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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

31
Jan20

Diz quem sabe, ouve quem gosta


João Silva

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Como já aqui o escrevi, sou um seguidor confesso e inveterado do podcast francês Dans la tête d'un coureur.
Não só pela simplicidade e pela despretensão com que expõem os conteúdos, mas também por um deles ser/ter sido um treinador da equipa nacional francesa de atletismo. Portanto, sabem na perfeição do que falam. Adicionalmente e como grandes vantagens, estão nos principais eventos mundiais, abordam outras vertentes do atletismo como trail e triatlo e contam com os vereditos de verdadeiras estrelas do atletismo francês.
Foi, pois, num destes episódios que fiquei a saber mais aspetos interessantes e importantes.

 

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Desde logo, um plano de treinos de um atleta deve ser composto em 80% por treino de endurance. Isto é: treino/corrida de sessões longas, trabalho de resistência, capaz de garantir que o atleta aguenta a carga. É o chamado "meter quilómetros nas pernas" e é de extrema importância para trabalhar o corpo para grandes distâncias.
De seguida, 10% devem ser dedicados a trabalhos de velocidade. É neste ponto que entram os treinos de ritmos, os intercalados, os sprints puros. Este conjunto vai garantir explosividade, capacidade de alternar ritmos e cadências e ainda permite gerar energia nos músculos sem ação do oxigénio, pois são exercícios anaeróbios. Pela sua agrassividade, é importante não abusar, mas também não podem ser descurados.
Por fim, os restantes 10% incidem sobre um dos pontos mais importantes, o descanso, elemento que permite a assimilação da carga e a tradução desse processo numa evolução.
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A acrescentar a todo este fascínio, o treinador em causa expõe ainda um facto curioso, sendo posteriormente apoiado por uma fantástica triatleta francesa que esteve presente nos Jogos Olímpicos do Rio: para correr, por exemplo, a uma média de 12 km/h, um atleta deve centrar a maioria dos seus treinos a 11 ou mesmo a 10 km/h.
O exemplo serve na perfeição o meu casa, já que o valor atual anda nessa ordem, sendo que eu faço mal o seguinte: procuro treinar o mais possível a 12km/h em vez de me manter num ritmo mais baixo para depois ter alguma "liberdade" para subir em provas, por exemplo.
Esta ideia reforça claramente o ponto exposto no inicio: mais do que a rapidez constante, um atleta deve privilegiar a resistência e a "durabilidade" das suas energias, pois só isso permitirá chegar a patamares superiores de forma mais sustentada.

29
Jan20

Mais facilmente se transforma em menos


João Silva

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Muitas vezes, há o problema de falta de conhecimento. 

Cresci a ouvir: quem não sabe é como quem não vê. Acredito piamente nisso e sou, confessamente, uma pessoa ávida de conhecimento. Como não podia deixar de ser, a minha procura incessante por saber mais sobre o que me interessa transporta-me com muita facilidade para o extremo do conhecimento.
Saber de mais também pode ser um problema.
Obviamente que não sei tudo e nem estou a afirmar isso, mas ter uma grande base de sabedoria em determinados assuntos pode levar-nos a conclusões e a situações de desconforto.
É assim com a comida e sei claramente que isso me inibe de tal forma que me impede agora de comer determinadas coisas. Ou melhor: apagou-me de tal forma a vontade que nem sequer penso nelas. E nem estou a falar de alimentos que me possa ser prejudiciais.
Depois, e era aqui que queria chegar, tenho uma grande base de exercícios de reforço muscular e de treinos. Como não sei lidar bem com isso, procuro, em determinadas fases, fazer tudo, o que culmina em perturbações de desempenho e em angústias e ansiedades desmedidas.
Além disso, quando fico algum tempo sem fazer um ou outro tipo de exercício mais importante, começo logo a questionar-me.
Chego a amaldiçoar muitas vezes o facto de "saber de mais", não porque isso seja mau, porque não o é, mas porque sinto que não sei lidar bem com isso. É uma viola que eu não sei tocar.
Sou assim com algumas coisas na vida e isso acaba por me inibir, porque não corro o "risco" de improvisar. O meu improviso é antecipado.
Seja em desporto ou fora dela, também são assim?

27
Jan20

Sem acomodações mas também sem exageros


João Silva

É a grande moral de toda esta história.

Dizem-nos muitas vezes que temos de sair da zona de conforto e que não nos devemos acomodar.

Tudo isto é muito bonito e muito verdade, mas também é necessário ter cuidado com tudo isso.

Primeiro, é crucial avaliar até que ponto nos acomodámos.

Naturalmente, falo da parte desportiva, mas também se aplica a tudo na vida.

Por vezes, as pressões, as nossas e as externas, levam-nos a fazer avaliações erradas e precipitadas, mas é importante manter a clarividência.

Os estímulos e as mudanças devem ser feitas com um propósito, o de garantir evolução e de nos fazer melhorar. Ao mudar de método de treino/trabalho, não importa, de todo, atropelar processos.

Portanto, se sentirem que o modelo tem dado frutos, aguentem-no mais um tempo e, a espaços, incutam algumas alterações para vos dar estímulo.

Não se mandem logo para fora de pé. A queda vai doer.

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25
Jan20

Porquê (e para quê) querer mudar tanto tão rapidamente


João Silva

Resposta certa: porque a insatisfação é constante e, por vezes, cega ao ponto de não perceber que não se mexe (muito ou quase nunca) em equipa que ganha, já diz o ditado.
Ora, a tese é a seguinte: se mudaste e correu bem, não tens de começar do zero. Já criaste uma base de trabalho bem-sucedida, pelo que deves saber ter calma e descernimento para analisar a evolução.
Se quiseres passar para um patamar superior, então, precisas de ajustar e de acrescentar novos métodos.
Se não queres já entrar num nível mais avançado, então, deves dar o benefício da dúvida e manter a forma de trabalhar.
Isto é uma crítica direta para mim: preciso de implementar alguns ajustes para poder subir o rendimento, mas tal não pode significar pôr em causa tudo o que fiz antes. Não há razão para isso.
Outra forma de explicar esta necessidade assenta no vasto leque de exercícios e de técnicas de que já disponho. Então, acabo por querer fazer tudo de uma vez e atropelo processos.
Para terminar, dou conta de uma idiossincrasia muito própria: não gosto de operar mudanças, mas não paro de pensar em formas de mudar.

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23
Jan20

Pensa, reflete, repe


João Silva

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Um belo ciclo. Como passo demasiado tempo dentro do meu corpo, estou sempre a pensar em tudo: no que fiz de mal (75% do tempo), no que preciso de fazer ou mudar para ficar bem (15%) e no que fiz de bem (10%).

Não me queixo por refletir, considero que é isso que me leva onde quero chegar. O problema é isso não me largar quando era suposto.


Levo-me demasiado a sério, bem sei. Há razões para isso, mas não são para aqui chamadas.


Durante os treinos, reflito e perspetivo as melhorias.

É certo que se trata de um processo permanente e permanentemente inacabado, mas permite-me organizar a minha vida.

Talvez a grande mudança da minha seja agora responsável por esta constante reflexão.

Quer dizer, não é talvez, é com certeza. Não saber se estarei à altura dá comigo em doido e tem-me feito questionar tudo. Novamente.

Eu bem digo: pensa, reflete, repete.

21
Jan20

Aquele vazio com o coração cheio


João Silva

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Parece poesia, mas não.

Trata-se de mais uma reflexão.


Sim, parece que estou a fazer de janeiro o mês dos pensamentos profundos.


No fundo, já aflorei esta questão nos últimos dias: passo meses a fio a preparar o meu grande objetivo. Corro-o, felizmente tem corrido bem, chego ao fim e depois vem um marasmo.


Não em termos de treinos, continuo a correr e a treinar todos os dias. Não dou tréguas nesse aspeto.

Porém, tenho percebido, e já lá vão três oportunidades, que a cabeça não fica logo pronta para outra.

É como se me apagassem a memória e estivesse a preparar tudo do início, do quilómetro zero.

Cria-se ali um marasmo, um hiato tão difícil de resolver. Faz-me questionar tudo, o que não é mau, mas obriga-me a perder muito tempo com coisas desnecessárias.

Não sei se acontece o mesmo por essas bandas, mas gostava de saber, claro.

 

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19
Jan20

Quando o prejudicial é também necessário


João Silva

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Admito que possa parecer um contrasenso, mas não o vejo como tal.

Tenho, volta e meia, momentos em que preciso de deixar o coração brincar e fazer o que quer. Para tal, é necessário desligar um pouco o cérebro. De outra maneira, não seria possível fazer treinos que me sabem bem mas que me são prejudiciais ao corpo.
Em termos emocionais, sinto que sofro muito após as maratonas e em 2019 reparei que nos dois casos precisei de algum tempo para ressacar. A forma escolhida foi correr sem destino, meter carga no corpo e seguir.
Como disse antes, isso prejudica a evolução do corpo, porque tenho perfeita noção de que abuso muito.
A "sorte", principalmente entre novembro janeiro, é que não costumo ter provas, pelo que posso abusar à vontade nos treinos.
Caramba, faz mal que dói, mas sabe tão bem que nem dá para explicar.
Portanto, no fundo, quero é saber se são iguais a mim: por vezes, fazem mal a vocês próprios porque precisam de um time out e porque vos sabe pela alma?

17
Jan20

Uma análise ao que foi 2019


João Silva

Já passaram umas semanas desde a viragem do ano, agora é tempo de olhar para trás e de fechar plenamente um ano que teve tanto de intenso quanto de extraordinário.
Com base na imagem que aqui exponho, vou tecer um breve comentário a cada mês.
Neste caso, os valores apresentados referem-se apenas a corrida. Bicicleta, bicicleta estática e caminhada não entram nesta primeira imagem.

Assim sendo:
Janeiro - viragem do ano, loucura no corpo para mostrar a alguns aquilo que já fazia antes mas que ainda não era visível em redes sociais. Um erro tremendo, porque quis adotar coisas/treinos que não eram minhas e que não sabia ainda como integrar. Primeira vez em que passei a barreira dos 300 km corridos num mês.

Fevereiro - um mês sempre estranho em termos motivacionais e nem sei bem porquê, mas pronto. Primeira prova do ano, em trail, mas foi um mês duro a fazer lembrar fevereiro de 2018, sem "depressão".

Março - preparação da maratona de Aveiro em pleno, primeira prova de estrada e eu com as teorias de que precisava de saber encarar uma prova de ânimo leve. Pior prova de sempre em 10 km em estrada e frustração para dar e vender.

Abril - primeira corrida (21 km) no distrito de Aveiro e também o mês da maratona na dita cidade. Pior meia maratona de sempre e o pior registo em maratona, onde consegui juntar um mau desempenho a um mau tempo. Salvou-se o facto de ser o aniversário da esposa e por ter criado este blogue.

Maio - mês de reflexão e de diversificação de métodos de treino e modalidades, com alguns treinos em bicicleta de estrada e de corrida em serra. Primeira vez em que faltei a uma prova e onde precisei de avaliar ao pormenor o que andava a fazer.

Junho - mês de retoma, com mais uma quilometragem de sonho e o momento em que percebi que precisava de olhar mais para mim e para os meus métodos e de me fechar perante a exposição a que me sujeitava. Os resultados ainda não eram os ideais, mas os treinos já incidiram no que precisava.

Julho - mês de muitas mudanças em termos de técnicas e de tipos de treinos que adotei. Abracei mais sessões específicas, aprendi a valorizar mais as derrotas e o mês em que corri pela primeira vez mais de 400 km. Comecei a deixar as redes sociais e hoje percebo que foi a minha melhor decisão.

Agosto - treinos em alta, novo volume máximo de quilómetros corridos, sessões muito intensas, implementação definitiva de pilates e introdução da natação. O mês em que percebi que estava a fazer um excelente trabalho.

Setembro - mês de regresso às provas, com excelentes indicações, de muita corrida (outro dentro dos 400 km) e cada vez mais a certeza de que ia acabar o ano em beleza. Momento do treino de 42,195 km.

Outubro - mês incrível com dois fantásticos resultados em meias maratonas, mas também de algum abrandamento devido à proximidade da maratona. Nestes trinta dias tive a prova provada de que a crença e os pensamentos positivos são tão importantes quanto um bom plano de treinos.

Novembro - data da minha prova de eleição, a maratona. Um mês que valeu por tudo isso e que me fez tocar no céu. Também me deu motivos de orgulho por ter feito um desmame como aqueles dos livros. O lado negro foi depois o exagero e a sobrecarga tresloucada de treinos nas duas últimas semanas. Algumas crises de confiança e de questionamento desnecessário dos meus métodos.

Dezembro - última prova do ano, bem especial, muito treino e muitos momentos de reflexão sobre os próximos passos e sobre a forma como a parentalidade me vai obrigar a reinventar enquanto atleta. Implementação gradual de novos treinos de reforço muscular e retoma de alguns treinos específicos mais intensos como subidas. Redefinição de objetivos para 2020. Foi um mês incrível em termos de distância. Percorri pela primeira vez mais de 500 km!!!

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Deixo-vos com algumas imagens do volume de treinos de corrida e de outras modalidades em 2019. Ficou a faltar contemplar os treinos de força, mas não consegui parametrizar isso nas aplicações. Por outro lado, o corpo sabe bem o que sofreu. Outro tanto em 2020 não era algo que enjeitaria. Mas já sei que não vai poder ser assim. É hora de me reinventar, claro. "Challenge accepted!"

FORAM 4098 KM CORRIDOS EM 2019! MUITO TEMPO NA ESTRADA. VALEU A PENA EM ABSOLUTO.

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Distância percorrida em 2019 nos treinos de corrida

 

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Distância percorrida em todas as modalidades que pratiquei em 2019 (não contempla os treinos de reforço muscular)

 

 

 

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Número de sessões de treino de todas as modalidades praticadas em 2019 (não contempla os treinos de reforço muscular)

 

 

 

 

15
Jan20

"Treino duro, combate fácil"


João Silva

Mais um daqueles lemas maravilhosos importados do mestre José Carlos.

Ao que parece, o mote vem dos seus tempos de instrução militar.

Também eu me revejo muito na expressão. É simples de perceber porquê: porque se me preparar com dureza e não fugir, dentro do que é um risco consciente e aceitável, vou conseguir superar todas as dificuldades que vou encontrar.

Reflete também a ideia do: "o que não nos mata torna-nos mais fortes".

Apesar de também haver momentos em que escolho percursos ou treinos mais acessíveis, só como forma de picar o ponto, não me escudo a fazer treinos duros e intensos várias vezes por semana.

É uma forma de saber que estou preparado para o desafio que vou enfrentar. Sou assim em tudo na vida. Tenho uma grande necessidade de antecipar dificuldades, porque não reajo bem aos imprevistos (no caso, falo de não estar preparado ou dotado de ferramentas para lidar com determinadas situações). Também são assim?

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13
Jan20

O percurso quer-se duro


João Silva

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Esta afirmação pode vir a morder-me é pela boca morre o peixe. É sempre a mesma coisa.
Ainda assim, assumo destemido esse lema e digo-vos claramente que não me apraz mesmo nada fazer provas com percursos totalmente planos, o que, supostamente, redundar num maior nível de facilidade.
Frequentemente, isso é feito para facilitar a conquista de tempos e para chamar um maior número de pessoas.
Percebo mas não concordo.
Uma das provas mais duras que fiz foi a da Venda da Luísa em novembro de 2019 e adorei-a precisamente pelas dificuldades.
A maratona de Aveiro também foi um bom exemplo disso.
Ou mesmo a São Silvestre de Coimbra.
São as dificuldades que nos fazem chegar mais longe e é um pouco a teoria de passar o Cabo das Tormentas para depois ser feliz.
A questão é polémica, mas gostava de saber o que acham. Até mesmo porque a questão de provas planas pode ser uma falsa questao: experimentem correr 2 km seguidos em zona totalmente reta e depois digam-me se é fácil. Ainda assim, prefiro irregularidades no percurso.

Dureza, portanto.

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11
Jan20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

1.º trail – Trail Santa Catarina 2014 – Vila

Foto: 1.º Trail - Trail Santa Catarina - 2014 - Vila Nova de Famalicão

Hoje trago-vos uma pessoa em quem vejo uma verdadeira alma guerreira.

A nível pessoal, penso que nem ela imagina o quanto contribuiu a dada altura para a minha felicidade privada, apoiando um projeto que ainda não tinha pernas e que só as viria a ter meses mais tarde.

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Foto: V Trail Viver Pereira - 2016

De certa forma, gosto de pensar que é justo valorizar o seu talento aqui. Em termos desportivos, é uma autêntica guerreira. Impressiona-me pelos desafios a que se presta em trails e julgo que o facto de ter uma paixão tão grande pela corrida idêntica à minha (ela no trail, eu na estrada) me leva a admirar o seu trabalho e a sua sede de novos desafios. Como poderão aferir mais abaixo, é uma adepta inveterada de desporto, o que, desde logo, merece todo o tipo de elogios.

Penso que as respostas dela vos darão uma ideia bem precisa da valia humana e desportiva de uma pessoa como a Elza.

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Foto: VI Trail de Conímbriga Terras de Sicó - 2017

É, pois, chegado o tempo de conhecerem a Elza

  • Nome

Elza Cordeiro

  • Idade

46

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

2012. Fui parar ao atletismo um pouco por acaso. Sempre fiz desporto, na minha adolescência o desporto que fazia era andar de bicicleta. Mais tarde e durante algum tempo fiz aeróbica e step, até que descobri a hidroginástica e fiquei rendida. Até ser mãe, e mesmo grávida, fazia hidroginástica 3 vezes por semana. Com a maternidade, as rotinas alteraram-se completamente e os horários deixaram de ser compatíveis com os horários da hidroginástica, foi nesta altura que descobri a corrida. A corrida tinha vantagens, pois podia ir a qualquer hora, ou seja, não havia um horário de treino a cumprir.

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Foto: FK Trail - 2017

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida em montanha, vulgarmente conhecida por Trail Running. Foi através de uma prima, que também é praticante de trail running, que tive contacto com a corrida em montanha. Claro está que fiquei apaixonada. Correr na montanha não tem qualquer semelhança com as corridas de estrada. Na montanha há muitos obstáculos que temos de ultrapassar, não é “correr a direito” como em estrada. Há trilhos muito técnicos, alguns até bastante perigosos, mas com paisagens de sonho, que de outra maneira seria difícil conhecer. Há também muito mais companheirismo e entreajuda entre os atletas. Durante uma prova corremos, mas também conversamos, e muito. Corre-se muito com as pernas, mas também com a cabeça. Claro que também há competição, mas a competição por norma não é o mais importante. Não esquecer que há que ter muito respeito pela montanha. É ela quem manda.

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Foto: Coimbra Trail - 2018

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Prefiro as longas distâncias. Fiz a minha primeira prova em setembro de 2014, foram 10 km. Confesso que nos dias anteriores a esta primeira prova andei um pouco ansiosa. À época, 10 km para mim eram uma enormidade. Completei a prova com sucesso, e gostei tanto que em fevereiro de 2015 já estava a fazer a minha primeira prova acima dos 20 km, o Trail de Conimbriga Terras de Sicó. Andei pela distância de 20/30 km até 2017, onde em janeiro me aventurei a fazer os 33 km do famoso Trail dos Abutres. Até setembro de 2018 mantive-me nas provas cuja distância rondava os 25/35 km. Em setembro de 2018 ultrapassei a barreira dos 35 km e fiz a minha primeira ultra, foram 43 km no Coimbra Trail. Fiquei rendida à distância acima dos 40 km. Nestas distâncias são precisas pernas, treino, mas também é preciso muita resiliência, muita capacidade para ultrapassar as dificuldades e adversidades que vamos encontrando ao longo do percurso. É preciso muita cabeça. Entretanto na época que terminou, 2018/2019 fui finisher no Circuito de Ultra Trail da ATRP, que para quem não sabe é um circuito de provas, 4 provas, cuja distância de cada uma delas é maior que a distância da maratona. Este circuito da ATRP é um campeonato realizado a nível nacional.

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Foto: Mondego UltraTrail - 2018

  • Na atual equipa desde

Época 2017/2018

  • Volume de treinos por semana

3 corrida e 2 reforço em ginásio

  • Importância dos treinos

Os treinos são cruciais para atingir os objetivos, ou seja, para conseguirmos completar o percurso a que nos propomos fazer com sucesso e para evitar lesões;

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Foto: Estrela Grande Trail - 2018

  • Se tem ou não treinador

Para os treinos de corrida não tenho treinador, vou correndo umas vezes sozinha, outras em grupo. Na parte do reforço muscular, tenho apoio de um treinador que vai orientando os treinos tendo em conta o meu propósito que é o de conseguir fazer distâncias acima dos 42 km em boa preparação física. Nestes treino de reforço treino a força e a resistência.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Como o atletismo entrou um pouco “tarde” na minha vida, não consigo identificar diferenças entre o atletismo passado e o actual.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Além de às vezes irmos treinar para o monte e de já ter acontecido termo-nos perdido, ao longo destes 7 anos, não tenho nenhuma história engraçada para contar.

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Foto: Piódão Trail Running - 2019

  • Aventura marcante

VII PIODÃO TRAIL RUNNING: foi sem dúvida a minha maior aventura. Foi a minha primeira prova acima dos 43 km. Foram 50 km debaixo de condições atmosféricas extremas: com trovoada, chuva intensa, granizo, nevoeiro e um forte nevão (foi o maior nevão do ano na aldeia de Piódão) que rapidamente apagava as marcas deixadas pelo atleta que ia cerca de 50 m à nossa frente e as condições meteorológicas eram de tal maneira adversas que não conseguíamos distinguir se era homem ou mulher. Foi uma prova feita em equipa e foi o ter sido feita em equipa que contribuiu para termos conseguido, tendo em conta aquelas condições, ser finishers. As condições eram tão más que a organização não permitiu que ninguém iniciasse a prova sem calças térmicas ou impermeáveis, bem como sem impermeável.

  • Participação em prova mais longa

VII PIODÃO TRAIL RUNNING, 50 km com 3000D+ (nota: desnível positivo)

 

  • Objetivos pessoais futuros

Em 2020 gostava de fazer os 57 km do TRAIL DE CONÍMBRIGA TERRAS DE SICÓ, e em 2021 os 67 km do Ultra Trail Serra da Freita.

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Foto: Trail Abrantes 100 - 2019

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Há cada vez mais pessoas a aderir ao atletismo, penso que é uma atividade que terá tendência para crescer. Em termos de trail, neste momento, há inúmeras provas todos os fins de semana, mas pela seleção natural apenas irão sobreviver aquelas a que vale mesmo a pena ir, quer pela beleza dos trilhos, quer pela organização.

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Foto: Trail dos Abutres - 2018

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Daqui a 5 anos continuo a ver-me como praticante de trail running, já estarei num novo escalão, no escalão F50. Quando mudasse de escalão, gostava de fazer uma prova de trail de 3 dígitos, o chamado Trail Endurance. Acho que é um grande teste à nossa capacidade de resistência e resiliência. Em provas longas eu costumo dizer que 20% é pernas e 80% é cabeça, e no Endurance Trail esta relação é ainda mais evidente.

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Foto: Trail do Zêzere - 2016

  • Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias? 

Acho que cada vez há mais mulheres no atletismo, é uma atividade desportiva que está em crescimento. Nas provas de grandes distâncias, há também cada vez mais atletas femininas, neste caso, os escalões com mais atletas são os acima de 40 anos. Como já referi, as provas de longas distâncias colocam à prova a nossa capacidade de resiliência, a nossa capacidade de lidar com as adversidades, e aos 40 anos, já passámos por algumas adversidades próprias da vida que nos dão capacidade de as ultrapassar e de as conseguir ultrapassar com sucesso, ou seja, sem desistir. Aquilo que é verdade para a nossa vida também se aplica numa prova de longa distância, onde muitas vezes fazemos quilómetros completamente sozinhas, em que só contamos connosco, em que temos de ir em modo de autossuficiência e em que desistir não faz parte do nosso vocabulário.

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Foto: Trail Ultra Douro e Paiva - 2018

  • Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Penso que não. Se há, ainda não dei por elas. As provas são as mesmas, únicas, tanto para homens como para mulheres, ou seja, com a mesma distância e com o mesmo grau de dificuldade.

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Foto: Mondego Ultra Trail - 2016

09
Jan20

Podes abusar mas o corpo mete-te no lugar


João Silva

Mais uma daquelas verdades que me foram impingidas há pouco tempo pelo meu corpo.

Após a maratona em novembro, como estava previamente definido, abracei uma semana de recuperação ativa. O corpo precisa sempre de um desmame, sobretudo, depois de meses de preparação para uma prova daquela natureza.

Não parei o exercício e nem isso é desejável, mas não corri durante 10 dias. Fiz bicicleta estática, caminhadas e muito trabalho de reforço muscular.

Curioso ou não, gradualmente, deixei-me cair novamente em sobrecarga e, o mais tardar quando retomei a corrida, dei por mim a exagerar. Aos treinos de corrida, juntei, sessões longas de bicicleta estática e ainda sessões extra de reforço muscular.

Não precisava, não era necessário e acabei por me prejudicar, pois voltei a sentir o corpo com muitas dificuldades de recuperação, eliminei folgas. Enfim, uma montanha russa de disparates sem nexo nem explicação óbvia que resultou num desgaste grande.

E pronto: atingi um novo máximo negativo - o corpo foi obrigado a recusar-se a fazer determinados treinos. Não reagia mesmo ao que lhe pedia e, pior, ofereceu-me umas belas dores problemáticas nas virilhas, ancas e canelas.

Como não podia deixar de ser nesse caso de subrendimento, foi abraçado por irritabilidade extrema.

Acho que aprendi a lição, daí a umas semanas consegui reverter a situação, oferecendo-me uns miminhos son à forma de descanso.

Sei que foi errado e que mais não é igual a mais no desporto, pelo menos, como eu faço. Também tenho noção de que não precisava e de que não cometi qualquer deslize alimentar. Nada mesmo. Mas sei que o fiz por medo de perder o controlo e porque preciso de andar sempre disciplinado.

Deu asneira, mas o corpo tratou de me pôr novamente na linha.

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07
Jan20

Muda-se o ano, melhoram-se os métodos


João Silva

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Como referi no ressoar dos últimos batuques de 2019, terei 11 meses para preparar a minha maratona no Porto.

Claro que, tendo eu uma paixão tão grande pela distância, não a irei correr apenas uma vez em 2020. No entanto, todas as outras vezes em que o fizer serão em treino. Porém, isso não me desanima, porque sinto uma enorme paixão pelo treino, pela simples arte de sair à rua com uma bátega à minha espera e por ir...sem destino, mas com hora marcada para regressar a casa, até porque não quero deixar a esposa preocupada.

Com tanto tempo até ao grande dia, vai ser curioso perceber como vou implementar os meus métodos de treino.

Até março, altura prevista para o campeonato distrital de estrada, perspetivo muita intensidade nos treinos e um foco maior, a partir de finais de fevereiro, em treinos de velocidade mais curtos (em distância) do que os que uso para a maratona. Apesar de ser muito útil para a caixa torácica poder trabalhar com sequências de sprints em 400 m, é importante preparar o corpo para reagir mais rapidamente em distâncias menores. São 15 os quilómetros da prova em causa, pelo que as séries deverão andar nos 200 ou 300 m. O meu objetivo temporal para o dia em causa anda em 01h05m-01h08m.

Outro tipo de sessões em que terei novamente de apostar serão os fartleks. Talvez uma espécie de upgrade dos fartleks Watson, pois é importante conseguir impor ritmo e mantê-lo durante um bom tempo. As meias maratonas da segunda metade de 2019 fizeram-me perceber que consigo arrancar muito bem. Não conheço o percurso, mas já me chegaram algumas indicações de que é sinuoso, pelo que, se assim for, haverá momentos para subir com cadência e fases em que terei de aproveitar bem as descidas para progredir. Essa foi outra das belas conclusões que tirei em 2019. Consigo descer bem, com uma passada bem larga e uma aterragem com a almofada do pé, evitando assim estragar o calcanhar ou as pontas dos dedos. 

Neste âmbito, será fundamente apostar em treinos específicos de técnicas de corrida, uma das verdadeiras mais-valias que descobri em 2019. Se consegui ter tão bons desempenhos nas provas a partir de setembro a isso o devo.

Claro que, como não podia deixar de ser, também há lugar garantido para treinos de fibras vermelhas e brancas. Onde? Nas subidas que ornamentam esta bela terra a que chamo "casa". Não há muitas coisas melhores do que sair de casa numa manhã chuvosa, de belos aguaceiros e subir ao Bom Velho de Cima para depois trepar a Vila Seca, descer ao Alcouce e vir que nem um desalmado desaguar às Ruínas de Conímbriga. Ou mesmo rumar até Anobra, subir ao casal da Légua, descer em grande velocidade por Palhagões, cortar na Rapoila, apanhar a estrada perigosa de Belide e usar o Sebal como meio para voltar a casa. Não troco, obrigado.

A partir de abril, entro numa espécie de terreno desconhecido, certamente com corridas mais curtas para conseguir estar à altura de outros desafios e, por volta de junho, espero conseguir retomar a preparação da maratona.

05
Jan20

A arte ou o problema de querer prever o imprevisível


João Silva

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Querer antecipar o futuro é um traço de personalidade que não me larga há anos.

Nem é suposto, é algo de muito próprio e funciona como o meu mecanismo de defesa perante situações complicadas de mudança.

Se sei que vou enfrentar uma situação dura que implica uma mudança, preparo-me convenientemente para ela. Não sou assim apenas no desporto. Sou com tudo. Por exemplo, pouco tempo depois de tirar a carta, procurei ambientes de aperto para saber como reagir em situações "reais".

Portanto, o meu propósito com as antecipações reside sempre em criar padrões de comportamento que me permitam manter o equilíbrio, que não me façam sentir deslocado. 

No entanto, a vida não seria vida se nos permitisse prever e antecipar tudo. Simplesmente, é necessário saber aceitar isso e reagir apenas com base nas informações recolhidas na hora. Tudo isso é muito bonito, exceto quando representa uma tarefa monstruosa para a nossa personalidade.

Esse é um belo desafio que tenho procurado dominar. No atletismo, antecipar significa estar preparado para as reações do corpo e, tenho a certeza, nunca teria corrido uma maratona, caso não tivesse percorrido primeiro os 42 km em treino, porque preciso de ter ferramentas modelo para usar em situações semelhantes. Não gosto de deixar nada ao acaso e, também para antecipar, preparo treinos com envolvências próximas das das provas. Há um fator importante, no entanto, que não consigo recriar com antecedência: a forma anímica e a minha reação momentânea.

Mas tudo é aprendizagem e não saber como reagir também pode ser um belo padrão de reação e de comportamento em determinadas circunstâncias.

Vocês reveem-se de alguma forma neste padrão de comportamento?

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