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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

31
Dez19

Venha de lá esse 2020


João Silva

Já foi tudo dito e mostrado em 2019, agora é tempo de desfrutar da viragem do ano.

Portanto, não querendo tomar muito do vosso tempo, desejo-vos, da minha parte e da minha esposa Diana, umas excelentes saídas de 2019 e umas extraordinárias entradas em 2020.

Que consigam fazer dos vossos intentos uma realidade e que transformem 2020 no vosso ano.

Pela obra que fizemos em 2019 e que só vamos receber em 2020, diria que este será o nosso ano...a partir de certa altura, a três.

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30
Dez19

E chegámos ao fim...de 2019


João Silva

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Hoje é o penúltimo dia de 2019.

Como sempre, um ano intenso. Habitualmente, defino as minhas metas para cada ano. Gosto de me orientar dessa forma, sinto que consigo atingir melhor os meus propósitos.

A nível inteiramente pessoal, posso dizer que, na generalidade, cumpri, embora tivesse falhado em alguns pontos cruciais. Matéria a melhorar, portanto.

Não acredito que um ano vai ser bom para nós, defendo, pelo contrário, que temos de ser nós a torná-lo bom ou mau.

Porém, não é isso que me traz aqui, a este texto.

No fundo, o meu propósito é colocar um ponto final em 2019, em termos desportivos.

Treinei o que tinha de treinar e sinto que chego ao fim precisamente como queria. 

Sem fugir à regra e aos clichês, altos e baixos de sobra, mas, vendo para lá dessa "cortina de fumo", foram 12 meses em que pude finalmente realizar o sonho de experimentar uma bicicleta de ciclismo de estrada, pratiquei ioga, tornei-me amigo mais "íntimo" do pilates e dei continuidade à meditação. Adotei novos exercícios, corri sem e com destino, vezes e vezes sem conta, com chuva, sol, vento e tudo o que poderia aparecer. Tive umas incursões por serra, descobri novos caminhos, novos trajetos. 

Como não podia deixar de ser, fui muito feliz na estrada, mesmo quando as coisas não correram bem e exagerei na carga ou estive em baixo de forma.

A maior aprendizagem que levo para 2020, esse ano que se prepara para me pôr verdadeiramente à prova e que será um teste à minha personalidade, é a de que é possível reverter tudo. Com a ajuda da pessoa mais importante da minha vida, a minha esposa, consegui fazê-lo em aspetos pessoais.

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Modéstia à parte, com a minha sede de conhecimento, com as minhas observações e pesquisas, sem esquecer em momento algum a minha capacidade de sacrifício, consegui também mudar cinco meses de forma deficitária para sete meses fantásticos. Por várias vezes, quebrei a barreira dos 300 km corridos num só mês.

É muito alcatrão, é uma terra, são imensas horas à procura. Foi isso que fiz: procurei-me este tempo todo, houve momentos em que me deixei perder ou em que perdi mesmo o controlo, mas onde fui muito feliz. A esse nível, deixo aqui uma frase que me enche o coração: "só ganhei porque perdi". 

2019 foi um ano de claro e puro amadurecimento como atleta. Invariavelmente, como homem. Se mudava algumas coisas? Sim, mas não muitas. Não atingi tudo como queria e nem as coisas aconteceram na totalidade como antevira, mas consigo estar grato pelas oportunidades de que beneficiei e por ter alguém que me "permita" voar e capaz de querer voar comigo e ao meu lado.

Aproveito o momento para vos desejar uma excelente noite de passagem de ano e para vos agradecer pelas vossas incursõesn este espaço, criado em abril de 2019. Se hoje é o meu veículo de comunicação com o mundo, a vocês o devo. Faço votos para que não se cansem e para que por cá continuem. Por fim, deixo uma curiosidade incrível: em abril/maio de 2020, haverá outro nascimento na minha vida...e não é de um novo blogue...portanto, desde já, sei que o meu 2020 será um ano de renascimento, de reinvenção e de muitos desafios...como nunca enfrentei na vida. Que assim seja e que nunca perca esta paixão pela corrida. O atletismo tem-me dado mais do que eu alguma vez poderia imaginar.

Feliz passagem de ano para todos.

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29
Dez19

Qual a melhor altura para definir objetivos?


João Silva

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É uma dúvida que me assola muitas vezes.

Não falo só de objetivos pessoais.

Aliás, neste espaço, importa particularmente falar de objetivos desportivos.

No início do ano que agora termina tinha como propósito fazer 2 maratonas: a de Aveiro em abril e a do Porto em junho.

Percebi, com o avançar do ano, que, sem sombra de dúvidas, o principal objetivo que tive foi a maratona do Porto.

Nada me tomou mais tempo nem exigiu tanto. Além disso, os métodos, as mudanças, as adaptações, tudo isso foi feito a pensar naquele dia.

E é por isso que não posso dizer que a de Aveiro teve a mesma atenção/importância da minha parte (mas devia ter tido).

Agora, na hora de dobrar o ano, gostava de saber de que forma vocês estabelecem os vossos objetivos.

Isto é: determinam um só, daqueles bem grandes, e trabalham para ele apenas, servindo tudo o resto como preparação ou optam por definir objetivos mais "pequenos" e vão tendo vários ao longo do ano?

Além disso, no vosso entender, quais são os principais critérios a considerar na hora de definir metas? Vão pela dureza, pela duração ou por outro fator?

Terminado e alcançado um objetivo, escolhem de imediato o seguinte ou deixam acalmar as águas e depois é que definem novas metas?

28
Dez19

Os caça-batoteiros


João Silva

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O conceito é, por si só, muito estranho: batota. Praticada por amadores em provas de atletismo!

É, de facto, surpreendente.

Ouvi falar desse tipo de trafulhices (algumas que envolviam algumas organizações de provas) no seio da minha equipa.

Depois disso, ao ler este artigo, tomei uma consciência mais profunda desse tipo de atividade que não leva a lado nenhum.

Será possível acreditar-se realmente que entrar numa prova a meio pode ajudar alguém? Sobretudo, olhando para o lado amador?

No vosso entender, o que deve ser feito como medida de atuação?

Como forma de envergonhar quem não tem vergonha, há um site totalmente em inglês que se dedica a dar um corpo (e uma cara, por vezes) aos "trafulhas".

Podem encontrá-lo aqui: https://www.marathoninvestigation.com/

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Em 2019, a organização da maratona do Porto foi muito mais longe e identificou os nomes dos "atletas" que se prestaram a isso.

Não sei se serão banidos, mas julgo que seria o prémio a conceder. Portanto, apesar de, em primeira linha, considerar que os batoteiros são os principais prejudicados pelas suas ações, no mínimo, é necessário expor as identidades e proibir as inscrições nesses eventos.

27
Dez19

Batoteira, fura-filas ou algo que o valha


João Silva

Depois da época natalícia, corremos a passos largos para mais um virar de ano.

Nesta época em que estamos mais propícios às recordações, trago-vos uma história insólita que data da minha última maratona, no passado dia 03 de novembro no Porto.

Ao quilómetro 37, seguia eu de sorriso estampado no rosto quando ultrapassei alguns atletas em maior dificuldade.

Como forma de incentivo, soltei um "vamos lá, está quase" e um "para quem já fez 37 km, o que são 5?".

Perante esta minha observação, uma atleta vira-se e diz-me o seguinte: "para mim são menos que só comecei aos 17".

Não parei, porque não me perdoaria, mas fiquei incrédulo perante aquela desfaçatez.

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E porque digo isto?

Porque a senhora tinha dorsal de maratona, logo estava a participar no evento e não era uma "mera corredora" de domingo e porque é mais comum do que se pensa haver batota nestas provas, algo que me ultrapassa.

O que se pode ganhar com isso? 

E pior: que benefício para quem o faz? É uma espécie de autoengano.

Além disso, parece-me de uma tremenda injustiça dizer-se que se cruzou uma meta numa prova dessas após fazer uma estupidez do género.

Já vos chegaram aos ouvidos histórias de batota no desporto?

Convido-vos a partilhá-las aqui.

26
Dez19

O desporto como expressão de liberdade


João Silva

Nada melhor do que o dia seguinte ao natal para falar no desporto como forma de liberdade e para, desse modo, nos afastarmos um pouco da ideia de que serve sobretudo como uma plataforma para suportar alguns devaneios alimentares.

Para nos falar disso mais a "sério", trago até vós o texto de uma pessoa que só conheci aquando da minha entrada no mundo da blogosfera: trata-se da MJP, uma pessoa sensível e com um historial ligado à medicina. Como "bónus", acrescento o facto de ser uma apoiante de alguns desportos bem interessantes como o ciclismo ou mesmo o atletismo que este vosso caríssimo pratica.

No fim deste fantástico parecer, convido-vos a visitar os blogues dela. Terão "acesso" ao seu maravilhoso e diversificado jardim, bem como a um mundo onde a liberdade é uma forma de vida. E foi esse o meu propósito com o texto que lhe "encomendei":

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O João teve a gentileza de me convidar a escrever um texto para o seu blogue, subordinado ao
tema: de que forma o desporto pode funcionar como fator de liberdade e de que forma poderá
ajudar a lidar com acontecimentos trágicos como a morte ou com doenças como depressão. 

Começo por agradecer o generoso convite, que muito me honra e desafia!
Ora bem, eu não sou (nem de perto nem de longe) uma entendida na matéria, limitar-me-ei,
portanto, a emitir a minha opinião, tendo por base a minha experiência, pessoal e profissional, e
alguma evidência científica.


O desporto tem um efeito agregador, o que o torna numa ferramenta social muito útil e poderosa,
capaz de reunir pessoas de diferentes origens étnicas, culturais, religiosas e socioeconómicas.
Já foi demonstrado cientificamente que o desporto desempenha um papel importante na
melhoria da saúde física e mental e na promoção da cidadania ativa e da inclusão social,
constituindo um bom ponto de partida para a promoção de estilos de vida saudáveis e aquisição
de competências para a Vida, em geral, desde tenra idade.


A Unicef reconhece o desporto e a brincadeira como ferramentas que melhoram o
desenvolvimento e a aprendizagem das crianças, tanto ao nível cognitivo e social (relacional)
como no que concerne ao desempenho académico, promovendo a sua autoestima e
estimulando-as a ultrapassar obstáculos e a resolver conflitos de forma não violenta.
Alguns estudos, levados a cabo pela Universidade de Harvard, revelaram que a actividade física
melhora o estado psicológico do praticante, ou seja, o exercício dá força às pessoas que se
encontram com depressão ou com o ânimo em baixo.


Durante a prática do exercício, o organismo liberta uma substância química (neurotransmissor),
denominada endorfina, também apelidada de hormona da Felicidade, que desempenha um papel
importante na regulação da autoestima e bem-estar, reduzindo os níveis de stress, ansiedade e
humor depressivo.

Para além das melhorias ao nível psicológico são, ainda, atribuídos muitos outros benefícios à
prática regular de actividade física, tais como:

 Redução do risco de morte prematura;
 Redução do risco de morte por doenças cardíacas ou AVC, que são responsáveis por 1/3 de
todas as causas de morte;
 Redução do risco de vir a desenvolver doenças cardíacas, cancro do cólon e diabetes tipo 2;

 Ajuda na prevenção/redução da hipertensão, que afecta 1/5 da população adulta mundial;
 Ajuda no controlo do peso e na diminuição do risco de se tornar obeso;
 Ajuda na prevenção/redução da osteoporose, diminuindo o risco de fractura do colo do fémur
nas mulheres;
 Redução do risco de desenvolver dores lombares, podendo ajudar no tratamento de situações
dolorosas, nomedamente, dores lombares e dores nos joelhos;
 Ajuda no crescimento e manutenção de ossos, músculos e articulações saudáveis;
 Ajuda na prevenção e controlo de comportamentos de risco (tabagismo, alcoolismo, toxicofilias,
alimentação não saudável e violência), especialmente em crianças e adolescentes.

Em suma, a prática regular de actividade física deve constituir fonte de prazer convertendo-se,
assim, numa expressão de Liberdade.

25
Dez19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez (2.ª parte)


João Silva

(Antes de mais, feliz natal a todos, em especial aos bravos que tiraram uns minutinhos para vir aqui. Conforme prometido, deixo-vos hoje com a conclusão da história do estimado Ricardo Veiga. Sem querer influenciar a vossa opinião, o testemunho dele é qualquer coisa de assombroso (pelo lado positivo). E é por isso que é para mim uma honra conceder-lhe esta atenção numa época tão especial de renascimento. Porque também ele renasceu das "cinzas". Deliciem-se com a segunda parte.)

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  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Para o nível que pratico? Vou dizer "nenhumas": sapatilhas, calções, tshirt e, no mínimo, um relógio de ponteiros para não perder a hora de almoço são essenciais. Hoje há mais gente na rua a correr e muito povo nas provas, antes apenas viam. Noutro nível, sim, as diferenças são abismais, principalmente no que hoje se sabe a mais sobre o corpo humano e os efeitos que a alimentação tem nele, embora me deixe muito contente, um contente rebelde, note-se, que ainda haja marcas antigas para serem batidas.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Tenho muitas. Desde a história que me levou a começar a correr, às mil e uma peripécias pelas quais passei ou que testemunhei nestes dois anos.
No entanto o que mais gravado me fica são as fotografias mentais do meu estado emocional em alguns momentos de prova, treino ou aventura. Fosse eu pintor...

  • Aventura marcante

Tenho muitas. Desde um RP (recorde pessoal) dos 10 km às 19h00 ainda de direta de uma maluqueira de copos e engate, ténis desapertados e rebolão no chão a 01 km da meta, à pequena loucura que é fazer sozinho, de noite/madrugada, Coimbra->Figueira por um caminho que não conhecia.

Marcante? Caramba, a primeira vez que corri mais de 05 km, ou quando me estreei depois dos 10 e só parei aos 19 km porque me sentia bem e então a ideia de continuar passou do "posso continuar" para o "tem que ser, tem que ser".
 
A maratona do Porto de 2018, com uma gigantesca entorse fresquinha de três dias. Treino na quinta-feira, 01 km de trail completamente inofensivo e pimba: tornozelo torcido, cheio de dores e imediatamente inchado para fora da sapatilha. Muito chorei em casa nessa tarde enquanto esperava pela Ema Sofia para fazer magia no pé. Chorava de desilusão, queria tanto correr a minha primeira maratona, e chorava de dor, tinha feito o que o médico tinha mandado e não o que a Ema tinha ordenado: "não pares o pé!" mas como tinha adormecido no sofá com o tornozelo levantado, já não o consegui poisar no chão sem berrar que nem um bebé...
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A sobrehumana Ema Sofia conseguiu-me então pôr "fight ready" com um "queres ser feliz? vais correr a maratona e vais ser feliz" e lá fui eu com o pé impecável, depois de muita "mezinha" nas duas noites anteriores, ligado e com a promessa de que teria que o soltar assim que passasse a meta. Correu bem, fui feliz e acabei a prova em menos de 4 horas, ria e chorava a subir para aquela meta. 
Também Barcelona 2019 foi uma linda aventura, foi a prova mais fantástica que poderia fazer.
 
A muito recente meia maratona de Coimbra onde, após falarmos na partida, resolvi não olhar para o relógio e dar tudo, desse o que desse. E, Deus meu, como deu...06 minutos melhor que o meu melhor. Bati os meus melhores 05 e 10 km numa prova de 21. Que tal?

Claro que a mesma estratégia não resulta sempre: vide a maratona do Porto, 15 dias depois, em que perdi completamente o respeito à distância e fui merecidamente trucidado pela mesma.
Sou um tipo de momentos e corro também para coleccionar aventuras. Ficam comigo para sempre. A corrida faz-me entrar numa realidade paralela sem igual, tudo lá faz sentido, é tudo meu.

Tenho algo como verdade absoluta: há sempre mais corridas. Sempre.

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  • Participação em prova mais longa

As maratonas que fiz, a par do Coimbra-Figueira que hei de repetir em breve por um caminho mais longo mas mais simples.

  • Objetivos pessoais futuros

Para já necessito urgentemente de ter registado menos de 03h45 numa maratona, como vimos há semanas. Necessitava tanto que apontei para as 03h30 com o estrondo que ambos vimos (para todos os outros: estouro e consequente desistência).
Está marcado para fevereiro. Prometo ter calma...

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

O atletismo irá continuar a evoluir como a sociedade faz evoluir determinado grupo de indivíduos que cedo se especializam em alguma atividade desportiva. Se alguém novito hoje, predisposto para um foco, resiliencia e ética de trabalho acima da média tiver aliado uma boa componente genética, terá tudo para evoluir como outros não conseguiram noutras épocas. O avanço científico é grande de mais para que isto não seja verdade.

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  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

De preferência a fazer parte dele, tal como hoje. Também no sofá a chorar baba e ranho quando assisto a provas ou simplesmente chegadas, tal como hoje também já acontece sempre.
Agora a sério: quero muito experimentar triatlo, penso que terei condições de o fazer convenientemente daqui a um ano, ano e meio. Falta a bicicleta e meter-me na natação mas, o que são 2/3? Nada.

Continuar a emagrecer devagar e com cabeça (comecei com 100, vou nos 91), a ganhar força e a cuidar dos meus fracos e asmáticos pulmões que obriguei a papar fumo por mais de 25 anos. Chegarei lá mas a ideia é que seja sempre um "work in progress", não há lugar para esse tipo de conforto na minha vida.

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24
Dez19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Mesmo mesmo a chegar ao natal, quero trazer-vos a história de alguém muito especial que já conhecia antes de começar a correr mas com quem só travei amizade nessa altura.

Hoje falo-vos do meu muito estimado Ricardo Veiga, "camarada" de corridas e que, na verdade, já tinha sido meu chefe num anterior emprego. As voltas que a vida dá.

Para este caso, não interessa o cruzamento prévio dos nossos caminhos. Além de uma pessoa que muito estimo, o Ricardo tem uma história que merece ser contada, que vai quebrar muitos tabus relacionados com doenças psicológicas e com o sexo masculino.

Também pela importância desta mensagem, decidi presenteá-lo e presentear-vos com esta verdadeira inspiração para quem quer que se encontre à beira do abismo como ele esteve. A corrida ajudou-o e fez com que ele se ajudasse a si próprio.

Por isso, parti esta exposição em dois dias e quero divulgá-la nesta época natalícia, precisamente para mostrar que nunca é tarde para renascer e que, além disso, o desporto, e em especial a corrida, são o motor certo para desencadear e reforçar essa mudança.

Espero que vos toque tanto quanto me tocou a mim.

Aqui vos deixo a primeira parte da vida do Ricardo.

 

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  • Nome

Ricardo Veiga

  • Idade

 42

  • Equipa

Sempre

  • Praticante de atletismo desde

Desde 2.º semestre de 2017, início de 2018. Coisa curta mas longa história...
Abreviar não será fácil mas cá vai disto, se conseguir alcançar alguém com o mesmo tipo de percurso, valerá a confissão, sei que muitos dos actuais corredores começaram a correr para fugir a algo e nem sempre à polícia:
Comecei a correr quando me vi num estado crítico de depressão. Tão crítico que, embora não planeasse ainda medidas mais severas de autodestruição, a ideia já nem me parecia tão absurda. Estava realmente doente e, um dia, ao assistir online a uma palestra onde alguém falava exactamente o que sentia, eu percebi como estava.
Não procurei ajuda mas tentei lentamente levantar-me. Demasiado teimoso mas, ao mesmo tempo, capaz de perceber que iria dar trabalho mas que iria conseguir.
O contexto, contudo, não era o mais favorável: desempregado, quase sem dinheiro, sem perspectivas, furioso com tudo, revoltado com o mundo, numa relação em que já nada funcionava e emocionalmente longe da família mais próxima. Na minha cabeça sobravam alguns amigos com quem (quase) tinha coragem para partilhar qualquer coisa. Passava os dias no escuro, ora insensível a tudo ora a chorar cheio de pena de mim próprio, o pior dos sentimentos.

Então tracei um pequeno plano: "necessito de estar vivo todos os dias, nem que seja por umas poucas horas, vou acordar de madrugada em todos eles e vou sair à rua para andar ou correr, necessito de me mexer, necessito de algo onde não tenha amarras, onde ninguém me diga que não, onde possa ganhar todos os dias nem que seja uma ilusão que me dure um par de horas. Depois sim, volto ao escuro, deito-me e durmo. Amanhã repito."
E assim foi. Deixei de fumar de um dia para o outro, vício de 25 anos, e cortei a bebida mas continuei asmático.

Ora toda esta nova rotina foi meio caminho andado para me livrar da namorada que já não me aturava como eu não a aturava a ela, deixámos praticamente de nos ver: eu a viver de madrugada e a desligar à uma da tarde depois de sair e correr, comprar e fazer pequeno almoço, depois caminhar, comprar e fazer almoço e demasiado cansado depois para fazer algo mais que não dormir. Entretanto ela acordava. Top, o mundo lá sabia que afinal o Ricardo até era feliz entre as 6h00 e o meio dia. Foi quando resolvi criar a personagem de Instagram Ricardo Veiga, o atleta pesadinho que deixava a pele toda na estrada enquanto filosofava sobre coisas básicas como.... escolhas. Não era eu mas era um pouco, chegou a viver por mim durante largos meses, cada vez que necessitava esconder-me da luz, a preto e branco é muito mais fácil.
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Percebi que o curto plano resultava. Foi a faísca de que necessitei para tomar opções e para ganhar confiança para voltar a sair à procura de trabalho. E, na verdade, a correr cada vez mais. Foi pouco depois que fiz a primeira meia maratona, já empregado. Figueira da Foz, Junho de 2018.
Cheio de valentes dores todos os dias, claro. Era tudo à bruta, o que me interessava era exorcizar-me diariamente nem que me caísse uma perna. A fúria lá foi passando, mesmo com algumas recaídas da tal depressão, umas mais leves que outras, mas cada vez mais consciente de que a corrida tinha vindo para ficar mas, para que a tal perna não me caísse, necessitava de ter alguma cabeça. Lá a fui ganhando, o mínimo, talvez. O mínimo de cabeça para não me lesionar a sério e já a pensar seriamente em planos de melhoria. Assim tem sido, tem corrido muito bem, com altos e baixos, claro, mas muito orgulhoso.

 Nestas coisas é sempre cedo para cantar ao mundo os resultados mas já consigo tirar algumas conclusões: a corrida é a minha actividade favorita hoje em dia, só não tenho é tempo para me dedicar tanto a ela. Hoje, num contexto pessoal já 100x melhor, estável e em franca evolução, é curioso como já não a uso para acalmar a tal fúria, antes para me alinhar novamente com o Ricardo que sabe porque começou a correr. Agradecer, agradecer e agradecer. Calçar os ténis e ir, sempre que dê. Para quem lê e se possa, de certa maneira, rever no que escrevo, fica a sincera mensagem: vale mesmo a pena aguentar, por muitas dúvidas que o contexto possa trazer. É urgente trazer actividades para a nossa rotina que nos reforcem positivamente, só essa luta interessa, tudo o resto vem com o tempo, acreditar e ter a pachorra possível. Repetir depois, ter fé e repetir.

  •  Modalidade de atletismo preferida

Corrida de médio e longo curso, preferencialmente em estrada mas convidem-me que eu estou por tudo.

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  • Prefere curtas ou longas distâncias

Sinceramente eu gosto de todas as distâncias, vejo um charme diferente mas igualmente irresistível em todas elas.
Não posso, no entanto, negar que sou um apaixonado pelas provas longas.
Sou louco pela ideia da superação pelo esforço e pela fé, pela raiva e pelo amor, no acreditar que vale a pena o sacrifício que é correr mais que duas horas, o morrer e o renascer, a ideia da redenção por via do dar cabo do corpo desta maneira...porque metemos na cabeça que temos que ir do ponto A ao ponto B de sapatilhas, sejam 10, 20, 30, 40. Está muito lá ao fundo, para lá da vista, o nosso destino, o ponto de chegada onde o mundo e a vida voltam a fazer sentido. Tenho que acreditar que ali vou ser feliz, nem que o seja apenas no sprint para a meta, confesso que já chorei muito a sprintar para uma meta, como acontecia chorar sempre antes de arrancar para uma corrida, bastava motivar-me com um "sabes como chegaste aqui".
A sensação de glória e heroísmo por saber que corri na corda bamba do meu limite, por nada palpável na verdade. Não sou nenhum Gebresselasie ou Kipchoge e nunca hei de subir a um pódio, isso torna tudo demasiado quixotesco para a ideia não me emocionar de imediato.
A minha cabeça é racionalmente refém da lógica para muito do que faço e para o modo como estruturo o meu pensamento mas, para loucuras destas, deixo toda a lógica na almofada e deixo as minhas entranhas conduzirem. Por isso não me considero, hoje nem nunca, um atleta; sou um tipo que, como muitas outras pessoas, necessita de experiências que o tragam uma ilusão da realidade. Um conto, uma história, um romance de faca e alguidar de cada madrugada de folga que saia à rua, é isso que procuro.

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  • Na atual equipa desde

Sempre corri sozinho, mas isso faz parte da minha maneira de estar. Necessito muito de explorar a minha solidão para depois apreciar a companhia dos outros.
No entanto dá-me um gozo descomunal quando, pontualmente, tenho a hipótese de correr com algum dos meus caríssimos amigos que também partilham desta paixão.
Encontrar a Lígia Casimiro em metade das provas que faço é muito reconfortante, correr com ela é como sentar-me a uma mesa com família próxima e não ter que dizer nada, está tudo ok. Ter-te reencontrado a ti é altamente motivador, especialmente pelos conselhos sábios e valentes tareias que me dás, afasto-me de ti sempre mais sábio, os trails faço-os por norma com o meu querido Pedro Marques, dos tipos mais singulares que conheci até hoje, um verdadeiro camarada cheio de paz, inteligência e solidariedade. Guardo também com muita saudade a oportunidade de ter corrido um par de madrugadas com o meu "irmão de armas" Ricardo Mota, ex-companheiro de outras aventuras e alguém que tb admiro muito a nível pessoal.
É claro que quero também muito correr com outros. O meu querido Mário Dias, tenho que ir fazer uma loucura com ele assim que alinharmos agendas. Ele é a maior máquina que conheço, assim como o João Nunes que, infelizmente, viu há poucos meses uma lesão interromper-lhe uma evolução segura e que eu muito invejo.
E.... Last but definitely not least, a minha mui querida Noemi Cruz, das pessoas mais próximas que tenho, que me puxou pra correr da primeira vez e que está a necessitar de um empurrão fraterno para levantar o rabo do sofá e voltar a correr. Tarefa minha, claro...

  • Volume de treinos por semana

Depende muito de como anda a minha vida, tem levado algumas voltas, felizmente que, por boas razões, não consigo sair para a estrada mais que 2/3x por semana no máximo.
No entanto, tenho aproveitado essa menor disponibilidade para correr tantas vezes para fazer muitos mais quilómetros sempre que possível. Esse facto, aliado a mais dias de descanso e a uma regularidade aceitável de treinos funcionais tem-se revelado essencial a uma melhoria nítida de performance.

 

(fim da primeira parte, continua amanhã)
Importância dos treinos

Importantissima. Sou da opinião que a consistência é a chave para maior rapidez, resistência e, acima de tudo, maior conforto na adversidade típica das provas longas.
Os treinos devem ser o mais diversos que conseguirem, desde rolar mais tempo, tirar 45 minutos para fazer umas séries, treinar rampas, corrida progressiva, fartleks, tudo ajuda a cimentar cadencias mais elevadas associadas a maior resistência e disponibilidade física quando a prova o exige.

Reconheço mas nem sempre consigo essa consistência. Se tiver que aconselhar alguém, é por aí mesmo: consistencia e diversificação de treinos.

  • Se tem  ou não treinador

Não e sim. Eu próprio, os meus amigos corredores mais próximos, e dezenas de ideias de gente confiável nas internetes.
Resumindo: sei o que hei de fazer mas tudo depende do meu tempo e da minha vontade em fazer treinos específicos uma vez que em 90% das vezes eu quero é sair à rua e rolar.
Ou seja: não tenho, sou muito teimoso e, nove em cada dez vezes eu faço o que quero, ninguém me aturaria. :)

23
Dez19

Que esta maratona de natal não seja apenas para a mesa


João Silva

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Como guardei duas belas "trutas" para os dias 24 e 25 aqui no blogue, gostaria de aproveitar este dia para vos desejar a todos um feliz natal.

Espero genuinamente que possam ter uma consoada à medida da vossa tradição e dos vossos desejos e que, se for essa a vossa vontade, possam passar um belo tempo em família.

Da minha parte, estarei com aqueles que mais amo e que me fazem mais feliz.

Fico, no entanto, bastante curioso, já que este será o último natal em que seremos apenas dois cá em casa.

Como alguém diria, este será o último natal do resto das nossas vidas. Que assim seja!

Quer se queira quer não, já há uma magia infantil a decorar a nossa casa.

A nossa prenda demorará alguns meses a entrar pela nossa porta, mas, até lá, resta-nos encher os depósitos de amor e esperança para depois não haver falta desses ingredientes básicos cá em casa.

Um feliz natal a todos aqueles que vierem espreitar este canto (a quem não vier também desejo =)).

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22
Dez19

Assim corri as maratonas em 2019


João Silva

Nada melhor do que analisar a performance deste vosso caríssimo em 2019 do que falar nas provas que lhe dão um sorriso de orelha a orelha: os 42 km, as maratonas.

Cedo pecebi que são o meu elemento de trabalho e que são a minha plataforma de aperfeiçoamento e melhoria de treino.

Além disso, cheguei também à conclusão de que estou melhor na segunda metade do ano do que na primeira. Este ano deu-me essa prova e não me permitiu refutar a ideia. O volume de treinos foi muito superior, mas as técnicas, os exercícios e as metodologias de trabalho também foram distintas...para melhor. Contudo, apesar de ter sido assim, não posso deixar de considerar que a maratona de abril foi o elemento que me catapultou para uma subida de rendimento no segundo semestre.

MARATONA DE AVEIRO - ABRIL 2019

Primeira edição e logo numa data muito especial e numa cidade que me falou muito ao coração. O desempenho não foi esplêndido, embora tenha terminado abaixo das 4h (3h49'26''). Não posso dizer que a gestão tenha sido má para enfrentar a dureza do calor, do percurso e da distância, mas, olhando agora em retrospetiva, percebo que não estava num pico de forma, que cometi erros em treinos, mas também com a alimentação. É uma experiência a repetir no futuro, porque me permitirá trabalhar tão metodicamente como o fiz para a prova de novembro. Por questões familiares, em 2020 não poderei ir. Terei uma prova muito mais dura e imprevisível pela frente. Mas voltarei no futuro.

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MARATONA DO PORTO - NOVEMBRO 2019

Não sei explicar, mas acho que se deve ao ambiente e à cidade o facto de considerar esta a minha prova de eleição. Sinto-me verdadeiramente feliz por ir lá correr, por beber todo aquele apoio. É uma prova mágica e tê-la como objetivo faz-me trabalhar muito bem para obter um excelente resultado. Foi, até ao momento, a prestação de uma vida por tudo o que melhorei num só ano e por, mais uma vez, ter percebido que a solução estava dentro de mim, mesmo tendo de reccorer ao exemplo de outros atletas melhores do que eu. Quando deixei de me focar tanto nos lados e comecei a olhar mais para a frente, o desbloqueio aconteceu naturalmente. Acabei a prova com 11 minutos a menos face a 2018: 3h21m58s em 2019!! Fiquei genuinamente orgulhoso e com a certeza de que trabalhei muito bem. Objetivo para 2020: abaixo das 3h20m...quem sabe se dá para as 3h15m?!

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Esta foto foi cortesia da página "Objetiva em movimento".

21
Dez19

Assim corri os trails em 2019


João Silva

Foram poucos os trails que fiz em 2019, o mesmo número de 2018: 2.

Já é sabido que a minha paixão está na estrada e que não tenho nada contra quem corre trails, muito pelo contrário. Contudo, tiro muito mais prazer da estrada e é aí que quero e vou evoluir.

Ainda assim, em jeito de balanço, corri o trail de Sicó e o Anadia Wine Run.

TRAIL DE SICÓ - FEVEREIRO 2019

Uma prova estranha por ter sido a minha primeira do ano e por não ter estado a um excelente nível. Apesar de tudo e de não ter dado para aplicar os conceitos e as estratégias da estrada, serviu para conviver com os meus colegas e para ganhar mais alguma resistência. Tudo tem pontos positivos e esta prova, que teve lugar na minha terra, foi um bom teste. Fisicamente não saí bem, andei uns dias à procura da recuperação, mas valeu a pena: fiz 15 km em 1h36'17''.

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ANADIA WINE RUN - JUNHO 2019

Fiquei desiludido porque esperava algo diferente, sobretudo, ao nível do tempo. O envolvimento foi interessante e valeu pelo convívio, mas entrei a pensar na retoma da estrada e saí com a certeza de que aquela prova nunca poderia contar como fator de análise. Contudo, as 2h que demorei a percorrer os 23 km serviram para aumentar a resistência e para me preparar a sério para um segundo semestre muito intenso.

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20
Dez19

Assim corri as meias maratonas em 2019


João Silva

21 km foi a distância que mais percorri em provas neste ano que agora fecha.

É um segmento que adoro, onde me sinto bem e onde considero que tenho potencial para baixar tempos. Continua a estar atrás das maratonas na minha lista de preferências, mas merece um lugar de destaque. Ao contrário das provas de 10 km, aqui há forma de gerir bem as várias componentes da corrida, desde a postura aos abastecimentos. Além disso, é mais "fácil" de suportar o desgaste, que não é explosivo mas sim prolongado.

O ano começou com a pior marca de sempre no registo e acabou com um recorde pessoal e um desempenho que me deixou feliz e justificou todos os passos dados.

MEIA MARATONA DE ÍLHAVO - ABRIL 2019

1h44'45'', o pior dos piores, num dia em que tudo deu errado, desde a saída de casa até ao regresso. Um momento de aprendizagem a todos os níveis, mas que me deixou muito triste por ter menosprezado partes importantes da gestão de uma prova. Os primeiros 5 km acima do que o corpo dava, o resto da prova a apanhar cacos.

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MEIA MARATONA DA FIGUEIRA DA FOZ - JUNHO 2019

Uma prova que fiz pela terceira vez, embora agora com novo percurso. 1h42'25'' foi o tempo, o pior das três edições, mas tratou-se claramente de uma fase de retoma. Os índices motivacionais e de performance já começavam a apontar para cima. Não consegui manter um nível elevado em toda a prova, tive uma primeira parte complicada, mas recordo que cavalguei nos últimos 5 km. Boas recordações e a certeza de que só podia melhorar.

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ECO MEIA MARATONA DE COIMBRA - SETEMBRO 2019

Depois de um verão fantástico em termos de volume de treinos, mas também de componentes técnicas, um resultado mais dentro da linha dos anos anteriores: 1h35'24''. Mais do que tudo isto, destaco a gestão quase perfeita que só cedeu nos últimos 2 km e que enfrentou muito calor. Foi também a prova em que melhor estive na hora de aproveitar e de gerar desempenho coletivo.

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MEIA MARATONA DE LEIRIA - OUTUBRO 2019

Segunda melhor marca do ano, na altura, a primeira e também recorde pessoal, com 1h30'35''. Em termos de gestão, de capacidade de impressão de ritmo e de jogar com abastecimentos e com a estratégia definida, foi o meu melhor desempenho do ano. Cheguei quase sem força, mas com o coração e a garra levaram-me a conseguir uns 5 km finais dignos de alguém tão dedicado.

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MEIA MARATONA DE COIMBRA - OUTUBRO 2019

Recorde pessoal absoluto com 1h29'25'' (tempo do chip) e com uma felicidade maior do que eu. Porém, a frio, importa referir que não foi tão boa quanto a de Leiria e que tirei partido da primeira parte, apesar de ter sentido também que fiz uma segunda metade com imensa garra e crença de que ia chegar ao que queria.

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19
Dez19

Assim corri as provas de 10 km em 2019


João Silva

Tal como tinha definido em 2018, em 2019 passei a correr em menos provas de 10 km, não por não gostar, mas por ter percebido que o meu foco está nas meias e nas maratonas.

Portanto, além de economizar energias para treinos técnicos, ainda poupei uns euros para provas mais importantes. Tudo é gestão.

Nesta espécie de balanço em provas no ano de 2019,  arranco com a análise às provas de 10 km. 

Não deixa de ser curioso que, apesar de não ter sabido fazer as coisas adequadamente, os resultados revelam precisamente um decréscimo de forma.

Assim:

CORRIDA 4 ESTAÇÕES EM COIMBRA - MARÇO 2019

Numa fase em que estava a tentar perceber o que me tinha acontecido depois da maratona de novembro e em que tentava alinhar o corpo para a maratona de abril, quis fazer uma prova sem ser a "contar", num regime de gestão. Dei-me mal, primeiro, porque não sabia fazer isso, depois por não ter gerido bem a prova. Acabei a arfar com o meu pior tempo de sempre nesta prova: 47'23''.

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CORRIDA 4 ESTAÇÕES EM CONDEIXA - MAIO 2019

Na ressaca da maratona em Aveiro, tentei fazer um brilharete num percurso que dominava por inteiro, já que é o palco principal dos meus treinos. O percurso não enfrentava dificuldades de maior, mas fisicamente não estava bem e precisava de me encontrar. Acabei a achar que tinha sido excelente, mas o relógio desmentiu-me: 46'48''.

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CORRIDA 4 ESTAÇÕES EM SOURE - JUNHO 2019

Mais uma prova de má memória, embora aqui deva ressalvar que é o trajeto mais complexo do circuito. Tenho ideia de ter achado que ia bem, mas na segunda volta percebi que o corpo não estava bem. Foi o início das mudanças em termos de treinos técnicos. Serviu de lição e mais uma "medalha" de piores tempos: 47'25''. Psicologicamente deixou algumas marcas.

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CORRIDA 4 ESTAÇÕES NA VENDA DA LUÍSA - NOVEMBRO 2019

Este ano, esta prova contou com um percurso diferente e com 12 km em vez dos habituais 10, mas, ainda assim, pela sua natureza, decidi incluí-la neste campo de análise. O trajeto era mais do que meu conhecido, tantas foram as vezes que por lá passei no segundo semestre nos diferentes sentidos. Foi uma prova fantástica que superou em larga escala todas as minhas expectativas, tendo feito uns excelentes 50 minutos. Uma prova que voltou a mostrar o quão possível é quando acreditamos em nós e quando temos alguém ao nosso lado que nos vê melhor do que nós próprios. 

 

18
Dez19

Porque será necessário criticar tanto aquilo de que não se gosta?


João Silva

Este texto é a minha forma de partilhar um determinado pensamento. 

Não tenho a esperança de mudar opiniões em relação a este assunto, sei que não acontecerá. Além disso, com 31 anos, mal de mim se precisasse de validação ou aprovação de quem não me é ou diz nada.

No entanto, após ficar tantas vezes calado, sinto uma certa necessidade de me expressar. E nada melhor do que o meu blogue para o fazer. Assim, não se anda com ditos e contos e contos e ditos, como diria a minha avó.

Terminado o intrelúdio, explico-vos que o assunto desta publicação visa a incompreensão e o menosprezo que tenho notado por parte de alguns corredores relativamente ao atletismo em estrada, fazendo, clara e friamente, a apologia do trail, como se da última bolacha no pacote se tratasse.

Vamos lá ver isto como deve ser: a minha indignação não é por considerarem a estrada uma porcaria e só conceberem a ideia de atletismo na montanha. A minha insatisfação vem, isso sim, da necessidade que noto em algumas pessoas, incluindo próximas e da mesma equipa, em subvalorizar quem corre em estrada.

Primeiro, gosto de serra/montanha e de trilhos mas para caminhar, não para correr. Sempre o assumi e cada vez tenho mais noção disso. Porém, não tiro o mérito a ninguém. Pelo contrário, fico contente por determinadas pessoas mais próximas ultrapssarem metas incríveis em trails. 

Tal como a estrada é a minha paixão, os trails serão a deles. Como diz o outro: obrigado e bom dia. Ou seja, é legítimo. Estão no direito deles tal como eu estou no meu.

Por outro lado, sentirem que precisam de rebaixar uma modalidade desportiva para valorizarem a sua e aquilo que fazem é muito feio mesmo. Fica mal e sinto isso como uma ofensa, honestamente. Desde logo, não o faço, porque respeito qualquer modalidade e porque consigo reconhecer valor em que corre um quilómetro que seja na serra. Chama-se empatia.

Fazer a apologia da dureza e do sacrifício de corridas na montanha só para mostrar são mais duros do que os "estradistas" é completamente desnecessário, até porque significa que não cumprem um dos mandamentos do que tanto apregoam: que o trailista só quer acabar a prova e ir beber uns copos com outros atletas, ao passo que os estradistas só querem é tempo e discussões sobre quem é mais rápido.

Honestamente, não vejo isso dessa forma. O princípio básico da prática desportiva, independentemente da especialidade. Isso é o mais importante e digo-o sem qualquer demagogia.

Por fim, a quem considera a estrada uma brincadeira ou algo de menosprezável, só posso aconselhar duas semanas de treino, de método e de disciplina. Não pretendo mostrar que a estrada é melhor, quero apenas que vejam o quanto se sofre para se ser bom. Sim, o sacrifício tem de estar presente em qualquer lado. Quem corre trail também tem de ter metodologia para superar as dificuldades.

No meu entender, é só extremamente feio e injusto ter de criticar negativamente uma coisa para elogiar o seu oposto. É possível haver coexistência. É saudável até.

Fica o barrete, quem quiser que o vista...

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17
Dez19

Quando definir objetivos pode ser um problema


João Silva

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Talvez por muita gente se levar demasiado a sério, definir objetivos (no caso, de corrida) pode constituir um problema.

Por uma questão de lidar bem com a pressão, no início, procurava olhar com "humildade" (também lhe chamo medo) para as provas. No primeiro ano (e mesmo no segundo), não queria ir para fora de pé. Andava sempre com o típico "é fazer melhor do que na anterior". Nada mais óbvio, diria. É um mecanismo como todos os outros. Era também uma forma de não estragar o que estava a fazer em termos de redução de peso com competitividades inócuas.

À medida que as coisas foram avançando na direção certa, comecei a sentir mais segurança na hora de olhar para as minhas metas. 

Ainda assim, só neste terceiro ano consegui finalmente perceber que traçar objetivos, falar sobre eles e expô-los não pode ser um problema. Desde logo, porque é algo bom, é uma forma de materializarmos e concretizarmos o nosso trabalho.

Tal como se diz sempre, têm de ser palpáveis e atingíveis. Óbvio, senão o efeito pretendido perde-se.

Aí entra a capacidade de analisar a realidade com os óculos certos. É importante ter uma noção exata do trabalho feito. Se corri durante algum tempo em treinos com a relação 12 km/hora, não posso traçar um objetivo de fazer esses mesmos 12 km em 30 minutos. Porém, posso perspetivar que consigo chegar aos 50 ou aos 55 minutos.

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Quando comecei a perceber que essa manifestação em voz alta dos objetivos me poderia ajudar, não parei. 

Acho que foi uma mudança fantástica e totalmente necessária para tentar chegar mais longe. Até mesmo pelo seguinte: assumir um objetivo ambicioso é uma força extra, desencadeia um positivismo que nos vai ajudar a chegar lá.

Na meia maratona de Coimbra, corri o tempo todo a pensar: vou azer abaixo de 1h30.

Custou, foi um autêntico contrarrelógio, mas só essa "obstinação" justifica a minha conquista.

De outra forma não teria conseguido.

E é por isso que já não acredito que definir objetivos possa constituir um problema.

Pelo contrário, ajuda a chegar onde queremos.

E desse lado, pensam da mesma maneira?

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