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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 72 kg graças à corrida e a mudanças na alimentação. Desde então, o contador vai em 35 provas: 19x10 km, 7 trails, 7 meias maratonas e 2 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 72 kg graças à corrida e a mudanças na alimentação. Desde então, o contador vai em 35 provas: 19x10 km, 7 trails, 7 meias maratonas e 2 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

31
Jul19

Mas que belo 31...


João Silva

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Como disse a Nala no passado dia 23 deste mês, a Alala abriu as "hostilidades" no seu blogue.

A Nala foi mais longe e da infância levou-nos à idade adulta.

Ora como o assunto é interessante e andei às aranhas para decidir se escrevia ou não um post neste dia, vi naqueles textos a razão certa para escrever hoje. 

Neste dia, este vosso estimado completa 31 anos. Uns dirão que ainda sou tenrinho, outros que já sou velho e outros serão completamente indiferentes a tudo isso porque têm mais que fazer na vida.

Uma coisa é certa: as aparências iludem. Espremidinhos, estes 31 já têm bom suminho para oferecer.

Peripécias e vivências todos têm na vida, não coloco as minhas acima das dos outros. No entanto, por ter passado por elas, têm, obviamente, um peso diferente. 

Posto isto, pegando na ideia da Alala e, tal como lhe disse em comentário, tenho a certeza de que a criança que fui tem muito orgulho no homem que hoje se olha ao espelho. Bem sei que esta observação pode parecer prepotente, mas é um risco calculado. Ter crescido no seio de violência doméstica física e verbal e ter conseguido manter esses fantasmas à distância leva-me a ter a certeza de que aquela criança que cresceu num meio sem posses financeiras tem imenso orgulho no homem em que se transformou.

Não entrarei em pormenores em relação a esses assuntos, a única pessoa com verdadeira noção do que vi e passei é a que apresento na foto. Não tenho problemas em expor a situação nem em divulgá-la para que possa ajudar outras pessoas, mas este espaço não serve tal propósito.

Portanto, deixando a infância de parte e passando à parte abordada pela Nala, acho que sou o adulto que gostaria de ser.

Durante anos, também fruto da instabilidade familiar e parental que sempre presenciei, procurei saber e encontrar em mim aquilo que queria ser. Para ser franco, nunca andei longe, mas só há três anos, quando comecei a mudar a minha vida, sempre com a ajuda da minha companheira, amiga, mulher, esposa, cúmplice e alma gémea, é que percebi finalmente qual o meu caminho.

Estarmos connosco e lidar os com os nossos defeitos é tramado e dá muito trabalho, é desagradável. Por isso, preferimos todos passar os dias a dizer que não temos tempo, a viver pelo que os outros nos mostram, mesmo sem sabermos se é verdade, e a assobiar para o lado. 

Não sou mais do que ninguém, mas, normalmente, passo muito tempo a analisar o meu comportamento. Por vezes até de mais, por vezes, vendo coisas que não correspondem à verdade dos factos. E é aí que o sentido prático e racional da minha esposa me ajudam.

Não sei se chegarei onde quero, mas sei o que terei de fazer para lá chegar. Não nego as minhas origens, mas não tenho orgulho nelas, limito-me a aceitar que existem e que são independentes de mim.

Antes de terminar, refiro ainda que, graças às redes sociais, todos sofremos (prestamo-nos a isso) porque nos comparamos. Desde que, mais uma vez, graças a quem tenho, percebi o meu valor e o meu caminho, aceitei-me e sou mais feliz assim. Aceitar-me não foi ser condescendente e paternalista com tudo o que faço, foi perceber que há muita coisa que faço bem como ser humano e que há muita asneira por mim cometida a precisar de ser corrigida.

Em jeito de conclusão, confesso que fico muito feliz por envelhecer. Não me atemoriza, talvez porque fui obrigado a enfrentar algumas coisas que fazem crescer pelos no peito. Ainda não tenho cabelos brancos, mas até gostava (quando vir isto, a minha mulher "mata-me" =)).

Este 31 é um dos grandes! Fico feliz por isso.

O que me agrada mais em toda esta mudança iniciada há quase três anos? Apesar de serem coisas que valorizo, não é a capacidade atlética, não são os músculos, a tonificação, o aspeto. O bem mais precioso de tudo isto foi a autoestima, que veio cimentar e vincar traços meus que me deixam no caminho certo para me tornar ainda mais no adulto que quero ser.

Além do desporto, o outro grande responsável por tudo isto dá pelo nome de Diana Carreira. Já lá vão quase 10 anos e meio. Ainda é pouco para o nosso objetivo 😉

 

Um bem haja a todos e obrigado por terem passado neste espaço no dia de hoje.

30
Jul19

Alongar menos também pode ser solução


João Silva

Leio muitas vezes que há corredores que não alongam muito.

É, de facto, algo que posso comprovar, porque vejo muitos depois das provas a ir para os finos e a descurar esta fase tão importante do desporto.

Nas provas, devo confessar que também me acontece esse desleixe, não pela bebida mas pela distração e pela conversa com os colegas.

Ainda assim, raramente fico sem alongar. Nem que tenha de chegar a casa e ainda ir tenha de ir esticar a musculatura.

Mas vou para o polo oposto nos treinos: alongo tanto que depois sinto muitas dores. Dá ideia que os alongamentos excessivos também podem ser prejudiciais porque depois as pernas ficam muito pesadas para os treinos seguintes.

Em junho fiz uma experiência que se revelou interessante: mais de 30 minutos três vezes por semana e optar por alongamentos mais simples e rápidos nos restantes dias (em vez de 30 segundos por alongamento, fazr 10 segundos neste caso). Curiosamente ou talvez não, comecei a notar o corpo mais solto, menos "agredido" e os músculos menos pesados e inchados.

Por agora, tem resultado. E por aí, como descrevem a vossa experiência com os alongamentos? Tortura ou benefício?

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29
Jul19

E se tem sido em prova?


João Silva

Quando decidi parar ao fim de 34 km, no dia 20 de julho, a minha mente foi cruzada por esta ideia: e se tem sido numa maratona? 

No estado em que me encontrava, é certo e sabido que não aguentaria correr os 08 km que me faltavam para chegar aos 42 km da prova. Portanto, teria de ser a caminhar. Até aqui tudo bem. Os grandes problemas levantam-se quando penso nas dores que senti, no quão zonzo fiquei, no quanto perdi de discernimento ou nas cãibras nos gémeos e no abdómen e das tensões que senti nas virilhas, tendo ficado com a ideia de que me iriam arrancar as pernas.

Fiquei mal, como nunca tinha ficado, mas como já tinha presenciado na maratona do Porto. Cruzei-me com muitas pessoas naquela condição e lembro-me de ter achado que não estavam bem preparadas ou que teriam gerido mal a prova...tal como eu geri mal aquele treino.

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Não gosto de parar a corrida para caminhar, mas ali não deu de outra forma. O lado mais perigoso disto foi mesmo a sensação que tive e que me impediu de retomar a corrida. O meu cérebro só voltou a ganhar lucidez quando voltei a encher a garrafa de água.

Foi duro, assustador, acrescentaria. Isso serve de ilação mas também de aviso. Se gerir mal, corro o risco de não conseguir terminar uma maratona...e acho que não me perdoaria se tal acontecesse por algum erro de cálculo cometido por mim.

28
Jul19

The walk of shame and of stubbornness


João Silva

Para concluir o "relatório" do longão de há duas semanas, falta referir o momento da caminhada.

Ainda em Palhagões, o meu primeiro impulso foi informar a minha esposa (já lhe tinha descrito o percurso antes de sair, talvez por ter pressentido que não ia correr totalmente bem).

Ela ainda não tinha tomado o pequeno-almoço, então ficou combinado que, após o fazer, me ligaria para saber se precisava que me fosse buscar.

E a verdade é que precisava muito. Estava num estado lastimável, sem qualquer ponta de clareza e em claro défice.

Disse-lhe que não. Pedi-lhe que preparasse comida e disse que ia tentar caminhar até casa.

Foram 06 km em sofrimento, mas na minha cabeça só estava a ideia: assim são mais uns km que percorro, mesmo que seja a andar. Não existo, definitivamente.

Já sem água na garrafa e sem qualquer ponta de oxigénio no cérebro, dou de caras com quatro senhoras (todas elas viúvas, penso, pois estavam vestidas de preto, como se estivessem de luto. Foi daquela forma que a minha avó se passou a vestir, quando perdeu um dos filhos.). Pergunto se a fonte da Venda da Luísa era boa para encher a garrafa. Disseram-me que sim, mas a minha teimosia persistiu. A verdade é que a água na minha zona perdeu alguma qualidade e não quis arriscar, não havia análises visíveis. 

Avistei um café e fui lá pedir auxílio. Pedi um copo de água e o enchimento da minha garrafa. O senhor foi extremamente prestável perante o meu estado e o meu alerta de que não estava bem. Ofereceu-me um pacote de açúcar. Não quis, porque sou teimoso e não ia ingerir aquilo. Fujo daquilo como o diabo da cruz, é a minha conclusão.

Caminho mais uns metros, talvez 100 ou 200, e chego ao pavilhão da minha equipa. Como é normal, estava fechado, mas avistei lá duas senhoras e, como já não tinha água, pedi que me enchessem a garrafa, fiz questão de mencionar o que tinha acontecido e que pertencia à equipa. Uma das senhoras ofereceu-se insistentemente para me dar boleia até casa.

Conseguem adivinhar? A parvoíce não teve limites e, como ainda não tinha recuperado o juízo, ripostei várias vezes que não queria, não sem antes agradecer a gentileza.

Porque não aceitei? Porque queria fazer o raça da caminhada até casa. Ainda faltavam 3,5 km. 

Voltei a falar ao telefone com a esposa e reforcei a ideia de que ia sozinho. Enfim, só boas decisões.

Como se não bastasse tudo aquilo debaixo de um calor abrasador, cheguei a minha casa e não parei. No fim de contas, faltavam 400 metros para os 06 km. Claro que os caminhei. 

Engraçado, da varanda, a minha esposa avistou-me, ligou-me e pediu-me que fosse para casa. Fui, sempre debaixo do olhar dela. Assim que me "perdeu de vista", ainda fiz mais 100 metros, tudo aquilo para ver os 06 km no relógio.

Enfim, quando a cabeça não tem juízo...

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27
Jul19

Nervosismo ao mau pressentimento?


João Silva

Em mais um capítulo da escalpelização do que se passou no dia 20, devo reforçar que aquele estava condenado a fracassar à partida.

Não dormi bem, estava muito cansado e, ao contrário do que tem acontecido, aquele nervosismo jeitoso e bom indicador de um belo treino não apareceu. Foi substituído por uma angústia permanente, pela sensação de que aquele sábado não deveria ter sido dedicado àquele treino.

Curioso ou não, na noite anterior, quando eu e a minha esposa deambulávamos pelas festas de Condeixa, começou a entrar o pensamento de que não ia estar bem para um treino tão duro.

Não partilhei a ideia para não ser (corretamente) desencorajado. Ela teria razão mas a minha vontade teria falado mais alto. Como falou. Erradamente.

Moral da história: para a próxima, o melhor é perceber que demorar uma hora a sair de casa só porque se está a empatar é sinal de que será mais prudente mudar o tipo ou a duração de treino.

Conhecendo-me como conheço, apetece dizer "You can talk the talk, but can you walk the walk?".

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26
Jul19

Não adianta inventar


João Silva

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Adianta sempre testar coisas novas e já queria fazer isso há algum tempo.

Percebi, finalmente, que não adianta fugir, tenho de voltar às origens.

Este texto versa sobre o abastecimento efetuado (incorretamente) no treino do passado dia 20 de julho.

Como já referi, o meu abastecimento passa por água e por gelatinas da Decathlon.

Este ano, para evitar aquele sabor e aquela quantidade de açúcar, decidi experimentar fruta na preparação para a maratona que fiz em Aveiro. Comecei pelas tâmaras, mas o resultado não foi bom e fui obrigado e voltar às barras Aptonia que tinha usado na maratona do Porto em 2018. As coisas correram bem dessa forma.

Depois disso, voltei às ideias de deixar o raio das gelatinas e passei a abastecer apenas com água. Num ritmo muito baixo como tive em maio, os problemas não se põem, o corpo reage bem apenas à água.

Tendo substimado o facto de agora correr novamente a um ritmo mais alto e mais intenso, levei apenas 4 pedaços de maçã e 4 frutos secos simples (sem sal nem fritos, nunca faço isso).

Errado e, a par do muito calor que senti, foi um elemento decisivo para ter avistado novamente a parede. Porquê? Bastante simples de explicar: a maçã não tem maltodextrina ou outros açúcares de cadeia longa, portanto, não reduz a fadiga muscular. 

E é por tudo isto que lá tereim de me render às evidências no próximo treino desta natureza. Já nem falo da prova no Porto, aí serei "obrigado" a fazê-lo.

O vou tentar fazer é espaçar mais os abastecimentos. Em Aveiro, não deu, mas, por exemplo, no Porto, foi perfeitamente exequível. No dia 20 de julho, fiz o primeiro abastecimento sólido ao fim de 1h15.

25
Jul19

E de bem perto a vi...outra vez


João Silva

Curiosamente, um ano volvido desde a primeira vez, voltei a sentir o sabor amargo da parede.

É este o nome dado ao fenómeno de escassez de oxigénio em que o corpo mergulha, normalmente, após os 30 km de uma maratona e onde o organismo entra em conflito para desviar aquilo que nos mantém vivo do cérebro para os músculos.

Nesta altura, é comum surgirem as ideias de desistência, a fraqueza física e a incapacidade para raciocinar. Pode demorar alguns quilómetros (passamos a demorar o fim do mundo para percorrer 200 m, por exemplo) ou pode deixar-nos absolutamente K.O.

No meu caso de sábado passado, foi difícil sair da espiral negativa, mesmo sabendo que estava a entrar nela. Percebi isso, mas não consegui reagir bem.

Regra geral, surge a partir dos 30 km, desta vez, aos 27 já deu sinal.

Não gosto de repetir a história, ainda para mais, quando é negativa, mas, tal como no ano passado, acredito que vai ser o arranque para uma excelente prestação na maratona do Porto em novembro.

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24
Jul19

Quando é difícil abrandar


João Silva

Ao que parece, tenho aqui pano para mangas.

Está a ser uma semana dedicada a isso, mas ainda bem.

Já no ano passado vivi esta experiência: quando estou num bom momento de forma, tenho muita dificuldade em fazer treinos num ritmo mais brando (para a minha realidade).

Qual é o problema? Num treino/prova longo, a gestão do ritmo é a chave para chegar ao fim e, claro, para concluir bem a prova.

Ora, como tenho andado bem, entusiasmei-me e dei muito de mim na primeira metade do treino, ficando sem capacidade de resposta numa parte da segunda.

O sol em nada ajudou e o mesmo posso dizer dos meus abastecimentos, mas um ritmo mais baixo na primeira hora teria sido crucial para aguentar bem.

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Ainda assim, um ano volvido, tenho informação na minha memória que me vai permitir melhorar nos treinos longos que se avizinham.

Não é uma situação inédita, resta trabalhar bem e começar devagar para acabar depressa.

 

23
Jul19

Cheguei a sonhar, mas durou pouco


João Silva

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Esteve mesmo tão perto.

Quando olhei para o relógio (e tenho-o feito muito mais agora) na zona da Arrifana, estava a chegar aos 21 km em 1h45m. Depois da semana pesadona que tive e da pouca frescura com que acordei, era excelente. Tinha estipulado um treino de 3h30. Fiz matemática simples: com a outra metade que me faltava, chegaria aos 42 km. Que sonho.

Fui um pouco ingénuo, pois já sei que a segunda metade é sempre mais dura e que os problemas começam por volta dos 30 km. Na verdade, dei esse "alerta" a mim próprio, mas estava tão entusiasmado, o que não tem qualquer mal, que quis acreditar que, sem planear, ia chegar mesmo aos 42 km outra vez. Se isso acontecesse, era mais uma confirmação da boa onda onde estou a navegar desde finais de maio (apresentarei essas reflexões e os tais indícios durante as próximas semanas).

Para se perceber o estado em que ia, cheguei às 2h30 com 29 km no corpo. Daí até ter decidido parar, ou seja, meia hora depois, percorri mais 05 km. Os últimos dois foram um enorme sofrimento, com o calor a juntar-se à festa.

Mas não fico "triste" nem desapontado. Do sítio onde estava, para fazer a caminhada de regresso até casa, tive de percorrer 06 km. Contas feitas, no total dos dois treinos combinados, foram 40 km. Claro que estou a brincar e essa é a melhor forma de ver tudo isto. Durante uma grande parte, estive bem. Depois, paguei a fatura por não ter seguido o lema das maratonas: começar velho para acabar novo.

Mas os 42 km ainda virão muito antes de novembro, data da prova oficial.

Fiquei genuinamente feliz por ter sonhado que é possível. Se sonhei, com um pouco mais de jeitinho, a coisa vai. Só em jeito de reflexão e de mote para o futuro: se tudo tem corrido na perfeição, iria atingir os 42 km algures próximo das 03h45m, tempo que, normalmente, cai em prova. Foi assim o ano passado. Portanto, sonha, rapaz.

22
Jul19

Identificação de erros que levaram ao episódio de sábado


João Silva

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A reflexão foi feita. Não podia ter sido de outra maneira.

Aliás, tenho a tendência (mania?) para antecipar as coisas e já antes de parar sabia que o ia fazer antes do fim do treino. Na verdade, subi de propósito a estrada que liga a Rapoila a Palhagões e, uns metros mais à frente, quando atingi os 34 km, parei. Depois disso, fiz 1h30 a pé, em modo caminhada para chegar a casa.

Quanto aos fatores que levaram ao episódio inédito na forma:

  • ritmo demasiado alto desde o início. Os dados positivos que tinha recebido nas últimas semanas confirmaram-se novamente e agora o "tabuleiro virou" e começa a ser difícil para mim ir a um ritmo inferior a 5'00/km em vez dos recomendáveis 6'00/km num treino/prova desta envergadura;
  • muito pouco descanso na noite anterior. Na verdade, não dormi nada bem e dormi pouco;
  • semana muito intensa e dura na carga de treinos acabou por pesar a partir das 02h30;
  • nervosismo inicial que se transformou em pensamentos negativos desde o 1.º km;
  • abastecimento desadequado. Falarei disto nos próximos dias, mas não adianta inventar, tenho de usar as gelatinas da Decathlon. De tudo até agora, foi o que melhor resultou;
  • ter querido mais do que poderia dar a partir de determinada altura;
  • saída de casa tardia e treino debaixo de muito sol;
  • má temporização da ingestão de água e da quantidade ingerida a partir das 02h00 de treino;
  • escolha desadequada do percurso, pois escolhi partes muito pesadas (muito planas e depois inclinações fortes para o final);
  • não ter ouvido o meu "pressentimento" quando me pareceu melhor parar às 02h00 de treino.

É verdade que a lista até tem um tamanho considerável, mas também houve muita coisa positiva a retirar do treino e em nada belisquei a minha resiliência e a minha força de vontade. Saber parar e quando parar também é um sinal positivo e de crescimento.

Venha de lá o próximo longão.

21
Jul19

Correu mal e fiquei orgulhoso com isso


João Silva

Aprendemos mais quando erramos. Esse é o meu lema de vida. É o que nos faz refletir mais e melhor.

As vitórias também servem para isso, mas a disposição mental retira aquele peso importante da aprendizagem.

Ora bem, no sábado passado não consegui completar o que tinha definido como treino, sobretudo, na duração.

Tinha estabelecido uma duração mínima de 03h30. Não deu para mais de 03h00m43s. E tomei a decisão de parar efetivamente. Foi o melhor a fazer, pois o corpo andou mais de 07 km sem responder.

Não me senti mal por ter feito aquela escolha. Porquê? Porque foi a prova de que tudo pode falhar.

Quis dar-me essa lição a mim próprio. A maratona de novembro mereceu que o fizesse. 

Tudo correu espetacularmente bem até aos 27 km, depois comecei a ter dificuldades físicas e, o pior, mentais. A frescura perdeu-se e já nada ajudou a retomar a destreza de raciocínio, como acontece normalmente em treinos e provas longas.

Se isto se tivesse passado no meu primeiro ano como atleta, teria forçado, veria o episódio como uma derrota e ficaria muito tempo a pensar naquilo.

Obviamente que estas coisas não nos passam ao lado, mas o meu lado racional tem-me ajudado imenso a perceber o funcionamento disto. 

Se vi a paragem como uma derrota? Não, mesmo nada. Fiz 34 km, é verdade que não consegui completar o tempo definido, mas, caramba, foram 34, uma distância monstra depois de uma semana igualmente intensa. 

Estou numa fase em que não preciso de me provar nada. Ajudou imenso estar numa onda de autoestima (racionalmente) elevada. Crescer é isto: ou perceber com a casualidade dos erros ou "forçar" esse erro para podermos refletir.

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20
Jul19

It takes one to know one


João Silva

Esta publicação tem o objetivo claro de agradecer à estimada Luísa Sousa pela enorme amabilidade que teve em destacar o meu blogue no dia de ontem.

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No mínimo, o que poderia fazer era dar-vos a conhecer uma boa pessoa, que não poupa esforços para chegar a vários "lados", desde o exercício físico ao envelhecimento ativo, passando pela reflexão pessoal e pela apreciação e divulgação de moda

São quatro os espaços desta mulher formada em gerontologia e todos eles merecem uma espreitadela bem prolongada. Além de nos fazer refletir sobre nós próprios e sobre a nossa vivência com os que nos rodeiam, partilha bons conselhos de exercícios para diferentes grupos de pessoas (de grávidas a idosos, sem esquecer os desportistas), transmite a sua visão sobre moda e, aquilo que mais importante me parece, dirige-se claramente à 3.ª idade. Tem uma abordagem inclusiva e dá-nos dicas sobre como chegarmos novos a velhos, um bem tão precioso.

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Por tudo isto, recomendo mesmo várias visitas em todos os blogues delas. Trata-se de uma pessoa que, uma vez "detetada", não pode ser "largada". 

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A juntar a tudo isto, traz-nos belas molduras da incrível ilha da Madeira, de onde é natural, tem uma paixão intensa pelo exercício.

Foi graças a ela e às suas partilhas que fiz pilates pela primeira vez.

Vão lá espreitar e digam-lhe coisas boas. Ela merece =)

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19
Jul19

O making of das provas...


João Silva

Assume um cariz cinematográfico, mas acaba por ser verdade. Tudo é treino, já diz o ditado e tudo serve como "making of", porque tudo ajuda a criar bons tempos e boas prestações.

Quando os tempos não surgem, ficam as boas memórias de cada treino.

No geral, passo 5-6 dias por semana na estrada a correr, portanto, também acaba por ser uma divulgação do meu "recreio".

Nos próximos dias, passarei aqui em revista alguns dos vídeos que fui compilando nos meses de maio e de junho.

No fundo, é uma partilha convosco dos meus momentos (sozinho e posteriormente acompanhado) na estrada (e, por uma vez, em serra - mas onde raio tinha a cabeça).

Falo por mim, passo por zonas tão distintas e esplendorosas e tenho uma vontade voraz de registar tudo que só podia mesmo encontrar uma solução para gravar os melhores momentos.

18
Jul19

Estava previsto de uma forma, acabou por acontecer de outra


João Silva

Quantas e quantas vezes isso acontece?! Infindáveis e incontáveis. Chama-se vida.

Este ponto associado a provas onde já estava inscrito ou a outras às quais já tinha definido mentalmente que iria foi uma novidade.

Pela primeira vez, não compareci numa prova em que estava inscrito. Foi em maio deste ano, por altura da meia maratona do Douro. Tinha muita expetativa pela envolvência humana mas essencialmente pela moldura paisagística. 

Por razões pessoais mais fortes, não pude estar presente. Não sei se voltarei a considerar esta prova para os próximos anos. Neste momento, estou numa fase em que só poderei marcar provas com uma antecedência mais reduzida do que o habitual.

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E que consequências isto tem na planificação? A primeira é, desde logo, criar um vazio competitivo. No enanto, e é aqui que surge a segunda, isso não é necessariamente mau. Não pude ir a essa prova, mas, por essa razão, tive possibilidade de correr, pela primeira vez, 101 km numa semana. De outra forma, teria de ter seguido a planificação prevista.

Portanto, a mim em particular, não afeta a ausência em provas. Como é óbvio, aquela envolvência e o conhecimento de pessoas e lugares sofrem um pouco, mas a vida não acaba hoje (espera-se), pelo que mais oportunidades surgirão.

Aconteceu o mesmo com outras provas, uma no primeiro semestre e duas no segundo, sendo que, para estes últimos meses do ano ainda tenho mais três provas no limbo. Ao dia de hoje e ao que tudo indica, não as poderei fazer. 

Por um lado, tendo em conta que, das seis, três seriam meias maratonas, poder-se-ia pensar que seria um duro golpe para a maratona do Porto. Contudo, a medalha tem outro lado: assim poderei implementar treinos mais duros e diversificados, precisamente, a pensar numa eventual melhoria do tempo que obtive naquela prova no ano passado: 03h33m35s.

Importante é saber lidar com essas adversidades e não desistir. O dia seguinte é sempre mais uma hipótese para batalhar.

 

17
Jul19

Não foi comigo diretamente...mas foi como se tivesse sido


João Silva

Quando relembro o final da meia maratona da Figueira da Foz no passado dia 10 de junho, há um episódio que permaneceu até ao momento: vr a minha colega Isabel chegar ao fima da sua primeira meia maratona em parceria com o mestre José Carlos.

Não duvido que toda a sua experiência tenha sido fulcral para terminarem bem a prova.

Filmei o momento e,  naquela altura, senti algo que só sentira duas vezes: uma comoção muito grande. "Sofri" os mesmos "arrepios emocionados" que vivi quando acabei a minha primeira meia maratona, curiosamente, também naquela cidade e quando cruzei a linha de meta na maratona do Porto, a minha primeira da "espécie".

E qual a lógica dessa emoção: umas semanas antes, tinha feito dois treinos longos com a Isabel a fim de a ajudar com a sua preparação. 

Aliás, os primeiros 20 km que percorreu em estrada foi sob a minha "alçada". Portanto, aquela vitória dela também era um pouco minha.

Uns dias mais tarde, pensando novamente no assunto, percebi que este é o passo seguinte de quem tem uma história parecida à minha: primeiro "arranjamo-nos" e depois "arranjamos os outros", ou seja, passamos a apadrinhar e a dar conselhos para que outros também se possam superar e possam alcançar determinado patamar.

Já passaram três meses desde que comecei a escrever e a alimentar este espaço e ainda hoje não tenho a noção completa de quem me lê, mas deixa-me verdadeiramente realizado poder receber mensagens e várias abordagens da parte de pessoas/atletas desconhecidas a solicitar conselhos.

Não me incomoda mesmo nada partilhar tudo aquilo por que passei e passo atualmente, já com largos meses de treinos para trás.

Portanto, deixo aqui um repto: não se acanhem. Falem comigo, venham partilhar a vossa história e as vossas dúvidas. Só assim é possível evoluir e perceber que determinadas coisas são normais e não uma exceção.

Gosto desta sensação de ser útil, de sentir que a minha história pode ajudar alguém e de saber que os meus conselhos e as minhas visões são ouvidas.

Penso que este novo capítulo na minha evolução como atleta me vai acompanhar no futuro: é uma realização poder treinar com pessoas que revêem em nós competência. E é o próximo passo: estar disponível e aberto para ajudar, porque essa também é uma forma de ser ajudado.

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Separador destinado aos posts de alimentação e a todo o processo de emagrecimento e de reeducação alimentar que me fez baixar de 118 kg par 74 kg desde novembro de 2016.

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