Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em 2016 era obeso, hoje estou na segurança de meias maratonas e maratonas. Além disso, sou pai de um menino e sou um apaixonado pela mente humana. Aqui e ali também gosto de cozinhar. Falo sobre tudo isso aqui.

Em 2016 era obeso, hoje estou na segurança de meias maratonas e maratonas. Além disso, sou pai de um menino e sou um apaixonado pela mente humana. Aqui e ali também gosto de cozinhar. Falo sobre tudo isso aqui.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Redes sociais

Palmarés da minha vida

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Redes sociais

Baú de corridas no blogue

Em destaque no SAPO Blogs
pub
12
Ago19

Fiz regressar os velhos amigos


João Silva

Refiro-me ao treino de séries ou intervalado e aos fartleks.

Após a maratona do Porto, em novembro de 2018, confesso que me desleixei neste capítulo e poucos foram os dias em que me submeti à dureza destes treinos. 

São treinos de velocidade, mas servem, além disso, como desencadeadores de novas energias no corpo e como geradores de oxigénio em situações de "aperto". Fazem maravilhas pela nossa caixa torácica e pela capacidade de gerir e impor ritmos diferentes numa prova.

Talvez por serem tão dolorosos e por os fazer mal inicialmente os tenha posto de parte. E, sendo franco, está aí uma das explicações na quebra de desempenho desde o início de 2019. 

O corpo deixou de ser testado e habituou-se ao treino. As sessões de séries ou de fartleks fazem o metabolismo dançar, deixam-nos a arfar e isso depois reflete-se em melhorias. Não é preciso muito para que se façam sentir.

 

IMG_20181128_092712_972.jpg

Quando percebi em que consistiam estes métodos de treino, por exemplo, no caso das séries, comecei por fazê-las em retas junto à biblioteca, ao campo e ao IC3. Com o passar do tempo, fui lendo e fui vendo. Se as primeiras que fiz foram de 100  ou de 200 m, as atuais são de 400 m, as indicadas para um atleta de fundo. As duas mais pequenas são muito boas para velocistas puros e por isso são "explosão" imediata. 400 m, por seu turno, dão uma margem maior e obrigam o corpo a gerar oxigénio numa distância também ela maior. Há ainda quem faça de 1000 m. Confesso que ainda não cheguei lá.

No caso dos fartleks, não há tanto essa rigidez de processos. Se, nos treinos intervalados, uma série de sprints deve ser acompanhada por uma série de trote ou corrida "quase parada" (por exemplo, 1 minuto m sprint, 45 segungos a trote), nos fartleks, há essa distinção entre rápido e lento, mas o ritmo mais baixo não é quase parado, assim como o mais rápido não é o de um sprint. As sessões de fartleks podem ser feitas com qualquer "coisa": por exemplo, ver um obstáculo a 300 m e correr a um ritmo elevado até ao mesmo.

IMG_20181128_092712_971.jpg

Para poder fazer a gestão de ritmos da melhor maneira possível, prefiro recorrer aos fartleks Watson: 15' de aquecimento, 8 x 4' ritmo rápido + 1' ritmo lento, 5' retorno à calma.

Além destes dois "velhos amigos", outros responsáveis pela melhoria do meu desempenho são os sprints curtos (num espaço de 50 m e com a postura de sprinter) ou os triângulos: sprint numa direção, corrida de costas noutra e depois corrida lenta com os joelhos levantados.

Demorei a fazê-los regressar. Sendo sincero, foi preciso seguir o exemplo de algumas pessoas com mais experiência e com outros métodos. Já que os fiz regressar, dá jeito não os deixar ir embora novamente.

IMG_20181128_092712_974.jpg

11
Ago19

Tudo bem, é a partida, mas de onde?


João Silva

FB_IMG_1525094874958 (1).jpg

Um assunto, por sinal, interessante e que divide muitos atletas profissionais, amadores ou meros curiosos.

Falo da estratégia na partida das provas.

Tenho colegas que não passam sem partir bem, logo dos lugares da frente. Conheci mesmo uma pessoa que sabia que ia "rebentar" em três tempos, mas que, ainda assim, fazia questão de partir na frente. Para as fotos, argumentava.

Depois, há os que preferem sair no meio do pelotão e, a partir dessa zona, começar a desbravar terreno. Normalmente, é nessa zona que me encaixo.

Por último, existem aqueles que relativizam esta questão e que não se importam de arrancar na cauda. O argumento é de que não estão ali para ganhar nada. Válido e aceitável.

No meu entender, sair na linha da frente implica um pulmão infinito e a capacidade de assegurar um ritmo altíssimo. Diria que são atletas que, na pior das hipóteses, vão ficar nos 35 minutos num prova de 10 km, por exemplo.

Por outro lado, se não houver pernas nem pulmão, lá se vai tudo num instante e depois o lado psicológico pode sofrer.

Os que partem no meio são, na minha ótica, os mais avisados, porque, tendo capacidade para isso, vão cavalgar de trás para a frente e vão ganhar ritmo gradualmente. Claro que nem sempre é assim e há muitas provas em que a gestão não corre necessariamente como estou a dizer. No entanto, pegando no meu caso, sinto-me muito mais confortável se sair no primeiro terço do meio do que na linha da frente. Porquê? Como não sou um velocista puro, necessito de ritmo e de cadência para conseguir chegar a um bom tempo. Ora, por essa razão, preciso de quilómetros nas pernas para evoluir bem. No geral, os meus melhores tempos foram alcançados assim.

Por último, partir no derradeiro terço do grupo de atletas vai exigir um enorme trabalho de sapa para chegar à frente e para fazer um bom tempo. Requer muito pulmão também e muita confiança. Há pessoas que fazem bem essa gestão, mas não me parece muito fácil. Isto é, a gestão deve fazer-se de trás para a frente, mas também é suposto que seja realista.

Tudo isto que referi aplica-se essencialmente numa prova de 10 km, por ser mais rápida, mais explosiva e por deixar menor margem de erro ao atleta. Numa de 21 ou de 42 km, a gestão tem de ser diferente, mais faseada e sempre a pensar num bem maior e mais moroso de alcançar.

FB_IMG_1556577691800.jpg

10
Ago19

Tão próximas na importância, tão distantes na execução


João Silva

IMG_20190517_083004.jpg

Falo do ioga e do pilates.

Tenho consciência de eventuais preconceitos por um homem praticar estas modalidades, mas, como dizem os estimados brasileiros, "tô nem aí".

A verdade é que as duas são distintas e, numa primeira análise, não diria que o eram. No entanto, completam-se e dão-nos muito.

O ioga consite mais num jogo de alongamentos superficiais e profundos combinados com uma respiração pausada. O objetivo é trazer os músculos (e o corpo como um todo) para um estado de harmonia, de equilíbrio. A respiração é feita mais com o estômago e as contagens são pausadas. Normalmente, 10 segundos por exercício. Os alongamentos são feitos em todo o lado e mais algum e dão-nos uma flexibilidade incrível.

Comecei a fazer ioga no início de dezembro de 2018. Não faço todos os dias as versões mais profundas, porque o primeiro impacto no corpo é deixá-lo K.O.. Pelo menos, uma vez por semana faço uma sessão longa e procuro abranger todas as partes do meu corpo. Foi nesta senda que descobri a meditação. Algo que mudou efetivamente a minha vida. Exige abastração e concentração em simultâneo e assenta numa "audição" da respiração. Se inicialmente é uma sensação estranha, depois é algo de incontornável.

Já o pilates é uma fruta mais recente. Já andava com a pulga atrás da orelha e depois li uma publicação do blogue da estimada Luísa Sousa e não resisti. Guardei o vídeo e segui o que lá estava. A primeira vez custou imenso devido à (falta) de sincronização. Depois disso, não quis outra coisa. É uma "obrigação" pelo menos uma vez por semana.

IMG_20190112_085720.jpg

Ao contrário do ioga, o pilates assenta numa respiração mais superficial (feita na zona do peito) e rápida e num conjunto de exercícios que vão fortalecer e tonificar a estrutura profunda do corpo. Atua essencialmente no abdómen e nos glúteos, mas, deixem-me que vos diga, é altamente eficaz. Alguns exercícios já os fazia no meu treino funcional, mas decobri muitos outros e tem sido um excelente desafio, não só por ser aliciante na sua execução mas pelos benefícios. Indiretamente confere-nos maior elasticidade, mas essa é uma função mais a cargo do ioga.

Não faço distinções e gosto destas duas modalidades. Coincidência ou não, tenho notado o meu corpo muito mais resistente, flexível e tonificado. Considerando que não tomo quaisquer substâncias, de alguma coisa deve ser.

IMG_20190112_091912.jpg

 

09
Ago19

É preciso acreditar e algo que ajude


João Silva

IMG_20190108_093930.jpg

Como já se pôde ver, estou a aproveitar o mês de agosto para refletir.

É sempre importante fazê-lo. Não me custa nada. Às vezes, difícil é estancar esse fluxo de reflexões.

Na senda da evolução em treinos e da melhoria do desempenho, ocorreu-me este pensamento.

Ou seja, a chave em tudo está na crença. Não me refiro à vertente religiosa, até porque não a tenho, mas à crença pura, simples e básica em algo que nos pode levar onde queremos.

Quantas vezes não somos levados em pontas pela crença, mesmo sem sabermos se vamos atingir o que pretendemos?!

Para mim, é precisamente isso que move montanhas. Crença, no fundo, é uma espécie de fé. 

Em ambos os casos, tem de existir algo que nos desperte interesse e que nos mova.

Modéstia à parte, mas, no meu caso, não tenho dificuldades em empenhar-me num determinado objetivo (do qual esteja convicto). Por outro lado, como tenho uma costela (já chegou a ser o corpo todo) pessimista, a minha crença nos meus propósitos desvanece um pouco em determinados momentos.

IMG_20190610_075841.jpg

Ora, aplicando isto ao que se passou nos últimos meses, eu acreditei, mesmo muito, assim aquele tanto que não se explica, que iria conseguir ultrapassar uma fase mais negra da minha evolução enquanto corredor. Tanto assim foi que não deixei de treinar. Muito pelo contrário, acrescente-se.

Contudo, com o passar dos meses e com a ausência de sinais de retoma, para bem da minha saúde mental, tive de aprender a mudar o foco, a baixar a importância atribuída à dita causa.

Essa atitude foi o melhor que me poderia ter acontecido. Sem querer saber ao certo quando haveria sinais, segui no mesmo rumo, até que houve uma altura em que comecei a notar melhorias no desempenho e em que os números relativos aos ritmos e às cadências começaram a ser mais jeitosos. Esta última parte foi a cereja no topo do bolo, pois foi isso que me deu a confirmação de que estaria "back on track".

Nas provas do mês de junho, já tinha começado a notar uma diferença na disposição do meu corpo, uma assimilação das mudanças.

A entrada em julho veio confirmar em definitivo que o caminho teve mesmo de ser aquele e que a tendência é ascendente.

Agora é continuar, aproveitar o balão e impedir que se esvazie.

Mas foi preciso acreditar mesmo muito...e receber sinais quanto à escolha do caminho.

 

IMG_20190610_113702_071.jpg

 

08
Ago19

Desarranjado, mas com arranjo...


João Silva

FB_IMG_1528998498065.jpg

Mais uma semana, mais uma história insólita.

Na verdade, trata-se mais de um "aglomerado" de situações que redundam em histórias do mundo da corrida.

Quem nunca teve desarranjos intestinais e da bexiga momentos de uma prova, durante uma prova ou treino ou imediatamente depois?

É uma espécie de "habitué" no ramo e são poucos os que não têm histórias de incursões a casas de banho ou mesmo a casas de banho improvisadas.

Por isso mesmo, vou poupar pormenores fétidos.

Ainda assim, recordo-me particularmente de alguns treinos que se tornaram muito desconfortáveis depois de autênticos banquetes de batatas doces, papas de aveia ou mesmo de frutos secos.

Claro que fui o principal responsável por apresentar a minha "orquestra" desafinada.

Recordo-me também particularmente do trail de Sicó em 2018 e da meia maratona da Figueira da Foz também em 2018.

Em ambos os casos, abusei na véspera. O resultado acabou por ser distinto, pois no primeiro, em fevereiro, foi mesmo necessário fazer uma paragem urgentíssima atrás de uma ruína presente no meio de uma localidade para poder continuar. Foi literalmente uma situação merdosa, desculpem-me o termo.

Em compensação, na Figueira, consegui dar a volta aos intestinos. Porquê? Porque tomei um Imodium antes de começar a correr. Se em Condeixa tive a proteção da pobra ruína, imaginam o que seria em plena marginal da Figueira da Foz?

É certo que estava a chover copiosamente e que, provavelmente, a intempérie trataria da limpeza...mas nada me salvaria da vergonha.

Moral da história: não facilitar nas vésperas das provas e, igualmente importante, andar munido de lenços de papel. Fazem milagres.

Se puder, deixo ainda outro conselho: sobretudo em treinos, corram, mesmo que seja em estrada, em locais afastados das populações. Pode ser-vos muito útil. 

IMG_20180225_104205.jpg

 

07
Ago19

Deixar seguir naturalmente ou dar um encosto para espicaçar?


João Silva

As coisas têm um curso natural.

Normalmente, não acontecem por acaso, existe um fio condutor. 

Não sou crente no destino nem em coisas predefinidas. No meu entender, são as nossas ações e escolhas que vão ditar onde vamos parar. 

No entanto, reconheço a existência de episódios e situações que não dependem diretamente de nós, são uma espécie de consequência dos atos de outros. 

Serviu esta introdução para dizer o quê concretamente?

É importante acreditar num objetivo, traçá-lo muito bem e depois ficar de olho nele. Não precisa de ser marcação cerrada, basta uma marcação aproximada, uma espécie de à zona mas com a área bem delimitada.

É, pois, preciso, vigiar constantemente o dito.

Falo mais concretamente na questão da evolução desportiva.

Nos últimos meses, passei por algumas dificuldades em termos de forma. Perdi o nível que já tivera e cheguei a um ponto de "marasmo".

Confesso que fiquei desatento e que substimei a habituação do meu corpo ao tipo de treino que fazia.

Perante isto, optei por manter o nível de treino, deixando, portanto, que as coisas seguissem o seu rumo natural. Acreditei sempre que seria possível chegar onde queria. Contudo, por volta do final de abril, senti que os meus treinos perderam alguma qualidade, não estímulo, mas eu próprio deixei de me pôr à prova.

IMG_20190524_115418.jpg

 

Qual foi a solução? Primeiro, foi desatar os nós psicológicos e passar a relativizar tudo. Não deu, vai dar. Ainda não foi desta, será na próxima. Claro que não foi uma situação assim tão fácil de encarar.

Todavia, agora vendo em perspetiva, diria que a chave foi não só não ter parado o treino como ter experimentado exercícios e modalidades novas. A partir de meados de maio e até inícios de julho, aumentei a carga e a verdade é que comecei a sentir algumas dores. 

Porém, e aqui é que está o meu ponto, passei a notar uma maior leveza em mim, não só física, como mental. 

Esta parte aliada à reintrodução de treinos de séries, de fartleks e de saltos mais intensos fizeram-me regressar ao ponto onde passei onze meses do ano de 2018.

A libertação das amarras fez-me não pensar obcecadamente no ponto onde queria ficar, ajudando a retirar peso a coisas que não o deveriam ter.

Auxiliou-me ainda na sempre ingrata tarefa de ser paciente.

Juntamente com o empenho e o descanso, a consciência é o maior trunfo de qualquer desportista, amador ou profissional. E é por isso que falo muito em deixar seguir o curso natural. 

Um plano de treinos demora cerca de quatro semanas a atuar a sério, a revelar melhorias. Custa deixar passar esse tempo, mas depois os "louros" são muito mais saborosos.

Ainda assim, apesar de "o rio" desaguar onde queremos, por vezes, temos de fazer uma espécie de vala de desvio que sirva como elemento impulsionador dessa evolução. No meu caso, foi, sem dúvida, diversificar as modalidades e aumentar a carga.

06
Ago19

Ode à importância


João Silva

É algo de completamente merecido, fazer este reconhecimento público das pessoas que foram e têm sido muito importantes nesta minha caminhada.

Porquê agora? Porque nunca é tarde de mais, porque mais vale tarde do que nunca e porque já lhes transmiti pessoalmente o quão grato lhes estou/sou pelo apoio e pela ajuda.

IMG_20181007_093830.jpg

Antes de os revelar publicamente, gostaria de dizer que, por uma questão de justiça e correção, não vou destacar nenhum colega da equipa ARCD Venda da Luísa em particular. Apesar de ser natural e de ter mais empatia por uns do que por outros, não é correto alimentar desavenças publicamente.

Acho que já é seguro dizer que se percebe ao longe as pessoas com quem convivo mais no seio do nosso grupo e aquelas que são muito importantes para a minha evolução como atleta e como homem.

Retomando aqueles pilares mais pessoais, revelo os meus cunhados.

Desafiei-os para a primeira caminhada em trail, em novembro de 2016. Foi aí que fiquei apaixonado por este desporto, embora depois tivesse inclinado em definitivo para a estrada.

Além dos incentivos que me deram, foram os meus compinchas das primeiras caminhadas em eventos do género. Juntos, palmilhámos o Sicó, subimos as Colmeias, desfrutámos da cascata seca de Pombal e descobrimos o quão pequena é a Venda da Luísa. São apenas alguns exemplos de locais onde caminhámos juntos em provas.

Eles acharam tanto que isto podia funcionar e que eu devia ser levado a sério na minha tentativa de mudar de estilo de vida que me desafiaram para a primeira corrida numa prova de estrada. Era a 4 estações da Figueira da Foz. Março de 2017.

Jamais me esquecerei disso, dos incentivos e "gritos" quando passava por eles nas provas em que faziam caminhadas. Tirando a minha esposa, foram os primeiros a acreditar em mim. Confesso que sinto falta de os ter por perto nas provas, de confraternizar e de tirar fotos na meta, depois de a termos cruzado.

De seguida, uma palavra de agradecimento aos meus sogros por me apoiarem, por acautelarem transporte quando eu ainda não conduzia para ir às provas e por se preocuparem com o meu, com o nosso, bem-estar. Foram os únicos a ligar depois da maratona. Além disso, quando os vamos visitar, é a casa deles que "suporta" e alberga os meus treinos funcionais.

A minha cunhada mais velha também procura saber como correram os eventos mais importantes e sei que conto com o seu apoio. 

Saindo do seio da família, tenho de referir o meu amigo Filipe Coelho. Foi a primeira pessoa com quem treinei e foi graças à corrida que nos reencontrámos ao fim de tantos anos. Tenho pena que ele já não resida na mesma vila que eu, mas é sempre bom vê-lo e torcer por ele nos seus trails. Fiquei genuinamente feliz por ele ter passado a ultra no trilho dos Abutres, em junho passado.

Para último, ficou a pessoa que dá brilho aos meus dias, que me faz acreditar quando é muito difícil, que acredita mais em mim do que eu próprio, que me acalma, que me leva  em pontas, que esteve e está presente nas provas mais importantes de todas, as maratonas, que me compra o equipamento, que insiste para que compre coisas que nem sonhava que me podiam ajudar a correr. A minha treinadora, a minha psicolóloga, a minha fisioterapeuta, a minha conselheira, a minha confidente, a minha companheira, a minha amiga, o grande amor da minha vida. Falo, como não podia deixar de ser, da minha esposa. 

É difícil explicar a alguém o quão verdade é quando digo que tenho todo o apoio da minha mulher. As minhas vitórias são as dela e a minha vida nunca seria a mesma se não a tivesse comigo para partilhar estes momentos.

Mais do que as pessoas de fora, esta ode visou as pessoas de dentro, que estão e estarão comigo, que me ajuda e apoiam e me fazem acreditar que é possível.

Obrigado por serem tão importantes. 

 

IMG_20181007_212228_121.jpg

 

05
Ago19

Sobrecarga, obstinação ou vontade


João Silva

Na sequência do texto de ontem, acho relevante separar esta tríade, uma vez que facilmente se podem confundir.

Qualquer pessoa diria, à partida, que não têm nada a ver umas com as outras.

Fazendo uso de uma frase tipicamente inglesa, "I beg to differ". Ou seja, não me parece de tudo que sejam assim tão diferentes. Ou melhor, que sejam conceitos separados uns dos outros, sem qualquer relação entre si.

No meu entender, tudo começa com a vontade, aquele "burburinho" na barriga que nos impele para fazer alguma. Pode ser confundida com força de vontade, sendo que a força aqui diz respeito ao todo, à "muita" vontade que se tem, por exemplo, quando se está num ambiente totalmente adverso. Um exemplo de vontade é estar rodeado de sedentarismo e, ainda assim, batalhar para praticar desporto. 

Estou numa fase em que se tiver de me deslocar a algum lado, se for exequível, prefiro sempre ir a pé. Para mim, é mais uma forma de fazer exercício.

Ter muita vontade para fazer alguma coisa, neste caso, praticar desporto pode redundar facilmente numa sobrecarga. Ora aqui está algo que me sucede com muita frequência. Como quero fazer muito, sempre sem parar, e me interesso por vários desportos e sou um entusiasta da inovação e da diversidade, por vezes, faço semanas de treino intermináveis, uma média de 3h por dia em seis ou sete dias por semana. 

IMG_20190703_115513_859 (1).jpg

Apesar de começar com uma boa vontade, esta sobrecarga vai transformar-se num elemento negativo, a nível físico, por causa das mazelas e do desgaste em articulações e ossos, mas também a nível psicológico, com o aparecimento de muitos episódios de mau humor ou de irritabilidade excessiva. A sobrecarga também se manifesta muitas vezes pela falta de vontade e pelo adiar do exercício. Por exemplo, em mim isso sucede quando acabo o treino de corrida, ainda me falta o treino funcional, mas fico a enrolar até finalmente pegar na tarefa.

Forçar demasiado, de forma permanente e sem qualquer tipo de lógica, contra todas as "respostas" do corpo e contra todos os sinais, vai redundar em obstinação, uma espécie de teimosia com consequências graves para o corpo. Esta é o aspeto mais melindroso desta trilogia. E é a grande responsável por lesões graves e difíceis de debelar.

Se puder dar um conselho a este propósito é que se foquem na vontade e que estejam sempre em alerta para os sinais que o corpo vos vai dar. Caso contrário, correm sérios riscos.

04
Ago19

Quando mais não é mais produtivo


João Silva

A eterna questão da sobrecarga de treinos.

Quando estou na posse da minha frescura mental, consigo perceber perfeitamente que não é a fazer 10 horas de treino por dia (o exagero foi propositado) que se obtêm grandes resultados.

Aliás, não está apenas relacionado com frescura mental. Fisicamente, é mesmo muito fácil de perceber isso.

Ao longo destes quase três anos de prática desportiva frequente, pude sentir isso na minha própria pele.

Contudo, apesar de dizer isto imensas vezes, há alturas em que a cabeça precisa disso. Por esse motivo, poderei ser visto como um irresponsável ou como imprudente e obtinado.

No entanto, discordo dessas "acusações". Em primeiro lugar, faço tanto desporto porque me completa, porque as reações químicas em mim tornam-me numa pessoa feliz e acabo por andar constantemente atrás desse sentimento. Além disso, é uma forma elementar de controlar as oscilações de peso.

IMG_20180822_141419.jpg

 

Tendo em conta essa refutação da minha parte, quando o corpo chega a um ponto de habituação (e chega lá), é muito importante dar-lhe uns "abanões" para o colocar "fora de pé" e o obrigar a gastar mais energia.

Mais não é mais produtivo, de todo. Portanto, no caso do treino, o descanso é a chave do sucesso para a forma voltar. Contudo, sem que isso sirva de justificação esfarrapada, fazer mais no sentido de alargar o leque de desportos a praticar para potenciar a atividade principal pode e é totalmente acertado.

Crucial é não deixarem que a "cegueira" vos tolde a cabeça. Quando isso estiver a acontecer, parem um pouco, respirem muito profundamente e meditem um pouco. Vai ajudar.

03
Ago19

Uma leoa que nos escreve da toca dos leões


João Silva

Muitos certamente já a conhecem e já acompanham as suas partilhas no blogue.

"Já" não é portuguesa. Segundo a própria, foi "expatriada" para a cidade dos Leões em França. Ou seja, é de Lyon que nos presenteia com textos que nos fazem pensar, com argumentações pertinentes e com uma simpatia sem igual. Em jeito de curiosidade, reve-lo que o Olympique Lyonnais é a equipa que apoio em França. 

Screenshot_20190802_220348_com.android.chrome.jpg

 

Portanto, parece-me mais do que justo convidar-vos a ir ao espaço dela espreitar as coisas boas que escreve e, quem sabe, meter o "bedelho" na caixa de comentários. Ela vai gostar e vai receber-vos de braços abertos.

Por último, fica o meu agradecimento para com a gentileza que teve ao considerar que este meu espaço era digno de ser visitado pelos seus leitores. Também por isso acho que merece o nosso miminho de umas belas visitas.

Podem ir ter com ela aqui.

 

Redes sociais

Palmarés da minha vida

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Redes sociais

Baú de corridas no blogue

Em destaque no SAPO Blogs
pub