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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em 2016 era obeso, hoje sou maratonista (6 oficiais e quase 20 meias-maratonas). A viagem segue agora com muita dedicação, meditação, foco e crença na partilha das histórias e do conhecimeto na corrida.

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07
Jan20

Muda-se o ano, melhoram-se os métodos


João Silva

2019-11-30_10_51_06_072.jpg

Como referi no ressoar dos últimos batuques de 2019, terei 11 meses para preparar a minha maratona no Porto.

Claro que, tendo eu uma paixão tão grande pela distância, não a irei correr apenas uma vez em 2020. No entanto, todas as outras vezes em que o fizer serão em treino. Porém, isso não me desanima, porque sinto uma enorme paixão pelo treino, pela simples arte de sair à rua com uma bátega à minha espera e por ir...sem destino, mas com hora marcada para regressar a casa, até porque não quero deixar a esposa preocupada.

Com tanto tempo até ao grande dia, vai ser curioso perceber como vou implementar os meus métodos de treino.

Até março, altura prevista para o campeonato distrital de estrada, perspetivo muita intensidade nos treinos e um foco maior, a partir de finais de fevereiro, em treinos de velocidade mais curtos (em distância) do que os que uso para a maratona. Apesar de ser muito útil para a caixa torácica poder trabalhar com sequências de sprints em 400 m, é importante preparar o corpo para reagir mais rapidamente em distâncias menores. São 15 os quilómetros da prova em causa, pelo que as séries deverão andar nos 200 ou 300 m. O meu objetivo temporal para o dia em causa anda em 01h05m-01h08m.

Outro tipo de sessões em que terei novamente de apostar serão os fartleks. Talvez uma espécie de upgrade dos fartleks Watson, pois é importante conseguir impor ritmo e mantê-lo durante um bom tempo. As meias maratonas da segunda metade de 2019 fizeram-me perceber que consigo arrancar muito bem. Não conheço o percurso, mas já me chegaram algumas indicações de que é sinuoso, pelo que, se assim for, haverá momentos para subir com cadência e fases em que terei de aproveitar bem as descidas para progredir. Essa foi outra das belas conclusões que tirei em 2019. Consigo descer bem, com uma passada bem larga e uma aterragem com a almofada do pé, evitando assim estragar o calcanhar ou as pontas dos dedos. 

Neste âmbito, será fundamente apostar em treinos específicos de técnicas de corrida, uma das verdadeiras mais-valias que descobri em 2019. Se consegui ter tão bons desempenhos nas provas a partir de setembro a isso o devo.

Claro que, como não podia deixar de ser, também há lugar garantido para treinos de fibras vermelhas e brancas. Onde? Nas subidas que ornamentam esta bela terra a que chamo "casa". Não há muitas coisas melhores do que sair de casa numa manhã chuvosa, de belos aguaceiros e subir ao Bom Velho de Cima para depois trepar a Vila Seca, descer ao Alcouce e vir que nem um desalmado desaguar às Ruínas de Conímbriga. Ou mesmo rumar até Anobra, subir ao casal da Légua, descer em grande velocidade por Palhagões, cortar na Rapoila, apanhar a estrada perigosa de Belide e usar o Sebal como meio para voltar a casa. Não troco, obrigado.

A partir de abril, entro numa espécie de terreno desconhecido, certamente com corridas mais curtas para conseguir estar à altura de outros desafios e, por volta de junho, espero conseguir retomar a preparação da maratona.

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