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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

31
Mai19

It's all about the training


João Silva

Nada se consegue sem treino.

E os treinos podem ser muito intensos.

Contudo, intensos não significa sérios e desagradáveis.

Para que possam acompanhar por onde ando habitualmente, deixo uma compilação sob a forma de vídeo no meu canal de Youtube.

Passem, visualizem, subscrevam e partilhem.

São sempre bem-vindos. 

30
Mai19

2016 e de repente já passaram dois anos e meio


João Silva

Gosto de datas especiais. E costumo ter boa memória.

Por isso, esta data que se assinalou no dia 19 de maio não me podia passar despercebida: comemorei dois anos e meio desde o dia em que comecei mesmo a correr.

Como tal, era impossível deixar passar a data sem uma ilustração gráfica.

Nesse sentido, encaminho-vos para o vídeo que criei com todas as provas onde participei até ao momento, incluindo as caminhadas.

Basta clicarem aqui.

29
Mai19

Ter um exemplo a seguir ajuda a desbravar caminho


João Silva

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Se toda esta exposição (voluntária) teve ou tem algum lado positivo (e no meu entender é extremamente positiva), foi o facto de mostrar às pessoas que é possível sem cometer loucuras, sem gastar rios de dinheiro.

Já o confessei tanta vez, mas sabe-me pela vida quando me dizem que sirvo de exemplo para os outros. Isso reconforta-me, porque tenho noção da importância de ter alguém numa situação idêntica capaz de se chegar à frente, de assumir a sua história e de não ter medo disso.

Na minha vida privada, estive durante anos exposto a um contexto desfavorável e, ainda adolescente, lembro-me de pensar muitas vezes se havia mais alguém a passar pelo mesmo que eu. 

O tempo encarregou-se de me mostrar que não estamos sós, que há sempre alguém a suportar coisas semelhantes ou mesmo piores e que o mais relevante em todo o processo é não ter medo de expor o problema. Uma vez cá fora, a perturbação perde importância e esse é o momento em que conseguimos lidar com ela.

Portanto, fico honestamente feliz por sentir que há cada vez mais pessoas a partilhar a sua história. Se há coisa que isto tem de bom é uma espécie de "(ex)obesos anónimos" à distância. Mesmo estando longe uns dos outros nunca deixamos de estar próximos e, nesse âmbito, é tão bom poder incentivar alguém e levá-lo a alcançar os seus propósitos.

Por isso, todos os que se encontram na mesma situação façam-me um grande favor: digam ao mundo o que vos atormenta e não tenham medo de ter peso a mais, tenham, em vez disso, receio de não dar o primeiro passo.

Está nas vossas mãos.

28
Mai19

Quebrar a rotina para me sentir vivo


João Silva

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Também já passaram por isso?

Seguem escrupulosamente o vosso plano e de repente começam a sentir necessidade de quebrar um pouco com a rotina, de fugir ao que definiram?

Passei por isso nas últimas semanas. Isso, juntamente com a sobrecarga de treinos, fez com que chegasse a casa depois da corrida e não conseguisse ir prontamente fazer trabalho de força.

Não fiquei farto desse aspeto do treino. Ter mudado a ordem de algumas coisas e ter mudado alguns treinos (para treinos de natação ou de exercícios como sprints ou triângulos ou saltar à corda) ajudou-me a perceber que ainda adoro fazer reforço muscular.

Contudo, o "empatar" na execução do plano previsto também revelou que foi necessário ouvir o corpo e andar mais ao ar livre, a correr que nem um maluco. 

Ganhei novamente o sistematismo que perdi e percebi que sou muito feliz se ouvir o meu corpo no momento certo em vez de o "massacrar" com coisas que não quer.

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27
Mai19

De repente ia saindo uma maratona em treino


João Silva

Tinha previsto fazer um treino longo.

Andava a precisar daquela "vitamina".

E na semana anterior já tinha esboçado um percurso interessante. Como treinei com a minha colega Sandra a 18 de maio e descobri (ela já conhecia) alguns caminhos de terra batida muito interessantes, decidi que tinha de experimentar.

E assim fiz a 24 de maio.

Aperaltei-me todo, como se fosse para uma prova. Inclusive, acrescentei à lista de material a levar as gelatinas energéticas e uma bandana para a cabeça, daquelas que são fornecidas em provas. No caso, foi a que me deram na maratona do Porto.

E lá fui eu, juntamente com o telemóvel e este gosto muito recente por ir a ouvir podcasts. É uma excelente companhia. E não deixei que me faltasse o protetor solar, que isto de correr sob muito sol e calor dá cabo da "moleirinha" de uma pessoa.

Fiz algumas experiências muito interessantes: os primeiros 10 km foram marcados por subidas, duas delas que nunca tinha feito, por descidas acentuadas e técnicas e, além disto, ainda decidi alargar o período de abastecimento de sólidos.

No total do treino, subi cerca de 400 metros em estrada e fiz o primeiro abastecimento apenas ao fim de quase duas horas. Tinha as reservas de energia recarregadas dos dias anteiores e isso ajudou. O que também se revelou extraordinário e crucial foi a gestão que fui fazendo da ingestão de água.

O segundo abastecimento seguiu-se às duas horas e meia e o terceiro e último abastecimento sólido ao cabo de três horas.

Depois do "reboliço" dos primeiros 10 km, entrei numa fase que já conhecida, que é mais "estável" (não totalmente plana) e que me permitiu aumentar o ritmo. 

Posto isto, em vez de chegar a Ega e cortar para Condeixa, decidi que ia mesmo a Campizes (já tinha pensado nisso na semana anterior). 

Nesta fase, toda ela plana, mas percorrida debaixo de um calor abrasador, acreditei que estava muito bem e que ia conseguir fazer 42 km em treino, menos de um mês depois da maratona de Aveiro.

Como sempre, o corpo é quem mais ordena e o impacto dos 30 km faz-se sempre notar.

Curiosamente, não me fez sentir mal, mas mostrou-me que, apesar de ter energia e, sobretudo, moral para chegar aos 42 km, era importante dar algum sossego ao organismo, poupá-lo para os dias seguintes (a 25 de maio fiz mais 20 km para ajudar a preparar outra colega de equipa, a Isabel, para a sua primeira meia maratona em estrada; a 26 de maio foram 24 km sozinho e com duas passagens por serra [as mesmas dos dias anteriores]). 

O incrível no fim de contas foi que, ao contrário do que aconteceu noutros treinos de 42 km, não terminei com a sensação de que estava no limite das forças.

As dores surgem sempre e os quadris ressentem-se um pouco, não dá para negar isso, mas cheguei fresco e bem lúcido. 

E isso é impagável e deixa-me muito feliz, não só porque corri sem olhar para os tempos (fiz perto de 9 km na primeira hora, ou seja, andei acima de 6'/km, embora tivesse subido aí a totalidade dos 400 m de altitude que o treino teve), mas também porque me faz acreditar que é possível correr mais maratonas num menor espaço de tempo. Algo que se prepara para me trocar as voltas e me deixa a refletir no que poderá ser o ano de 2020...

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P. S.: voltei a perceber que as gelatinas energéticas Aptonia são uma melhor fonte de energia para estes treinos em comparação com as tâmaras, porque estas últimas não apresentam o elemento redutor de fadiga que se torna essencial em distâncias tão grandes. Além disso, mesmo perante um percurso tão complexo e debaixo de tanto calor, fico com a sensação de que não precisarei de consumir tantas gelatinas como fiz em novembro de 2018 e em abril deste ano nas duas maratonas oficiais em que já participei. 

26
Mai19

Mas porque raio tens de ir tão longe?


João Silva

Calma, esta irritação do título é apenas aparente. 

No fundo, serviu propósitos dramáticos. Como diz o outro: queres é chamar a atenção!

E sim, quero muito a vossa atenção. É importante, porque são bons ouvintes. Obrigado por isso! (aqui está mais uma forma de vos prender ao texto, dando-vos graxa, tudo é válido desde que não seja trafulhice).

Terminado o devaneio inicial, apraz-me partilhar convosco que o mês de maio me mostrou, uma vez mais, que estou talhado para as grandes distâncias.

Gosto de correr, é a conclusão.

E gosto de correr sem destino, é a segunda conclusão.

Quando tem de ser, uma distância curta também é aprazível, mas aquela sensação de calçar as sapatilhas e estar duas a três horas (ou mesmo quatro) em comunhão com a estrada é algo que não dá para explicar a quem só gosta de correr pouco ou não gosta de correr de todo.

Não me contento com poucos quilómetros e cada vez tenho mais essa sensação.

Naturalmente que custa, mas o "custo" é relativizado pela sensação de prazer, pela própria felicidade e realização pessoal com que termino.

Esta "pancada" está cada vez mais evidente em mim ao ponto de ter percorrido 28 km no dia 18 de maio, 36 km no dia 24, 20 km no dia 25 e 24 km no dia 26.

Consigo ler nas vossas mentes a seguinte pergunta: e isso não é perigoso para o corpo? Sim, evidentemente tem um lado negativo, porque não sou de ferro e as dores sentem-se com frequência. Contudo, tenho de ignorar essa parte durante algum tempo.

Ando a precisar de me sentir feliz e os treinos longos dão-me essa garantia. Faço sempre por esboçar percursos aliciantes, diferentes e com subidas e descidas "puxadas". Não quero monotonia.

E desse lado, o que preferem? Treinos longos, curtos ou estar parados?

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25
Mai19

A recaída que nunca desaparece...


João Silva

Não é um bicho de sete cabeças. É algo comum. Falo nas recaídas.

Como já disse, reeduquei-me a nível alimentar. Os meus gostos e preferências foram alterados, claramente, para melhor.

Todavia, refiro-me às recaídas de quantidades.

Bem sei o que causa esses episódios, mas, por vezes (muitas, para ser sincero), é difícil manter a consciência e a razão. 

O que faço? Quando não consigo estancar a quantidade que comi e sinto que abusei, nada mais me resta do que tentar manter a calma e retomar a minha rotina assim que possível.

Não há milagres.

Emagreci mas nunca deixei de ter fome. Passei, por outro lado, a ter um aliado de peso para dar cabo do peso: o desporto. Algo que adoro e que, felizmente, vou tendo tempo para praticar, o que vai diminuindo o impacto e a gravidade dos dias mais complicados.

Nos últimos tempos, devo ter "apanhado" alguma "hormona estragada" nos meus cardápios e tenho comido mais do que gostaria. Porém, houve algo de muito bom que aprendi em tudo isto: não vou aceitar culpa nem "morrer culpado" por isso, tenho de perceber (e às vezes custa) que é normal, faz parte. No fundo, após estas recaídas, tento "fazer as pazes" comigo próprio e depois continuo onde estava.

Um aspeto fundamental é nunca perder noção de que não posso alargar a rédea, tenho de manter sempre a preocupação quanto ao peso. O risco de voltar ao que era não desaparece por ter emagrecido, apenas "desvanece".

 

 

24
Mai19

Quando o sonho ganha forma...


João Silva

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Ao longo das últimas semanas fui desvendando o véu, mas agora já se pode ver mesmo e adquirir o "rebento".

Algo com que sempre sonhei ganhou forma e já se encontra disponível na maioria das livrarias online, incluindo as internacionais.

Trata-se do livro "O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista".

Este livro foi pensado e estruturado durante os treinos "longões" de preparação para a maratona da Europa em Aveiro.

No fundo, versa sobre todos os pontos importantes da preparação desde o treino específico às distâncias percorridas, sem esquecer a relevância da alimentação e dos abastecimentos nem os aspetos psicológicos associados como a depressão.

Poderão encontrá-lo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui.

Fico bastante feliz se sentir e souber que pode ter contribuído para a evolução de algum de vós.

 

 

23
Mai19

É muito bom e é muito mau


João Silva

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Prometo ser breve.

Esta publicação serve apenas como uma pequena "confidência". 

Naturalmente que, antes de mais, é maravilhoso poder recolher os louros do meu trabalho (em conjunto com os meus). Ou seja: sabe bem receber os elogios devido à força de vontade que tive e onde consegui chegar. 

À medida que a história vai ficando conhecida, maior é a quantidade de palavras positivas que vou recebendo. Trata-se de uma coisa lógica e até banal, porque é, efetivamente e sem falsas modéstias, um feito.

No entanto, como tudo na vida, tem sempre um potencial efeito secundário nocivo: ao mergulharmos na piscina das virtudes, achamos que está tudo bem, que o processo acabou e que as coisas vão por si próprias.

Nada mais errado. É fácil elogiar (é mais fácil criticar), mas, por norma, nós portugueses elogiamos pela frente e criticamos por trás.

Contudo, nem é tanto isso que me incomoda com as mensagens positivas. É pensar que poderei não estar à altura, que vai chegar o momento em que jã não haverá elogios porque já se conhece a história. E depois? Depois disso resta manter a humildade e perceber que o caminho é, acima de tudo, meu e da minha família. Portanto, não tento "rebaixar-me", mas tento relativizar tudo o que vou lendo.

Não entra a 100 e sai a 200. Bem sei que há elogios sinceros e que ajudam a criar uma boa autoestima.

Porém, fico sempre de pé atrás em relação. Nunca sei se não voltarei e se não me deixarei recair.

 

Portanto, prudência, meu caro!

(P. S.: fui mesmo mais breve do que o costume).

22
Mai19

Em foco mas por boas razões


João Silva

Alguns de vós já devem ter tido oportunidade de ver isso nas minhas redes sociais Facebook e Instagram a foto que publiquei do Diário de Coimbra do dia 27 de abril.

Na altura, devido à preparação da maratona e a questões logísticas, acabei por não ter tempo e por me esquecer de vos deixar aqui essa nota.

No fundo, trata-se de uma narrativa que serviu o propósito de dar a conhecer a minha história nos últimos dois anos e meio.

Confesso que me senti muito feliz por ver reconhecido o trabalho que levei a cabo desde então e, por outro lado, por sentir que mais pessoas vão acreditar que é possível mudar sem cair em descompensações e em desequilíbrios que mais não fazem do que prejudicar a saúde.

Abaixo, deixo a foto com a notícia e, uma vez mais, coloco-me à vossa disposição quer para partilhar a minha história de vida quer para tentar ajudar quem está onde eu estava há dois anos e meio.

No entanto, quero fazer uma ressalva: não esperem uma resposta rápida. Ela não existe. Por vezes, perguntam-me o que fiz, qual foi a receita e reparo que ficam "desnorteados" quando começo a debitar informação sobre a minha evolução. As pessoas, algumas, pelo menos, querem que diga que tomei alguma coisa ou que cortei outras. Mas não, foi um processo moroso e prolongado no tempo. Para ser franco, ainda é. Agora já faz parte de mim, mas não deixa de ser um ato contínuo.

E, além do mais, um ato que exigiu e exige muito desporto para manter tudo no sítio.

Fico curioso para receber o vosso feedback.

Um bem haja.

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21
Mai19

Azia ou simplesmente a ordem das coisas?


João Silva

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Daqueles tópicos a que qualquer corredor mais afoito não foge. 

Quantos dias aguentam sem correr?

A azia começa a subir pelo vosso esófago ao fim de quantos dias?

Para mim, foi uma novidade. Nunca tinha estado tantos dias sem correr. 

Depois da minha primeira maratona oficial, entendi que deveria continuar a correr sem destino e depois as dores e as lesões apareceram logo ao fim de duas semanas.

Conclusão: para a ressaca desta maratona, decidi logo antecipadamente que ia fazer diferente.

Não parei o exercício. Isso é um erro crasso. O corpo deve ter tempo para repousar, para descansar, mas não devemos ficar parados sem qualquer tipo de exercício. Devemos, isso sim, diversificar as modalidades: umas caminhadas calmas, moderadas ou intensas, uns passeios de bicicleta normal ou estática, uns exercícios de reforço muscular e, claro, alongamentos e ioga.

E foi isso que fiz.

Mas senti falta das minhas corridas?

Confesso que senti. 

Fiquei ressabiado ou aziado?

Não deixei chegar a tanto, talvez porque desde novembro de 2016 nunca parei verdadeiramente e o meu corpo precisava de uns mimos. Ainda assim, a grande verdade é que nada me completa mais do que sair de casa com a minha artilharia pesada e ir correr.

Portanto, uma espécie de azia controlada...

20
Mai19

Mais vale só do que (bem) acompanhado? - parte II


João Silva

Esta é a segunda parte de uma "dissertação" que dá pano para mangas.

Sendo que já dei conta do quão importante considero correr acompanhado, embora não o faça por várias razões.

Seja como for, este texto foca-se sobretudo nas vantagens e desvantagens de correr sozinho e acompanhado. Pensei de forma mais ponderada sobre o assunto na sequência da última prova em que participei e de uma conversa com a minha vizinha e colega de equipa.

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Vantagens de correr sozinho

  • desenvolvimento de estilo próprio
  • reforço mental e capacidade de resistência
  • conhecimento do corpo
  • definição desimpedida de percursos
  • definição de tática e estratégia de corrida
  • autodependência em vez de dependência do estilo dos outros
  • criação de espírito guerreiro e de sofrimento

Desvantagens de correr sozinho

  • demasiado solitário
  • maior limitação da evolução do atleta
  • falta do contexto de competitividade saudável
  • inexistência de sentimento de entreajuda
  • ausência de capacidade de sofrimento coletivo
  • maior risco e maior aventura em alguns percursos

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Posto isto, junto igualmente ao "debate" algumas ideias que extraí de um vídeo do grande Eliud Kipchoge, o verdadeiro campeão de maratonas e talvez a derradeira esperança humana nesta altura para quebrar a barreira das 02h00 numa maratona.

Grosso modo, trabalha com uma equipa. Nem sequer é só com um treinador. Em seu redor, tem um conjunto muito bom de atletas e é esse grupo que o ajuda a evoluir. Treinam juntos, estagiam juntos, seguem as orientações de um técnico comum e, inclusivamente, vão juntos para as provas.

Segundo o queniano, "vale mais 10% de cada indivíduo da sua equipa do que 100% dele". Ou seja, embora se trate de uma prova individual, uma maratona requer estratégia e essa passa por ter ao seu lado um conjunto de atletas capazes de espicaçarem e de despoletarem uma evolução no "principal". O ritmo inicial deles é um ritmo alto, é certo, mas em grupo. Para tal, desde logo, cada corredor tem de ser muito dotado para integrar a equipa. 

Chegados a um ponto "de rotura", em que cada um deles já atingiu o seu limite, seguem cada um por si.

E esse é o ensinamento maior que retiro de tudo isto: é muito importante ter uma companhia, é isso que vai permitir uma maior evolução do corredor. Contudo, "amigo não empata amigo": cada um tem o seu ritmo e é preciso desenvolver capacidade e estilo próprio para perceber que, a determinada altura, teremos de deixar o colega atrás porque o nosso corpo nos diz que estamos melhor.

19
Mai19

Ir mais longe com pouco dinheiro e sempre orientado


João Silva

Demorei algum tempo até ter um relógio com GPS apropriado a um corredor que palmilha meio mundo como eu.

E porquê? 

Várias razões, desde logo, porque o investimento era relativamente avultado para as minhas possibilidades financeiras, mas, acima de tudo, porque não sabia se iria ficar "preso" neste mundo desportivo...

Acho que já é seguro dizer que estou muito preso.

Na hora da escolha, uma vez mais, ida direta e sem distrações à Decathlon.

Gama de preço pretendido: algo até 100€, se possível, uma bela "fatia" a menos em relação a esse valor.

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Encontrei este "jeitoso" Geonaute Watch Onmove 220 por 75€.

Entretanto, o preço já baixou um pouco, tornando-o ainda mais apetecível para uma gama média muito boa de produto.

Estabelece uma conexão muito rápida com o GPS (exceto se tiver muitos edifícios altos em redor) e faz uma contagem quilométrica praticamente instantânea. Tem uma boa bateria, com uma autonomia estimada de 07h00 e real de 06h30 em modo de GPS, contabiliza as calorias, a distância, a velocidade e tempos por volta. Carrega em apenas 01h30.

Para os fãs da aplicação Strava, é ideal pois permite emparelhamento. Além disso, graças à aplicação própria, permite uma gestão detalhada destes dados no computador e nos dispositivos móveis.

Por último, dois aspetos que me parecem merecedores de destaque: estabelecem ligação com banda cárdio através de Bluetooth e apresentam uma boa impermeabilização (IPX7).

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Desse lado, quem usa o quê para não se perder e qual o vosso GPS de eleição numa ótica de boa relação qualidade-preço?

18
Mai19

Em caso de ataque, aprende a defender-te


João Silva

É apenas uma forma de chamar a atenção para um problema frequente: os ataques de gula ou mesmo compulsões alimentares acontecem. Quer se seja magro ou gordo, eles deverão aparecer e é importante reagir a isso.

Desde logo, sobretudo quando se perde peso, é possível ter um ataque de gula. Fundamental é não sentir culpa pelo que se "passa". O ideal é aceitar o que aconteceu e retomar a rotina alimentar assim que possível. Ninguém engorda por um ataque de gula, até porque os bons hábitos alimentares vão ajudar o organismo a desfazer-se rapidamente dos "maus alimentos". Portanto, é uma questão de rotina e de tempo.

Falo por mim: a comida é um prazer mas é também uma forma de refúgio para momentos de stress ou ansiedade. Assim, não são assim tão poucas as vezes em que sofro destes ataques, destas compulsões.

São momentos um pouco "assustadores", porque tenho perfeita consciência de que não devo comer aquela quantidade mas não consigo parar. Sei perfeitamente que aquela colher deveria estar quieta, mas os braços não obedecem às ordens da minha cabeça. E sei que isso não acontece apenas comigo.

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As minhas compulsões manifestam-se sempre na quantidade de comida. Como reeduquei os meus hábitos, não sinto compulsão para atacar um chocolate ou umas batatas fritas. Nada disso, no meu caso são coisas como Overnight de Moca, frutos secos, papas de aveia ou batatas doces. E nunca é em coberturas com molhos, é sempre na quantidade que pretendo ingerir.

E o que faço? No momento, fico a sentir-me culpado e penso algumas vezes que já não vou comer durante não sei quantas horas, mas depois sou assolado por juízo e retomo a minha rotina. Tudo acaba por ser devidamente diluído com o passar do tempo e com o treino e os meus hábitos alimentares.

Contudo, existem algumas coisas que faço com frequência quando noto os sintomas, algo que o tempo nos ajuda a descortinar: Procuro ingerir taças com vegetais ou legumes como alface ou cenoura; no verão, por exemplo, tento atacar os tomates ou as melancias. É uma forma de continuar a comer muito mas com baixas calorias. Comigo resulta, porque fico cheio e depois a compulsão passa.

Bem sei que não será assim com todos e que nem todas as pessoas gostam dessas coisas ou pretendem esboçar uma defesa com base em legumes. No entanto, é uma estratégia. Válida porque resulta, mas não é um dogma.

Além desta, existe outra estratégia que também uso: beber muita água e chás antes da ingestão dos alimentos. Essa ação vai encher o estômago, enviando a indicação ao cérebro de que estamos satisfeitos. O inconveniente é que a água é rapidamente libertada do organismo.

Uma terceira tática que também se mostra bem-sucedida encontra-se no uso da pasta de dentes: o sabor, tão distinto quanto possível, ajuda mesmo a afastar a comida do corpo.

Em relação ao meu metabolismo, já sei quais são os sinais que indicam vontade acéfala de comer: nervosismo, stress, estar muitas horas seguidas sem comer, pensar muito num determinado tipo de comida, privar-me de alguma refeição.

Por fim, outro fator que contribui para os ataques de gula ou para as compulsões é o sono. Quanto menos dormir, mais vou ingerir. Bela rima que no meu caso se confirma. As noites mal dormidas na fase em que estive nos 60 kg tinham o condão de despertar em mim uma fome incomensurável.

Resumindo, não é uma anormalidade ter ataques de gula, mas é importante reconhecê-los e saber lidar com eles. Fazem parte. Espero ter ajudado para fazer cair mais um mito, porque, mesmo depois de ter perdido tanto peso, esses desejos de comida não desapareceram.

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17
Mai19

As companheiras das grandes distâncias


João Silva

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Na altura da primeira maratona, ficou decidido cá em casa que teríamos de encontrar umas sapatilhas apropriadas para correr uma maratona.

Fomos à minha "candy store" Decathlon e foi mesmo uma festa: uma gama interminável, mas poucas se adequavam ao que pretendia: bom amortecimento, leveza, boa respiração e rasto não escorregadio.

Dentro da gama que pretendíamos e podíamos gastar, encontrámos as Kalenji Kiprun Race. Fiquei logo enamorado pela estética, um aspeto com o qual não estava a contar. Aquela mistura de cores combina com a maioria dos equipamentos. Mas, honestamente, esse é o aspeto menos relevante numa escolha tão importante.

Tem um amortecimento "mole", ou seja, dá ideia de apresentar uma espuma que se adapta ao impacto no solo, evitando "choques" duros com o asfalto. De acordo com a Decathlon, apresenta um drop de 10 mm. Isto é: mais alto atrás do que à frente.

Em termos de impulso, utilizam um sistema Up'Bar, uma resina TPU com espuma EVA para conferir uma elevação "natural", sem durezas.

São muito leves (a marca fala em 203 g no tamanho 43, que é o meu). A língua é muito fina, o que, por um lado, não provoca fricção na parte superior do pé e, por outro, permite um contacto mais direto com os atacadores.

Na minha opinião, o cumprimento limitado dos atacadores levanta alguns problemas para ter as sapatilhas bem adaptadas ao pé.

De resto, o rasto é perfeito para estrada, apresenta algumas rugosidades, aumentando a aderência.

Pela minha experiência com outras gamas Kalenji, a aderência a pisos molhados é sempre mais complexa. Apesar disso, francamente, com estas nunca tive esse problema, nem mesmo em zonas empedradas.

A marca aponta-as como ideais para atletas rápidos que, por exemplo, façam 02h40 numa maratona.

Não é o meu caso. Ainda estarei longe (mas não me importava nada de apresentar esse tempo), considero-as perfeitas para uma gama média de preços e para que pretende correr "sem destino" provas de longa distância. O facto de serem muito leves ajuda imenso quando cansaço começa a atacar.

E desse lado, quem as tem? O que acham delas?

 

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