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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

11
Jan20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

1.º trail – Trail Santa Catarina 2014 – Vila

Foto: 1.º Trail - Trail Santa Catarina - 2014 - Vila Nova de Famalicão

Hoje trago-vos uma pessoa em quem vejo uma verdadeira alma guerreira.

A nível pessoal, penso que nem ela imagina o quanto contribuiu a dada altura para a minha felicidade privada, apoiando um projeto que ainda não tinha pernas e que só as viria a ter meses mais tarde.

V Trail Viver Pereira – 2016.jpg

Foto: V Trail Viver Pereira - 2016

De certa forma, gosto de pensar que é justo valorizar o seu talento aqui. Em termos desportivos, é uma autêntica guerreira. Impressiona-me pelos desafios a que se presta em trails e julgo que o facto de ter uma paixão tão grande pela corrida idêntica à minha (ela no trail, eu na estrada) me leva a admirar o seu trabalho e a sua sede de novos desafios. Como poderão aferir mais abaixo, é uma adepta inveterada de desporto, o que, desde logo, merece todo o tipo de elogios.

Penso que as respostas dela vos darão uma ideia bem precisa da valia humana e desportiva de uma pessoa como a Elza.

VI Trail de Conimbriga Terras de Sicó -2017.jpg

Foto: VI Trail de Conímbriga Terras de Sicó - 2017

É, pois, chegado o tempo de conhecerem a Elza

  • Nome

Elza Cordeiro

  • Idade

46

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

2012. Fui parar ao atletismo um pouco por acaso. Sempre fiz desporto, na minha adolescência o desporto que fazia era andar de bicicleta. Mais tarde e durante algum tempo fiz aeróbica e step, até que descobri a hidroginástica e fiquei rendida. Até ser mãe, e mesmo grávida, fazia hidroginástica 3 vezes por semana. Com a maternidade, as rotinas alteraram-se completamente e os horários deixaram de ser compatíveis com os horários da hidroginástica, foi nesta altura que descobri a corrida. A corrida tinha vantagens, pois podia ir a qualquer hora, ou seja, não havia um horário de treino a cumprir.

FK Trail – 2017.jpg

Foto: FK Trail - 2017

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida em montanha, vulgarmente conhecida por Trail Running. Foi através de uma prima, que também é praticante de trail running, que tive contacto com a corrida em montanha. Claro está que fiquei apaixonada. Correr na montanha não tem qualquer semelhança com as corridas de estrada. Na montanha há muitos obstáculos que temos de ultrapassar, não é “correr a direito” como em estrada. Há trilhos muito técnicos, alguns até bastante perigosos, mas com paisagens de sonho, que de outra maneira seria difícil conhecer. Há também muito mais companheirismo e entreajuda entre os atletas. Durante uma prova corremos, mas também conversamos, e muito. Corre-se muito com as pernas, mas também com a cabeça. Claro que também há competição, mas a competição por norma não é o mais importante. Não esquecer que há que ter muito respeito pela montanha. É ela quem manda.

Coimbra Trail – 2018.jpg

Foto: Coimbra Trail - 2018

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Prefiro as longas distâncias. Fiz a minha primeira prova em setembro de 2014, foram 10 km. Confesso que nos dias anteriores a esta primeira prova andei um pouco ansiosa. À época, 10 km para mim eram uma enormidade. Completei a prova com sucesso, e gostei tanto que em fevereiro de 2015 já estava a fazer a minha primeira prova acima dos 20 km, o Trail de Conimbriga Terras de Sicó. Andei pela distância de 20/30 km até 2017, onde em janeiro me aventurei a fazer os 33 km do famoso Trail dos Abutres. Até setembro de 2018 mantive-me nas provas cuja distância rondava os 25/35 km. Em setembro de 2018 ultrapassei a barreira dos 35 km e fiz a minha primeira ultra, foram 43 km no Coimbra Trail. Fiquei rendida à distância acima dos 40 km. Nestas distâncias são precisas pernas, treino, mas também é preciso muita resiliência, muita capacidade para ultrapassar as dificuldades e adversidades que vamos encontrando ao longo do percurso. É preciso muita cabeça. Entretanto na época que terminou, 2018/2019 fui finisher no Circuito de Ultra Trail da ATRP, que para quem não sabe é um circuito de provas, 4 provas, cuja distância de cada uma delas é maior que a distância da maratona. Este circuito da ATRP é um campeonato realizado a nível nacional.

Mondego Ultra Trail – 2018.jpg

Foto: Mondego UltraTrail - 2018

  • Na atual equipa desde

Época 2017/2018

  • Volume de treinos por semana

3 corrida e 2 reforço em ginásio

  • Importância dos treinos

Os treinos são cruciais para atingir os objetivos, ou seja, para conseguirmos completar o percurso a que nos propomos fazer com sucesso e para evitar lesões;

Estrela Grande Trail - 2018.jpg

Foto: Estrela Grande Trail - 2018

  • Se tem ou não treinador

Para os treinos de corrida não tenho treinador, vou correndo umas vezes sozinha, outras em grupo. Na parte do reforço muscular, tenho apoio de um treinador que vai orientando os treinos tendo em conta o meu propósito que é o de conseguir fazer distâncias acima dos 42 km em boa preparação física. Nestes treino de reforço treino a força e a resistência.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Como o atletismo entrou um pouco “tarde” na minha vida, não consigo identificar diferenças entre o atletismo passado e o actual.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Além de às vezes irmos treinar para o monte e de já ter acontecido termo-nos perdido, ao longo destes 7 anos, não tenho nenhuma história engraçada para contar.

Piódão Trail Running – 2019.jpg

Foto: Piódão Trail Running - 2019

  • Aventura marcante

VII PIODÃO TRAIL RUNNING: foi sem dúvida a minha maior aventura. Foi a minha primeira prova acima dos 43 km. Foram 50 km debaixo de condições atmosféricas extremas: com trovoada, chuva intensa, granizo, nevoeiro e um forte nevão (foi o maior nevão do ano na aldeia de Piódão) que rapidamente apagava as marcas deixadas pelo atleta que ia cerca de 50 m à nossa frente e as condições meteorológicas eram de tal maneira adversas que não conseguíamos distinguir se era homem ou mulher. Foi uma prova feita em equipa e foi o ter sido feita em equipa que contribuiu para termos conseguido, tendo em conta aquelas condições, ser finishers. As condições eram tão más que a organização não permitiu que ninguém iniciasse a prova sem calças térmicas ou impermeáveis, bem como sem impermeável.

  • Participação em prova mais longa

VII PIODÃO TRAIL RUNNING, 50 km com 3000D+ (nota: desnível positivo)

 

  • Objetivos pessoais futuros

Em 2020 gostava de fazer os 57 km do TRAIL DE CONÍMBRIGA TERRAS DE SICÓ, e em 2021 os 67 km do Ultra Trail Serra da Freita.

Trail Abrantes 100 – 2019.jpg

Foto: Trail Abrantes 100 - 2019

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Há cada vez mais pessoas a aderir ao atletismo, penso que é uma atividade que terá tendência para crescer. Em termos de trail, neste momento, há inúmeras provas todos os fins de semana, mas pela seleção natural apenas irão sobreviver aquelas a que vale mesmo a pena ir, quer pela beleza dos trilhos, quer pela organização.

Trilhos dos Abutres – 2018.jpg

Foto: Trail dos Abutres - 2018

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Daqui a 5 anos continuo a ver-me como praticante de trail running, já estarei num novo escalão, no escalão F50. Quando mudasse de escalão, gostava de fazer uma prova de trail de 3 dígitos, o chamado Trail Endurance. Acho que é um grande teste à nossa capacidade de resistência e resiliência. Em provas longas eu costumo dizer que 20% é pernas e 80% é cabeça, e no Endurance Trail esta relação é ainda mais evidente.

Trail do Zêzere – 2016.jpg

Foto: Trail do Zêzere - 2016

  • Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias? 

Acho que cada vez há mais mulheres no atletismo, é uma atividade desportiva que está em crescimento. Nas provas de grandes distâncias, há também cada vez mais atletas femininas, neste caso, os escalões com mais atletas são os acima de 40 anos. Como já referi, as provas de longas distâncias colocam à prova a nossa capacidade de resiliência, a nossa capacidade de lidar com as adversidades, e aos 40 anos, já passámos por algumas adversidades próprias da vida que nos dão capacidade de as ultrapassar e de as conseguir ultrapassar com sucesso, ou seja, sem desistir. Aquilo que é verdade para a nossa vida também se aplica numa prova de longa distância, onde muitas vezes fazemos quilómetros completamente sozinhas, em que só contamos connosco, em que temos de ir em modo de autossuficiência e em que desistir não faz parte do nosso vocabulário.

Trail Ultra Douro e Paiva – 2018.jpg

Foto: Trail Ultra Douro e Paiva - 2018

  • Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Penso que não. Se há, ainda não dei por elas. As provas são as mesmas, únicas, tanto para homens como para mulheres, ou seja, com a mesma distância e com o mesmo grau de dificuldade.

Mondego Ultra Trail - 2016.jpg

Foto: Mondego Ultra Trail - 2016

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