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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

30
Set19

Toda uma nova forma de passear cães


João Silva

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Por agora, esta história marca o fim desta trilogia referente insólitos nas corridas.

O episódio já aconteceu há imenso tempo, talvez perto de um ano, mas só me voltei a lembrar do mesmo há umas semanas, em conversa com a esposa.

Ora bem, isto aconteceu na terra dela, Bajouca.

Certa manhã após a passagem de ano, fui treinar. A dada altura, perto de Carnide, vejo um cão a caminhar...ao lado de um carro, cujo condutor fazia andar o veículo a par e passo com o cão.

Olhou para mim (o senhor), disse-me que estava a passear o cão e lá seguiu...sempre num ritmo lento, qual acompanhante do animal. Já tinha visto muitas coisas, mão não um cão a ser passeado com o dono dentro de um carro em andamento.

E desse lado, há histórias recambolescas?

29
Set19

A rapariga só queria correr um pouco


João Silva

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Nota prévia: a Diana tem fobia de cães. Não, não é simples medo, não é algo que passe ou mesmo giro, como algumas pessoas verbalizam. É algo que a paralisa e bloqueia. 

Ao longo dos anos, aprendi a lidar com isso e a servir-lhe de guardar em situações de aperto. As coisas até já estão menos más para a Diana do que já foram no passado.

Na categoria de insólitos na corrida, há umas semanas fomos correr um pouco por volta das 21h30. Já tinha feito o meu treino de manhã, mas não perco uma oportunidade para estar presente quando a Diana pratica desporto, pelo que aceitei o desafio.

Estávamos todos contentes perto do terminal, que é uma zona mais recatada, e a Diana diz-me "vou correr mais um pouco". Começa a correr e nem 10 segundos depois só ouvimos uma "esfregona" de quatro patas a ladrar e a correr na nossa direção.

Assustada, a Diana passou logo para trás de mim, tentando explicar à dona da cadela, que se encontrava num carro com a porta aberta, que tinha fobia. Eu acabei a servir de escudo humano e tentei enxotar o animal. A dona só pedia calma, mas garanto que estava mesmo pronto a dar-lhe uma sandes de biqueiro, caso me atacasse. Adoro animais, sobretudo, cães, mas irrita-me que me digam "ele não faz mal", "não morde", quando eles estão claramente num ponto em que me vão arrancar uma perna.

Sabem aquele orgulho com que os pais ficam em situações semelhantes e que acabam com os filhos a dizer "foste muito forte, pai"? Senti-me assim...mas também foi porque o canídeo não era um pastor alemão.

28
Set19

Gabarolice exibicionista


João Silva

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Como já disse no passado, também faço tenções de aproveitar este espaço para vos dar a conhecer algumas histórias insólitas com que me vou deparando nesta "cruzada" pelas estradas do meu concelho.

No passado dia 03 de agosto, estava estouradinho a terminar o meu treino de 38 km quando, já em Condeixa, avisto um senhor, aparentemente, meu vizinho, na palheta com outra pessoa. 

Eu não estava para conversas, a energia já era tão escassa que precisava de a guardar para terminar as 03h30 de treino. Assim que passei pelo senhor, acenei e este, talvez tocado por também ser corredor amador e por querer mostrar serviço, começou a correr. Precisamente naquele momento. Como quem diz, também corro, sou igual.

Achei curiosa e simultaneamente estranha aquela atitude. Precisamente por estar a cheirar a "gabarolice", quando virei à direita, não resisti a olhar para o local onde ele estava. E lá ia ele...a caminhar. 

Resumindo: no fundo, quis foi mostrar serviço. Mal passei, retomou o que estava a fazer.

Termino da seguinte forma: à mulher de César não basta parecer, tem de ser.

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27
Set19

Mentoring my better half


João Silva

Não sou treinador. Para ser sincero, ela é que é a minha treinadora, como costumo dizer, não na especificidade do treino mas na capacidade de me ouvir e de me perceber. As minhas vitórias (não necessariamente no desporto) são as dela e vice-versa. 

Bem sei que não tem a mesma vontade (obstinação) que eu para fazer exercício, mas louvo-lhe as constantes tentativas que faz para praticar mais desporto e para cuidar da sua saúde.

Para mim, é um enorme prazer poder estar ao lado dela quando quer ir praticar desporto.

Gosta de correr, embora não seja adepta de grandes distâncias como o marido, e nem "sabe" correr devagar. Durante anos, viu-se impedida de praticar desporto devido a um problema de saúde, até que as coisas mudaram e uma naturopata lhe resolveu o problema de condromalácia na rótula do joelho esquerdo.

Não corre nem pedala todas as semanas, mas em julho e agosto voltou a pedir para irmos correr. Fazemos como é suposto: corremos e caminhamos. No fim de contas, não são muitos os quilómetros percorridos, mas fico orgulhoso por ver que ela quer, que me pergunta se a postura é a mais correta ou se estar a respirar bem e com uma passada boa.

Tentar é tão ou mais importante do que conseguir e valorizo muito mais quem tenta do que quem consegue logo, porque as muitas tentativas são a prova de que há vontade para fazer alguma coisa.

Se há vontade, mesmo que diminuta, tem de haver alguém capaz de pegar no pouco e de o transformar no muito. Não exijo da minha esposa uma dedicação ao treino igual à minha. Aliás, no geral, nem lhe dou conselhos para que pratique mais desporto, pois já sei que isso pode (e vai) resultar em perda de ânimo. Fico, isso sim, muito feliz por saber que sou para ela o pilar que a "pôs" a correr ao fim de tantos anos e por saber que a minha paixão por este desporto a contagia ao ponto de a fazer querer. Nada paga isso.

Ela é, sem dúvida, a minha melhor metade e tenho a felicidade de poder funcionar como uma espécie de "mentor" para ela.

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26
Set19

Parar? Só se for no verão, mas agora já não


João Silva

Mais um verão que foi embora. Agora estamos a começar a abraçar o outono. Quente ou frio logo se verá, não me atrevo a fazer previsões.

É certo que não escrevi sobre isso na devida altura, talvez para não correr o risco de ser encorajado a parar.

Ainda em julho, a Miriam escreveu no seu blogue um texto muito bom e exaustivo sobre a necessidade de fazer "resets" ao corpo de tempos a tempos. Um testemunho impressionante por me ter passado a ideia de que me estava a ver ao espelho e por ter sentido que havia alguém numa posição semelhante à minha. O texto pode ser encontrado aqui. Vão lá que vale a pena.

Contudo, o meu texto não vai no sentido do dela, ou seja, não é uma exposição sobre a necessidade de parar e de abrandar, é antes uma forma de explicar por que motivo é comum os corredores pararem durante a equipa estival ou, pelo menos, durante uma parte da mesma.

Começa logo pela questão das temperaturas elevadas e da dificuldade de hidratação. Pode correr mesmo muito mal, se uma pessoa não andar prevenida e não souber ao que vai. Ingerir muita água é crucial, tal como fazer-se acompanhar de isotónicos reais e comprovadamente eficazes para reposição dos eletrólitos e afins.

Contudo, apesar de o calor ser de facto um problema, existe uma razão relativa ao corpo e outra inventada por mim com base na minha experiência.

Nesse sentido, a pausa no verão serve o propósito de fazer o corpo desligar em absoluto, de limpar o ciclo para depois dar início a outro. O organismo não começa propriamente do zero, porque existe memória muscular e sensorial, mas desliga e regenera nas devidas condições, eliminando também o eventual aparecimento de sinais de sobrecarga física ou mental (irritabilidade, ansiedade, falta de vontade, etc.). 

Apesar de nunca parar, percebo a validade e a pertinência do argumento. Como tenho algum receio de uma "recaída" em relação ao meu passado, opto por continuar. Dito de outra forma, mais correta, não páro porque me dá um enorme prazer correr e porque, ao contrário do que seria de esperar, é nessa fase que subo de forma. Consigo treinar muito e bem, sempre com disciplina. Portanto, não é uma "obrigação".

A outra razão para a paragem estival reside no lado canino. São tantos os cães abandonados nessa altura (pelo menos, por estes lados) que acaba por ser mais viável estar longe deles do que chamar a autoridades. É uma parvoíce, reconheço, mas é um "fenómeno" que me irrita de morte. Não se pode estar descansado por causa da irresponsbilidade de algumas pessoas.

Desse lado, alguém fez a dita paragem estival?

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25
Set19

Revelações de um supersticioso confesso


João Silva

Não acredito que as superstições tenham influência nos resultados desportivos, mas, tal como acho que acontece com outros desportistas, por vezes, deixo o meu lado irracional falar mais alto.

Durante a adolescência, enquanto praticante de futebol, tinha superstições. Havia algumas coisas que me faziam acreditar que determinada ação condicionava os resultados.

Depois cresci, ganhei juízo, mas, enquanto adepto de futebol, mantive essa tara pelas superstições. O meu clube é o Borussia Dortmund, mas também simpatizo com o SL Benfica. Ou seja, se um destes clubes ganhasse jogando primeiro, ficava a achar que o outro iria perder ou empatar. Em miúdo essa tara era entre SL Benfica e Naval 1.º de Maio, o clube da minha terra, Figueira da Foz. Obviamente que não existe qualquer tipo de relação entre uma coisa e outra, mas lá está, deixamos a irracionalidade tomar conta da nossa cabeça em determinadas alturas.

E como corredor, tenho taras...perdão, superstições?

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Claro que sim, embora, com o passar do tempo, tenha retirado alguma relevância a esses detalhes.

A saber, são elas:

  • usar sempre os mesmos calções em provas;
  • usar sempre os mesmos boxers em provas;
  • usar sempre perneiras em provas e treinos longos mais duros;
  • nunca deixar de usar as fitas de suporte dos joelhos nas provas;
  • se não levar água comigo para as provas, acho que vão correr mal;
  • tirar sempre fotografias antes das provas;
  • se não sentir borburinho ao acordar no dia de provas ou de treinos mais duros, acho que vai correr mal;
  • se tiver feito um excelente resultado numa prova à chuva, fico a "pedir" que chova, senão não corre bem;
  •  se tiver de fazer provas sem lentes ou óculos, acho que vai correr mal;
  • se comer alguma coisa "estranha" (fora do habitual) no dia anterior, acho que vai correr mal;
  • se não ingerir a quantidade certa de água no dia anterior, acho que vai correr mal;
  • ter de abrir a porta que dá acesso ao espaço comum do condomínio (onde posso fazer alguns treinos) logo à primeira, isto é, se usar a chave errada, fico a pensar que o treino vai correr mal;
  • ter de começar os treinos à hora programada;
  • dizer a alguém (que não seja a esposa) que vou fazer um treino superior a 30 km, porque depois sinto-me pressionado e fico com a ideia de que pode haver acontecimentos negativos.

Quem mais se chega à frente e desvenda as suas idiossincrasias peculiares?

24
Set19

Matutino, vespertino ou noturno?


João Silva

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As opiniões dividem-se.

Começo por vos questionar: preferem treinar logo de manhã, à tarde ou à noite?

Considerando que há restrições laborais, peço-vos que se manifestem apenas tendo por base os dias ou semanas em que não estão a trabalhar. Ou seja, de forma geral como preferem realizar os vossos treinos?

Ao fim deste tempo todo, já tive a oportunidade de passar pelas três fases do dia. Por uma questão de organização, treino sempre ao início do dia. É mais fácil para depois organizar o meu dia e o meu trabalho.

Quando só podia treinar à noite, gostava muito, porque sentia o "peso" da libertação das frustrações do dia e porque tinha energia (tensão?) acumulada para dar e vender durante o treino. O lado mais negativo era treinar com chuva ou de noite cerrada na altura do inverno. Ainda assim, era agradável.

Treinar à tarde também não é algo de que desgoste. Ou melhor: é bom porque as reservas energéticas estão carregadas e há "material" para expulsar no treino. Por outro lado, não gosto tanto porque prejudica a organização do dia laboral, acaba por retirar fluidez e por dar a sensação de que há uma "tarefa" sempre à espera de ser realizada.

Deixei para último aquele período em que gosto mais de treinar, a manhã. Apesar de, pelo prisma negativo, as reservas não estarem devidamente carregadas e de ainda haver a ressaca do sono, o que confere alguma fraqueza, é uma altura muito boa para trajetos mais longos sem o risco de perder a luz natural. Além disso, a meu ver, a organização do dia é muito mais fácil de fazer.

É certo que, há cerca de um ano, houve alguém ligado à medicina a desaconselhar os treinos logo ao acordar, mas tal prendia-se com a necessidade de deixar o corpo "assentar" um pouco depois de se levantar e não por ser de manhã. Desde que me levanto até sair para correr passam cerca de 30 minutos, o que me dá tempo mais do que suficiente para ter o corpo impecável, sendo que aqui o uso do "impecável" é exagerado, já que são imensas as vezes em que acordo todo dorido dos treinos dos dias anteriores.

E o que dizem os entendidos? De forma mais ou menos unânime, recomenda-se a realização vespertina dos treinos, porque, supostamente, o corpo já terá acumulado energia suficiente para despender sem quebras. 

Fundamental, no meu entender, é que os treinos sejam feitos regularmente em horários semelhantes, criando desse modo uma rotina para o corpo e permitindo que os músculos tenham sempre um ciclo estável de recuperação entre sessões.

23
Set19

Correr por paixão ou para comer?


João Silva

Na verdade, as duas "versões" coexistem em vários corredores e, para ser honesto, algumas vezes na mesma pessoa.

Não sou hipócrita e eu próprio já estive nesse barco: pensa-se que, pelo facto de se praticar desporto, há uma espécie de via verde na comida.

Regra geral e ao longo destes quase três anos, em comparação, foram muito mais os meses em que corri por paixão do que aqueles em que o fiz para poder comer. No meu caso, nem foi propriamente para comer extravagâncias ou algo parecido, foi para poder comer em quantidade, foi com o intuito de suprimir os ataques de gula e as compulsões que, de vez em quando, lá dão sinal de vida.

Houve uma fase, na transição de dezembro de 2017 para o ano de 2018, em que estive mal, pesei perto de 60 kg, ou seja, andava subnutrido, passei de um extremo a outro sem conseguir ter o equilíbrio emocional necessário para perceber que estava numa piscina de areia movediça. E aí, a forma mais adequada para me "safar" foi aumentar o consumo, em alguns casos desenfreado, de muitas granolas (sempre caseiras, não compro, faço-as eu) ou de grandes quantidades de frutos secos. Não tenho problemas nem dificuldades em admitir que precisei da corrida para não deixar que a comida voltasse a tomar conta de mim. 

Qual a parte boa no meio disto tudo? Foi que consegui converter o aumento de massa gorda em massa muscular. Porquê? Porque nunca parei de fazer exercício, bem pelo contrário. Apesar de algum descontentamento que vivi naquela altura (sim, por muito que se goste de desporto, pode haver uma fase de alguma descrença ou de desânimo, é normal, faz parte da condição humana e em nada belisca a paixão pela modalidade), não me desorientei e, após alguns meses em baixo de forma, voltei onde queria. Melhor: cheguei melhor onde queria, porque sequei a massa que tinha e transformei-a em músculo.

Conheço muitos colegas que correm exclusivamente para poderem comer à vontade. Não vejo mal nisso, se tal significar alguma capacidade de controlo por parte de quem o faz. Por outro lado, trata-se de um círculo vicioso e o jogo, na minha opinião, ficará sempre do lado da comida. O corpo vai chegar a um ponto onde precisa de descanso e a comida, por seu turno, vai continuar a acumulação e a adição no nosso organismo.

Além disso, há ainda outro fator a ressalvar: comer perdidamente e correr perdidamente mais não é do que um jogo de acabar e começar, sendo que, se pretendermos alguma evolução física na modalidade, nunca sairemos da casa de partida, porque estaremos sempre a desfazer o que fizemos anteriormente. É uma espécie de pescadinha de rabo na boca.

Posto isto, não adoto essa filosofia do correr para comer não só porque isso seria perigoso para alguém que, como eu, foi obeso, mas também porque tenho ambições neste desporto e porque o vejo como uma paixão, como uma forma de evoluir e de me desafiar pessoalmente.

Desse lado, alguém corre/faz desporto exclusivamente para poder comer mais um pouco?

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22
Set19

De certeza que sim


João Silva

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Se não fosse corredor, de certeza que seria ciclista. Adoro ciclismo, acho mesmo que é o meu desporto preferido na ótica de espetador, muito à frente do futebol, paixão de infância.

Quanto ao atletismo, confesso que adoro os Jogos Olímpicos e vejo sempre que posso, mas não consigo assistir na TV a provas de meio fundo ou fundo (ou mesmo trails). Prefiro praticar a modalidade e não trocava por nada. No entanto, desde pequeno que me lembro de assistir a provas de ciclismo. Conforme seria expectável enquanto português, comecei a seguir a Volta a Portugal. Só na altura da universidade me tornei fã incondicional do Tour e agora já sou espetador regular e assíduo do Eurosport. Sempre que posso, vejo tudo o que há para ver de ciclismo.

Pela dureza e pela complexidade, as provas que mais me fascinam são as que metem muita montanha (média e alta) ao barulho. Com o tempo e graças aos comentadores do Eurosport Portugal, passei a gostar também de chegadas em linha e de contrarrelógio, que, ainda assim, é a categoria que me deixa mais desconsolado.

Tal como muita gente, andei de bicicleta quando era mais novo, mas foi já trintão que experimentei pela primeira vez ciclismo de estrada numa bicicleta profissional que me foi emprestada por uma pessoa com um excelente coração.

Até tremi quando peguei no "raio" da bicicleta, não só por saber que tinha custado os olhos, mas por estar a realizar um sonho. O "raio" do brinquedo tremia que nem varas verdes. Sente-se tudo, a colocação de mudanças é, por si só, merecedora de um curso e a nossa posição no assento e face ao guiador são muito importantes para não irmos dar um bejinho ao chão.

O ciclismo profissional é, talvez, o desporto mais duro, sobretudo, pelas condições climatéricas a que se está sujeito, pela horas intermináveis na estrada, pelo esforço físico e mental, pela dureza dos trajetos, mas também pelas altitudes quase inumanas.

Bem sei que o ciclismo ganhou muito má fama devido a alguns episódios infelizes, mas é muito mais do que isso. Além do mais, devido ao baixo impacto na estrutura óssea (em comparação com a corrida), serve como importante complemento. É incrível. Garanto que foi um dos motivos para ter conseguido "dobrar" a má forma em que estava. Confere-nos uma resistência absolutamente invejável.

Não menos importante, apresenta alguns conceitos muito úteis e que podem ser usados como auxílios de corrida. Foi, por exemplo, a ver ciclismo que percebi a importância do "ir na roda", ou seja, de encontrar alguém com o mesmo ritmo de passada e de, dessa forma, melhorar o desempenho em prova. 

Também graças a este desporto comecei a usar "ziguezagues" para subir em inclinações complicadas. Simplificando, trata-se de mudar constantemente de lado da estrada, em ziguezague, de forma progressiva. Desse modo, sobe-se mais rapidamente e o esforço é menor. Já pude comprovar a teoria.

Por tudo, o ciclismo de estrada é mesmo uma paixão que tenho e pareço um miúdo cada vez que saio para umas pedaladas. O último treino que fiz levou-me de Condeixa a Miranda do Corvo. Perante o entusiasmo, não resisti e tive de ir até à Lousã, regressando depois à casa de partida. Nesse dia foram quase 70 km de um sonho.

O lado negativo? Não havendo calções próprios, o rabo ressente-se e, a dada altura, fica dormente. A prática continuada sem o dito par de calções transforma-nos num verdadeiro babuíno.

21
Set19

Dores "esquecidas", dores "(re)aparecidas"


João Silva

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O ser humano é tramado! Quando estamos em dificuldades, revelamos "humildade", dizemos coisas como "não volto a fazer aquilo", "agora vai ser diferente" ou "aprendi a lição".

Talvez sirva como forma de baixar as expetativas. Talvez isso ajude, não duvido disso e sei que é a mais pura verdade.

Ainda assim, tiramos o tempo necessário, fazemos quase um reiniciar da máquina e seguimos o nosso caminho.

Daí a um tempo, o jogo muda, as mudanças foram bem assimiladas e, aparentemente, está tudo diferente. Só que não é bem assim. 

Talvez por não sentirmos a "respiração" do que nos fez mal, achamos que está tudo bem e eis que voltamos aos mesmos erros ou parecidos. Não é exatamente assim e não é sempre desta forma, mas apercebi-me bem disso no decurso dos últimos meses. Onde? Em aspetos tão simples como a ansiedade.

Durante os primeiros dois anos de treinos e provas, nas vésperas de longões ou de competições que me despertavam mais interesses, tinha problemas em dormir. Acordava muitas vezes, pensava muito no que ia acontecer e projetava cenários. Tem um lado benéfico, não questiono isso, mas tornava-se difícil de gerir e de suportar. Lembro-me perfeitamente do primeiro treino em que fiz 30 km. Que noite terrível, tão pouco descanso. Hoje, volvidos todos estes meses, continuo a respeitar a distância, mas aprendi a lidar com isso, tornou-se "normal".

No fim dos dois primeiros anos, os resultados começaram a piorar e precisei, a bem da minha sanidade mental, de baixar as expetativas e de aprender a treinar e a "competir" pelo prazer. Não é coincidência o facto de ter passado a dormir melhor. Aceitei a realidade e isso foi essencial para o que se seguiu: consegui trabalhar em "surdina", adaptei e mudei o que achei necessário e, sem dar muito conta disso, comecei a subir de forma. 

E o que significa isso? Tão só o facto de voltar a ganhar um certo burburinho antes de treinos mais importantes e duros, o facto de "acusar" alguma responsabilidade e de voltar a encarar as sessões com maior seriedade. 

Temos memória curta, só pode ser isso. 

Faço o que faço por gosto, porque é uma paixão, não por obsessão, obrigação ou pelos resultados, mas confesso sem problemas que o facto de ter regressado do "inferno" me deixa entusiasmado com o que aí vem, quero tanto desfrutar da evolução que tive e da forma como lidei com o "problema" que depois deixo isso resvalar para a responsabilidade.

Curioso ainda o facto de se perceber claramente o efeito de expetativas elevadas e baixas nas diferentes fases do desempenho desportivo. Moral da história: a pressão e as expetativas desmedidas podem ser um fardo em vez de um auxílio, mas isso também acaba por depender muito de cada um.

20
Set19

Do afastamento gradual à ausência total


João Silva

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Por esta altura, já todos os assíduos do blogue sabem que não mando indiretas a ninguém e que não faço autopromoção dos meus hábitos em detrimento dos dos outros. Cada um faz o que quer.

Ainda assim, este texto serve o propósito de explicar o fenómeno que aconteceu comigo e que mudou a minha relação com o açúcar.

Desde logo, quando alguém chega aos 118 kg, os primeiros cortes têm de ser sempre feitos nas quantidades de açúcar ingeridas. E eu comia muitos produtos direta e indiretamente massacrados com açúcar.

Com o passar do tempo e durante o processo de emagrecimento, houve uma evolução progressiva. Nunca deixei de comer açúcar. Não entro em estupidezes e não faz sentido abolir coisas de forma brusca. Já tinha passado por isso com 18 anos e não correu bem, portanto, optei por fazer uma reeducação, comer sim, mas com regras.

Ainda me recordo bem: uma das primeiras coisas foi retirar o açúcar do café. Não, não custou e não, já não consigo beber café com açúcar. A esse propósito, no passado dia 23 de junho, tirei café de uma máquina, que não me obedeceu e adicionou açúcar. Moral da história: intragável, nem um golo e tive de abdicar de beber o meu café.

Retomando as ideias de cima, fui comendo de forma gradual, pelo menos, uma vez por semana comia açúcar, em festas também. Porém, fruto do conhecimento que fui adquirindo e da evolução a nível físico, fui encontrando alternativas, como a fruta. Já aqui falei muito nisso, portanto, é água passada. 

Seja como for, agora dou por mim a evitar o açúcar. Não tem mal comer de vez em quando e de forma regulada, mas simplesmente deixei de sentir necessidade, talvez porque, a nível hormonal, o desporto me compensa e me retira essa necessidade. As endorfinas que o desporto ajuda a libertar dizimaram por inteiro o meu gosto pelo açúcar, seja ele qual for.

Por exemplo, se deixei os produtos processados de forma voluntária (entre outras coisas, por causa do açúcar adicionado em alimentos que não o levam de forma natural e que servem o propósito de viciar as pessoas), no caso do açúcar foi absolutamente ocasional. Também devo confessar que esta inclincação da balança se deve ao facto de ter perfeita noção do quanto dou de mim para me manter em boa forma. Mas, e isto é muito importante de referir, não deixei de comer coisas doces. Passei foi a recorrer às diferentes frutas. 

Genuinamente, não sinto qualquer falta de açúcares artificiais, embora saiba que também não são um bicho papão quando são consumidos de forma racional.

E por aí, como é em relação ao açúcar?

19
Set19

E à primeira oportunidade, charco com ele


João Silva

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Mais um momentos da categoria "isto só a mim".

Primeira prova oficial a correr em trail.

Foi no dia 01 de abril de 2017 na terra da minha esposa, Bajouca, no distrito de Leiria.

Nesse dia, contei com a presença do meu bom amigo Filipe Coelho.

Nada mais oportuno do que deixar logo a marca.
A prova foi exigente, adorei-a, mas, nos primeiros 5 km, fui "alvo" de uma situação digna de registo: passámos por túnel e, no lado da saída, deparámo-nos com um "lago" de lama misturada com estrume. Na verdade, era lama de esgoto.

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Como não ia na fila dos primeiros, o terreno já estava muito massacrado e aquilo parecia uma piscina de terreno movediço.

Assim que coloco um pé, fico enterrado até aos joelhos, desequilibro-me e zás, toca a tomar uma banhoca no meio do charco.

Restou-me levar a prova a bom porto no meio daquele odor fétido e daquela lama toda bastante incómoda espalhada pelo meu corpo.

A camisola era branca. Era. Depois ganhou uma coloração bem mais interessante.

Como se não bastasse, rasguei uma das perneiras. É o único rasgão que tem. Até agora, a boracha de absorção do impacto nunca saiu. Oxalá continue assim.

 

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18
Set19

Who the hell is gonna teach me how to run?


João Silva

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Engraçado e curioso como este assunto surgiu na sequência de uma má audição durante a visualização de um vídeo afeto a um corredor com 70 anos capaz de correr maratonas abaixo das 03h00.

A dada altura, quando faz referência à necessidade de ter um treinador, percebi que ele disse "mas como raios é que alguém me vai ensinar a correr?", sendo que, na verdade, ele diz "mas quem é que não sabe como se corre?" (who doesn't know how to run).

Frases e sentidos distintos, bem sei. Mas ouvimos o que queremos, certo? Foi  que aconteceu. Porquê? porque é a ideia que tenho relativamente à contratação de treinadores.

Ponto prévio sempre útil nos dias que correm: ao defender o que se segue não estou, de forma alguma, a depreciar quem opta por essa via.

Com efeito, não sinto, nunca senti e espero não vir a sentir a falta de um treinador. Há muitos corredores que optam por essa via, por razões diversas, desde a necessidade de estabelecer e definir um plano para atingir um objetivo à necessidade de melhoria dos métodos.

Não sou prepotente ao ponto de achar que um treinador não me poderia ajudar. Bem sei que, em determinadas circunstâncias, me poderia ser muito útil para dar aquele salto muito específico em termos de resultados.

Contudo, à partida, não ando nisto pelos resultados. Comecei a correr por uma razão muito específica, a modalidade virou uma paixão, que não quero estragar com pressões desnecessárias. Além disso, sou muito autónomo e autodidata, não tenho dificuldades em estabelecer planos e métodos de trabalho e procuro tudo e mais alguma coisa relativa ao tema (no caso, treino e técnicas de corrida, treino funcional, etc.). Claro que cometo erros na forma como, por vezes, implemento determinados métodos de treinos e resvalo para o abuso. É um facto. Ainda assim, tenho tudo organizado e bem definido na minha cabeça. Os planos são definidos com base nos meus objetivos principais e, regra geral, tenho o plano estruturado com um mês de antecedência.

Por último, duas razões também muito válidas para não recorrer a esse tipo de ajuda: não me vejo a correr para os objetivos de outra pessoa e prefiro economizar o dinheiro de um eventual investimento para coisas mais importantes na minha vida. Quanto ao primeiro destes dois argumentos, sinto, pelo que vou vendo, que, a dada altura, há pessoas que treinam e competem nas distâncias e com os propósitos definidos por um treinador. Ora não me parece útil nem correto fazer isso. Quando marco um treino, faço-o porque considero necessário para a minha evolução ou simplesmente porque me apetece correr. Não me vejo, de todo, a assumir algo com o qual posso discordar e que posso não considerar útil para a minha evolução técnica.

Quando preciso de mudar aspetos técnicos, leio, estudo quem sabe mais do que eu e vou testando. Há muita coisa que faço mal e que não corre tão bem na implementação quanto na teoria, mas é um risco.

A sabedoria e a experiência de alguém que já esteve no meu lugar seriam sempre uma mais-valia, mas, ainda assim, é um risco assumido.Suspeito que um eventual treinador me iria dar na cabeça muitas vezes por causa da sobrecarga e da exaustividade de treinos. Digo isto, uma vez mais, sem arrogâncias. Sei que, por vezes, posso ser indisciplinado na disciplina. Mas é um risco...que disposto a correr.

17
Set19

Por algum lado tem de sair


João Silva

Hoje trago-vos um assunto que mete água. Na verdade, mete transpiração.

Primeiro, importa abolir aquele mito de que só quando suamos é que perdemos peso ou calorias, bem como aquela ideia peregrina de que muita transpiração quer dizer treino muito bom e pouca treino muito mau.

Nada mais errado. Antes de mais, transpirar significa que o corpo está a expulsar o excesso de temperatura sob a forma de água (e sal). Pode fazê-lo com maior ou menor abundância. Isso depende de cada pessoa e de cada organismo.

Da mesma forma, no final de cada treino, deve haver obrigatoriamente uma recuperação desses líquidos perdidos. Dou-vos o exemplo das maratonas: se não formos ingerindo água (em alguns casos, mesmo isotónico) durante a prova, vamos chegar a um ponto de desidratação, ou seja, deixamos de funcionar, ficamos com cãibras e perdemos a destreza mental. Temos de parar e de receber uma "injeção" de líquidos.

No meu caso, em treinos longos e maratonas, vou ingerindo água sempre de forma faseada, estratégica (em determinados quilómetros e momentos do relógio) e em pequenas quantidades. Terminado o treino ou a prova, bebo até me fartar. Por norma, só de água, ingiro uma média diária de 2,5 l - 3,0 l para repor tudo o que perdi.

O suor é expelido por dois tipos de glândulas: as écrinas e as apócrinas.

As primeiras têm a função de refrigerar o corpo quando a temperatura deste sobe, estão presentes em todo o corpo.

As segundas, as apócrinas, têm uma função mais específica: antes de mais, localizam-se nas axilas e nas virilhas, também são acionadas quando a temperatura corporal aumenta, mas estão principalmente associadas a fenómenos de stress, oscilações hormonais e ansiedade. Além disso, o suor tem um aspeto mais leitoso e mistura-se com as bactérias da pele, o que lhe confere um odor muito próprio.

Normalmente, não transpiro muito, mas nem sempre foi o caso. Quando tinha excesso de peso, isso acontecia muito. Descobri, entre outras coisas, que isso se deve a uma maior necessidade de energia para realizar determinada atividade.

Agora, tirando treinos específicos ou épocas do ano muito próprias, nem pinga. A minha esposa pode confirmá-lo. Está-se sempre a "queixar" que não transpiro.

 

Uma parte deste texto foi inspirada pelo que li aqui.

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16
Set19

Meditando para ver tudo com mais clareza


João Silva

Existem várias formas de a fazer e a sua duração também é muito subjetiva.

Da minha parte, sei que foi a solução para um dos maiores desafios que encontrei.

E hoje, quando olho em retrospetiva, percebo que nunca o venceria se não tivesse recorrido àquele exercício.

Falo da meditação.

Não vou entrar pelo paternalismo e pela tentativa de fazer com que todos vejam a meditação com bons olhos em vez de uma patranha e de um estigma "de mulher", como ainda acontece.

Nada disso, entendi que era a solução, procurei informações sobre como fazer e descobri que era a resposta para muitos problemas que tinha.

E deixem-me que acrescente: aqueles 10 minutos por dia de concentração no eu aliados a uma respiração calma e tranquilizante transformam-me num homem novo.

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Depois de ter deixado de fazer meditação durante alguns meses, decidi retomar no início do mês de julho. 

Estava a acumular muita tensão, muita carga negativa no meu organismo. Parar, deitar-me sobre o tapete de ioga/pilates e poder fazer meditação durante 10 minutos fez milagres na minha cabeça.

Tinha acabado de atingir um ponto de rutura no meu interior e aquele momento foi uma espécie de recomeçar de novo.

É importante fazer isso, porque ir sempre na mesma direção sem questionar o que está para trás e para os lados é o pior que pode acontecer.

No fundo, o exercício é mesmo muito simples: parar 10 minutos para ouvir apenas a respiração. Virão imensos pensamentos e muitos deles completamente inacreditáveis, mas o truque será deixá-los coexistir connosco sem que lhe demos relevância.

As primeiras sessões são estranhas, mas depois entranhamo-las e é uma verdadeira ajuda.

Permite-nos relativizar tudo à nossa volta e ver as coisas com outro olhar.

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