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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em 2016 era obeso, hoje sou maratonista (6 oficiais e quase 20 meias-maratonas). A viagem segue agora com muita dedicação, meditação, foco e crença na partilha das histórias e do conhecimeto na corrida.

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03
Out19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

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Foto: Ao quilómetro 35 da maratona do Porto em 2018

 

Estamos precisamente a um mês da minha grande prova deste semestre, a maratona do Porto.

Não há, pois, melhor data para vos dar a conhecer a história de uma mulher de armas, uma verdadeira guerreira que conheci no mundo das corridas. Na verdade, foi por interposta pessoa, nomeadamente, pelo meu muito estimado Ricardo Veiga.

Trata-se da Lígia Casimiro, atleta do SC Espinho e que, tal como eu, fez a sua primeira maratona em 2018 na bela cidade do Porto. É difícil não admirar a Lígia pela garra com que corre. Apesar de ser craque e de já contar com várias consagrações e distinções, o que mais me fascina nesta atleta é a forma como se dedica a provas de estrada e como se prepara e trabalha sempre com o intuito de evoluir. Além disso, ao conversar com ela, percebe-se rapidamente que é humilde, sabe o que já conquistou mas também tem noção do que sofreu para lá chegar e do que precisa de fazer para continuar na crista da onda.

Dentro de 10 dias, estará a fazer a maratona de Chicago, fruto do resultado que obteve na maratona do Porto em 2018. Vamos, portanto, dar-lhe um impulso e desejar muita força.

Apresentações feitas, é tempo de lhe dar a palavra e de vos deixar com ela e com as suas visões e histórias do mundo do atletismo. Sabem aquelas pessoas que considero sempre "família" quando vou fazer uma prova? A Lígia é uma delas.

 

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Foto: Chegada à meta na maratona do Porto

  • Nome:

Lígia Casimiro

  • Idade:

43

  • Equipa:

Sporting Clube de Espinho / António Leitão

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Foto: Com a "irmã mais nova" do SCE (na chegada à meta da São Silvestre de Espinho)

  • Praticante de atletismo desde:

Julho de 2015

  • Modalidade de atletismo preferida:

Adoro tudo (Já experimentei pista, corta- mato, trail, estrada, corrida de obstáculos).

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Foto: com as colegas do SCE em junho quando foram campeãs distritais

  • Prefere curtas ou longas distâncias:

Prefiro longas distâncias, talvez porque não preciso sair da minha zona de conforto tão cedo.

  • Na atual equipa desde

Junho de 2018.

  • Volume de treinos por semana:

Neste momento, como me estou a preparar para uma maratona, faço 2 vezes por semana reforço muscular e 5 vezes por semana corrida, tenho um dia de descanso. Mas anteriormente fazia 1 vez por semana reforço (o que era muito pouco) e 3/4 vezes corrida.

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Foto: com a irmã do coração do SCE

  • Importância dos treinos:

Todos os treinos são importantes para a nossa saúde, quer seja musculação, natação, ciclismo, atletismo, qualquer desporto é importante para o nosso bem-estar físico e psíquico. O fundamental é praticarmos aquele que nos dá mais prazer. Eu acredito que, mesmo para aquelas pessoas que detestam/odeiam desporto, existe um que lhes irá dar prazer, têm é de procurar.

  • Tem treinador?

Até Agosto de 2017 não tive treinador, atualmente tenho uma treinadora (formada em educação física e fisioterapia), que faz o meu plano semanal de treinos (reforço e corrida), já que não me sinto capaz de o fazer sozinha.

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  • Diferenças existentes entre o atletismo no passado e atualmente:

Neste momento o atletismo está muito na moda, existem muitos grupos de corrida (o que é muito bom, porque incentivam as pessoas a praticar desporto) e todos os fins de semana durante todo o ano existem provas para todos os gostos, onde tanto homens como mulheres podem participar. Ainda assim, muitos iniciam esta e outras práticas desportivas sem consultarem primeiro um médico, o que é um grande erro. No passado, embora tivéssemos grandes atletas, que nos deram grandes alegrias a nível mundial, não existiam tantos praticantes, pelo que penso que a formação destes pequenos grupos de corrida veio ajudar/incentivar esta prática desportiva.

Contudo, tal como no passado, no nosso país, dá-se mais importância ao futebol, esquecendo-se outros desportos onde somos muitos bons. Em algumas modalidades, os nossos atletas têm muitas dificuldades em representar o nosso país, porque, para o futebol, há sempre patrocínios e para outros desportos os atletas que se desenrasquem.

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Foto: Corrida 4 estações em Coimbra

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas:

Tirando as amigas que vou fazendo nos treinos e provas de atletismo, só me recordo de uma: em julho de 2018, ao atravessar a meta numa prova, uma atleta desconhecida deu-me os parabéns (a Júlia S., agora já não é desconhecida e é uma simpatia). Até àquela data em todas as provas, quando chegava ao mesmo tempo que outra mulher, se tentava cumprimentar e dar os parabéns, viravam-me as costas e ou desapareciam. Em setembro do ano passado, numa meia maratona, no último abastecimento, disseram-me que era a quinta mulher. A cerca de 10 metros da meta, como o piso era em areão e cascalho, a quarta atleta apercebeu-se da minha aproximação e deu corda às sapatilhas. Eu fiquei em quinto lugar com uma diferença que nem chegou a 1 segundo. Tentei aproximar-me da quarta classificada para a felicitar, e quando esta se apercebeu, virou costas e acelerou o passo, foi preciso ir atrás dela e agarrar-lhe a mão, para lhe dar os parabéns e lhe dizer que tinha merecido. Primeiro, a reação dela primeiro foi de espanto e depois lá agradeceu, com um sorriso “amarelo”. Não entendo. Com os homens, nunca tal me acontece. Quando cruzo a meta, sou felicitada quer chegue primeiro ou depois deles e trato-os de igual forma. Esta falta de desportivismo entre mulheres entristece-me e mostra que muitas delas ainda têm muito a aprender.

Felizmente, nas provas de pistas não se vê esta falta de desportivismo e até há algum companheirismo entre atletas de equipas diferentes.

Em dezembro de 2018, participei no Grande Prémio de Atletismo Vila da Palhaça com os meus colegas do SCE. O percurso tinha 3 voltas. Iniciei a prova com dois colegas do SCE (a Carla e o Jorge). No fim da primeira volta, sem querer, deixei passar o primeiro abastecimento. Só quando vi outros atletas com a garrafa na mão é que me apercebi (sim, ainda não tinha feito 5 km e estava com uma sede que parecia que tinha atravessado o deserto, com um calor tórrido; na verdade, estava constipada e só conseguia respirar pela boca) e manifestei este percalço aos meus colegas em voz baixa. Num tom mais forte, para saber se tinha entendido o que tinha dito, o meu colega Jorge pergunta-me se estava com sede e eu respondi-lhe que sim. Qual não é o meu espanto ao ouvir um atleta desconhecido oferecer-me a garrafa dele e foi assim que uma garrafa de 33 cl deu para 5 ou 6 pessoas. Dei dois golos e passei a garrafa ao Jorge, que depois a foi passando a mais atletas (se alguém se constipou com os micróbios da minha constipação, estou isenta de culpas, porque dei conta do meu estado de saúde). Achei esta partilha da garrafa de água simplesmente sensacional, foi de um grande companheirismo. No fim, não agradeci novamente à alma caridosa por este gesto simplesmente porque não fixei quem ele era. Porém, se algum dia ele “passar” aqui no blogue e ler esta publicação, o meu muito obrigada.   

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Foto: Juntos no final da corrida 4 estações em Coimbra em março deste ano

  • Aventura marcante:

Para mim a aventura/prova mais marcante foi o ano passado na minha primeira maratona. Foi simplesmente um dia maravilhoso. A melhor prova de sempre. Foi a prova em que mais nervosa estava antes de a iniciar e, quando deram o “tiro” de partida, toda a ansiedade passou. O meu corpo descontraiu e desfrutei até ao fim. Das experiências mais marcantes que tive na minha vida.   

  • Participação em prova mais longa:

Foi o ano passado no dia 4 de novembro, no Porto na minha primeira maratona.

  • Objetivos pessoais futuros:

O meu objetivo/aventura deste ano é em outubro na maratona de Chicago. Com o resultado da maratona do Porto, consegui o índice para entrar nesta prova (uma das 6 majors).

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos:

Espero que com mais mulheres e crianças a praticar, e com mais desportivismo entre atletas.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos?

Ora bem, não sei muito bem o que dizer, mas espero que continue a ter saúde para correr, mesmo que não seja a competir, que o seja por lazer, porque me faz muito bem.

  • Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

Sinceramente não sei o que responder a esta pergunta, porque atualmente estamos presentes em tudo o que é desporto e em todas as modalidades temos excelentes atletas, mas o porquê de sermos tão poucas é uma incógnita para mim.

·         Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Temos claramente diferenças de tratamento, principalmente em provas mais antigas e tradicionais, em que os prémios monetários não são distribuídos de forma idêntica à dos homens. Muitas vezes, somos todas incluídas no mesmo escalão, enquanto os homens são distribuídos por escalões com direito a prémios separados. E, por vezes, os prémios monetários são de valor mais baixo para as mulheres. Nas provas mais recentes, já é raro ver-se essa desigualdade.

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Foto: Na São Silvestre de Aveiro com os colegas/amigos da empresa onde trabalha

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