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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

16
Jul19

Se o tens, usa-o


João Silva

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Ao fim deste tempo todo e por ser um "brinquedo" que tanto quis para tornar a minha prática desportiva "mais séria", já devia utilizar o relógio GPS sem qualquer problema.

Na verdade, não estou a falar de problemas técnicos no manuseamento, refiro-me ao que (não) faço com o relógio em treinos técnicos ou em provas: consultá-lo durante e usá-lo como uma estratégia.

Infelizmente, consulto-o sobretudo para ver a distância percorrida, para os timmings de abastecimento ou para cronometrar as séries.

Contudo, fica a faltar uma parte importante: olhar para ele como ferramenta de análise da percorrida distância e do tempo decorrido e, com base nisso, "atacar", que é como quem diz: para aumentar o ritmo.

Já sabia que olhava pouco para o relógio. Tal aspeto tinha e tem uma razão: ao ver que estou abaixo do que pretendo e consigo, posso desanimar e criar pressão desnecessária.
No entanto, é necessário saber lidar com isso. Apercebi-me da falta que me faz essa gestão durante a última meia maratona da Figueira da Foz.

Se me tivesse dado conta do quão já tinha avançado, poderia ter aumentado o ritmo mais cedo, mas optei por não o fazer.

É um erro. Não se trata de mais do que um mero objeto, não é possível que nos domine. Portanto, um dos propósitos para os próximos meses é lidar com isso, não ter medo dessa "pressão extra", porque é precisamente esse peso que vai gerar uma evolução positiva, que vai servir para dar aquele "bocadinho" a mais para chegar a um melhor tempo.

Acredito que as linhas anteriores possam gerar alguma estupefação, todavia, não me causa transtorno reconhecer que existem "bloqueios" que me impedem de chegar um pouco mais longe.

15
Jul19

O tempo dos treinos conta para quê?


João Silva

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Bater o nosso recorde pessoal num treino deve contar o mesmo que um recorde pessoal batido numa prova?

Se sim, porquê? Se não, porquê?

Todos nós nos guiamos pelos resultados das provas e olhamos para os tempos nos treinos como um mero indicador de evolução positiva ou negativa. Mas, ainda assim, deixo a pergunta: o que confere à prova o direito de nos "dizer" que aquele tempo é que conta?

Bem sei que os treinos não têm o cariz motivacional nem competitivo de uma prova. Contudo, se consigo o meu melhor tempo num treino em que não tenho "adversário", esse elemento devria conceder-lhe o direito de ser designado como "recorde pessoal". Pelo menos, vejo a coisa dessa forma. Vocês não?

Sigo os seguintes lemas (quase à letra): a prova é o reflexo do treino e compito como treino. Desse ponto de vista, não acredito que consiga derrubar um RP se não treinar bem, mas o contrário é perfeitamente possível.

Não quero mudar as regras do jogo e nem isso me preocupa minimamente. Até agora, nunca consegui um resultado pessoal melhor num treino do que numa prova.

Porém, esta reflexão visa apenas mostrar que não temos de seguir obstinadamente determinadas ideias. Correr (desesperadamente) por um RP numa prova quando este já foi alcançado no treino pode não ser a melhor forma de encarar este desporto. Reitero aquilo que defendo: correr não são números. Correr e ser corredor é uma forma de vida, é uma paixão difícil de explicar.

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14
Jul19

Es bringt mich auf die Palme ou deixa-me com os nervos em franja


João Silva

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Prometo ser rápido neste meu desabafo.

No fundo, isto é apenas uma forma de expor algumas coisas que me irritam na comunicação atual.

Devido à "explosão de entendidos" em tudo e mais alguma coisa e à existência, cada vez mais intensa, de informações disseminadas com o intuito de servir como contrainformação.

Ora bem, parece que o grande negócio dos últimos anos é a alimentação e a forma como se vendem sonhos de forma artificial e repentina.

Então, como não se olham a meios, confundem-se as pessoas.

E depois somos presos por ter cão e por não ter.

Exemplos: temos de comer proteina, mas depois a proteina tem de ser vegetal e não animal, de seguida, a vegetal já não é totalmente acertada porque implica a ingestão de determinadas vitaminas para ser fixada no organismo. Os hidratos de carbono com elevado índice glicémico foram demonizados, mas depois percebeu-se que um atleta exposto a atividades que requeiram muita energia precisa desses hidratos para que as reservas de glicogénio sejam ampliadas rapidamente.

Além destes, temos a boa ideia de que a ingestão de fruta é obrigatória. Depois vêm os "pregadores" e atenção porque muita fruta vai ser armazenada sob a forma de gordura.

Por último, aquela irritação que é visceral para mim: os legumes são o melhor que podemos comer (e são), mas atenção, alguns deles podem ser cancerígenos quando ingeridos com a casca porque esta é impregnada com inseticidas e outros químicos pelos produtores.

Tudo isto é verdade, mas e o meio termo onde fica?

É caso para dizer: meus senhores, entendam-se, não vendam mentiras porque não se brinca com a alimentação.

Como se percebeu ao longo dos últimos anos, a indústria alimentar "perdeu" com a disseminação e a descoberta de informações nutricionais. Os consumidores tornaram-se mais exigentes e mais conhecedores. Conclusão: foi necessário reinventar o negócio (até aqui tudo perfeitamente normal e aceitável) e algumas empresas entenderam que a melhor forma seria financiar estudos que aterrorizassem a população. 

Portanto, é caso para dizer: nunca nada está bem. E isso confunde as pessoas, porque, desde logo, elas próprias "querem" determinadas respostas.

13
Jul19

Resultadistas puros ou apaixonados pela arte?


João Silva

 

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Trata-se de uma dúvida que me assola muitas vezes.

Nesse sentido, vou expô-la aqui para me possam ajudar. Conto, portanto, com a vossa participação e opinião.

Seja neste ou noutro desporto qualquer, no vosso entender, o que conta mais: ser uma pessoa "fria" e pragmática, olhando apenas para os resultados e definindo assim o sucesso ou insucesso da sua carreira (amadora ou não) ou ser alguém com uma grande dedicação à execução e ao desporto mas com resultados menos bons?

Não me interpretem mal, é possível ter um pouco de cada. Contudo, ao lidar com determinadas pessoas ligadas ao desporto que pratico, percebo que o que as motiva é o tempo e não o processo.

Posso perfeitamente falar do meu caso: em 2018 tive os meus melhores resultados, os tempos foram caindo gradualmente (à exceção da última corrida do ano), mas eu ficava frustrado de cada vez que não baixava um tempo, mesmo que por milésimos de segundo. Não desfrutava. Em 2019, até à data, estou a ter o pior ano como atleta em termos de tempos mas estou a desfrutar de cada pessoa que (re)encontro e de cada corrida que faço. 

Então, pela lógica de muitos, em 2018 era um "bom" atleta e em 2019 sou "fraco"? 

Pois, uma coisa é certa: há sempre um combustível para o que fazemos. Naturalmente que os bons tempos são sempre desafios aliciantes e um elemento motivado perfeitamente legítimo. Porém, quando não saem isso é motivo para colocar tudo em causa e o desportista que era bom passou a mau? Para mim, não, de todo mesmo.

No virar do ano, percebi que os abusos que fiz do corpo iam ser pagos em 2019. E têm sido, com direito a extra na cobrança.

Por outro lado, continuo a treinar com o mesmo afinco e expor-me a grandes cargas. E a mudança e respetiva explicação para a quebra nos resultados está precisamente aí: não perdi valor, percebi que o que me motivava eram os quilómetros e não os tempos, o desporto em si e não as provas em específico. Com isso, descurei dias de descanso e ignorei sinais do corpo. Uma vez mais, a fatura paga-se e as pequenas lesões aparecem com uma frequência enorme. 

No entanto, discordo completamente de que só se é um vencedor quando se "ganha" (relativizando sempre esse ganhar em cada caso ou desporto).

Para reforçar a minha tese, falo do exemplo que me é mais caro no mundo do desporto na atualidade: José Mourinho vs Jürgen Klopp. 

Um ganha que se farta mas joga pessimamente (e atenção, fui um enorme fã dele no FC Porto, no Chelsea FC e no Internazionale), o outro joga muito, cuida um estilo muito vistoso, mas chega a muitas finais e perde. À sua maneira, ambos são monstros de motivação, o que só prova que os dois modelos (resultadista vs persistente) são compatíveis, mas um ganha e outro não.

Pois bem, confesso que me identifico mais com o segundo caso que expus: mesmo perdendo, o que é sempre uma frustração, a gestão da derrota e a capacidade de reinvenção e de resistência está lá, o que significa que é um campeão, que é um vencedor. E isso tem um extra: quando a vitória efetiva chegar, a realização será muito maior.

Seja em que desporto for, às vezes sinto que mais vale morrer a tentar chegar lá do que chegar lá imediatamente e "morrer". Não interessa ganhar a todo o custo, por isso, prefiro o processo, que é moroso e exige persistência.

12
Jul19

Jejuar porque sim ou porque ajuda?


João Silva

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A eterna questão na alimentação: moda ou fundamento?

Confesso que procuro informar-me primeiro antes de cair em tentação em relação a muitas modas alimentares que servem o propósito do comércio e da estupidez e não da efetiva ajuda biológica.

Não adoto nem tolero mudanças no meu sistema alimentar se não vierem para me beneficiar.

Com efeito, a questão não é nova e já há imenso tempo que ouvia falar na importância do jejum intermimente no funcionamento do organismo.

Curiosamente ou não, de forma acidental tropecei num documentário científico sobre o assunto. Gostei do que ouvi, mas, tal como eles na peça, não recomendo ninguém a fazer isso sem consultar primeiro o médico de família.

Não o pratico e confesso que não estou inclinado para isso. O sistema que adotei funciona na perfeição comigo e, na pior das hipóteses, aumento a carga de treinos, caso queira destruir algum excesso cometido.

No entanto, devo confessar, fiquei surpreendido, porque o jejum intermitente pode contribuir decisivamente para o combate ao cancro.

Antes de falar nessa parte, importa referir que o jejum intermitente mais comum assenta fundamentalmente no sistema 16:8: 16 horas de jejum e 8 horas em que é possível ingerir comida. A partir de determinada hora, não comer fará com que o organismo tenha de recorrer às reservas existentes.

Primeiro são eliminadas as reservas de glicogénio, de seguida as de proteina e, somente numa fase mais prolongada, as reservas de gordura.

Portanto, no primeiro dia, vamos sentir-nos "eufóricos" porque o corpo segrega adrenalina. É a sua resposta para manter as funções vitais e de vigilância ativas. Por conseguinte, a reação inicial ao fim de algumas horas de jejum consiste numa "dose extra" de energia.

Terminadas as reservas de glicogénio, são atacadas as reservas de proteína. Não havendo acompanhamento, o perigo pode estar aqui, porque cria-se a sensação ilusória de perda de peso, quando, na verdade, estamos a perder água e massa magra. O corpo só vai explorar e eliminar a massa gorda quando já não dispuser de qualquer das outras reservas. Portanto, num segundo dia consecutivo, vai embora a euforia e fica a fadiga e a incapacidade para pensar ou atuar. Contudo, voltamos a ficar melhores, mais espevitados e mais enérgicos quando entramos no terceiro dia de jejum.

Por outro lado, quando entra nesse sistema de jejum, o organismo baixa o nível de inflamações, regula a temperatura corporal e ativa o modo de sobrevivência, regressando ao passado, onde existia escassez de comida.

Retomo agora a parte de auxílio no combate ao cancro: embora ainda careça de mais estudos confirmativos, a investigação científica concluíu que o estado de jejum conduz as células cancerígenas a um "esquema" de autofagia. Isto é: aquelas células só inflamam e, para tal, recorrem a tudo o que ingerimos, tendo especial aptidão pelos açúcares, sobretudo, pela glicose. Desse modo, não havendo ingestão de alimentos com esse nutriente, aquelas células vão-se comendo a si próprias.

Naturalmente, não estamos a falar de um processo que ocorra da noite para o dia, pelo que o sistema de jejum intermitente tem de ser adotado durante algum tempo de ininterruptamente.

Ainda assim, parece-me uma excelente notícia, repleta de esperança para ajudar a eliminar o grande flagelo da atualidade.

Por outro lado, volto a frisar: quem pretender fazer jejum deve consultar primeiro um médico, pois os riscos são muito elevados, principalmente, se tivermos em conta que as pessoas só se preocupam com resultados rápidos e, como é sabido, a rapidez é inimiga da perfeição.

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11
Jul19

Ai metabolismo, ai metabolismo que é o meu!


João Silva

O nosso metabolismo consiste, no fundo, no conjunto de transformações químicas que ocorrem no nosso corpo e que contemplam, essencialmente, a alimentação, uma vez que este é o fator que permite fenómenos de anabolismo (produção de energia a partir de moléculas simples) e de catabolismo (produção de energia a partir de moléculas mais complexas). Assim, quando o catabolsimo é superior ao anabolismo, ocorre perda de massa no organismo.

Por isso se fala tanto no metabolismo, sobretudo, quando nos queremos referir ao facto de termos fome com muita frequência e de o nosso organismo transformar o que ingerimos em reservas de gordura.

No meu caso, por exemplo, se me descuidar com a alimentação, absorvo com alguma rapidez tudo o que ingeri e ganho peso com facilidade. Cada corpo tem o seu próprio metabolismo e, por isso, é que existem pessoas extremamente magras que ingerem "toneladas" de comida pouco saudável.

É uma espécie de roleta russa (justa ou não essa é outra questão) e, segundo consta, o aspeto genético também contribui imenso para o aumento de peso repentino. Contudo, o metabolismo não pode ser visto como desculpa para tudo, isto porque o nosso estilo de vida, o nível de desporto que praticamos e o tipo de alimentação que cuidamos também se revelam extremamente importantes para domarmos ou estimularmos a produção de energia no nosso organismo.

Sinto fome com muita frequência. Porquê? Porque o meu volume atual de treino obriga o meu corpo a produzir energia de forma constante e isso explica em grande parte porque sinto imensa fome nos meus dias de folga. Considerando que normalmente estou em "perda" diária de energia, quando paro, o corpo precisa de repor tudo e essa reposição provoca mais fome.

E isto serve para dizer o quê? Que é necessário ter cuidado com o que comemos: devemos, por exemplo, preferir um legume ou uma peça de fruta a um doce numa situação de défice do organismo, já que este vai absorver tudo imediatamente. Daí o problema dos produtos processados de que tanto se fala. Uma vez que o objetivo da indústria não é a nossa saúde mas a nossa dependência, as substâncias químicas que eles usam (algumas tóxicas e outras cancerígenas) serão "adotadas" pelo nosso corpo.

Por último, esta questão do metabolismo também é muito pertinente para explicar melhor a razão pela qual não há um padrão universal de alimentação capaz de "salvar" qualquer pessoa de ganhar uns quilinhos a mais. Importante em todo o caso é compreender a constituição de tudo o que comemos e optar por dar ao corpo nutrientes "úteis" para aumentar a saciedade e a produção energética que vai deixar o nosso organismo em homeostasia. Ou seja, num estado de equilíbrio.

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10
Jul19

Uma gala sem "galo"


João Silva

É apenas uma lamentação: devido a um compromisso familiar inadiável, não pude marcar presença na Gala de aniversário da minha equipa, a ARCD Venda da Luísa, o que me deixa pesaroso. 

Não só por ser uma data tão importante para o clube, que, como tantos, com tão pouco tanto faz, mas também por ser mais uma oportunidade para cimentar o meu entrosamento e, porque não dizê-lo, para conhecer os novos membros que entretanto foram "recrutados". A verdade é que ainda nem um ano passou desde que me juntei a esta equipa e já sinto que faço parte dela desde o início. Isso só prova que existe um companheirismo genuíno entre os vários elementos. Naturalmente que há uns que nos dizem mais do que outros. É sempre assim em qualquer equipa, sobretudo, numa que já deverá contar com perto de 80 atletas na modalidade de atletismo. Sim, porque o clube também conta com outras secções, entre as quais, o merecido destaque para o futsal feminino. As "nossas" meninas mantêm a equipa A no campeonato nacional de futsal e a equipa B bem posicionada a nível regional. 

Portanto, a passada noite de 6 de julho foi seguramente um excelente momento de convívio, onde houve igualmente lugar à entrega de prémios aos atletas que mais se destacaram ao longo dos últimos meses.

Ainda assim, mais oportunidades haverá e, em novembro, de certeza que haverá convívio com aquela família toda, pois realiza-se a última das 4 corridas 4 estações de 2019 e a terra Venda da Luísa é o palco da mesma.

Até lá, "resta-me" ir convivendo com a malta através do nosso grupo em redes sociais, de treinos com alguns dos elementos e, quem sabe, durante as festas em honra de Santa Cristina, santa padroeira de Condeixa. O "certame" arranca no dia 18 de julho, portanto, já falta pouco.

E depois das férias da maioria do pessoal vem um mês de setembro onde espero encontrar muitos elementos da equipa, pois a 08 de setembro temos a Eco Meia Maratona em Coimbra.

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09
Jul19

Trepar a serra em (boa) companhia


João Silva

Nesta saga interessante de treinos longos e duros, o primeiro fim de semana de junho marcou uma ida minha à serra...sempre acompanhado pela Sandra e pela Isabel. 

Uma espécie de trilho maravilha.

Deixo aqui o vídeo como "prova" dos acontecimentos, mas tenho perfeita consciência de que não consegue transmitir a dureza que enfrentámos.

08
Jul19

Cada um é como cada qual...e não tem mal


João Silva

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Não muitas vezes me apetece "resmungar" com a vida por me ter oferecido uma biologia manhosa.

Mas é o que é e temos de lidar com aquilo que nos saiu na rifa.

E de que falo?

Daquele "maluco" que temos dentro de nós e se chama metabolismo. Basicamente, o processo orgânico de transformação de energia e funcionamento do nosso corpo.

E isto leva-nos àquela afirmação (não correta a 100 por cento) de que temos uma boa ou uma má predisposição genética.

E isso nota-se onde? Naquilo que dizemos em tom de brincadeira: só podes ser ruim, comes sem parar e não engordas (não é necessariamente bom, considerando que não engordar não significa ser saudável).

Ainda assim, apesar de (ter de) me conformar com isso, não deixo de praguejar em determinados momentos. Há alturas em que aumento o consumo de alimentos (como já disse, nesta fase da minha vida, a dose é o veneno e não a tipologia dos alimentos: não como porcarias mas como muito de determinadas coisas). E o que sinto? Que se aumentar a ingestão de comida e me desleixar um pouco na parte da alimentação, em pouco menos de nada noto que ganho volume (é o mais normal, por exemplo, quando se comem muitas leguminosas ou aveia - às vezes também em produtos com glúten, mas, nesse caso, porque o glúten tem uma componente inflamatória associada) e, pior, peso.

Como já sei que isso acontece, tenho de manter sempre o alerta e não me posso descuidar ou, na pior das hipóteses, aumentar a carga dos exercícios. Qual é o inconveniente? É que, por muito que adore praticar desporto, vou entrar rapidamente em sobrecarga, fico mal humorado e, pior do que isso, abro espaço às lesões.

Como isto é um círculo (e não um ciclo) vicioso, aumentar o exercício origina o aumento da fome, pelo que há a tendência para ingerir mais alimentos.

No meio disto tudo, parece-me, pela experiência, que é necessário manter a calma. Primeiro, cada um tem o seu organismo. É de senso comum dizer que alimentos como a aveia saciam durante mais tempo. Comigo, talvez pela prática de tanto exercício, isso não acontece. O mesmo em relação à batata doce.

De seguida, outro aspeto relevante, que, inclusivamente, já foquei nos artigos das mitologias alimentares, é o inchaço/volume que se ganha e que não é aumento de peso. Ninguém engorda pelo que comeu num dia. Vai aumentar o seu volume, sobretudo, ao nível da barriga, mas porque o organismo precisa de digerir toda a comida. Contudo, não vai ganhar peso no imediato. Se tiver uma alimentação diráia de base muito saudável e praticar exercício, os excessos vão ser expulsos do organismo.

A este propósito, eu próprio tive algumas dificuldades em aceitar essa verdade e o quão me fiz sofrer à conta disso. É que, acreditem, pensar nas coisas como elas são de facto ajuda a fazer desaparecer o sentimento de culpa (que não deve estar presente).

E o vosso metabolismo também é uma espécie de monstro voraz que vive dentro de vós e que desfaz tudo o que lhe dão em três tempos?

Também têm um "bicho" insaciável dentro de vós? 

Contem lá as vossas experiências.

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07
Jul19

Best of...


João Silva

Nos próximos dias, passarei aqui em revista alguns dos vídeos que fui compilando nos meses de maio e de junho.

No fundo, é uma partilha convosco dos meus momentos (sozinho e posteriormente acompanhado) na estrada (e, por uma vez, em serra - mas onde raio tinha a cabeça).

Conto com as vossas visualizações e com os vossos comentários.

Gostava de saber se também têm desenvolvido algum interesse por registar alguns momentos de treinos.

Falo por mim, passo por zonas tão distintas e esplendorosas e tenho uma vontade voraz de registar tudo que só podia mesmo encontrar uma solução para gravar os melhores momentos.

 

06
Jul19

E que no segundo semestre...


João Silva

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No ano passado, tinha imaginado este semestre como um mais propício a meias maratonas.

À partida, contava com quatro, uma maratona (Porto) e quatro provas de 10 km. 

Infelizmente, algumas contrariedades pessoais fizeram-me deitar por terra esses planos. Certa (se não me magoar ou não tiver nenhuma notícia nefasta) está a Maratona do Porto. Logo desde o início que esse era o meu maior objetivo para a segunda metade de 2019. À exceção dessa prova, se tudo se proporcionar nesse sentido, poderei correr uma ou duas meias maratonas e uma ou duas provas de 10 km, mas, por agora, tudo é uma incógnita.

Em termos de provas, de facto, haverá uma redução, o que, por outro lado, me permitirá fazer treinos mais duros e de forma mais permanente. Portanto, como as provas são sempre aquele momento especial, falarei delas depois de expor os meus objetivos em termos de treinos.

Nesse sentido, de julho a setembro (altura da primeira meia maratona que supostamente farei), prevejo treinos longos, se possível, na ordem das 2h30 a 3h00, pelo menos, duas a três vezes por mês. A partir de meados de setembro entra em marcha o plano de calmia para garantir que chego bem e em forma à maratona do Porto.

Prevejo "trepar" mais serras por estrada, foi algo que me fascinou em maio e deixou-me água na boca para conseguir chegar a terras como Alcouce, Almalaguês ou mesmo Miranda do Corvo.

Ao nível da corrida, tratarei de implementar algns treinos de séries e de fartleks, elementos que descurei desde finais de março e que são muito importantes para tentar aumentar a velocidade e a capacidade de "explosão" do organismo. Ou seja: pretendo aumentar o VO2máx.

Foi algo que me ficou no coração e que pretendo repetir com alguma frequência: treinos em serra/estradões com colegas da equipa.

Mas não ficam por aqui os meus desejos ao nível do treino: aperfeiçoar e implementar novos exercícios de reforço muscular relacionados com saltos e que melhoram a capacidade respiratória e a agilidade. Além disso, pretendo igualmente aumentar exercícios de reforço do core.

Contudo, existe uma modalidade que espero praticar com muito mais frequência e distâncias monstras: ciclismo de estrada. Ainda assim, a prioridade é ter uns calções próprios, pois não queria mesmo nada deixar de ser humano e passar a ser um babuíno.

Deixando de parte os treinos, cuja planificação passará a ser sobretudo quinzenal e não mensal, pois tal permitir-me-á ter uma melhor noção da minha evolução e uma maior flexibilidade em termos de sessões a realizar.

Para último, ficam os objetivos "práticos", aqueles relacionados com as provas: não é segredo nenhum que o maior objetivo é sempre reduzir os tempos realizados. Assim sendo, na corrida de 10 km pretendo ficar nos 41 minutos; na meia maratona quero quebrar finalmente a barreira sub-1h30 e, para o maior evento, a maratona, pretendo fazer melhor do que as 03h33'35''. Tenho a vontade de tirar três minutos ao tempo passado, mas três minutos pode ser visto como excessivo, implica alguma subida de ritmo e isso pode sair-me caro. 

Seja como for, mais perto das provas saberei como estarei.

Um outro objetivo inerente às provas, especificamente, às mais curtas, é revelar uma capacidade de explosão mais duradoura nos 10 km, mantendo uma respiração curta mas eficaz e cuidar um ritmo constantemente elevado entre o quilómetro 10 e o 15 da meia maratona.

05
Jul19

Retrato numérico do semestre passado


João Silva

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De forma a fechar em definitivo o capítulo do primeiro semestre de 2019, deixo abaixo os números "da verdade".

A saber:

  • 8 provas: 3 corridas de 10 km, 2 meias maratonas, 2 trails, 1 maratona;
  • Tempo nas provas: melhor dos 10 km - 46'48'' na 4 estações de Coimbra; melhor das maratonas - 01:42'25 na Figueira da Foz; trail (15 km) - 01:36:17 no Trail de Sicó; maratona - 03:49'26 na Maratona da Europa em Aveiro;
  • Treinos: 2253,130 km percorridos (dos quais: 1611, 680 km em corrida num tempo total de 153:53'22"; 417,81 km em bicicleta estática; 73,100 km em caminhadas; 150,540 km em bicicleta de estrada); 160 horas de reforço muscular; 28 dias de descanso;
  • O mês mais "fraco" foi o de fevereiro com 248,210 km percorridos em todas as modalidades de treino;
  • O mês mais forte foi o de junho com 630,720 km percorridos em todas as modalidades de treino;
  • O mês de junho foi aquele em que tive mais sessões de treino: foram 60;
  • Maior desnivelado acumulado em subidas: junho com 5540 m em todas as modalidades;
  • Maior desnivelado acumulado em descidas: junho 5532 m em todas as modalidades;
  • Melhor velocidade média registada em junho com 11,68 km/h em todas as modalidades;
  • Menor velocidade média registada em maio com 9,67 km/h em todas as modalidades;
  • Sessões de ioga superiores a meia hora: 10, concentradas entre maio e junho;

 

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- Registo de todos os desportos praticados

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- Registo das corridas desde agosto de 2018

 

 

Curiosidades da aplicação do meu relógio Geonaute Move 220:

Consecutivamente, passei 08 dias 21 horas 59 minutos e 05 segundos a fazer desporto (sem contar com o trabalho de reforço muscular); percorri 2253 km, ou seja, fiquei a 347 km de atravessar o continente europeu e perdi aprox. 138 397 kcal, ou seja, o equivalente a 127 mega hambúrgueres.

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04
Jul19

Muita parra, alguma uva


João Silva

Esta é a forma de resumir o meu primeiro semestre.

A muita parra deve-se ao volume de treinos que tive. Nunca um semestre tinha sido tão produtivo a esse nível. Muitos treinos de corrida, muitos treinos longos, subidas novas e em abundância. Além disso, muita diversidade daquilo a que chamo treino alternativo: aperfeiçoei a prática do ioga, aumentei a carga do treino de reforço muscular, introduzi a bicicleta estática de forma mais constante como elemento de regeneração e ainda houve tempo para algumas caminhadas suplementares e para experimentar um desporto que tem um lugar bem quente no meu coração: o ciclismo de estrada.

A juntar à descrição anterior e o verdadeiro motor "prático" da minha planificação, participei num número considerável de provas. Foram 8 no total, tendo faltado a uma onde já estava inscrito devido a motivos pessoais. Até por aí foi uma estreia.

Perante toda aquela parra, a uva foi consideravelmente escassa. Ou seja: trabalhei tanto em treinos e depois não consegui transpor esse fortalecimento e essa evolução para as provas. De forma objetiva, em relação a 2018, os resultados foram inferiores. Não terá sido apenas o cansaço a contribuir, houve alguns descuidos em aspetos importantes, mas a sobrecarga a que me sujeitei foi mesmo o meu calcanhar de Aquiles.

Das oito competições, seis estiveram abaixo do que previa. As outras duas, as últimas, também, mas já revelaram alguns sinais de retoma, por isso, tenho de as excluir da primeira categoria.

Além do cansaço, teve também um peso muito forte no decréscimo o facto de não ter definido boas estratégias de gestão do esforço. Em algumas provas - lembro sobretudo da meia maratona de Ílhavo - quis muito em pouco tempo e depois não me encontrei mais.

Como último fator desta trilogia, sem dúvida, foi crucial ter começado a pensar mais com o coração e menos com a cabeça. Não me foquei tanto nos resultados (talvez por saber que não atingiria o que pretendia à partida?) e procurei viver mais. Não me arrependo e acrescento ainda: em boa hora o fiz.

Ter cedido na rigidez fez-me perceber o quão importante é absorver informação dos outros (boa e má) para podermos evoluir.

Foi igualmente o semestre em que comecei a refletir por escrito neste espaço sobre tudo o que envolve a (minha) corrida e a (minha) alimentação.

Desde então, tem sido reconfortante tanto feedback. Confesso que não esperava, principalmente, por parte de pessoas que não conhecia e que estabelecem contacto para tirar uma ou outra dúvida. Algo a continuar, sem sombra de dúvida.

Apesar de a nota não poder ser uma positiva perfeita, devido aos resultados, é, indubitavelmente, positiva pela experiência, pelas descobertas, pelos desportos que experimentei, pelas pessoas que conheci (melhor) e, não podia deixar de ser assim, pela maratona feita em Aveiro. Foi a segunda, o tempo foi inferior - também não há comparação porque os percursos são distintos - mas foi aquela distância que me deixa positivamente ansioso.

Para último, fica a menção e o obrigado à pessoa mais importante da minha vida, que é simultaneamente minha esposa, amiga e treinadora. Não desfazendo de ninguém mas é a pessoa com quem partilho tudo e que acredita em mim (muito) mais do que eu próprio.

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03
Jul19

É bom, dá pressão, mas faz bem ao coração


João Silva

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Não me arrependo nada de divulgar a minha história.

Nada dela.

Mas tenho um enorme defeito: sinto-me pressionado.

Sabe-me bem ouvir os elogios e poder partilhar o que fui e onde estou agora. Faço-o sempre com um sorriso nos lábios (e nos olhos). Seguramente que é genuíno.

Porém, não consigo deixar de pensar que existe um lado negro desta exposição toda a que me submeto: há quem fique mais atento à minha pessoa e aos meus passos e quem espere uma escorregadela para dizer, cheio de si: "eu já sabia que não ia durar" ou "foi sol de pouca dura". E isso, quer eu queira quer não, pressiona-me.

Não me deixa falhar nem soltar algumas amarras em determinadas situações. As pessoas esperam que aja de uma determinada maneira por ter emagrecido. Na verdade, é como estar com um humorista: estamos sempre à espera de os ver dizer piadas e, quando não o fazem, deixamos de lhes achar graça.

Por outro lado, esta pressão que meto em mim e que sinto na sequência de tudo isto também me dá mais força, porque "sedimenta" o meu trabalho e o meu esforço até aqui (daí ser uma pressão que me aquece o coração) e reforça a minha maior virtude: a força de vontade.

Resumindo: é bom, dá pressão (interna e externa), mas faz-me sentir muito especial e faz-me querer continuar a agir como tal. 

Apesar de tudo, esse é o elemento que retiro dessa pressão e que tenho conseguido transformar em combustível.

Não faço mais desporto porque os outros acham que sou um bicho que só quer correr ou pedalar, faço-o porque me faz feliz e porque me ajuda a suportar muitas situações, algumas delas mais emocionais. É impossível explicar a algumas pessoas de que forma o desporto me retira alguma carga negativa.

Portanto, a pressão pode ser asfixiante, não o nego, porque cria uma expectativa nos outros em relação à nossa pessoa e ao nosso comportamento, mas, por outro lado, pode e deve ser transformada numa ação contínua. Numa vontade permanente de agir melhor.

Sim, agir, não falar. Como dizem os meus queridos alemães: "den Worten Taten folgen lassen" (fazer mais e falar menos).

 

02
Jul19

O lado B(OM) disto tudo


João Silva

Talvez tenha começado a reparar mais nisso agora que a história foi mais exposta. Além disso, também não sou crente (em nenhum sentido): bem sei que algumas pessoas se sentiram tocadas por estarem a ser "bombardeadas" com os elogios que choveram nas minhas redes sociais e dos quais fui dando conta. Algumas delas do mundo das corridas.

Mas não me importo. Muito pelo contrário: quando as pessoas me dizem algo como "eu também perdi muito peso", "eu também já fui obeso" ou "eu também recorri à corrida para emagrecer", fico feliz. Mais do que roubar protagonismo, sinto que foi preciso um precursor, um elemento capaz de se chegar à frente e de dizer sem problemas: fui gordo, já não sou, tive problemas, sofri, mas dei a volta. No fundo, sinto que acabei por funcionar como estimulador para que algumas pessoas "saíssem" do armário das gulodices e assumissem e contassem a sua história. E têm sido tão boas. Tenho ouvido muitas e tantas tão boas. Nenhuma igual, mas (quase) todas com um denominador comum: a corrida, o que ainda me engrandece mais o coração.

Independentemente de tudo o resto e da boa ou da má fé das pessoas e dos seus elogios à minha história: para dar cabo do flagelo que é a obesidade é preciso haver pessoas como nós, sem medo de contar e mostrar. Contudo, para mim, é absolutamente essencial transmitir que é possível mudar, mas faço tudo para evidenciar que só lá vai com tempo e dedicação: não é de um dia para o outro.

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É um cliché afirmar isso, mas só quando se sente tudo na pele é que se pode perceber que existe fundamento naquela declaração.

Por fim, em tom de conclusão, deixo o pedido para que não tenham medo de falar nem de se mostrar. Haverá coisas más na exposição, como o facto de reverlarmos um lado mais débil de nós ou de podermos ser "minados" com comentários como "vais voltar para lá outra vez". Algo que aprendi e já não foi nesta fase foi que haverá sempre gente pronta a dizer "eu bem disse que não durava" na hora em que existir alguma falha. Mas querem saber o melhor? Pouco ou nada importa. Depende tudo da própria pessoa. Acreditem, se fosse fácil fazê-lo de forma sustentável e saudável, não haveria tanto produto nem tanta "banha da cobra" à venda no mercado. Portanto, se chegaram lá com o vosso empenho, só se devem orgulhar disso e, dentro do possível, continuar no mesmo caminho.

 

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