honra de me dar algum destaque, mas não é de todo por isso que vos falo deles. As histórias que já li na página deles prometem ser uma grande ajuda para quem pretende usar o desporto como trampolim para mudar de vida. São uma excelente forma de nos mostrar que há sempre alguém pronto a valorizar a nossa história.

Quem ainda não o fez, pode ler a minha aqui: https://revistaatletismo.com/joao-balcas-silvade-118-kg-a-maratonista-em-dois-anos/

Já lá vão alguns meses desde a dita entrevista e algumas coisas mudaram, mas posso garantir que continuo fã do trabalho deles: as pessoas que, de uma forma ou de outra, procuram mostrar que o país é mais do que futebol merecem todo o destaque do mundo.

Por isso, parece-me incontornável para todos os amantes das diferentes vertentes do atletismo.

Têm abaixo a ligação direta para a primeira página do site. Espero que seja do vosso agrado:

https://revistaatletismo.com/

10
Fev20

“Ou ganho ou aprendo”


João Silva

IMG_20191123_082445.jpg

 

 

O objetivo não passa por dar uma de guru do mindset. Não tenho nada a ver com isso, afasto-me o mais que posso. Por outro lado, acho que há frases e lemas que nos assentam que nem uma luva e que nos ajudam a ver a vida de outra perspetiva.

Esta citação pertence, ao que consta, a Nelson Mandela e tem originado alguns debates interessantes no interior da minha cabeça.

Mais do que nunca, tenho analisado, tenho pensado, refletido. Contudo, por defeito, vejo o copo sempre meio vazio. Ora, por questões de justiça face à realidade, é muito importante ver mais vezes o “bright side of the life”, como diriam os meus estimados Monty Python.

E uma coisa eu sei por experiência própria: mesmo quando “perco”, sobretudo nestes casos, estou a aprender, a amealhar conhecimento, a enriquecer a minha base de dados interna. Posso não conseguir aplicar os conhecimentos em termos empíricos, mas tal não significa que não tenha aprendido. Modéstia à parte, sei que aprendo muito e também reconheço que me martirizo muito e que o facto de não aceitar as coisas me coloca vezes sem fim numa posição desconfortável.

No entanto, quando consigo ver para lá da muralha que ergo, tudo se torna mais fácil de aguentar.

A vida não é fácil, mas pior se torna quando decidimos complicar. Por natureza, sou demasiado complicado. Felizmente, tenho alguém junto a mim que me ajuda a descomplicar.

E vocês, também se reveem neste lema?

IMG_20191212_084539.jpg

08
Fev20

“O medo é um lençol com ar por baixo”


João Silva

A frase não é minha, mas “apropriei-me” dela por lhe reconhecer verdade na significação.

Sobretudo numa fase em que a minha cabeça me levantou tantos problemas e me criou tantas barreiras e medos, foi útil rever nesta afirmação da psiquiatra Maria de Vasconcelos.

O medo inibe, todos o sabem. De uma forma ou de outra, já todos vivemos períodos em que não agimos porque acreditámos que nos iríamos magoar ou não iríamos conseguir.

Esta minha fase não teve a ver com as minhas capacidades desportivas mas sim pessoais, porque é a esse nível que as barreiras mais têm crescido e é aí que preciso de atuar para destruir os meus medos.

Se no segundo semestre de 2019 senti o quão importante é a crença para alcançar objetivos, neste início de 2020, por todas as mudanças que estão a ocorrer na minha vida, sinto que a crença me está a abandonar e isso agrava o lado negativo das coisas. Portanto, o tal medo é alimentado pela descrença, neste caso. Foi, por conseguinte, muito importante perceber em que medida podia tirar o ar debaixo do dito lençol.

Foram dois os polos de insuflação dos meus medos, com a parte da alimentação à cabeça. Uma vez mais, pude experienciar em primeira mão os efeitos nefastos de uma alimentação demasiado restritiva nos processos cognitivos, o que retira beleza a coisas que aí vêm e que são positivas.

Portanto, em jeito de ajuda, diria que é importante olhar para a altura do lençol e, gradualmente e com base numa análise cuidada, retirar algum ar ao dito. Não acho que se deva ignorar o que está por baixo do lençol, considero, isso sim, que devemos olhar de frente para o que lá está e que precisamos de desconstruir a ideia que levou à insuflação, porque só dessa forma o lençol baixa e nós conseguimos avançar.

O medo tolhe movimentos, mas não podemos ter medo de enfrentar o medo. Devemos confrontá-lo para o derrotar. No entanto, até isso acontecer, importa não perder a racionalidade e tal implica termos gente boa do nosso lado que não desista de nós, porque o processo pode ser doloroso.

IMG_20190727_065817.jpg

06
Fev20

Janeiro: to be or not to be (proud)


João Silva

 

Screenshot_20200131_140428_com.runtastic.android.j

 

O que vos mostro na imagem da minha aplicação de treinos é tão só uma espécie de catarse misturada com problemas de agenda: pela primeira vez, corri 636 km num mês. Que loucura (boa)!

Parece um paradoxo, mas os restringimentos laborais que tive obrigaram a um método de treino mais monótono, sem que, no entanto, isso me tenha aborrecido. Muito pelo contrário.

No entanto, pela facilidade de encaixe na minha agenda, tornou-se mais fácil adotar sessões de corrida de uma hora e meia seguida. Qual a vantagem? O treino era todo feito de uma vez só, sem estar a cortar para iniciar a sessão de reforço muscular.

2020-01-01_11_02_27_780.jpg

 

Como já tinha dito há uns meses, as minhas sessões costumam ser duplas numa base diária, sendo que dividia, regra geral, entre 1 hora de corrida e 1 h de reforço muscular.

As limitações de tempo e a minha incapacidade para me disciplinar numa hora seguida de trabalho de força, achei mais proveitoso um treino longo mas continuado.

Claro que a tipologia de treino acaba por se tornar num risco para o meu corpo e, para ser sincero, brinquei com o fogo. A minha “sorte, que não foi sorte porque foi o reflexo de três anos de trabalho, foi ter uma estrutura física que aguenta bem este tipo de cargas e, além disso, nunca deixei de parte os alongamentos. Tenho a certeza de que isso foi crucial para aguentar volumes semanais com uma média de 110 a 140 km.

A espaços, quando fui conseguindo ter tempo, reintroduzi os trabalhos de força. Adoro treino de reforço e maior ausência nesta fase mostrou-me precisamente isso. E o que fez essa vontade de retoma? “Lançou-me” à procura de exercícios intensos mas curtos, também conhecidos como HIIT.

Descobri alguns muito bons e fui aplicando como complemento das sessões de corrida. Aqueles HIIT de 10 ou 20 minutos foram-me sabendo pela vida.

No fim de contas, fiz o que foi preciso para me aguentar. Não andei bem da cabeça, senti que precisei daquele sistema. Tenho noção de que arrisquei, percebo quem me possa chamar tresloucado, mas, francamente, estando à procura do meu eu e da minha “cura”, tudo o que fiz foi necessário e não quero saber de mais nada a esse respeito. Sabia que estava no caminho das lesões, mas precisei de arriscar. Felizmente, correu bem.

Como se pode ver abaixo, em dois meses, passei a barreira dos 1000 km na estrada. Independentemente do que a minha vida possa vir a ser a partir de maio, jamais isso será arrancado de mim, o que me deixa tremendamente feliz, porque cheguei ao dia 31 de janeiro consciente de que o meu corpo aguentou bem, apesar de tudo.

Screenshot_20200131_140524_com.runtastic.android.j

04
Fev20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

1.JPG

Foto: o João no final da primeira prova (Mini da Ponte 2006)

Em mais um "episódio" de entrevistas a atletas que, de alguma forma, me marcaram neste percurso, trago-vos o João Lima, que, desde logo, podem conhecer melhor e de forma mais continuada aqui: http://joaolimanet.blogspot.com .

Conheci o João por mero acaso. Primeiro, encontrei o seu blogue quando ainda estava a dar os primeiros passos neste canto do Sapo. Fiquei surpreendido pelo trabalho exaustivo, chegando ao ponto de apresentar uma calendarização de provas a nível nacional. Só uma pessoa com um nível elevado de paixão consegue e se predispõe a fazer tal coisa.

2.JPG

Foto: a comandar um grupo de atletas em Constância 2011 no percurso que mais aprecia para provas de 10 km

Depois disso, uma vez mais acidentalmente, encontrámo-nos pessoalmente na maratona de Aveiro. Numa daquelas idas nervosas ao Wc antes da prova, sinto um toque nas costas e lá tivemos o primeiro momento de troca de ideias. Como já sabia do blogue, o João é uma boa pessoa de verdade.

Assim é de facto, que não se coibiu de me incentivar quando nos cruzamos em plena cruzada de 42 km.

3.JPG

Foto: no final da primeira Maratona com o extenso e incansável grupo que o apoiou durante a prova!

Meses mais tarde, na meia maratona de Leiria (outubro), outra vez de forma acidental, acabámos por conversar muito mais tempo, por trocar medos e expetativas para a maratona do Porto (em novembro) e ainda tive o privilégio de aquecer com o João. 

No dia da maratona, já com este pedido de entrevista feito, sem contar com isso, lá dei de caras com o João. Mais um motivo para umas belas fotos de recordação e para tentar, sem sucesso, que deixasse o nervoso miudinho que o "assombrava".

E, no fundo, antes de passar a palavra ao João, diria que o que mais aprecio na sua personalidade é a enorme paixão pela corrida, a sua bondade e generosidade na hora da partilha e de transmitir conhecimentos aos mais novos e, como se não bastasse, o respeito (e nervos) que tem perante cada prova. E estamos a falar de um "veterano" nas maratonas.

Fiquem, pois, com o João Lima:

5.jpg

Foto: a sua fotografia preferida! Sevilha 2014 (ler “aventura marcante”). Só ele sabe o que estava a passar de felicidade nesse momento

  • Nome 

João Lima 

  • Idade

59, a menos de 4 meses de mudar para o escalão M60 e natural de Tomar 

  • Equipa 

4 ao km, uma equipa de amigos 

  • Praticante de atletismo desde

Em Junho de 2005 comecei a dar umas corridinhas no Passeio Marítimo de Oeiras. A primeira vez, fiz 1800 metros e julguei que o coração e pulmões saltavam boca fora. No dia que cheguei aos 3 km foi uma alegria. Depois andei muito tempo com 4,6 km (era na altura ida e volta no referido passeio onde corria de 3 em 3 dias). No final do ano, vi numa publicação da Câmara de Oeiras uma notícia sobre a Corrida do Tejo. Pensei que seria giro participar mas tinha uma muito longa distância de 10 km! Idealizei que se todos os meses fosse subindo uns 500 a mil metros, conseguiria chegar lá. Mas no início de 2006 um colega mostrou-me um folheto para a Mini da Ponte com 7 km. Entusiasmei-me com a hipótese de passar a ponte a correr e inscrevi-me. Quando disse que ia à Ponte, um outro colega perguntou-me se ia à Meia ou Mini. Respondi, convicto, “Mini! Meia não faço nem nunca farei!” Efetivamente, na altura os 10 pareciam-me o máximo dos máximos e já seriam uma coisa brutal. Na feira da prova, recebi um folheto para a Corrida da APAV a disputar passadas 2 semanas. Inscrevi-me e quando dei por mim, estava bem dentro das corridas, tendo neste momento participado em 463, das quais 13 Maratonas e 65 Meia-maratonas (estreei-me na Meia da Ponte, exatamente um ano após julgar que nunca faria uma distância dessas…). 

6.jpg

Foto: com a nossa bandeira a cortar a meta na Maratona que sempre sonhou um dia realizar, Paris 2015

Além da corrida, mantenho uma base de dados de resultados de provas portuguesas, bem como o (extenso) calendário anual. Esse trabalho é algo que faço há 10 anos e nasceu da necessidade de preservar os resultados, verdadeiro património das nossas corridas, pois de ano para ano a esmagadora maioria das classificações perdia-se. Assim, guardando-as no meu servidor, ficam disponíveis 24 horas por dia, 365 dias ao ano ao sabor dum simples clique. Neste momento estou quase nas 10 mil classificações, algumas bem antigas como a da primeira Maratona realizada em Portugal, a única ainda em monarquia (2 de Maio de 1910). 

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida em estrada 

  • Prefere curtas ou longas distâncias

De 10 km para cima, com especial gosto em Meia-Maratona e uma paixão arrebatadora na Maratona 

  • Na atual equipa desde

A sua criação, agosto de 2011. Fui um dos 4 fundadores e sou o seu responsável. Por sermos 4, ficou o nome de 4 ao Km, que não tem a ver com velocidade mas que gera algumas situações caricatas em provas, com pessoal que ainda não conhece a equipa dizendo “isso não é a 4 ao Km” ao que costumo responder por piada coisas como “é sim, é a 4.90 ao km (se vou por exemplo a 5.30)” ou “é mais IVA”. Aliás, na única edição da Corrida Nauticampo no Parque das Nações (2012), passei por 3 raparigas que, ao terem dito que não ia a 4 ao km e eu tendo respondido que era com IVA, uma disse “Não, não! Aqui não há IVA!”. Ora estávamos em pleno período da troika, fiquei muito sério e respondi “Estão a dizer para fugir aos impostos?!? Olhem que é por causa disso que o país está como está!”. Bom… elas ficaram espantadas a olhar para mim como quem pensa que eu estaria mesmo a falar a sério. Aí ri--me, desejei-lhes boa prova e prossegui. 

   7.JPG

Foto: com os bons amigos Sandra, Nuno e João Branco, Corrida do Tejo 2015. A corrida deu-lhe grandes amigos

  • Volume de treinos por semana

Treino 5 vezes por semana. Em relação à quilometragem, vai variando conforme as semanas, mas no final de cada mês dá normalmente entre 210 a 220 km, mais em período de preparação para Maratona, sendo a maior quilometragem já registada de 276 km neste Agosto. Irei terminar o corrente ano na casa dos 2500 km. 

  • Importância dos treinos

Fundamental!!! A forma é a coisa mais ingrata que existe. Batalha-se, batalha-se e basta um pequeno tempo sem treinar e ela eclipsa-se. Há quem possa estar uns dias sem correr que não nota nada de especial, no meu caso é muito penalizador para a forma. Tudo o que se consegue numa corrida, tem por trás o que se foi fazendo nos treinos e a inteligência como se treinou. 

  • Se tem ou não treinador

Nunca tive. Fui aprendendo com o que via, lia e ouvia de outros atletas e treinadores. Ao fim de um certo tempo, aprendi a ler o meu corpo e suas sensações e, baseado nisso, crio os meus próprios planos de treino. Não me tenho dado mal, antes pelo contrário. Se poderia ser melhor com treinador? Hum…provavelmente sim. Mas assim, quando alcanço um objectivo, venço por duas vezes, como atleta e como auto-treinador… 

8.jpg

Foto: Sevilha 2017 e a felicidade por bater o seu recorde em Maratona (que se mantém)

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Em comparação quando comecei a participar em corridas (2006), assiste-se a um positivo crescimento de tecnologia que vem ajudar em vários aspetos, como maior rigor nas tomadas de tempo, com generalização de chips que há 13 anos não estavam assim tão espalhados como hoje, maior divulgação aproveitando a Internet e diversas plataformas digitais e uma expansão e maior profissionalização de diversas entidades organizadoras. Durante este período deu-se também uma revolução com a criação do conceito trail, na altura apenas existiam corridas de montanha com certas diferenças para este tipo de provas, algo que tem aumentado a oferta de forma impressionante. Outra grande diferença é que os portugueses perderam o medo à distância e temos cada vez mais maratonistas. Mas a que considero a maior e mais saudável diferença, tem a ver com a participação feminina. Quando me iniciei, a percentagem de atletas femininas situava-se entre os 3 e os 6%, enquanto actualmente na maioria das provas anda pelos 20%, ainda longe das médias de alguns países mas a aumentar.  

9.JPG

Foto: a cortar a meta em Valência 2018, uma Maratona impressionante e cujo entusiasmante final é de colocar qualquer um louco de alegria, como se constata!

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Algumas. Desde uma senhora de idade a insultar os atletas gritando que as corridas eram uma merda, ao que gritei “desporto é saúde” e a senhora querer vir atrás de mim para me bater com a sua bengala, a estar a treinar numas férias que por acaso eram um dia de greve e um carro aproximou-se abrindo o vidro (o que sucede algumas vezes para pedir alguma indicação de rua) mas quando me aproximei, o senhor (que provavelmente estava danado por vir de alguma repartição fechada) gritou em fúria “grevista de merda!” e arrancou (esquecendo-se que além de poder efetivamente estar em greve, poderia estar de férias, desempregado, trabalhar por turnos ou horário diferenciado, etc), a engasgar-me numa corrida por engolir uma mosca ou então por falha da organização, fazer 23 km numa Meia, ao que a minha mulher apelidou “duma meia até aos joelhos”! 

  • Aventura marcante 

Sevilha 2014! Tenho muitas provas que foram especiais mas nada como esta. Tenho 13 Maratonas concluídas mas parti em 14. Na que teria sido a minha 2ª, a Cascais-Lisboa 2013, fui forçado a desistir aos 15,5 por um problema físico completamente impeditivo de continuar, o que foi uma experiência muito dura. Seguiu-se Sevilha 2014 mas 5 semanas antes apanhei uma infeção pulmonar que me obrigou a parar. E se em Maratona é necessária muita resistência, não esquecer que ela vem dos pulmões. Recomecei a treinar mas fraco. Duas semanas antes tentei 24 km mas andei mais do que consegui correr. Basicamente, não tinha força mas não estava preparado para ter um novo DNF. A semana anterior foi terrível com a inevitável sombra da desistência. Mas ia tentar. Mais valia desistir por ser impossível continuar do que nem sequer tentar. Ficou na memória de todos como estava no pequeno almoço no dia da prova, isto para já nem falar do que a minha mulher teve de aturar nessa noite. Sentia-me impotente para evitar o que seria para mim outra dura derrota. Mas…na altura de ir deixar o fato de treino no carro, e ao sentir o ar frio, algo mudou em mim. Mudei do estado de derrotado para um outro que nem sei definir. Conclusão, fiz a que considero a corrida da minha vida e ao mesmo tempo a mais feliz, divertida e emocional. Costumo dizer por brincadeira que devo ter sido tocado por alguma fada das corridas por mais pareceu magia. Mas a magia veio toda do meu desejo de completar o desafio. E nesse dia, com 2 Maratonas no currículo, sinto que ganhei carreira de maratonista pois se tivesse desistido pela 2.ª vez em 3 tentativas, não sei se teria continuado a tentar a distância, eu que era para ter feito apenas uma. E o que teria perdido!     

10.JPG

Foto: com os grandes amigos Isa e Vitor na Corrida do Bodo 2019, a brincar antes da prova com a placa que faz alusão ao nome da nossa equipa

  • Participação em prova mais longa

Por 13 vezes em Maratona. Lisboa 2012, Sevilha e Porto 2014, Paris e Cascais-Lisboa 2015, Barcelona e Porto 2016, Sevilha e Porto 2017, Valência 2018, Sevilha, Aveiro e Porto 2019   

  • Objetivos pessoais futuros

Continuar sempre a correr com o mesmo prazer que tenho desde o início. Em termos de provas, os grandes objectivos são em Maratona, tendo planeado em 2020 Madrid e Málaga, 2021 Aveiro e Loch Ness e tentar o sorteio para Berlim 2022. Isto para já. Em termos meramente utópicos, gostava de fazer uma Maratona aos 100!! 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Basicamente semelhante, mas gostava que houvesse um maior controlo para evitar os batoteiros. De realçar a recente medida da RunPorto ao desclassificar e publicar a lista dos “corta-caminhos” e das “mulheres com barba” na Maratona do Porto, avisando que no futuro irá começar a impedir a participação de atletas que sejam apanhados nas mesmas condições. Espero que seja um primeiro passo a ser seguido por mais organizações   

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos 

A mudar para o escalão M65, forçosamente (ainda) mais lento, mas sempre com o mesmo prazer de corrida. Assim haja saúde!  

11.jpg

Foto: Porto 2019, uma Maratona tão sofrida mas com uma enorme felicidade na meta por ter resistido

02
Fev20

De um ex-sedentário para outro


João Silva

Hoje falo-vos de uma pessoa que não precisa minimamente do meu reconhecimento para ser grande.

Com uma história de vida diferente, tem um ponto muito importante em comum comigo: ambos fomos sedentários. E ambos nos agarramos à corrida como tábua de salvação.

Logo nos inícios, quando me apercebi que a corrida ia mesmo virar paixão, decidi procurar mais sobre quem já andava nestas vidas.

Fruto do acaso, tropecei no blogue do José Guimarães, o De sedentário a maratonista.

Gostei tanto e revi-me de tal forma que acabei por ficar aficionado do seu blogue.

Aprendi imenso e fiquei-lhe tão grato que fiz questão de lhe dizer por e-mail o quão importante era "conhecer" alguém com uma história tão próxima da minha.

Seguramente, não precisa de qualquer tipo de endosso da minha parte. Na verdade, o José já é um grande exemplo para os amantes da modalidade. É muito prestável e suficientemente "terra a terra" para dar bons conselhos a quem está a começar.

A sua carreira de atleta fala por si. O bicho ficou-lhe de tal forma que andou a correr o Mont Blanc. Como se não bastasse, este homem transformou-se num autêntico homem de ferro (Ironman). Como tudo isto ainda era pouquinho, passou a triatleta.
Cansa só de pensar nesta roda vida.

No fundo, o que escrevo aqui hoje é apenas um tributo ao seu discurso despretensioso ligado à corrida, à nutrição, aos equipamentos de corrida, bem como às dicas e técnicas a quem se presta a evoluir gradualmente.


Defende que pretende ser para os outros aquilo que diz que lhe fez falta: uma base de conhecimento, uma plataforma de orientação para quem quer e precisa de dar o primeiro passo. Revejo-me inteiramente nesse papel.


Talvez por isso, no início, parecia uma criança à espera de um presente. Isto é: não largava o blogue à procura de novas informações do Zé.

Vale bem uma visita.

Opera Instantâneo_2019-12-11_212041_www.desedenta

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Redes sociais

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D