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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em 2016 era obeso, hoje sou maratonista (6 oficiais e quase 20 meias-maratonas). A viagem segue agora com muita dedicação, meditação, foco e crença na partilha das histórias e do conhecimeto na corrida.

Em 2016 era obeso, hoje sou maratonista (6 oficiais e quase 20 meias-maratonas). A viagem segue agora com muita dedicação, meditação, foco e crença na partilha das histórias e do conhecimeto na corrida.

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29
Abr19

Povo d'um raio!


João Silva

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Foi incrível. Que apoio saboroso e maravilhoso.

Acho mesmo que as pessoas não imaginam o quanto ajuda receber palavras de incentivo durante uma maratona.

Em todas as provas é especial e importante, mas nas maratonas é uma "obrigação".

E o povo de Aveiro, mas sobretudo de Ílhavo, da Barra e das Gafanhas respondeu presente e superou as minhas expetativas.

Os cordões humanos nas Gafanhas ou na Praia da Barra, os cartazes, os gritos, os incentivos foram de loucos. 

E eu também fiz por isso. Não me neguei a nada. Se para mim as maratonas são especiais, tenho de as viver de forma especial. E transformo-me num verdadeiro "animal" de palco.

Esbracejo, peço palminhas, aplaudo o público, incentivo a multidão a vir connosco, a ser parte do espetáculo. E são. E foram. Desde crianças sozinhas a bater palmas, a olhar para nós com enorme admiração, a senhoras às janelas dos prédios, passando por bandeiras nas varandas ou por testos a bater. Esteve lá tudo. E nem o ladrar dos cães faltou à festa.

Pessoas isoladas, estrangeiros, turistas, tudo lá. Como mandam as regras.

E os últimos 200 metros? Bem, o êxtase foi total. Fui levado "ao colo". Como bem quero e preciso nestes casos. 

Parecia uma subida ao cumo de uma montanha no ciclismo. Que corrente humana, que gritaria, que palmas!

Estremeci, fechei os olhos e absorvi tudo. Deu-me tanta força que fui a um sprint final e consegui passar dois atletas à chegada. Chorei ao atravessar aquele cordão.

Nunca tinha vivido nada assim. Nem no Porto, onde o público, tenho de confessar, foi ainda mais entusiasta.

Mas algo assim? Nunca.

E por isso Aveiro merece voltar a ter uma maratona para o ano.

Foi inesquecível!

Foi maravilhoso!

Povo d'um raio!!!

29
Abr19

Talhado para maratonas


João Silva

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Não ando nisto pelos tempos. 

Se assim fosse, teria de me retirar. Em termos objetivos: o tempo é mediano. E existem infinitos atletas com melhores tempos. Mas corro por paixão ao desporto e porque acredito que é um local incrível para se conhecer pessoas e histórias únicas de superação.

Cruzar cada meta de uma maratona (de qualquer prova, diria), é um motivo de felicidade e de dever cumprido.

Contudo, não sou diferente dos outros e também pretendo fazer o melhor tempo possível. E em competição também tento ser mais rápido. 

Porém, já tinha dito noutro post que o meu maior objetivo era conseguir terminar em saúde, lúcido e bem fisicamente. Se possível, abaixo das 04h00. E, na loucura, se fosse mesmo mesmo possível, com 03h30 minutos.

Não deu para esta última parte. Mas deu para o resto, o que me deixa genuinamente feliz.

Isso e o facto de ter conseguido fazer uma gestão perfeita da minha evolução.

É por essa razão que sinto que tudo compensou. Cada treino e cada quilómetro desde novembro de 2018 até ao dia 28 de abril de 2019.

Comecei no separador das 4h15, aos poucos fui-me "deslocando" para o bloco das 04h00. Tentei sempre estabelecer o paralelismo com a minha prestação na prova do Porto em novembro de 2018.

Até aos 10 km foi assim. Sempre com o pensamento: não é como começa, é como acaba. Frase sábia do mestre José Carlos proferida momentos antes da partida.

E ainda com o lema que me persegue há muito tempo: começar velho para acabar novo.

O problema nesta fase é manter a calma, porque as provas partem todas ao mesmo tempo, os ritmos são obrigatoriamente diferentes e isso obriga a "resfriar os ânimos".

Dos 10 aos 20 km, um ritmo mais intenso, a subir aos poucos, como tinha previsto. É uma parte do percurso propícia a manter um ritmo constante, o que ajuda a ganhar rapidez.

Aos 25 km, encontro o meu caro Ricardo Veiga. Dei-lhe um sermão e continuei. Aqui encontro dois atletas que desconhecia, fui um pouco na "roda" deles, partilhei a minha história de vida.

Ao quilómetro 26, encontro uma grande dupla que foi uma ajuda enorme para o último terço da aventura: o senhor Salazar de Bragança e o senhor Artur de Gaia. Sempre num bom ritmo, a galgar terreno, a derrubar metros e numa cadência constante. Sem esquecer a partilha de histórias de vida e de opiniões quanto a públicos de provas. 

E foram cerca de 10 km nisto.

As dores nas ancas, que comecei a sentir ao quilómetro 6, aumentaram por volta do 36.º km, quando já ia sozinho, a "pedido" do senhor Salazar. O senhor Artur já tinha ficado alguns quilómetros antes.

Essa parte foi dura, porque não era uma zona com muito público e porque o calor começou a apertar. Nada de parede psicológica até aos 37 km. A partir daí, ainda sem esse "fantasma", comecei a perder algum ritmo e a deparar-me com muita gente a parar, a encostar às boxes.

Nunca parei, senti que se o fizesse, ia ser difícil acabar em condições e comecei a perceber que podia fazer perto de 03h50m.

Mantive um ritmo constante, ainda que baixo. 

E senti cada músculo a querer romper. Era evidente que esticar de mais me ia prejudicar. Já sem água, recolhi uma garrafa no último abastecimento, o dos 40 quilómetros. Reguei-me.

Ainda bem que o fiz. Deu para aliviar o calor e para ir aumentando o ritmo. Dou de caras com uma atleta, meti conversa, porque isso distrai e ajuda a libertar o foco das dores que se sentem em cada músculo. 

Todavia, ainda deu para sentir a zona superior do joelho esquerdo a avisar-me: se esticas mais, ficas a pé. Não abusei. Prometo.

E nisto estava no quilómetro 42. Os restantes metros são indescritíveis. São da responsabilidade do povo.

E lá deu para ficar nas 03h49m.

Talvez pela responsabilidade de correr numa prova daquelas e pela consciência das dificuldades, sei que não posso abusar demasiado cedo. É por isso que acho que giro melhor essas provas.

Uma nova para os meus abastecimentos: correram bem, três a cada 40 minutos, os dois seguintes a cada 30 minutos e os últimos dois a cada 20. Foram mais do que pretendia, mas senti necessidade, talvez por causa das dores. Acabei por recorrer às gelatinas de frutas Aptonia da Decathon. São simples, só têm maltodextrina, mas ajudam imenso.

Uma observação também para o gel antifricação da Decathlon que é um grande amigo a evitar foles nos pés e assaduras nas virilhas.

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29
Abr19

Obrigado Aveiro


João Silva

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Final feliz de uma preparação intensa, como são todas para uma maratona.

E no fim, importa agradecer à minha esposa. É incrível todo o apoio que me dá e como me faz sentir. Tudo isto é obra dela. A minha mental coach e também fisioterapeuta, motivadora e repórter.

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Ao mestre das Maratonas da ARCD Venda da Luísa, o José Carlos Fernandes. Este homem tem uma enorme aura. Só pela sua presença já nos sentimos inspirados. É incrível.

Muito obrigado a todos os conhecidos que reencontrei no meu regresso à cidade.

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Muito obrigado aos senhores do Hotel Mizu. Que donos simpáticos e acolhedores. Na véspera da prova, estivemos mais de uma hora à conversa. Obrigado, senhora Sandra pelos seus incentivos À janela. Não pude deixar de olhar para ver se lá estava.

Muito obrigado às pessoas que saíram à rua e nos levaram ao colo.

Muito obrigado ao senhor João Lima do blogue Último KM por me ter reconhecido, cumprimentado e incentivado durante o percurso.

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Muito obrigado à organização por quererem conhecer a minha história. Parabéns pelo percurso,  pelas ofertas e pela presença da madrinha Aurora Cunha. Que simpatia e que prazer ter trocado umas palavrinhas com ela.

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Por último e não menos importante, muito obrigado aos atletas que conheci durante o percurso e que foram essenciais para ter chegado ao fim: o senhor Salazar de Bragança, o senhor Artur Rego de Gaia, o senhor Helder de Gaia e a senhora Ângela. Os dois últimos encontrei-os ao quilómetro 26, os dois primeiros acompanharam-me do 26.º km ao 35.º. E assim se partilham histórias maravilhosas e que me fazem ficar grato por estar neste mundo das corridas.

Nesta senda de agradecimentos, uma palavra de saudação para os meus outros colegas de equipa, no caso, três deles completaram a sua primeira maratona de estrada, todos eles com excelentes tempos: João Pedro, Arlindo Ribeiro e André Monteiro. Um elogio ainda para o Francisco Silva que fez uma boa meia maratona.

Por último mas não menos importante: foi tão bom rever os meus velhos conhecidos destas andanças: o Ricardo Veiga, a quem prometi "tratar da saúde" por estar na sua maratona de 2019 e no espaço de um mês, a sempre guerreira Lígia Casimiro, o craque Edivaldo, que me parecia verdadeiramente lançado, e o estimado Joel Santos, por quem fiquei mesmo muito contente, pois completou também a sua primeira maratona.

Parabéns meus caros e obrigado a todos. Sobretudo à cidade e ao povo que a encheu e que se espalhou por Esgueira, Gafanhas e Ílhavo.

Não imaginam o quanto nos apoiaram e o quanto precisamos de vós para fazer esta distância monstra.

Vemo-nos na próxima...

 

 

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