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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Tudo começou em 2016, quando passei de 118 kg a 74 kg, conseguindo deixar uma vida sedentária através da corrida e da alimentação. Desde então, fiz 34 provas: 19x10 km, 6 trails, 7 meias maratonas e 2 maratonas.

Tudo começou em 2016, quando passei de 118 kg a 74 kg, conseguindo deixar uma vida sedentária através da corrida e da alimentação. Desde então, fiz 34 provas: 19x10 km, 6 trails, 7 meias maratonas e 2 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

19
Jun19

São boas e dão sempre jeito nas maratonas


João Silva

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Tenho por hábito ser relutante em relação a "aditivos" no corpo. E continuo a ser. No entanto, para se "sobreviver" a provas como maratonas é necessário aceitar que o organismo estará sempre em défice, logo, obrigatoriamente temos de recorrer a auxílios para suportar o cansaço, os défices de micronutrientes e para nos fornecer energia imediata.

Este é o lado invisível da preparação de uma prova, mas sem o qual não poderíamos "viver".

Na altura da primeira maratona, andava indeciso quanto ao "alimento" a utilizar. Tinha experimentado banana, marmelada ou laranja em treinos mas não fiquei satisfeito, porque senti que o corpo sofria muito com as perdas e não recuperava rapidamente dentro dos treinos de longões.

Nessa linha, optei por alguma coisa com fruta e que tivesse o mínimo possível de "mão humana".

Deparei-me com estas barras Aptonia, marca da Decathlon.

E usei-as nos treinos longos, tendo sentido de imediato que se adequavam na perfeição. Na altura, também adquiri os sumos de frutas deles, mas cheguei à conclusão de que não são tão práticos, embora sejam refrescantes e fáceis de ingerir.

Posto isso, temos de aceitar que se trata de bombas de açúcar, sendo que 50% da composição vem de frutas variadas. Mas quem corre uma maratona precisa efetivamente de uma bomba dessas para "rejuvenescer". 

Por causa dos açúcares adicionados (é o segundo ingrediente na lista), tentei remediar a situação com tâmaras nos treinos longos para a maratona de abril.

Tenho de admitir que não resultou muito bem porque, apesar da energia que têm, não ajudam a impedir a oxidação das células nem a revitalizar os músculos para que consigam completar 42, 195 km.

Portanto, rendi-me às evidências e voltei a comprar estas barras de frutas.

A questão da oxidação foi relevante para mim e, por essa razão, escolhi barras de frutos vermelhos com acerola. Além daquele efeito, fornecem ainda vitamina B1, B6, B12 e C.

São perfeitas para atividades com duração superior a 3 horas e não devem ser ingeridas de imediato. Ou seja, como eles próprios referem na embalagem, só devem começar a ser ingeridas ao fim de 30 minutos. No meu caso, costumo esperar sempre entre 40 a 45 minutos para o fazer.

Além de todos os açúcares simples, contêm maltodextrina, um açúcar composto que vai ajudar a recuperar da fadiga durante a própria atividade.

Por último, dois aspetos muito importantes: são fáceis de abrir (basta que não as deixem em locais com demasiada exposição ao calor) e têm 83 kcal por unidade.

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18
Jun19

São caseirinhas e são muito boas


João Silva

Já o disse tantas vezes, mas nunca é de mais relembrar: para tornar tudo isto possível, tive de me reeducar ao nível alimentar.

Comecei a pesquisar sobre os alimentos em sites credíveis e, com a ajuda do (enorme) conhecimento da minha esposa, fui adaptando receitas, a perceber o que podia ou não alterar e o que era melhor para mim.

Entre outras coisas, posso dizer-vos que fazemos o nosso próprio pão (apenas com sal, água, fermento e farinha) e as nossas bolachas (marinheiras, por exemplo, foram inspiradas na receita da Pitada do pai).

Posto isto, é tempo de partilhar convosco algumas receitas simples que faço para ajudar a colorir os meus dias e o meu estômago:

Papas de aveia com café:

  • 4 colheres de sopa de aveia com leite (ou bebida vegetal a gosto), café (ou descafeinado), canela a gosto, raspas de limão (ou de laranja) e banana;
  • Colocar tudo num tacho umas horas (costumo deixar no frigorífico) e depois levar ao lume, mexendo sempre para não agarrar;
  • A gosto, polvilhar com um pouco de cacau ou partir um quadrado de chocolate negro (uso de 81%) e verter por cima;
  • Verter para uma taça e deixar "repousar" uns cinco a dez minutos.

Overnight de banana (inspiração em receita vista no Instagram):

  • Cinco colheres de sopa de sementes de chia com uma colher de sobremesa de canela;
  • Uma banana esmagada e misturada com as sementes;
  • Adicionar 250 ml de leite (ou bebida vegetal), misturar tudo e levar ao frigorífico da noite para o dia;
  • Acrescentar umas amêndoas palitadas ou nozes picadas tostadas no momento.

Overnight de moca (adaptação de receita da Sidul):

  • Três colheres de sopa de flocos de aveia partidos ou inteiros, uma colher de sobremesa bem cheia de sementes de chia e de farinha de linhaça (trituro em casa), uma colher de chá canela e uma de cacau; um café expresso; 250 ml de leite ou de bebida vegetal;
  • Misturar tudo e levar ao frigorífico da noite para o dia;
  • A gosto, acrescentar frutos secos tostados.

Papas de millet (receita de A pitada do pai):

  • 8 colheres de sopa de millet (milho painço) de molho durante 30 minutos;
  • Cortar duas maçãs em pedaços pequenos (ou uma maçã e uma pera ou banana);
  • Acrescentar canela a gosto e raspas de limão;
  • Cobrir com água, levar ao lume, ir mexendo;
  • Quando começar a ferver, deixar em lume brando durante dez minutos;
  • Triturar tudo com a varinha mágica e servir com canela (no fim, tenho o hábito de acrescentar um café com uma colher de café de cacau).

Iogurte enriquecido com chia, aveia e linhaça:

  • Acrescentar uma colher de sopa de aveia, uma colher de chá de sementes de chia e de farinha de linhaça, uma colher de café de canela (eventualmente uma de café de cacau), uma colher de sopa de frutos vermelhos congelados; misturar tudo, levar ao frigorífico; servir com nozes ou amêndoa palitada tostadas.

Hambúrgures de grão ou de lentilhas:

  • O mesmo princício com adição de uma especiaria nos hambúrgueres de lentilhas: cozer grão/lentilhas;
  • Num tacho, colocar duas cebolas picadas, uma colher de sopa de água e deixar refogar um pouco até amolecer as cebolas;
  • Adicionar o grão/lentilhas; acrescentar sal e curcuma a gosto (para as lentilhas, além disso, adicionar cominhos a gosto); deixar cozinhar cerca de cinco minutos (ir mexendo);
  • Deixar arrefecer cerca de 10 minutos e triturar num processador de alimentos;
  • Formar hambúrgueres com a mão, dispor num tabuleiro e cozinhar na frigideira (em lume brando e sem qualquer óleo/azeite ou óleo de coco) ou congelar diretamente e cozinhar apenas quando se pretender.

Hambúrgueres de legumes:

  • Ralar uma couve, três cenouras, uma courgete;
  • Uma colher de sopa de água numa panela e cozer os legumes apenas com sal  e com o testo colocado;
  • Deixar arrefecer a mistura num escorredor;
  • À parte, uma taça com farinha de trigo ou outra e polvilhar a mistura de legumes com essa farinha;
  • Moldar hambúrgueres e levar a frigideira sem qualquer tipo de gordura e com lume muito baixo.

Pipocas no micro-ondas:

  • Duas colheres de sopa de milho pipoca, sal q.b., cinco colheres de sopa de água;
  • Mexer um pouco e levar ao micro-ondas na potência máxima durante aprox. 10 minutos (depende sempre do vosso aparelho).

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Existem imensas receitas da categoria das mencionadas acima, mas, para já, deixo-vos experimentar estas e depois partilho outras "iguarias".

 

 

 

17
Jun19

E como explicar o inexplicável?


João Silva

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Quando me perguntam o que fiz para mudar a minha vida e perder peso, tenho sempre dificuldade em explicar a cem por cento o processo.

Procuro dizer que não há um milagre e que não é instantâneo e que não é preciso cortar com nenhum alimento, porque o mal está na quantidade e não na tipologia. Além disso, a todos estes chavões faço questão de acrescentar o desporto.

No entanto, é sempre ingrato. Não o consigo dizer de outra forma: porquê? Porque é impossível de descrever ao pormenor o quão autodidata fui e sou para perceber como deveria mudar a alimentação, porque é impossível expor o meu volume global de treino e o que quero dizer com "reforço muscular" ou com "ioga".

No fundo, tudo isto dá para quantificar é certo, mas só quando se observa uma pessoa assim no seu "habitat" é que se consegue ter perceção do que é realmente preciso para perder peso, ganhar massa muscular e estar em forma. Separadamente, são sempre coisas distintas.

Por último, posso sempre sugerir uma técnica ou outra, posso dar dicas sobre como a pessoa se deve comportar, mas nunca conseguirei transmitir aquele ingrediente chave no processo: a força de vontade. Trata-se do combustível ideal e mais importante para materializar todo o processo. A pessoa em causa pode seguir as sugestões com afinco, todavia, se ao primeiro obstáculo (e surgem muitos), não tiver capacidade para aguentar o golpe e continuar, dificilmente chegará aos resultados que pocura.

Conheço muito poucas pessoas com esse ingrediente mágico. É um bem raro numa sociedade cada vez mais "normalizada" e "à espera de milagres".

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16
Jun19

Uma ode à força de vontade


João Silva

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É algo que não se explica.

Não digo que seja inato, que seja impossível de adquirir com o tempo. Contudo, acredito piamente que, pelo menos, um rastilho da nossa determinação já nasce connosco.

Nesse sentido, tive sorte: cresci com poucas oportunidades e possibilidades, mas, dentro de mim, sempre senti (mais até do que acreditei) que tinha força para remar contra a maré.

E, no meu entender, força de vontade é precisamente isso: capacidade para se prestar a um sofrimento que nos levará a atingir algo de muito bom. 

Sinto que é mesmo a minha melhor característica, algo muito próprio.

Apesar de tudo, perante o meu discurso, por vezes, cria-se a ideia de que sou um eterno otimista. Não sou. Acho que é a força de vontade bem disfarçada de otimismo. Isso e o facto de estar casado com uma pessoa que me como um "conquistador", como um ser humano capaz, muitas vezes, mais capaz do que eu próprio acho.

E força de vontade é o combustível para me levantar todos os dias e insistir no treino, mesmo nos dias em que não há muita vontade, sobretudo nos dias seguintes às "porradas" de alguns treinos.

Dizem que a fé move montanhas. Sou ateu e tenho consciência de que esse facto não me impede de ter fé (não necessariamente num deus "qualquer"). Ainda assim, a força de vontade é a minha fé.

Nos momentos de maior dificuldade, lá surge aquela esperança, mas não é uma esperança "pura", é a minha vontade e a minha crença no que é possível. E é possível, até ser impossível é sempre possível.

O ano de 2019 tem sido o meu pior ano em termos de resultados, mas tem vindo a ser o melhor no acreditar que pratico um desporto que me preenche e completa e na importância de olhar mais para a felicidade na corrida do que para os resultados.

E a força de vontade tem o condão de se transformar em crença.

 

 

15
Jun19

Se começo a resmungar é porque estou a exagerar


João Silva

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Dois adjetivos que me caracterizam: resmungão e rabugento. Mas calma, não sou assim todos os dias! Prometo.

E por que razão digo isto numa publicação sobre corrida?

Porque essas duas características sobem aos píncaros quando entro em sobrecarga de treinos, algo também conhecido como overtraining. 

E como se entra nesse espectro negativo da prática desportiva? Para mim, torna-se muito fácil. Porquê? Gosto tanto de praticar desporto, preciso tanto de o fazer e já não imagino a minha vida sem ele, pelo que acabo por fazer asneiras.

Há alturas em que me julgo indestrutível e aumento a carga de treinos sem destino e não tenho noção (ter até tenho, mas não ligo nada mesmo) do mal que estou a fazer ao meu corpo.

Por exemplo, se houver uma semana em que tenha abusado na alimentação, sinto-me tentado a compensar esse facto com treinos, aumentando o tempo de corrida ou fazendo caminhadas intensas ou mesmo sessões de bicicleta estática. Qual é o mal disto tudo? É o círculo vicioso que se forma e a sequência repetitiva interminável que começa logo a afetar o meu humor.

Além disso, em vez de sentir o corpo mais forte, começo a notar dores extra nas articulações, nos joelhos ou mesmo nos adutores e virilhas. Os acordares e os levantares são extremamente penosos, tais são as dores em todo o corpo. De seguida, a vontade de treinar começa a desvanecer. Como sei que esse é um dos sintomas? Porque quando acabo a corrida e ainda tenho de fazer reforço muscular, "empato" muito tempo, como se estivesse a tentar adiar, o que, consequentemente, me atrasa o início do segundo treino e, pior ainda, faz subir a minha irritabilidade. Paulatinamente, sinto a vontade, principalmente, dos treinos musculares a diluir.

Precisamente, o nível de irritações sobe e com coisas tão disparatadas e banais. Pior ainda, sei que estou a passar por essas fases e não consigo controlar esses impulsos.

Consequências de tudo isto: risco grave de lesões e aparecimento de lesões crónicas, saturação de treinos, irritabilidade e mau humor e cansaço.

Portanto, mesmo quando fazem disparates na alimentação ou querem muito treinar, lembrem-se de que o descanso é tão importante quanto um bom treino.

Um aspeto a melhorar na minha evolução.

14
Jun19

À beira-mar é que se esteve bem - melhores momentos da Meia Maratona da Figueira da Foz


João Silva

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Estes são alguns dos registos fotográficos de uma prova que adorei fazer.

Como vem sendo habitual, deixo de seguida o vídeo com a compilação completa do "material".

Se tudo correr bem, será para voltar em 2020.

O bom filho à casa torna, portanto, não há três sem quatro.

Espero que apreciem o lado "visual" da prova e que sintam inveja ao ponto de lá irem em 2020 =):

 

13
Jun19

A Figueira tem bons percursos


João Silva

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Gostei do percurso na Meia Maratona da Figueira da Foz.

Achei que foi bem planeado.

Primeira metade da prova em direção ao porto. Boa escolha, afastando os atletas de zonas de maior confusão. 

Dentro do porto e na zona envolvente, fizemos aproximadamente 07 km e enfrentámos a grande maioria das dificuldades, como é o caso da subida do Salmanha (curiosamente ou não, foi a parte em que me senti melhor).

Apesar de não ser a zona mais bonita da cidade, o porto ofereceu uma parte mais plana (sempre necessária para quem anda à caça de recordes) e também espaço suficiente para que os corredores não se atropelassem, incluindo nas (poucas) mudanças de direção.

Fora do porto, foi tempo de regressar à zona de partida e de nos dirigirmos para o Cabo Mondego.

Em termos de perfil, também não há muito a assinalar. Há uma ligeira inclinação ascendente junto à Torre do Relógio e, em termos técnicos, é a maior dificuldade.

Contudo, na Figueira há sempre que contar com o vento forte junto à marginal. Bem educado como é, não faltou, emprestando dificuldade à prova, suportável, sobretudo, à conta da boa paisagem e da boa disposição das pessoas.

O resto do percurso vai mesmo até à zona da Cimpor, é plano, mas é "desprotegido". Entre a Figueira e Buarcos, o vento faz-se mesmo sentir com força. Pena que nem sempre tivesse estado do nosso lado.

Para terminar, avalio como positivo o percurso. Será um chamariz para quem pretende velocidade, isto porque a prova "perdeu" as idas duras às Abadias e ao Centro de Saúde de Buarcos. Ou seja, não é das provas mais técnicas e muita gente procura isso.

O que é que me pareceu errado: se, por um lado, foi uma excelente ideia "mandar" a corrida dos 10 km para a zona da segunda metade da meia maratona, por outro, cria alguma confusão, com os atletas a misturarem-se todos, o que até cria alguma "pressão" psicológica, porque os de 10 km já vão mais frescos e parece que estamos a ser ultrapassados por meio mundo.

Além disso, deixo um reparo final: considero mesmo muito negativo o facto de a caminhada ter acompanhado as restantes provas nos últimos três ou quatro quilómetros. Como as pessoas não se sabem posicionar, misturam-se com os corredores, dificultam a passagem e nem eles desfrutam nem nós corredores. Pior ainda: havia caminheiros a passar pela zona dos chuveiros, entupindo-a ainda mais para quem de facto precisava.

Seria melhor, por exemplo, se eles tivessem sido "encaminhados" para a zona das praias, junto ao Relógio.

Fica a sugestão.

 

12
Jun19

Fez crescer água na boca, deu conta do recado, mas ficam alguns reparos


João Silva

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As minhas expetativas estavam em alta. Muito por culpa da organização.

É certo que houve alguma indecisão sobre a realização da prova, mas a coisa deu-se.

No global, a nota é claramente positiva. Têm ali uma prova que poderão usar para atrair muita gente à Figueira.

Não sei qual o número oficial de participantes, mas havia muita gente naquela prova. Com efeito, é um sinal positivo em qualquer lado.

Antes de mais, na hora de avaliar, vou deixar o comentário ao percurso para uma publicação isolada.

Foi inteligente a forma como divulgaram a prova.

Tinham um certame bem montado, com WC junto à meta, com muita animação e com uma equipa que já parecia bastante oleada para uma primeira meia maratona (sob a tutela da nova organização).

Foram muito astutos na forma como "colocaram" jovens a apoiar em zonas estratégicas e mais isoladas do percurso. Foi de uma ajuda monstra. Além disso, havia sempre música.

Em relação à partida, deixo a minha congratulação, pois tiveram a capacidade necessária para perceber que seria mais benéfico começar a meia maratona uma hora antes das outras provas, separando o trigo do joio. Muito bem mesmo.

O facto de terem levado os 10 primeiros km para a zona do porto também foi perspicaz para retirar confusão do centro da cidade. É por coisas como esta que depois se ganha o estatuto de prova ecológica e bem organizada.

Os abastecimentos estavam bem compostos e bem separados. Primeiro reparo: colocar a fruta em taças torna mais difícil o sue "levantamento" para os atletas. Sofri isso na pele, houve um assistente que teve a amabilidade de me ajudar.

Havia também chuveiros ao longo do percurso. Pena o estrago de água, mas a ideia é de louvar, porque ajudou muitos atletas. Por norma, náo gosto de passar nessas zonas, portanto, não me foi útil. Ainda assim, numa era tão má para o ambiente, é necessário pensar numa alternativa: esponjas húmidas, por exemplo?

À chegada, havia muita animação com uma escola de samba (se não estou em erro, era uma escola), não deixando ninguém ficar indiferente. 

Criaram as condições necessárias para que nos sentíssemos bem.

De que não gostei? Confesso que esperava uma medalha diferente. Não pelo design mas pela qualidade do material. No meu entender, fica a desejar. Além disso, sendo numa cidade com uma identidade tão própria, poderiam ter-nos presenteado com um "miminho" bom. Em troca, deram apenas o "mínimo": uma maçã e uma água.

Resumindo: muita inteligência na comunicação e na organização, pelo que recebem nota claramente positiva. Para nota máxima, fica a faltar limar algumas arestas.

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11
Jun19

O São João figueirense deu-me um rebuçado para o segundo semestre


João Silva

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Foi a minha terceira meia maratona na Figueira da Foz.

E como é bom regressar a uma cidade que fará sempre parte de mim.

Concretamente em relação à prova, começo pelo fim: 01h42m25s. 

E como tudo tem de ser analisado por partes e não apenas pelo todo, posso dizer que foi um sucesso para mim. O melhor resultado de 2019 até ao momento e, apesar de terem sido apenas 2 minutos e 20 segundos a menos do que a meia maratona de Ílhavo, já pude observar alguma retoma no corpo.

Passando à análise da minha prestação: comecei confortável, mas rapidamente me "esqueci" de que deveria ir com calma e fiz os três primeiros quilómetros a um ritmo excessivamente elevado para o que queria. 

Nesta fase, ainda não dá para perceber quem terá um ritmo semelhante ao nosso. Ainda assim, mantive-me algures entre as "bandeiras" da 1h30 e da 1h45 (de onde tinha começado).

Até aos 07 km, encontrei um velho conhecido da "santa terrinha" Quiaios e o melhor elogio que pude receber foi: "não te estava a conhecer assim tão seco" (pudera, ele conhecia-me com "centos" de quilos). Percebi que teríamos um ritmo muito parecido. Tanto ele como o seu colega de equipa.

Como estava a receber indicações do corpo de que deveria ir com mais calma porque não é como começa, é como acaba, reduzi e, simultaneamente, eles alargaram a passada e aumentaram o ritmo. Deixa-os ir, pensei.

Entre os 08 e os 10 km, passámos pela meta, claro que fiz questão de "exigir" apoio dos corredores de 10 km e dos caminheiros que se perfilavam para iniciar a sua prova.

Sensivelmente a partir dos 11 km, começa a chegar o vento (sem qualquer pré-aviso) e aí comecei a quebrar novamente. Já ia num ritmo confortável, sempre próximo dos grupos que se iam aproximando, mas sem nunca me conseguir "fixar" em algum. Porém, quebrei e penso que só voltei a recuperar dos 13 aos 16 km. 

Nesta fase, estava a sentir falta de um abastecimento, tinha uma barra, mas queria uma coisa saudável, meia banana. Tentei apanhar uma no abastecimento dos 13 km, mas não deu. Tive de esperar pelos 16 km para ter nova oportunidade. Lá consegui que me dessem meia banana e nesta altura ouço as sempre sábias palavras do mestre José Carlos Fernandes que vinha no sentido inverso: "ataca agora".

Antes de prosseguir, aqui fica uma confidência: por momentos, pensei, este senhor bem que podia ser meu treinador. De certeza que ficava bem entregue e sem cair em parvoíces.

Retomando a odisseia 21 km, ataquei mesmo. Até aos 18 km, senti-me tão bem, como já não era o caso há tanto tempo. Contudo, calculei mal o timming e não digeri bem a banana, surgiu uma leve dor zurrante (que é como quem diz: uma dor de burro) e tive mesmo de abrandar.

Só voltei a recuperar um ritmo alto aos 20 km e acabei numa cadência interessante para o próximo semestre.

Ficam as notas gerais: fiquei satisfeito por baixar da 01h44m45 de Ílhavo, ainda estou longe da 01h31m do ano passado na Figueira, mas aos poucos o corpo começa a saber digerir melhor a quantidade de treino que lhe coloco em cima.

Uma outra nota importante: desta vez, não houve possibilidade de encontrar alguém para ir "na roda". Não tive constância suficiente para isso, mas também não vislumbrei ninguém que me tivesse "acompanhado" durante alguns quilómetros. O lado interessante: a presença, mais ou menos regular, do mesmo grupo de pessoas acabou por me fazer aumentar o ritmo a espaços.

Ainda uma palavra de agradecimento ao meu estimado Ricardo Veiga. Aqueles pulmões precisam mesmo de uma análise cuidada. Espero que melhor. 

E por último, mas não menos importante, parabéns à minha colega Isabel por ter feito a primeira meia maratona em estrada. Senti que fui parte daquela conquista. No fim, houve direito a um abraço merecido de felicitações.

Posto isto, para acabar este semestre ao nível de provas, falta a Anadia Wine Run já no dia 23 deste mês. 

Ficam boas indicações e a certeza de que vou voltar a ver gente que me deixa sempre muito contente, alegre e bem disposto.

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10
Jun19

Regresso às origens com o malote cheio de desejos


João Silva

Foi a minha primeira meia. Um sítio bonito com um tempo horrível. Um dia que não esqueço em junho de 2017.

A Figueira da Foz é a minha terra natal (na verdade, é Quiaios, mas estudei naquele concelho durante muitos anos) e, por si só, esse já seria um motivo para reconsiderar voltar sempre com imenso prazer. 

Já tinha feito os 21 km em treino (não poderia ser de outra forma), mas desconhecia ainda o que me esperava naquela distância em modo de prova.

A componente climatérica foi um péssimo aliado, mas tudo o resto compensou na perfeição. Fiz uma gestão ao nível das melhores que poderia esperar para mim e cheguei ao fim abaixo das 01h45, fiz 1h38. Foi mágico, ainda para mais, sempre "debaixo" do olhar a minha esposa. Mais especial era impossível.

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No ano seguinte, em junho de 2018, voltei lá para mais um round daqueles belos 21 km. Correu melhor ainda, quer na gestão, quer no resultado final (baixei sete minutos ao tempo do ano anterior).

Contudo, não deixa de ser curioso que me "portei muito mal" na noite anterior em termos de comida e que tive de tomar medicação para não ser incomodado pelos intestinos. Estava com um mau humor de cão antes de sair de casa. Lembro-me perfeitamente disso.

 

Para aumentar esta espiral negativa, a chuva não deu tréguas e o vento também se quis juntar à festa. Passar a zona do Cabo Mondego debaixo dessa intempérie foi um desafio.

Ainda assim, essa foi a primeira prova de longa distância onde "encontrei" alguém com um ritmo semelhante ao meu. Estabelecemos contacto e ajudámo-nos mutuamente, porque, dos 10 aos 18 km, mantivemos sempre um ritmo semelhante e puxámos um pelo loutro. Quando chegámos aos 18 km, senti que estava bem, o senhor não conseguiu acompanhar e lá segui. 

Foi o primeiro momento em que percebi como é importante encontrar alguém semelhante a nós para não entrarmos cedo em descompensação. Paga-se muito caro neste tipo de provas.

Dessa prova fica ainda o registo de ter reencontrado o meu estimado Ricardo Veiga, que, sem querer induzir em erro, andava a ficar "apanhado pelas corridas".

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Posto este resumo das anteriores edições, regresso hoje, dia 10, à minha cidade natal para mais uma meia maratona. Vai ser a terceira, esta edição com uma nova organização e um novo percurso. Do que já pude "investigar" e "debater" com corredores conhecidos da cidade, vai ser mais interessante ainda do que em 2017 e 2018. E essa, à partida, é logo uma das minhas expetativas. Deixa-me entusiasmado.

De seguida, poder encontrar um símbolo do atletismo nacional como é o caso da Dulce Félix. Será a madrinha da prova. Quero ver se fico com um "recuerdo" desse momento.

Em termos de desempenho, vai ser complicado fazer 01h31 tendo em conta os abusos em treinos que fiz desde maio. Possivelmente, vou pagar isso. Ainda assim, vou procurar fazer muito melhor do que o registo de 01h45 na meia de Ílhavo em abril. Sinceramente, já veria isso como uma vitória.

Tão importante como o resultado é fazer com que a minha gestão seja consciente e disciplinada. Essa é a minha maior expetativa: não me deixar entusiasmar logo no início e procurar aumentar o ritmo de forma constante a partir do quilómetro número 10.

Por último, desejo que seja uma manhã maravilhosa, cheia de pessoas a apoiar, de corredores, de bons momentos e de excelentes reencontros com os do costume.

09
Jun19

E quando oito dias parecem cinco meses?


João Silva

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Por norma, quantos treinos seguidos fazem por semana? 

No início dos inícios, andava sempre de roda no ar (como adoro esta expressão) e, como não tinha dia específico de folga, chegava a estar 15 dias seguidos a treinar, o que é terrível para todos os músculos. O corpo chega a um ponto em que parece ter medo da tareia que já leva.

Passada essa fase e tendo em conta a experiência e o juízo que ganhei, comecei a estabelecer um dia fixo para folgar e o corpo ganhou com isso.

Como giro os meus treinos em função das datas das provas, por vezes, sou "forçado" a folgar ao fim de oito dias e não ao fim de seis como é habitual.

E deixem-me que vos diga: que tormento! Aqueles dois dias parecem infindáveis, dão a sensação de nunca mais passar. E a saturação? Ui! Adoro treinar, mas como abuso muitas vezes, sinto que o meu corpo se ressente muito. Chega ser sofrível e, não vou mentir, faz que demore a começar alguns treinos, sobretudo de força. É o stress e o cansaço a falar.

Depois de um dia de repouso, as energias são recarregadas e a vontade atinge novamente "valores máximos".

E desse lado? Ninguém satura com tanto treino seguido?

08
Jun19

Ar puro e sossego, assim deviam ser todos os treinos


João Silva

Também sentem aquela simbiose com a natureza ou com o espaço que vos rodeia quando estão a correr, sobretudo, em treinos?

Mesmo com muitos carros e imenso ruído à minha volta em alguns percursos, consigo desfrutar de treinos maravilhosos em simbiose com o espaço.

Sou só eu e os meus passos (às vezes, também a música) e os meus pensamentos.

Aqui está mais uma compilação de vários treinos que não me deixa mentir.

07
Jun19

Ai o que o acumulado faz a este pobre rapaz!


João Silva

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Foi, uma vez mais, uma forma dramática que usei para reter a vossa atenção. 

A propósito do treino em serra no passado domingo, fica a nota de que chegámos aos 645 m de acumulado positivo. Pelo menos, foi o que indicou o meu relógio.

A verdade é que andámos a "brincar no carrossel", como amavelmente dizia a minha colega Sandra quando nos estávamos a dirigir para o "teatro de operações".

A lei mais básica da corrida em serra é a que se segue: sobe, acumula, desce, acumula, plana, acumula.

Moral da história, no fim do treino, dá a sensação de termos levado com dois ou três camiões cheios.

Não é uma queixa, é uma constatação. 

Em treinos em serra, nunca tinha chegado a um valor tão alto, mas, por exemplo, em estrada, ando frequentemente num acumulado positivo a rondar os 300 m, o que nem é muito frequente entre os corredores do asfalto.

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Talvez por essa razão, à exceção de uma parte da subida do Monte das Pêgas e de uma zona mais técnica na ascenção à 
Cruz de Ferro, senti-me sempre bem. As dores foram-se acumulando e já havia algumas a incomodar-me antes mesmo de ter iniciado o treino.

Ainda assim, um acumulado desta natureza deixa sempre marcas, mesmo com ritmos mais baixos. Não fui exceção a isso. 

E, voltando a relembrar a minha ideia, tirando as partes técnicas e a tipologia do meu calçado nessas mesmas zonas, gostei de subir e descer aquelas barreiras. Tenho a certeza de que tudo aquilo me vai ser útil para as provas de estrada.

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É legítimo usar o argumento de que não enfrentarei algo do género em provas de estrada. Todavia, a ação-reação perante tanta inconstância de percurso vai, invariavelmente, aumentar a minha resistência e a minha força muscular (nos gémeos e nos quadris, por exemplo). Será assim mais "fácil" suportar terrenos desnivelados em estrada e grandes distâncias.

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Não só por isso, como também pela presença e companhia de colegas de equipa tão porreiras e pela capacidade de sacrifício debaixo daquelas temperaturas que se fizeram sentir, valeu a pena ficar todo desengonçado...ou empenado, como eles dizem.

06
Jun19

"Perdi-me" na serra depois de ter perdido o juízo


João Silva

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Correr "pelo coração" tem este lado.

No meu plano de treinos, tinha previsto 1h30 de estática para recuperação muscular no dia 02 de junho, um dia após a prova 4 estações em Soure.

Já na vila da prova, a minha colega e vizinha Sandra e o sempre bem-disposto Rui Monteiro lançaram o isco. Iam fazer cerca de 20 km para a Serra de Sicó no domingo e "queriam" companhia.

No início, fiquei reticente, mas depois deixei entrar ideia e pensei para comigo que poderia perfeitamente alterar o meu plano e fazer uma coisa diferente. Ultimamente andava a sentir essa necessidade e, ainda antes de começar a prova de estrada, lá dei a minha confirmação.

Ainda antes de regressar a casa, recebemos a indicação de que o Rui não iria e que teríamos a companhia da nossa colega de equipa Isabel Madeira.

Por saber como estava em termos musculares, já sabia que ia dar asneira para o meu corpo, mas não quis ligar.

No domingo, às 07h30, lá estava eu à frente do prédio para começar.

Não vou descrever o percurso todo, também é complicado, mas gostei a experiência, completamente diferente, de correr em serra. Pensava eu que me iam dar o "bombom" de me levar para estradões. Estava enganado. Tinha-me esquecido de que a vingança é um prato que se serve frio.

A primeira hora correu bem, senti-me bastante confortável, aqueci na perfeição, mas tinha uma dor na virilha a incomodar-me já desde a noite anterior. Para "agravar": acordei com princípios de cãibras nos gémeos e com dores nos adutores. 

Surge a primeira subida monstra e ainda consegui subir sem parar. Vem a segunda (Monte das Pêgas) logo à esquerda, corri até meio e depois tive de me render às evidências e foi necessário caminhar.

Na segunda hora, vieram as surpresas da Sandra, mestre responsável por engendrar o caminho: partes muito técnicas, demasiado estreitas e com muitas pedras. Ela própria não estava a 100 por cento, mas assim que viu a primeira descida técnica mostrou onde é realmente forte na componente de trail. E, segundo ela, foi a meio gás.

Para complicar o meu treino, levei as sapatilhas de estrada (já não tenho de trail, tenho de comprar para estas brincadeiras) e isso ajudou a derrapar em pisos muito escorregadios e muito secos.

Esta parte final custou muito a ultrapassar, sobretudo, até chegarmos à Cruz de Ferro. A partir daí, entrámos em estradão e lá me senti muito melhor, sempre a correr e fui ter à "nossa meta". Como elas ainda não tinham chegado, decidi continuar em estrada.

Como se não bastasse a carga em todas estas condições, voltei para trás à procura delas, feito tolinho aos berros no meio da serra, até que lhes ligo e percebo que já estavam no sítio do costume, o bar do Museu das Ruínas de Conímbriga. 

Volto para trás e chego lá com um total de 19 km percorridos e muitas dores na virilha direita.

Bem sei que não me devia ter submetido a uma malha destas num tão curto espaço de tempo. Já na quarta-feira da semana passada tinha feito 21 km em estrada pelo meio da serra, tive os treinos de bicicleta estática e de reforço, a prova na noite anterior e esta carga de domingo, que, para chegar a casa, ainda elevou a contar para mais 21 km. Tudo isto vai deixar mazelas. Espero saber lidar com tudo isto de forma a estar impecável no dia 10 de junho na Figueira da Foz.

Ainda assim, tenho mesmo de confessar que me soube bem (tirando a parte demasiado técnica que encontrámos por duas vezes) e que foi um dia e um treino diferente. Tudo é treino e isto vai ajudar a dar flexibilidade ao corpo e a suportar desafios intensos em estrada.

Resumindo: gostei, voltarei a correr esporadicamente por serra, mas em estradão e não, não troco a "minha" estrada pela serra "delas", que foram uma bela companhia e que contribuíram imenso para um ambiente fabuloso naquele domingo tão forte ao nível do calor.

05
Jun19

Depois das letras, as imagens - ainda as 4 de Soure


João Silva

Terminada a "escalpelização" dos detalhes da prova do passado sábado, é tempo, como já vem sendo habitual, de agradecer a vossa leitura e a vossa passagem por este espaço com um vídeo de compilação dos melhores momentos.

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Espero que vos agrade tanto quanto eu adorei fazê-lo e, em segunda análise, que vos cative para uma futura participação numa das provas organizadas por esta gente "do bem": 4 estações, Eco Meia Maratona de Coimbra e Anadia Wine Run.

Um bem haja a todos.

 

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Separador destinado aos posts de alimentação e a todo o processo de emagrecimento e de reeducação alimentar que me fez baixar de 118 kg par 74 kg desde novembro de 2016.

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