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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

05
Jul22

Imaginar e projetar


João Silva

Uma das coisas que mais encontrei quando comecei a correr foi a importância de imaginar o momento de cruzar a meta como algo prazeroso e bem-sucedido.

Confesso que nem sempre faço e, nos últimos dois anos, chego morto e cansaço à cama e apago logo.

Mas recordo-me que fiz esse exercício de imaginação na véspera da minha primeira meia maratona, em 2018, na Figueira da Foz.

É importante. Diria que é uma forma de meditação que visa a criação de energias positivas.

Como não é algo inato, deve ser bem treinado, devemos forçar o pensamento no lado bom da prova. Numa maratona, por exemplo, isso é mesmo fundamental.

Imaginar o momento de cruzar a meta é criar na nossa cabeça a ideia de que conseguimos o objetivo. E conseguimos. 

Vou lendo as entrevistas de alguns atletas e acabo sempre com a informação de que se dedicam muito à meditação como forma de lidar com a pressão.

Imaginar e projetar coisas boas ajuda à concretização do objetivo. Mesmo que a realidade de uma chegada à meta seja mais dolorosa e dura. 

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03
Jul22

Sem tempo para perder tempo


João Silva

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Algum dos meus leitores já viu um dos vídeos de apanhados da TVI no YouTube em que um senhor diz que tem de ir embora porque tem uma consulta às 5 horas e, atrás de si, a sua casa está a arder?

Em algumas situações, sou um pouco assim.

Está quase a fazer um ano que fui vacinado contra a Covid-19. Já sabia que poderia ter de abrandar o treino do dia seguinte devido aos efeitos secundários.

Felizmente, o meu único efeito foram dores no braço, situação que se complicou um pouco durante a noite. 

Mas, mesmo com dores, este menino deixou de ir treinar? Qual quê!! E tomou paracetamol como lhe tinha sido recomendado? Sim, só que não. Evitou, evitou, evitou (porque tinha medo de não ouvir o despertador para ir treinar).

Ao recordar o episódio, percebo que aquilo que aconteceu foi "João Silva". Eu sou assim. Tantas vezes. Se tiver algo previsto/agendado/programado, fico obstinado e posso estar a cair de podre,  mas tem de ser.

A minha avó falava muitas vezes em "antes partir que vergar".

Eu vergo. 

Eu vergo muito e muitas vezes.

Mas também tenho uma parte de mim que prefere forçar até partir.

Aquilo que sinto é que não tenho tempo para perder tempo, mesmo que isso seja benéfico para mim.

É um defeito terrível. Também lhe chamo obstinação (e, em alguns casos, persistência, vá).

 

01
Jul22

Mais técnicas rápidas


João Silva

Há muita gente a falar sobre corrida, mas, por vezes, quanto mais se acorda um tema, mas se complica o dito.

Não é necessário. Uma das chaves da melhoria em corrida é a adoção de exercícios básicos que vão funcionando como uma espécie de complemento da corrida. O objetivo é sempre acrescentar coisas boas.

A importância de coisas básicas é inegável na corrida e, talvez por isso, por exemplo, em francês se fale nestes exercícios como "éducatifs".

Este é mais um exemplo de vídeos bons e curtos que mostram exatamente o que é necessário fazer para melhorar.

Uma vez mais, o que aqui trago já foi devidamente experimentado e algumas coisas já haviam sido integradas na minha rotina de treino. É preciso ser paciente. Pode demorar mas traz resultados.

29
Jun22

Mexer os braços com critério


João Silva

Os braços são muito importantes na corrida. E podem ser a chave para se melhorar um tempo, por exemplo, quando queremos quebrar o nosso recorde e faltam milésimas.

Uma boa postura dos braços e um movimento sincronizado e "limpo" dão toda uma nova segurança ao corpo.

Trago-vos um vídeo que vos ajuda a melhorar o movimento dos braços.

Eu testei efetivamente o que diz a atleta e notam-se grandes melhorias, porque a dinâmica de movimentos é muito maior e mais estável.

No caso, a atleta em causa vai desde os sprints às corridas de longa distância. 

Que vos ajude tanto quanto a mim.

27
Jun22

Vai apressado


João Silva

Hoje trago algo diferente. 

Uma recomendação a quem gosta de desporto e a quem gosta de conhecer atletas amadores que são verdadeiros campeões.

 

A página em causa tem um nome que adorei assim que a encontrei: Caracol apressado.

Podem encontrar o blogue aqui:

http://caracolapressado.blogspot.com/2021/07/2020-2021-epoca-covid-n-2.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+CaracolApressado+(Caracol+Apressado)&m=1

Fiz questão de partilhar com a ligação de um dos textos que mais adorei do jovem atleta.

O rapaz é um vencedor. Trabalha no duro para isso, mas tem a humildade necessária para perceber que não é o senhor do mundo e que tem muito a aprender. A forma como analisa as suas prestações é muito sintética mas reveladora.

Aconselho vivamente que passem pela página dele.

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25
Jun22

Se vamos por aí, vamos ser tendenciosos!


João Silva

O binário do meu YouTube decidiu começar a mandar-me vídeos sobre como correr descalço.

Isto porque tinha procurado sobre o assunto. A verdade é que me fascina, embora reconheça que não teria coragem para fazer uma prova, mesmo que de 10 km, sem sapatilhas.

Acontece que um dos vídeos falava no facto de as sapatilhas de corrida terem aumentado o risco de lesões nos corredores.

Um dos argumentos prende-se com a altura do drop, a estrutura que afasta o calcanhar do chão.

É verdade que isso pode prejudicar a longo prazo, mas não achei correto usar isso como argumento direto para o aumento dos problemas nos pés e arredores dos atletas.

Vou deixar o vídeo embaixo para que possam ver e ouvir por vós, caso queiram.

 Acho que não é preciso polarizar nem falar em hobbies para se falar numa indústria que pretende que as pessoas não corram descalças.

Não é, de todo, um dado adquirido que o fizessem se não houvesse tantas marcas de sapatilhas. Desconfio mesmo que seriam pouquinhos os aventureiros.

Não vos parece?

 

23
Jun22

Mas por que temos de prestar provas?


João Silva

As mulheres já sofrem disto há muito tempo. Basta ver que, até deixarem uma mulher correr uma maratona, foi necessário uma mulher se ter infiltrado numa prova (na maratona de Boston nos anos 60). Permitam-me o desvio mas acreditava-se que uma mulher não conseguia correr mais do que um km. 

Veja-se a estupidez!

No caso, isto que aqui exponho refere-se a homens e mulheres, mas aos que ainda são muito novos e estão inseridos em grupos com atletas mais velhos.

Sempre senti isso em vários grupos, não apenas desportivos. Quando lidava com pessoas mais velhas, tinha de provar o dobro, tinha de tocar em termos/temas chave para que percebessem que tinha algum valor.

Ora bem, a experiência é digna de louvor, mas a experiência ganha-se, não é um dado adquirido. Portanto, é preciso dar espaço aos mais jovens para que isso aconteça.

Bem sei que há muitos jovens irresponsáveis, mas isso é extensível a todas as faixas etárias. 

No caso da corrida, por acaso, admiro mais atletas mais velhos do que mais novos, mas isso sucede porque há muito mais pessoas mais velhas a correr maratonas do que pessoas mais novas.

Mas nunca por nunca acho que os mais novos não têm talento. Há muita gente nova de enorme qualidade e muitos ligados à pista, modalidade que não pratico (mas que gostava de experimentar).

O valor não tem idade. Mas quem anda cá há mais tempo tem o dever de dar oportunidades aos mais novos. E os mais novos têm o dever de pedir essa oportunidade. E de a aproveitarem.

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21
Jun22

"É de caça, não faz mal"


João Silva

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O que significa isto? Não faço a mínima ideia, mas foi o que me disse um senhor que passeava um cão sem trela num caminho de terra batida na mata o de, por acaso, eu também estava a correr.

Que sorte tenho eu com cães! E gosto deles, mas é um flagelo sempre que se lançam a mim enquanto estou a correr.

Neste caso, o cão tinha porte médio e veio a "caminhar" na minha direção.

Parei. Que remédio tenho eu?

O dono aproxima-se de mim e diz "é de caça, não faz mal".

Segui viagem incrédulo com aquela informação. 

Não faz mal? Como assim? 

Caça vem do verbo caçar, implica perseguir animais. Ou estarei errado?

 

19
Jun22

Guarda real ou medo real?


João Silva

Esta é mais uma daquelas aventuras que um corredor tem só pelo simples facto de deambular por terras e estradas diferentes.

Sim, correr em concelhos do interior rodeados por serra, ainda que não sejam aquele interior extremo, traz situações diferentes daquelas que enfrentamos ao correr em estradas.

Eram perto de sete da manhã e eu corria feliz por uma estrada rural que separa dois campos de cultivo e onde há pastagens de ovelhas (para quem conhece, entre Venda da Luísa e Anobra).

De repente, olho para a frente e avisto 3 cães de grande porte (entre os quais, dois pastores alemães) a correr na minha direção. Estavam a cerca de 200 metros, o que me deu margem para parar.

Olho mais para lá no horizonte e vejo o pastor da zona com o seu enorme rebanho a gesticular desalmado para os cães. Não serviu de nada, mas, como diz o outro, eu é que não sou parvo.

Dei meia volta e atalhei caminho.

Estava bem guardado aquele rebanho!!!

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17
Jun22

O azar de uns e a sorte de outros


João Silva

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É mesmo assim. Aqui nem se trata de pessoas relacionadas.

Há uns tempos, tive de chamar um canalizador.

Conversa puxa conversa e, entretanto, percebo que praticou desporto, em particular, corrida e futebol. Daí a pouco, diz-me que já não pode praticar desporto. Teve uma infelicidade numa brincadeira com a filha que o impede de continuar a correr, uma das suas grandes paixões.

O amor com que falava das corridas que fez ou do futebol que jogou aqui no concelho deixavam antever a mágoa que sente por já não poder. 

Nestas alturas, nem sei que pensar. Projeto sempre esse problema é penso: e se fosse comigo? Se me "roubas sem" a possibilidade de correr? 

A verdade é que não sei o que aconteceria. Sinto que teria uma tristeza profunda e que teria muita dificuldade no início. Uma pessoa reinventa-se, mas perder a possibilidade de praticar desporto, em particular, de correr, é algo que me assusta. Tanto que não consigo sequer pensar num "e depois?". 

Sinto que tenho uma sorte dos diabos por conseguir fazer algo que me realiza tanto. 

 

15
Jun22

A procura de uma identidade


João Silva

Durante muito tempo, ouvi uma coisa que me foi ficando na cabeça: aos 20 anos começamos a projetar quem queremos ser, mas é aos 30 que consolidamos a nossa personalidade para o resto da vida.

Iato também se podia aplicar à nossa identidade desportiva, mas, no meu caso, os dois processos estão interligados.

Comecei a correr com 28 anos. Corro há mais de cinco, na verdade, há cinco e meio. E quando olho para essa mudança, percebo que foi aí que encontrei mesmo quem queria ser. 

Não andei perdido até então e, para o caso, já adorava desporto, mas a minha abordagem perante a vida (e a alimentação) era muito distinta.

Foi preciso passar por todo o processo de perda de peso e de ganho de equilíbrio mental para conseguir destrinçar como queria passar a viver todos os meus dias.

Sempre fui uma pessoa ávida de conhecimento, sempre quis saber com que linhas me podia coser, mas ali tive uma espécie de epifania. Das muito boas.

E mesmo a tempo de transportar tudo isso para a forma como ajudo a criar e a educar o meu filho. Porque sim, eles são mesmo o nosso reflexo (até começarem a pensar por si e a perceber o que é bom e o que é mau).

 

13
Jun22

Crónica de uma série de VMA


João Silva

Estou a queimar os 20 minutos de aquecimento e a excitação (e o entusiasmo) está nos píncaros.

É a primeira repetição de uma série que é suposto deixar-me perto do farrapo.

Olho para o relógio do pulso esquerdo e vejo as horas. O do pulso direito assinala a distância e o "meu destino".

Pé a marcar ritmo e siga. Velocidade máxima. Mais do que aquilo o corpo não tem. Braços para cima e para baixo em coordenação com as pernas. O peito recebe o ar que a boca teima em armazenar num ritmo frenético.

Sente-se rapidamente o quentinho a invadir o corpo. Esbaforido olho para o cronómetro indignado por aqueles dois minutos demorarem imenso a passar.

Chegam finalmente ao fim e vejo que corri quase 600 m naquele tempo. É bom, para uma primeira série desta intensidade, é bom.

Começo a fase de recuperação. São dois minutos num trote quase cambaleante. Sabem a ouro aqueles dois minutos se recuperação, mas também são a contagem decrescente para mais uma sequência exasperante de velocidade.

Devo ser masoquista, penso. Eu adorei aquela sensação, aquele arfar e aquele ímpeto. Decididamente sou masoquista, constato.

Seguem-se as outras sete repetições previstas e, em cada uma, vou perdendo frescura. O corpo treme mais porque já não tem tanta energia. Ainda assim, mexe-se com a desenvoltura de quem quer mais, muito mais. De quem sente que este é o caminho.

Acreditar é um pouco disto: seguir no caminho trilhado na esperança de que dê resultado.

Termino a sessão extenuado mas esperançado.

Na retina fica-me uma das últimas repetições em que senti o meu corpo a mexer-se por inteiro, em que senti que o movimento de passada me obrigou a deixar "tudo" na estrada.

Foi a primeira vez que fiz um jogo de séries tão longo. Não terá sido a última

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09
Jun22

Profissional e amador numa só cabeça


João Silva

Já lá vai algum tempo, mas um dos atletas (no caso, triatleta) que sigo, falava da diferença entre um corredor amador e um profissional.

Tirando o óbvio ligado à remuneração, há um aspeto fundamental que distingue um do outro.

No caso, o atleta referia-se à questão mental. A sua tese era que um amador normalmente contorna a dor e que um profissional abraça a dor.

Se, à primeira vista, parece uma afirmação exagerada, há um fundamento em tudo isto.

Por norma, o atleta amador que pratica uma modalidade sem objetivos de maior não procura treinos técnicos duros, por exemplo. Ou seja, no caso da corrida, não se vai meter em séries de VMA, por exemplo, se não quiser melhorar a resistência e a velocidade.

Para um amador comum, o prazer está acima de tudo.

Ora, no caso do profissional, isso não é bem assim. Está lá o prazer, claro. Tem de estar, mas também tem de estar muito presente que vai passar por fases de dor. Porquê? Porque a dor é a fase que lhe permite evoluir. De outra forma, não é possível.

Essa submissão à dor é tão regular quanto necessária. E é também incontornável.

Onde discordo é no facto de isto ser apenas inerente a um profissional. Há muitos amadores com uma dedicação ao nível de um profissional e que pretendem evoluir, que também procuram a dor.

E sim, falo de mim. Tenho consciência dessa dor e da necessidade de a "encontrar". E a verdade é que a procuro e que sei que não consigo evoluir sem passar "pelo cabo das tormentas".

Onde posso ser considerado amador à luz da tese deste atleta é no facto de não procurar sempre essa dor. Ou melhor, não tenho obrigatoriedade de me submeter a esse esforço em determinadas fases para um torneio ou uma prova específica. Sou eu que determino quando estou em condições de entrar num ciclo mais intenso de treino.

Perde-se numas coisas e ganha-se noutras. Mas, no geral, concordo com a teoria avançada no início.

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07
Jun22

O homem revela os seus segredos


João Silva

Lembram-se do Dr. Mark?

Sim, falo daquele senhor que já vos trouxe aqui e que tem uma "tara" pela corrida naturalista, ou seja, sem sapatilhas.

Pois bem, ao pesquisar mais, encontrei um vídeo de exercícios específicos de corrida.

Têm como objetivo melhorar a postura e o desempenho.

Mas calma, lá porque ele adora fazer tudo descalço, não quer dizer que não dê para reproduzir os exercícios calçado.

Posso garantir que dá.

E também posso assegurar que são exercícios muito úteis, por exemplo, para levantar mais os joelhos e, consequentemente, aumentar a amplitude da passada.

Não acham?

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