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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 72 kg graças à corrida e a mudanças na alimentação. Desde então, o contador vai em 35 provas: 19x10 km, 7 trails, 7 meias maratonas e 2 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 72 kg graças à corrida e a mudanças na alimentação. Desde então, o contador vai em 35 provas: 19x10 km, 7 trails, 7 meias maratonas e 2 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

30
Jun19

Iogo, logo existo


João Silva

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Por diversas vezes já foquei o lado bom do ioga nos alongamentos e no processo de regeneração do corpo.

Além da parte muscular, tem um impacto maravilhoso no lado psicológico. E também é treino.

No geral, cada repetição deve prolongar-se por dez inspirações e expirações profundas. Verão em poucos segundos o quão bem se sentem.

Foi uma componente muito desvalorizada por vários elementos ligados ao desporto. No entanto, no meu caso, só me resta recomendar vivamente.

Depois da maratona do Porto, foi através dos exercícios acima mencionados (extraídos da revista Runner's World) que consegui recuperar frescura e ganhar elasticidade nas articulações. A partir desse momento, não mais larguei o ioga.

Numa primeira fase, integrou diariamente o meu plano.

Posteriormente, devido a algum desgaste ou a falta de tempo, espacei a execução dos exercícios.

É como uma espécie de rolo muscular no que diz respeito à eliminação de fáscias ou mesmo de nós musculares.

No mês de maio, numa fase em que me sentia sufocado pela sobrecarga de treinos, decidi instalar uma aplicação de ioga no telemóvel.

No dia 31 desse mesmo mês, fiz uma hora desses exercícios. Foi um dia de folga, mas senti que precisava de fazer algum exercício e estava de mau humor. 

Depois de ter "sofrido" com aqueles exercícios de ioga, fiquei muito melhor, sobretudo, muito mais relaxado.

Portanto, na dose certa, só vejo benefícios para qualquer desportista na prática do ioga: relaxa, alonga, revitaliza, traz paz de espírito e recupera a destreza muscular.

E, não menos importante, torna-nos muito mais flexíveis do que imaginávamos ser. Previne lesões nas articulações, uma vez que lhes dá robustez.

29
Jun19

O desinteresse esconde (ou não) incapacidade


João Silva

Trata-se de um pensamento que, de tempos a tempos, me visita.

Já dissertei várias vezes neste espaço sobre a necessidade de encarar as expetativas com outros olhos e de aproveitar melhor toda esta experiência, sem aumentar os níveis de pressão de forma desnecessária.

Mas, por vezes, o outros nível de exercício mental que faço prende-se com o outro lado: é verdade que não é preciso (nem útil) viver com a pressão dos resultados. É nefasto e, quando as coisas não correm nem fluem, a única coisa que faz é provocar desilusão e tristeza, acabando por roubar o divertimento e o prazer que o desporto deve e tem de ter.

Todavia, o desinteresse pelos resultados também esconde uma certa dose de incapacidade.

Não vejo isso com maus olhos, é uma estratégia tão válida como qualquer outra para que, enquanto atleta, me sinta bem com o que faço. Ainda assim, tenho de me mostrar desinteressado pelos resultados para não cair em desespero, para relativizar a evolução e para não sobrevalorizar o que corre mal.

 

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Apesar desta incapacidade, o lado bom é poder refletir: ou seja, a partir do momento em que percebo que houve um decréscimo de forma e que comecei a relativizar os resultados porque percebi que não eram tão bons como queria, tenho de perceber o que posso fazer para melhorar.

Uma coisa tem de ser a consequência da outra: se reflito e me adapto, tenho de aceitar que a evolução positiva pode mesmo demorar a acontecer. No meu entender, por uma questão de coerência, o que não pode suceder é voltar a ser "resultadista" ao mais ínfimo sinal de que as coisas estão a correr bem.

A capacidade não se perde e o interesse ganha-se novamente. Contudo, deve integrar sempre o que a experiência ajudou a reconhecer: não preciso de correr atrás de resultados, preciso de trabalhar bem e de me focar na minha alimentação e no meu desempenho para que depois os resultados surjam como naturalidade e também como efeito secundário da prática de uma atividade que me faz tão feliz.

 

28
Jun19

A teoria da relativização


João Silva

Poderia ser uma variante das teorias físicas de Einstein. Só que não é.

Adoro física teórica, mas isto de que vos falo está relacionado com a química...que leva ao equilíbrio do nosso organismo.

 

Uma forma que tenho encontrado para lidar com a pressão que coloco em mim é aprendendo a relativizar tudo o que me acontece em termos de treino.

Quando o meu pico de forma baixou após a Maratona do Porto, tive muitas dificuldades em aceitar que o meu corpo perdeu capacidades. 

Como disse na altura, não soube lidar com as mudanças nem com a ressaca do que me aconteceu ao organismo após a prova.

De lá para cá, à exceção de uma ou outra prova, os resultados foram piorando.

É verdade que uma perda de forma iria aparecer alguma vez.

No entanto, custa. E depois há sempre duas vias: ou se aceita isso e se tenta mudar ou se é absorvido pela ideia de que se perdeu qualidade e não se sai desse buraco.

Felizmente, apesar de ter sido um processo lento e doloroso, escolhi a primeira via. Dentro de mim, sei quais foram as razões que levaram a isso. Também por isso é importante ter uma esposa com quem se possa debater todos estes detalhes. A Diana ajudou-me e ajuda-me a encontrar a causa para esse tipo de problemas. E, além disso, mais importante ainda, contribui imenso para que não deixe que eles me façam perder o equilíbrio, dar-lhes importância amplifica-os e é assim com tudo na vida. Ora, pois, desvalorizá-los na medida certa ajuda imenso a mentar a sanidade mental. Confesso que nem sempre o controlo se mantém firme e hirto, mas aos poucos lá se vai conseguindo. 

O ano de 2019 está a ser péssimo em termos de resultados objetivos, até agora, não consegui nada daquilo a que me tinha proposto no final de 2018. E, a julgar apenas por esse ponto, poderia perder o interesse no desporto. Nada mais errado, principalmente, porque a minha força de vontade não depende dos resultados e ainda porque observar e falar com alguns colegas de equipa me ajudou a ver o outro lado e a aceitar as coisas como elas são.

Não sei se voltarei aos bons resultados, mas sei que não sou um resultadista. Não vou "morrer" por causa disso.

Aprendi a saborear os momentos por que passo e as pessoas com que me cruzo em provas.

É um lado maravilhoso, genuinamente, e isso é tudo o que fica. 

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Por agora, importa-me olhar para o meu corpo e ficar satisfeito com o que vejo.

Aumentei muito a minha massa muscular desde novembro de 2016 e sinto-me revigorado, pelo que não posso achar o fim do mundo quando não chego a um determinado objetivo de tempo nas provas.

Faz parte, senão darei em maluco e isso não pode ser.

Aceitar tudo isto, por mais difícil que se afigure, faz-me desfrutar mais de cada momento da minha vida.

Sou competitivo, sempre o fui e não deixarei de o ser, mas sou-o, primeiramente, comigo próprio e procuro olhar sempre para mim antes de poder espreitar para o que os outro fazem. É um dos ensinamentos da minha esposa. Não tenho de me comparar com ninguém, tenho de olhar para mim. Ao fazê-lo, estou no caminho certo para chegar onde quero.

Mais do que pretender ascender ao inatingível porque os outros esperam isso de mim é saber que o primeiro passo para lá chegar é manter o foco no meu próprio trabalho.

 

27
Jun19

Best of Anadia Wine Run


João Silva

É difícil passar por cima do "elephant in the room", ou seja, o tempo acabou por ser um empecilho para tudo, até para as fotos.

Foi bom trocar palavras com "os do costume", rever velhos conhecidos e confraternizar com os atletas da bela ARCD Venda da Luísa. Aqui fica, uma vez mais, o meu agradecimento pelo apoio dos colegas que estiveram num dos abastecimentos. O "mais importante", isto é, aquele onde serviam o flute. Nem lhe toquei. Também não ia com esses intuitos.

Seja como for, deixo abaixo algumas fotos com os momentos especiais desta prova:

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26
Jun19

Vinha acima, vinha abaixo


João Silva

Não tendo grande altimetria, a prova acaba por ser, ainda assim, uma (pequena) montanha russa, pois contrapõe quase constantemente subidas "jeitosas" com descidas mais acentuadas.

Tirando uma ou outra "ponte" improvisada com o objetivo de nos transportar para o piso seguinte, o caminho era bem largo e ia abrilhantado a nossa passagem ora com erva, ora com plantas, ora com pedras pequenas ou zonas de terra lavrada, no domingo, totalmente enlameadas e escorregadias por causa da chuva.

E foi precisamente por isso que o percurso me pareceu desafiante e, diria mesmo, perigoso. Pensando em quem vai à caminhada, é certo que caminhar em trails não é pera doce, mas a prova acabou por não ser um passeio.

A quantidade de lama que se agarrava às sapatilhas em cada atravessamento de vinhas significava um ganho de um ou dois kg extra em cada perna. Ou seja, mais uma dificuldade cortesia do tempo. 

Em termos técnicos, com melhores condições climatéricas, o percurso far-se-ia muito bem. Sobretudo a segunda parte é muito rolante, dá para ganhar velocidade e, mais importante, para manter um ritmo alto. Por outro lado, a primeira parte, até chegarmos à adega, que, apesar de ser uma zona de muita escuridão, foi uma excelente cartada organizativa, é mais dura, é onde se encontram as "pontes improvisadas" e as valas estreitinhas todas enlameadas.

O carrossel de subidas e descidas espaçadas ajuda a "massacrar" as pernas logo na primeira metade.

Outro aspeto que despertou a minha atenção foi o ziguezague ar constante do percurso. Curva e contracurva frequentes, mais na primeira metade, o que é mais um obstáculo ao ritmo. 

O percurso é interessante. Na minha opinião, ficou bastante endurecido pelo clima, mas não deixa de ser um belo chamariz para correr num espaço "pouco comum" mas muito simbólico. Só por aí, pela beleza de tudo o que nos envolveu, já vale cada km.

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25
Jun19

Uma organização a roçar a perfeição


João Silva

 

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Se tive dificuldades na prova e me senti deslocado, em nada posso apontar isso a falhas organizativas. 

Foram sentimentos meus, mas a verdade é que aquelas pessoas, as mesmas que dão vida às Quatro estações, estiveram irrepreensíveis. 

Comecei por ter direito a um M em vez de S na camisola, mas a culpa não foi deles, até porque tive oportunidade de ver a folha de prova. 

No geral, não tenho muito a apontar. Fizeram-nos sentir bem acolhidos e colocaram um camião de alegria à nossa disposição.

Para variar, começamos praticamente a horas, até a entrada na "caixa" se fez sem problemas de maior.

Elogio ainda o facto de terem estipulado horários diferentes para as diferentes distâncias. Isso ajuda imenso e é uma grande qualidade que, parece-me, é mais característica de quem organiza trails ou eco meias maratonas do que de quem organiza provas em estrada.

Regral geral e tirando apenas uma ou outra exceção, os percursos não se cruzavam. Vendo o estado das vinhas e do piso, teria sido uma "desgraça". Nota positiva também aqui.

Os abastecimentos foram bem espaçados. Logisticamente também não dava para ser diferente. Aproveitaram zonas abertas, adegas e quintas para montar o "estaminé".

Foi excelente e uma grande forma de promoção teren-nos levado a correr para dentro de uma adega. De lamentar, a pouca iluminação, mas não poderia ser de outra forma.

O acompanhamento e as fotografias também estiveram top. 

No final de contas, aponto apenas como falhas dois aspetos: ausência de segurança na passagem final da zona industrial para o velódromo. Os polícias estavam junto à ponte final e aí não há tanta utilidade como na zona que referi antes.

O outro aspeto menos bom foi a marcação de um ou outro local. Regra geral, era fácil de perceber o caminho. Contudo, numa ou noutra viragem, o que aconteceu é que não havia fitas e isso criou algum desnorte. Tanto assim que um dos meus colegas de equipa alega ter feito 26 em vez de 23 km e eu próprio cruzei-me perto do final com pessoal que se enganou.

Seja como for, é inquestionável o facto de a organização ter roçado a perfeição e de ter em mãos um projeto aliciante para promover a região. A zona é bonita. Pena a chuva, que retirou brilho, mas aquelas vinhas, quintas, herdades, adegas são algo de muito especial.

A dureza da prova deveu-se sobretudo à lama e à chuva.

Os meus parabéns aos organizadores. 

24
Jun19

Saiu... rifa...com direito a champanhe e pouco mais


João Silva

Foi estranho, mas rapidamente percebi que não tinha definido objetivos para o que encontrei.

Tinha escrito que pensava nesta prova como uma espécie de Eco Meia Maratona de Coimbra, também da mesma organização. 

Quanto ao percurso e à organização, falarei nos próximos dias. 

Por agora, em relação à minha prestação, nem sei bem que dizer. 

Ou melhor, até sei: não estava preparado para aquilo.

Gosto de correr sem chuva, mas ter de o fazer sem óculos e não ver um "boi" à frente dos olhos é duro. Como não tenho as lentes inscritas na carta e não as sei pôr nos olhos (sim, tem de ser a minha esposa).

Portanto, uma contrariedade. 

A segunda é totalmente da minha responsabilidade: levar sapatilhas de estrada para vinhas e terrenos completamente encharcados e enlameados é peregrino. Em minha defesa, se bem que não é defesa nenhuma, não sabia ao que ia. Foi a primeira vez que fiz a prova e também julguei que não teria de suportar um dilúvio tão intenso.

Errado, errado e nada mais errado.

Choveu copiosamente o tempo todo e essa foi uma das grandes dificuldades. Gosto de correr à chuva mas não com a chuva sem tréguas. 

Havia muito pouca estrada. No total, nem deve ter chegado a 01 km. 

Portanto, pé nos estradões e enlameados e primeira patinagem. 

Perante esse cenário, pensei logo: amigo (sim, trato-me bem), esquece lá tempos, tenta desfrutar (conselho sábio da minha esposa ao telefone antes de começar a prova) e chegar bem ao fim. Um dos meus maiores medos é lesionar-me neste tipo de provas, porque os terrenos são muito irregulares, existem muitos troços perdidos, muitas poças ou covas, minha lama. Sinto-me desconfortável.

Durante muito tempo, não sei precisar quanto, andei a tentar pisar o chão com muito cuidado. Como não vejo ao longe sem óculos, estive sempre a olhar para o chão. Depois encontrei o colega de equipa Artur e socorri-me da sua experiência neste tipo de provas e fui vendo os sítios onde ele pisava para evitar escorregadelas.

Coisa rara e que só aconteceu porque ele estava a regressar de lesões, passei-o após termos atravessado umas valas de água por cima de tábuas e de pisos estreitos em cimento.

Em termos de ritmo, não dava para ir mais rápido. Tive medo de me lesionar, mas olhei para o relógio (desta vez sem problemas) e vi que estávamos a chegar aos 11 km ao fim de 1 hora. Ou seja, apesar do "estrago", estava bem.

De seguida, entramos numa adega (parte muito original e louvável) e aqui surge o contratempo seguinte: a memória do relógio encheu, esqueci-me de a apagar antes da prova e estive quase 03 km para conseguir apagar alguns registos anteriores e para meter novamente o aparelho a funcionar. Sim, a chuva minou-lhe os neurónios.

Portanto, fiquei sem referências. 

Depois perdi-me durante uns metros porque não vi a parte identificada, consegui aumentar o ritmo, porque a segunda metade só tinha uma parte com "lama movediça" e, apesar das curvas e contracurvas, era mais rápida.

A dada altura, dei por mim sozinho, depois voltei a encontrar atletas, perguntei a um quanto já tínhamos feito, respondeu-me que faltavam 02 km.

Não deve estar bem da cabeça, pensei. Tinha perdido o GPS mas não tinha perdido o juízo e sabia que ainda faltavam mais km para o fim. 

Mais à frente, questionei um grupo de voluntários. Recebi a resposta "já fez 17 km".

Pensei "ah, era mais isto que achava". Consegui manter um ritmo estável e galgar algum terreno, volto a entrar na parte final, que já era em estrada, e deparei-me com alguns colegas de equipa que se tinham enganado no caminho e fizeram mais 03 km, voltei a patinar na lama final e depois ainda deu para um sprint.

Não tenho a noção exata do tempo. O colega de equipa que chegou imediatamente à minha frente diz que fez 01h51m, portanto, na pior das hipóteses, fiz mais 01 minuto. Mais tarde, vi as classificações oficiosas e percebi que terminei com o tempo de 1h59m02. Francamente, não me pareceu mau dadas as peripécias vividas.

Francamente, não me serve de consolo. Ia à procura de uma coisa diferente e, por aí, não poderei considerar este resultado. 

Foi interessante ter feito a prova sem a minha água, mas tive de tomar essa decisão porque pressenti que ia precisar das mãos e também achei curioso ter abastecido meia banana aos 8 km. Não sei de onde veio aquele "uma banana por favor", não estava em esforço, mas o corpo falou mais alto. Ainda bem, porque senti que me ajudou.

Posto isto, foi uma forma interessante de acabar as provas do semestre. 

Pena a chuva e a lama, o desconforto e o deslocamento do habitat, mas também é muito importante ver como nos safamos num meio diferente. Nesse sentido, o treino que fiz na serra foi muito útil.

Um agradecimento especial aos colegas da minha equipa. Sinto-me sempre muito bem com aquele pessoal. Pena a chuva não ter dado para a amena cavaqueira.

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23
Jun19

Dia de correr ou de beber um flute e de comer uma sandes de leitão


João Silva

Daqui a pouco, estarei em Anadia para fazer os 23 km da prova Anadia Wine Run, uma corrida realizada no meio das vinhas e sempre com um piso semelhante a estradão. No fundo, um trail pouco técnico e que tem o intuito de promover a região, que, salvo erro, se prepara para ser capital do desporto em 2020. Vai ser a minha primeira vez nesta prova.

Pelas imagens maravilhosas que vi no passado, espera-me uma prova com muito sol, mas com muita animação e...um flute e uma sandes de leitão no final.

Como já prometi meio flute à Jéssica e outra metade à Sandra e a sandes de leitão à minha esposa, vou lá pelo convívio e pela corrida. Apesar de ter soado a bom samaritano, também lá vou pôr os coutos para confirmar os bons indícios deixados na Meia maratona da Figueira da Foz.

A pensar em tudo isso, procurei alterar um pouco o plano de treinos para não ir sobrecarregado. 

O meu desejo será ficar entre 1h50 e 1h55, mas não tenho a mínima noção do percurso que vou enfrentar.

Como sempre, nos próximos dias darei conta de tudo neste espaço.

Uma boa prova a todos os participantes, que desfrutem da região e, porque não dizê-lo, das iguarias.

De forma ainda mais forte, uma boa prova a todos os meus colegas de equipa, que, ao que sei, marcam sempre presença em grande número neste evento.

Segundo me disseram, é um pouco ao estilo da Eco Meia Maratona de Coimbra, igualmente organizada pela ADR4events. Assim sendo, deixo abaixo alguns registos fotográficos dessa prova em 2018, quando ainda corria pela Casa do Benfica de Condeixa.

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22
Jun19

À procura do equilíbrio (perdido)


João Silva

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É uma luta constante.

O facto de vivermos connosco próprios 24 horas por dia não ajuda mesmo nada. E afirmo-o sem lamúrias ou lamentações. A verdade é que, pelo menos, por aqui é fácil andar nos extremos com uma velocidade estonteante. Ora está tudo bem ora está tudo mal, ora foi muito exercício ora foi pouco, ora comi de mais ora comi de menos. E é isto.

Por isso é que é extremamente importante ter alguém ao nosso lado com dois dedos de testa e incapaz de nos deixar pender definitivamente para um dos lados.

No meu caso, já não é segredo, é a minha esposa a grande responsável por me tranquilizar com as suas palavras quando começo a "medir" a minha barriga com as mãos e começo a dizer que engordei ou quando só me apetece praticar desporto incessavelmente (quando, como ela bem sabe, isso acaba por ser uma forma de lutar contra eventuais excessos na quantidade de comida).

Para mim, esse tem sido o segredo de tudo. É incrível como isso me mantém "na linha".

Dentro da minha cabeça, o equilíbrio vem da antecipação dos problemas ou das dificuldades e da definição de estratégias para lidar com isso. Não lhe chamo calculismo, chamo mesmo capacidade de antecipação e, por essa razão, acabo por ajustar os planos de treinos, quando percebo que estou a exagerar.

Exemplo prático: no caso dos saltos (burpees, por exemplo), sei que eles me fazem muito bem, contudo, quando recebo os sinais do corpo de dores em determinadas articulações, tenho de parar um pouco. O que faço? substituo por outros destinados a diferentes regiões do corpo, como o abdómen ou o peito.

No caso dos treinos de corrida, o princípio é o mesmo. Se senti que abusei e que não estou em condições, tenho de encurtar distâncias. Nem sempre foi assim e ainda hoje tenho dificuldade em aceitar isso, para ser honesto. Todavia, a aprendizagem, a necessidade de pensar num bem maior e mesmo a minha mulher mostraram-me que tudo depende da importância que dou a determinados aspetos.

Para terminar, nas últimas semanas de maio, andei aparentemente "ao sabor do vento". Como estava tão saturado, senti necessidade de não olhar para os meus planos de treinos. Não diminui a duração do treino, muito pelo contrário, mas corri vários dias seguidos longas distâncias, quando não tinha isso previsto. E que bem que soube. 

Logicamente, já conheço o corpo e sei que poderá estar para vir a "fatura" de tudo isso, mas é tão importante alimentar a cabeça como o corpo e o meu cérebro precisava dessa "irregularidade" para chegar a um ponto de equilíbrio.

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21
Jun19

Dormir ou não dormir, porquê esta questão?


João Silva

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É uma das maiores questões do nosso século e não está ligada apenas ao desporto.

Não vou abordar a parte científica dos benefícios do descanso e do sono, porque tudo isso já foi escalpelizado pelos entendidos.

É um facto inquestionável que dormir é mais importante do que uma atividade desportiva, por exemplo.

Este meu texto tem o objetivo de contar a minha experiência com o sono, bem como as consequências e os benefícios em mim.

Eu, à imagem do que acontece com a maioria das pessoas, procuro cortar nas horas de sono, quando existe algum aperto no trabalho ou algum evento familiar ou mesmo um treino.

Sempre atuei dessa forma e, há uns anos quando ainda trabalhava no Jumbo, chegava a dormir entre 4 a 5 horas por noite. O problema é que isso se ressente no nosso dia a dia, por exemplo, na frescura que apresentamos, na irritabilidade ou no humor. Num ponto mais importante, os riscos de acidentes cardiovasculares aumentam drasticamente nessas situações.

Também na minha mudança para uma vida mais ativa senti a necessidade de descansar. Contudo, no início, recusei-me. Comecei a ficar entusiasmado com a perda de peso mas também com a corrida em si e, ao fim de um ano, cheguei ao ponto de não conseguir dormir mais do que duas horas porque me ia pesar no dia seguinte ou mesmo porque o meu cérebro me obrigava a ir treinar...às 03h da manhã. Conclusão: cheguei a um ponto de "esgotamento". Não me aconteceu nada em termos de saúde, mas perdi algum descernimento, os músculos ficaram entorpecidos e treinei com imensas dores porque não deixava o corpo regenerar. 

Como já aqui disse, cheguei a fazer períodos de treino consecutivo superior a 14 dias. Imaginam o que é chegar ao fim desses dias todos? Francamente, é horrível. Não há prazer pelo desporto que aguente. É uma sensação de cansaço que não se explica.

A ansiedade misturada nesta receita cria um cansaço mental e físico que não nos ajuda. Honestamente, ainda hoje não sei como não tive lesões graves.

No entanto, com o passar do tempo, juntamente com as chamadas de atenção da minha esposa e com as "leis" do próprio juízo, rendi-me às evidências: os períodos de treinos seguidos diminuíram e passei a dormir mais. Além disso, o corpo obrigou-me a descansar e foi aí que percebi o quão importante o sono é para todo o nosso organismo, em particular, para a recuperação muscular.

Os meus músculos deixaram de doer ao longo do tempo (só quando há cargas extra de treino), ganharam vitalidade e frescura, a minha disposição mudou claramente e passei a sentir-me melhor. É mesmo indescritível. 

E como se nota a importância do sono? Quando dormimos pouco de forma pontual e depois retomamos a normalidade, a sensação é de uma ressaca descomunal.

Está comprovado que o corpo não recupera do sono perdido (embora às vezes pareça que sim), pelo que devemos integrá-lo como componente prático.

Para terminar esta minha "composição", deixo um exemplo prático e pessoal do efeito enganador da falta de sono: no fim de semana de 24 a 26 de maio, corri, respetivamente, 34 km, 20 km e 24 km. Entre estes dias, dormi muito pouco, porque me desleixei mas também devido a alguma ansiedade. De cada vez que acordava, sentia-me com uma frescura invejável (culpa também de ter feito alongamentos no rolo muscular que a minha vizinha amavelmente me emprestou). Não havia cansaço que me tocasse.

Era bom não era? Pois retomei as minhas 7 a 8 horas de sono na semana seguinte e foi aí que senti a falta do descanso na semana anterior. É uma sensação de impotência incomparável. O corpo parece ter sido abalroado por três camiões seguidos. Só a continuidade do descanso ajuda o corpo a liberta-se da sensação de ressaca.

E por aí, quem já passou por uma bela ressaca de cansaço (seja desportivo, profissional ou pessoal)? E como lidaram com isso?

20
Jun19

Para tirar a "ferrugem"? Bebam chá, senhores!


João Silva

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Digo isto muitas vezes em tom de brincadeira, mas existe um tom de verdade por detrás desse pensamento. 

Antes de mais, refiro-me ao chá verde. E não, não o tomo porque supostamente emagrace. Ajuda nesse aspeto, mas porque mantém o metabolismo ativo e porque impede o envelhecimento das células. É rico em vitaminas B, C e K, ácido fólico, potássio e magnésio. Ou seja, é ideal para ajudar a evitar cãibras, para manter os "músculos vivos" e para impedir que inflamem.

Além disso, graças à cafeína, ajuda a despertar num ápice.

Já o integro de forma regular na minha alimentação há mais de dois anos, embora já antes disso fosse apreciador.

Conclusão: todos os dias de manhã ingiro uma infusão de chá verde feita em casa. É uma boa forma de "olear" a máquina e noto diferenças, para ser franco.

Por outro lado, é preciso ter algum cuidado, pois, em excesso, "seca" o organismo, não podendo ser contabilizado com ingestão de água.

Quando passei da obesidade ao extremo oposto, passei a beber perto de 1,5 l de chá verde por dia. 

Foi errado e causou-me muitos problemas.

Depois de ter aberto os olhos nessa fase, reduzi a "carga" para 400 a 500 ml diários.

Tem-se revelado a dose certa.

O chá preto, da mesma família, é muito bom, mas, confesso, prefiro o verde. Faz parte da minha alimentação, mas também da minha preparação enquanto atleta. 

Ao saber que se trata de um excelente antioxidante, não preciso de tomar nada "de fora".

Além disso, é extremamente importante na prevenção e na destruição de células cancerígenas.

Aconselho vivamente.

 

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19
Jun19

São boas e dão sempre jeito nas maratonas


João Silva

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Tenho por hábito ser relutante em relação a "aditivos" no corpo. E continuo a ser. No entanto, para se "sobreviver" a provas como maratonas é necessário aceitar que o organismo estará sempre em défice, logo, obrigatoriamente temos de recorrer a auxílios para suportar o cansaço, os défices de micronutrientes e para nos fornecer energia imediata.

Este é o lado invisível da preparação de uma prova, mas sem o qual não poderíamos "viver".

Na altura da primeira maratona, andava indeciso quanto ao "alimento" a utilizar. Tinha experimentado banana, marmelada ou laranja em treinos mas não fiquei satisfeito, porque senti que o corpo sofria muito com as perdas e não recuperava rapidamente dentro dos treinos de longões.

Nessa linha, optei por alguma coisa com fruta e que tivesse o mínimo possível de "mão humana".

Deparei-me com estas barras Aptonia, marca da Decathlon.

E usei-as nos treinos longos, tendo sentido de imediato que se adequavam na perfeição. Na altura, também adquiri os sumos de frutas deles, mas cheguei à conclusão de que não são tão práticos, embora sejam refrescantes e fáceis de ingerir.

Posto isso, temos de aceitar que se trata de bombas de açúcar, sendo que 50% da composição vem de frutas variadas. Mas quem corre uma maratona precisa efetivamente de uma bomba dessas para "rejuvenescer". 

Por causa dos açúcares adicionados (é o segundo ingrediente na lista), tentei remediar a situação com tâmaras nos treinos longos para a maratona de abril.

Tenho de admitir que não resultou muito bem porque, apesar da energia que têm, não ajudam a impedir a oxidação das células nem a revitalizar os músculos para que consigam completar 42, 195 km.

Portanto, rendi-me às evidências e voltei a comprar estas barras de frutas.

A questão da oxidação foi relevante para mim e, por essa razão, escolhi barras de frutos vermelhos com acerola. Além daquele efeito, fornecem ainda vitamina B1, B6, B12 e C.

São perfeitas para atividades com duração superior a 3 horas e não devem ser ingeridas de imediato. Ou seja, como eles próprios referem na embalagem, só devem começar a ser ingeridas ao fim de 30 minutos. No meu caso, costumo esperar sempre entre 40 a 45 minutos para o fazer.

Além de todos os açúcares simples, contêm maltodextrina, um açúcar composto que vai ajudar a recuperar da fadiga durante a própria atividade.

Por último, dois aspetos muito importantes: são fáceis de abrir (basta que não as deixem em locais com demasiada exposição ao calor) e têm 83 kcal por unidade.

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18
Jun19

São caseirinhas e são muito boas


João Silva

Já o disse tantas vezes, mas nunca é de mais relembrar: para tornar tudo isto possível, tive de me reeducar ao nível alimentar.

Comecei a pesquisar sobre os alimentos em sites credíveis e, com a ajuda do (enorme) conhecimento da minha esposa, fui adaptando receitas, a perceber o que podia ou não alterar e o que era melhor para mim.

Entre outras coisas, posso dizer-vos que fazemos o nosso próprio pão (apenas com sal, água, fermento e farinha) e as nossas bolachas (marinheiras, por exemplo, foram inspiradas na receita da Pitada do pai).

Posto isto, é tempo de partilhar convosco algumas receitas simples que faço para ajudar a colorir os meus dias e o meu estômago:

Papas de aveia com café:

  • 4 colheres de sopa de aveia com leite (ou bebida vegetal a gosto), café (ou descafeinado), canela a gosto, raspas de limão (ou de laranja) e banana;
  • Colocar tudo num tacho umas horas (costumo deixar no frigorífico) e depois levar ao lume, mexendo sempre para não agarrar;
  • A gosto, polvilhar com um pouco de cacau ou partir um quadrado de chocolate negro (uso de 81%) e verter por cima;
  • Verter para uma taça e deixar "repousar" uns cinco a dez minutos.

Overnight de banana (inspiração em receita vista no Instagram):

  • Cinco colheres de sopa de sementes de chia com uma colher de sobremesa de canela;
  • Uma banana esmagada e misturada com as sementes;
  • Adicionar 250 ml de leite (ou bebida vegetal), misturar tudo e levar ao frigorífico da noite para o dia;
  • Acrescentar umas amêndoas palitadas ou nozes picadas tostadas no momento.

Overnight de moca (adaptação de receita da Sidul):

  • Três colheres de sopa de flocos de aveia partidos ou inteiros, uma colher de sobremesa bem cheia de sementes de chia e de farinha de linhaça (trituro em casa), uma colher de chá canela e uma de cacau; um café expresso; 250 ml de leite ou de bebida vegetal;
  • Misturar tudo e levar ao frigorífico da noite para o dia;
  • A gosto, acrescentar frutos secos tostados.

Papas de millet (receita de A pitada do pai):

  • 8 colheres de sopa de millet (milho painço) de molho durante 30 minutos;
  • Cortar duas maçãs em pedaços pequenos (ou uma maçã e uma pera ou banana);
  • Acrescentar canela a gosto e raspas de limão;
  • Cobrir com água, levar ao lume, ir mexendo;
  • Quando começar a ferver, deixar em lume brando durante dez minutos;
  • Triturar tudo com a varinha mágica e servir com canela (no fim, tenho o hábito de acrescentar um café com uma colher de café de cacau).

Iogurte enriquecido com chia, aveia e linhaça:

  • Acrescentar uma colher de sopa de aveia, uma colher de chá de sementes de chia e de farinha de linhaça, uma colher de café de canela (eventualmente uma de café de cacau), uma colher de sopa de frutos vermelhos congelados; misturar tudo, levar ao frigorífico; servir com nozes ou amêndoa palitada tostadas.

Hambúrgures de grão ou de lentilhas:

  • O mesmo princício com adição de uma especiaria nos hambúrgueres de lentilhas: cozer grão/lentilhas;
  • Num tacho, colocar duas cebolas picadas, uma colher de sopa de água e deixar refogar um pouco até amolecer as cebolas;
  • Adicionar o grão/lentilhas; acrescentar sal e curcuma a gosto (para as lentilhas, além disso, adicionar cominhos a gosto); deixar cozinhar cerca de cinco minutos (ir mexendo);
  • Deixar arrefecer cerca de 10 minutos e triturar num processador de alimentos;
  • Formar hambúrgueres com a mão, dispor num tabuleiro e cozinhar na frigideira (em lume brando e sem qualquer óleo/azeite ou óleo de coco) ou congelar diretamente e cozinhar apenas quando se pretender.

Hambúrgueres de legumes:

  • Ralar uma couve, três cenouras, uma courgete;
  • Uma colher de sopa de água numa panela e cozer os legumes apenas com sal  e com o testo colocado;
  • Deixar arrefecer a mistura num escorredor;
  • À parte, uma taça com farinha de trigo ou outra e polvilhar a mistura de legumes com essa farinha;
  • Moldar hambúrgueres e levar a frigideira sem qualquer tipo de gordura e com lume muito baixo.

Pipocas no micro-ondas:

  • Duas colheres de sopa de milho pipoca, sal q.b., cinco colheres de sopa de água;
  • Mexer um pouco e levar ao micro-ondas na potência máxima durante aprox. 10 minutos (depende sempre do vosso aparelho).

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Existem imensas receitas da categoria das mencionadas acima, mas, para já, deixo-vos experimentar estas e depois partilho outras "iguarias".

 

 

 

17
Jun19

E como explicar o inexplicável?


João Silva

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Quando me perguntam o que fiz para mudar a minha vida e perder peso, tenho sempre dificuldade em explicar a cem por cento o processo.

Procuro dizer que não há um milagre e que não é instantâneo e que não é preciso cortar com nenhum alimento, porque o mal está na quantidade e não na tipologia. Além disso, a todos estes chavões faço questão de acrescentar o desporto.

No entanto, é sempre ingrato. Não o consigo dizer de outra forma: porquê? Porque é impossível de descrever ao pormenor o quão autodidata fui e sou para perceber como deveria mudar a alimentação, porque é impossível expor o meu volume global de treino e o que quero dizer com "reforço muscular" ou com "ioga".

No fundo, tudo isto dá para quantificar é certo, mas só quando se observa uma pessoa assim no seu "habitat" é que se consegue ter perceção do que é realmente preciso para perder peso, ganhar massa muscular e estar em forma. Separadamente, são sempre coisas distintas.

Por último, posso sempre sugerir uma técnica ou outra, posso dar dicas sobre como a pessoa se deve comportar, mas nunca conseguirei transmitir aquele ingrediente chave no processo: a força de vontade. Trata-se do combustível ideal e mais importante para materializar todo o processo. A pessoa em causa pode seguir as sugestões com afinco, todavia, se ao primeiro obstáculo (e surgem muitos), não tiver capacidade para aguentar o golpe e continuar, dificilmente chegará aos resultados que pocura.

Conheço muito poucas pessoas com esse ingrediente mágico. É um bem raro numa sociedade cada vez mais "normalizada" e "à espera de milagres".

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16
Jun19

Uma ode à força de vontade


João Silva

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É algo que não se explica.

Não digo que seja inato, que seja impossível de adquirir com o tempo. Contudo, acredito piamente que, pelo menos, um rastilho da nossa determinação já nasce connosco.

Nesse sentido, tive sorte: cresci com poucas oportunidades e possibilidades, mas, dentro de mim, sempre senti (mais até do que acreditei) que tinha força para remar contra a maré.

E, no meu entender, força de vontade é precisamente isso: capacidade para se prestar a um sofrimento que nos levará a atingir algo de muito bom. 

Sinto que é mesmo a minha melhor característica, algo muito próprio.

Apesar de tudo, perante o meu discurso, por vezes, cria-se a ideia de que sou um eterno otimista. Não sou. Acho que é a força de vontade bem disfarçada de otimismo. Isso e o facto de estar casado com uma pessoa que me como um "conquistador", como um ser humano capaz, muitas vezes, mais capaz do que eu próprio acho.

E força de vontade é o combustível para me levantar todos os dias e insistir no treino, mesmo nos dias em que não há muita vontade, sobretudo nos dias seguintes às "porradas" de alguns treinos.

Dizem que a fé move montanhas. Sou ateu e tenho consciência de que esse facto não me impede de ter fé (não necessariamente num deus "qualquer"). Ainda assim, a força de vontade é a minha fé.

Nos momentos de maior dificuldade, lá surge aquela esperança, mas não é uma esperança "pura", é a minha vontade e a minha crença no que é possível. E é possível, até ser impossível é sempre possível.

O ano de 2019 tem sido o meu pior ano em termos de resultados, mas tem vindo a ser o melhor no acreditar que pratico um desporto que me preenche e completa e na importância de olhar mais para a felicidade na corrida do que para os resultados.

E a força de vontade tem o condão de se transformar em crença.

 

 

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Separador destinado aos posts de alimentação e a todo o processo de emagrecimento e de reeducação alimentar que me fez baixar de 118 kg par 74 kg desde novembro de 2016.

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