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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 72 kg graças à corrida e a mudanças na alimentação. Desde então, o contador vai em 35 provas: 19x10 km, 7 trails, 9 meias maratonas e 2 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 72 kg graças à corrida e a mudanças na alimentação. Desde então, o contador vai em 35 provas: 19x10 km, 7 trails, 9 meias maratonas e 2 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

16
Out19

Boa adaptações ao percurso de Leiria


João Silva

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O percurso da meia maratona de Leiria foi alterado em relação ao ano passado.

No meu entender, foi uma boa adaptação, já que serviu o propósito de separar o trigo do joio, que é como quem diz: separar os 10 km e a meia maratona.

Excelente jogada.

No geral, o percurso tem tudo, desde diversas mudandas de direção a zonas ligeiramente inclinadas, sem esquecer retas, falsas retas, zonas mais rápidas e ainda algumas subidas para ninguém se ficar a rir.

No geral, gosto muito da prova. Já no ano passado tinha ficado com essa ideia.

A mudança em relação a 2018 começou a sentir-se ao quilómetro 5, onde o desvio nos levou a "trepar" até à zona dos bombeiros para descer a meio.

Quando pensava que íamos retomar uma parte de outubro do ano transacto, eis que há mais uma viragem para uma daquelas zonas que enganam: uma suposta reta com curvas à mistura e uma inclinação bem percetível para quem estava a percorrer aquela distância.

A segunda metade não sofreu qualquer alteração e assemelha-se a um pequeno carrossel. Leva-nos até à subida de Alqueidão, onde se faz depois o retorno. O que me deixa mais desgostoso na zona é que estamos mais isolado do contacto com o público, que, diga-se, este ano foi muito mais diminuto e menos entusiasta. Uma pena.

Engraçado o facto de estar a contar com uma ascensão ao quilómetro 18/19, que, na verdade, mais não era do que uma "pequena" inclinação.

Parte final mais rápida, em sentido descendente, mas com uma enorme dificuldade: o empedrado dificulta muito a locomoção.

Resumindo: mudanças positivas, percurso bem rico e diversificado e polvilhado com dificuldades que não "aparecem nos livros" e que fazem desta meia maratona uma das melhores provas do género em que já participei e que está longe de ser simples.

 

15
Out19

Bem organizado mas demasiado impessoal


João Silva

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É um pouco ingrato falar na organização da meia maratona de Leiria, a Atletas.net, porque, na verdade, não facilitaram em nada. 

Foram profissionais, deram-nos toda a assistência de que precisávamos, os abastecimentos estavam bem espaçados e com ajudantes mais do que suficientes para nos abastecer e auxiliar em caso de necessidade. 

Além disso, havia sempre alguém relativamente próximo para dar orientação no percurso, embora este estivesse muito bem delimitado. 

Dizer isto é, no fundo, muito positivo, porque não deixam créditos por mãos alheias, mas, como sempre, fica um gosto amargo, primeiro, porque se percebe que têm um dimensão mais nacional e que isso impede uma ligação aos atletas, algo que se nota noutras organizações.

Em determinados momentos, sobretudo, na chegada à meta, percebe-se claramente que estão ali para dar protagonismo a quem vence. Não há mal nisso, desde que seja na medida certa e que também se dê algum destaque a outros atletas. A prova é feita por outros corredores e caminheiros e existem sempre histórias fantásticas para partilhar, o que não é feito, porque não se dá voz a essas pessoas. 

Além disso, a garrafa de água pequena e uma laranja no final sabem a pouco. Certamente que não faria mal se incluíssem uma maçã ou algo mais variado.  Tudo isto dá sensação de que estamos ali para sermos despachados. 

De seguida, há uma coisa que me incomoda, embora perceba e não seja apenas nesta organização o: a entrega das medalhas é feita antes de chegarem todos. Sei que seria muito difícil, mas isso retira destaque e envolvência. 

Por último, falo ainda de uma coisa que me desagrada nesta organização e que já vem de outras provas (foi a minha quinta organizada por eles) : as medalhas carecem de beleza e as t-shirts são demasiado neutras. 

Naquilo que importa mesmo, apesar de tudo, não falharam e isso merece destaque 

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14
Out19

Recorde pessoal batido nos 21 km de Leiria


João Silva

 

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Foi fantástico.

Nem sei o que dizer, apenas que isto é o reflexo do trabalho. É tão cliché, mas quem partilha vida comigo sabe quanto invisto neste desporto por ser uma verdadeira paixão e sabe as mudanças adotadas para chegar aqui.

Cruzar aquela meta em Leiria com um tempo de 1h30m34 foi a confirmação e a validação de todas as mudanças desde junho deste ano.

Foi a minha melhor marca pessoal não só de 2019 como desde sempre na distância de 21,095 km e ainda me presenteou com um belo 39.º lugar geral e num fantástico 13.º no escalão sénio masculino.

A sensação foi absolutamente fantástica e fiquei novamente às portas da marca que persigo: abaixo de 1h30.

Está quase. E não vai fugir, mesmo que possa demorar um pouco ainda.

Em termos de desempenho, comecei forte. Já é a segunda prova em que arranco assim e percebi novamente que não preciso de ter medo disso para o decorrer da prova.

É certo que haverá uma quebra algures no tempo, mas já desenvolvi formas de lidar com isso.

Os primeiros 7 km foram fantásticos, mas depois senti necessidade de estabilizar o ritmo para não entrar em sobrerendimento. 

Nesta altura, fruto do muito vento e de algumas ascensões mais durinhas, tive de recorrer aos ziguezagues para encurtar distâncias para quem ia mais à frente.

Foi estranha a sensação de ter ido sozinho, com um fosso para a frente e outro para trás, até aos 12 km.

Por volta dessa quilometragem já andava a sondar o "mercado" para perceber se haveria algum corredor com quem poderia "seguir no encalço", algo que é ajuda imenso.

No entanto, não aconteceu. Por outro lado, assim de mansinho, de repente, dou com um atleta mesmo atrás de mim.

Ainda tentei acompanhar, mas ele ia com um ritmo muito alto para mim (em conversa com ele no final, tive conhecimento de que vai tentar fazer menos de 3h na maratona do Porto em novembro). Primeiro, deixei que fosse ele a estipular o ritmo. Ainda me aguentei cerca de 500 m, mas logo percebi que não tinha andamento para ele e "deixei-o" ir.

Curioso nisto foi nunca o ter perdido de vista e ter conseguido impor um ritmo alto, de tal forma, que ainda o consegui ultrapassar aos 20 km.

Essa última parte foi feita à base da garra. Prometo que é verdade: foi a minha crença em mim que me levou a conseguir fazer um km abaixo dos 3'50''.

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Na minha cabeça só ecoava o seguinte: vais fazer menos de 1h30, vais conseguir.

O último quilómetro, já no empedrado, foi muito doloroso porque comecei a sentir o esforço e a ter dificuldades em respirar de forma tão eficaz, mas foi mágico.

A chegada à meta e a sensação de ter conseguido o melhor de mim deixaram-me com a ideia de dever cumprido.

Ficou a faltar fazer menos de 1h30...por 34', mas acho que foi o meu inconsciente que me quis deixar esse alento para domingo que vem, na meia maratona de Coimbra, a última prevista para 2019.

E vou mesmo tentar passar para o grupo dos sub-1h30.

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13
Out19

Em Leiria para repetir o ano passado


João Silva

Mais de um mês depois, a prova seguinte. 

Como não podia deixar de ser, mais uma meia maratona.

Desta feita, de malas aviadas para a cidade do Lis, Leiria, uma terra que me diz muito, não só por ter "acolhido" o nascimento da minha esposa, mas também pelos familiares que lá se encontram e, claro está, pela beleza natural.

Daqui a uns minutos, novamente aquele calafrio bom e saudável de quem vai tentar fazer uma gracinha.

Farei a prova pela segunda vez, pelo que já tenho referências, embora tenha lido que o percurso iria ser um pouco diferente.

Em 2018, estava em "grande dinâmica" e numa excelente forma, algo que durou meses. Fiz 01h32m, o meu terceiro melhor resultado de sempre numa meia maratona.

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Este ano, depois da travessia do deserto, recuperei a boa forma, como já foi bem percetível no desempenho na prova de setembro. Além disso, o indicador mais importante, ou seja, os treinos, revela-me que tenho estado no bom caminho.

Sinto-me fresco fisicamente e tenho genuinamente o sentimento de que trabalhei muito bem desde junho para recuperar o que me fugiu em dezembro de 2018.

Posto isto e já com uma bagagem mais alargada de conhecimento técnico, vou à procura de fazer 1h30m. Ao contrário da eco meia maratona em Coimbra, esta vai ser mais "acidentada" e tem um maior desnível, mas acredito que, encarreirando bem num ritmo forte desde o início, sou capaz de chegar à marca que referi em cima. Não há que ter medo de tentar. Se não der para 1h30m, que dê para, pelo menos, igualar 1h35m de Coimbra. Não havendo hipótese de nenhuma das duas marcas, "lá" "terei" de tentar novamente, o que não é chato.

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O desafio será enfrentar bem aquilo a que chamo a "zona do deserto", que é quando saímos da cidade e ficamos em estrada nacional durante algum tempo, sem apoio do público (na mesma proporção) e com algumas dificuldades técnicas impostas pelo percurso.

No ano passado, consegui "forçar" companhia durante o percurso, o nos permitiu imprimir um ritmo bem forte. Vi um rapaz com um ritmo semelhante ao meu e perguntei-lhe declaradamente se queria "ir na roda" comigo. Foi por volta do quilómetro 13 e foi muito bom.

Em termos de técnica, vou tentar novamente o contrarrelógio, mas, desta feita, vou procurar dar uns esticões quando começar a perder a força com um jogo de Fartleks Watson.

E voilà, é isto. Agora é calçar as sapatilhas e ala que a multidão e a bela cidade de Leiria esperam por mim.

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12
Out19

Se abrandou, mete estímulo


João Silva

No final de agosto já tinha falado sobre a importância dos esticões nos treinos como forma de melhorar a forma e de obrigar o corpo a sair da zona de conforto e da habituação.

Recordo-me de na altura ter contado com um belo parecer da estimada Luísa de Sousa. Em relação aos seus treinos, ela dizia que mudava o cárdio para sessões de HIIT como forma de estimular o corpo e o metabolismo.

Efetivamente, é a melhor forma de explicar o que quero dizer quando afirmo que é importante estimular o corpo. No caso da corrida, para os atletas amadores ou mesmo para os curiosos da corrida, sugeri jogos de velocidade durante os treinos para ajudar a abanar o corpo.

No fundo, os estímulos são isso mesmo, ruturas bruscas e repentinas numa determinada metodologia que têm o "condão" de levar o vosso corpo a pensar "mas o que é que este gajo está a fazer?".

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Acreditem, ao fim de algum tempo, a "máquina" fica viciada e, como gasta sempre a mesma energia e trabalha sempre da mesma forma, não desenvolve, não vos deixa sair da "cepa torta". Mudar de exercícios e de duração das sessões de treinos vai ajudar imenso. Diz-se, e com razão, que a transpiração não é sinal de maior queima de calorias, no entanto, é normalmente um sinal bem forte de que o corpo precisa de mais esforço para regular a temperatura. E, valha a verdade, anda tudo à volta disso: da capacidade que ele tem para nos manter em equilíbrio. Como tem de haver sempre perda de energia nesses casos, o metabolismo terá de acelerar e isso é benéfico para a vossa evolução. Em pouco tempo notarão melhorias.

Falando do meu caso, quando decidi aumentar ainda mais o volume dos treinos em maio não sabia bem até que ponto iria notar evolução. A esta distância temporal, percebo que foi o melhor que fiz.

O truque aqui também passa por ser paciente, porque o corpo demora algum tempo a assimilar novos métodos e novas estratégias para ser funcional. Mas, meus caros, paciência é um bem muito precioso e muito escasso na sociedade atual. Contra mim também falo.

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11
Out19

Progressivamente bom...


João Silva

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Curioso estar aqui a falar-vos do tipo de treino progressivo na véspera de mais uma meia maratona (amanhã em Leiria).

A verdade é que, sem saber, ao longo dos tempos venho adotando essa técnica. No entanto, nunca o fiz como uma metodologia de melhoria da corrida, o que foi uma pena. Um dos meus propósitos após a maratona de novembro será integrar esta metodologia na preparação do próximo ano. Como o meu treino tem de entrar agora numa fase mais calma para chegar em condições ao Porto, só depois de fechar o ciclo de "trabalho" é que poderei inserir algo tão "agressivo" na metodologia.

Seja como for, o treino progressivo é, como o nome indica, uma metodologia que implica um início calmo, num ritmo suportável, e uma aceleração contínua e gradual até se atingir um ritmo forte, ao nível do de competição, podendo mesmo, como refere o "mestre" Carlos Fonseca aqui, ser um pouco mais exigente.

O objetivo é submeter o corpo a uma variação gradual mas sequencial (um pouco como um treino de fartleks mas que abranja a sessão toda e não apenas uma fração de tempo ou distância) capaz de ajudar o atleta a lidar com eventuais quebras na parte final da corrida. Importante nesta metodologia é aquecer muito bem e procurar que a progressão seja suave entre os diferentes quilómetros. Por exemplo, é melhor fazer 4'50/km e 4'47 do que que passar logo de 4'50 para 4'00. O esforço não é gradual e pode não ser suportável.

Quem já experimentou esse tipo de treino? E que tal?

10
Out19

Tens direito a errar, mas não à repetição dos erros


João Silva

Falar sobre isto passou a ser assunto para mim depois de ter visto uma entrevista de uma pessoa que admirei muito no passado e que já não admiro tanto no presente. Trata-se de José Mourinho.

Para o blogue, não é relevante a ideia de ter deixado de gostar das suas qualidades enquanto agente desportivo. No entanto, a dada altura, disse a seguinte frase: "podes cometer erros, não podes é repetir os mesmos". Talvez por me tocarem diretamente, aquelas palavras acionaram logo o alarme da reflexão e da necessidade de escrever sobre isso.

No fundo, concordo, embora tenha uma ou outra reserva.

Se percebes que atuaste mal em determinada situação/fase da vida e consegues descortinar as verdadeiras causas que levaram ao erro, estás no bom caminho para evitar que a mesma falha seja repetida. Por outro lado, podes cair novamente na asneira, embora tenhas aprendido com o erro. E porquê? Porque, não poucas vezes, criamos excesso de confiança em determinada abordagem ou temos fatores psicológicos intrínsecos que nos moldam de tal maneira que não conseguimos soltar-nos das amarras.

A título pessoal, entristece-me olhar para trás, perceber que consigo refletir e identificar bem as causas de determinado problema e, mesmo assim, vejo que comi exatamente o mesmo erro em diferentes fases da minha vida. Um exemplo claríssimo foi o caso da comida. Depois de todo o esforço para deixar de ser obeso quando cheguei aos 18 anos, voltei a cair nas malhas da obesidade daí a um ano, quando entrei para a universidade e não tive maturidade suficiente para controlar o facto de trabalhar numa pizaria ou num hipermercado (mais tarde) durante o curso. Fui ingénuo, paguei a fatura.

Mais gritante do que isso é analisar os últimos três anos e ver que andei sempre no limbo entre o exagero na prática desportiva e a discernimento para abrandar. A sobrecarga foi uma constante e, lá está, foi isolada de forma consciente em determinadas alturas, mas depois voltou, quando baixei as guarda.

Não é desculpa, é um traço característico meu, mas deixa sempre aquele amargo de boca, quando se pensa no que poderia ter sido alcançado sem exageros. Além disso, o travo não é bom quando penso que essa repetição do erro se estendeu a aspetos mais pessoais.

Ainda assim, por muito "Gustavo Santos" que isto pareça, há sempre um novo dia para tentar mudar o rumo das coisas e é meio caminho andado saber o que causa os erros. Depois disso, (só?) fica a falar aprender com eles e não os repetir.

E por essas bandas também se repetem muitos erros? Como lidam com isso?

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09
Out19

Planificação de treinos


João Silva

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Como não tenho treinador, sou eu que faço os meus planos de treinos.

Sendo sincero, é algo que gosto de fazer, pois trata-se de uma tarefa exaustiva mas muito esquemática. Dado desde miúdo ter este toque (necessidade?) de escrever tudo para me organizar, faço-o de bom grado.

Ainda assim, é difícil explicar-vos detalhadamente como distribuo os treinos e as suas tipologias.

Até há pouco tempo, fazia uma planificação a pensar em dois meses (também já chegou às três), mas depois percebi que precisava de deixar algum espaço para o improviso.

Se me apetecer fazer um percurso diferente do estipulado, faço-o. Por outro lado, quando defino tipologias específicas, procuro nao "faltar", desde logo, porque, como são treinos muito duros, não quero dar "abébias" ao cérebro. Dito assim é um pouco duro, mas é raro mudar ou retirar um treino desses.

Uma das vantagens de amadurecer e de amealhar experiência com tudo isto é perceber quando o corpo não vai responder ao estipulado. Portanto, quando é mau para mim, não os faço.

Retomando a questão do plano propriamente dito, são sempre sessões duplas: normalmente, uma de corrida e outra de reforço. Depois, a cada grupo muscular atribuo um dia para não repetir as mesmas zonas. No passado percebi que isso era mau para o meu corpo. Outra das preocupações é não definir treinos duros de reforço nas vésperas de treinos mais longos ou de provas. Para essas ocasiões, por exemplo, determino treino de braços ou de peito.

Em relação ao treino de corrida, é importante espaçar, pelo menos, com um dia de intervalo, os treinos de fartleks dos de séries, dos de escadas ou também dos de subidas. Por norma, dois treinos de velocidade, um de subidas e um longão no cardápio. O resto consiste em treinos intermédios para recuperar ativamente.

Nem sempre foi assim, houve alturas em que era muito bruto na estipulação, mas o corpo, a carga e as dores encarregaram-se de me levar nessa direção.

Por agora, tem funcionado bem. E por aí, como é?

08
Out19

O dia seguinte é o dia D...de dores


João Silva

Quem nunca, não é verdade?

Não sei como é que funciona desse lado, mas sei que aqui se sofre muito com o acordar no dia seguinte aos treinos. São raras as exceções em que acordo impecável, sem dores.

Como os treinos são intensos, não raras vezes acordo durante a noite com espasmos, mas, pior do que isso, é levantar este corpo depois das malhas.

Tenho sempre a sensação de que um camião me atravessou de um lado ao outro e que fez marcha-atrás e repetiu a dose no sentido inverso.

O bom disto é que passa. 5 a 10 minutos após a abertura dos olhitos, este que vos escreve fica em condições.

Quando a carga é muito intensa, os primeiros minutos de corrida no dia seguinte são um martírio. Conheço poucas sensações assim. Felizmente, isso não sucede todos os dias, mas a ressaca de treinos de séries ou de saltos (joelhos altos, calcanhares aos glúteos, saltar à corda, burpees, lunges, etc.) são as piores. Fica a ideia de que me encheram as pernas de cimento. Por ser tão mau e tão difícil de descrever, nem vos falo do que é levantar no dia seguinte a treinos de acima de 20 km.

E por essas bandas como é a fase de recuperação após os treinos ou as provas?

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07
Out19

Muitos apeadeiros para chegar à paragem atual


João Silva

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É sempre assim com tudo, não é?

Nunca se obtém um resultado final e quando se chega a um determinado ponto, há sempre algo a melhorar e a adaptar.

Foi um pouco assim todo o processo ligado à minha alimentação.

Já falei disso há algum tempo, mas, olhando para trás, é curioso perceber a evolução que as coisas tiveram desde há três anos.

Com efeito, foi a reeducação foi profunda ao ponto de ter deixado de sentir necessidade de comer determinadas coisas.

Passo a explicar: este ano nem sequer comi um gelado dos de compra. Os que ingeri foram feitos por mim. Outro exemplo, há meses que não bebo um copo de vinho ou como um bolo de pastelaria. Como aqui sempre digo e não é para ferir suscetibilidades, não sou mais do que ninguém. Contudo, não como porque não quero, mas não há qualquer mal em comer esses alimentos de forma equilibrada, mas tive a felicidade de ter deixado que a bolha do desporto me isolasse dessas vontades.

O meu pensamento está todo canalizado para a minha evolução física e para a funcionalidade do meu corpo, pelo que não penso sequer nesse tipo de alimentos e por essa razão é que afirmo que não tenho sentido vontade.

Podia dizer que sentia a ausência desses produtos e que tinha dificuldade em controlar-me, mas não é o caso.

No início, ainda comia algumas dessas coisas, pelo menos, uma vez por semana. Foi importante e voltava a fazê-lo, é fundamental perceber que a recusa voluntária acaba mal. Sei disso por experiência própria. O que fiz foi comer quando sentia falta, numa primeira fase, uma vez por semana.

Com o tempo e com a evolução que as coisas tiveram, foi fácil "promover" a ausência, descurar a cobiça.

Há que admiti-lo, tive uma sorte descomunal, já que a bola de neve do desporto e do que quis começar a construir me levou a abdicar inconscientemente dessas coisas.

Sinto-me feliz assim, porque consegui suprir as ausências desses doces processados, por exemplo, através de alternativas diferentes.

Foi, no fundo, fruto da dedicação e do treino. Sem isso, é provável que a evolução não tivesse sido essa.

 

06
Out19

Não esquecem...e duram, duram


João Silva

Sabiam que os vossos músculos e o vosso organismo se vão lembrar se retomarem a prática de exercício físico após alguns meses ou anos de paragem?

Passo a explicar: está comprovado que o corpo não esquece e, se tiverem praticado desporto de forma continuada, após um interregno, ele vai lembrar-se e responde de forma positiva. Em que se reflete? Por exemplo, na regeneração ou no gasto energético. Se a prática tiver sido muito prolongada, o vosso metabolismo não vai queimar a mesma energia que faria, caso tivessem começado agora o exercício.

Tal como se lembra disso, também tem memória de elefante no que toca a dores musculares.

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Houve um período na primeira quinzena de agosto em que sofri algumas cãibras na zona dos gémeos. Foi o corpo a acusar o desgaste e, sem mentir, ao fim de uma semana, ainda sentia os "laivos" de dor naquela zona. É verdade que já não doía com intensidade, mas, me determinados movimentos, a memória vinha ao de cima.

Não sei se já vos aconteceu o mesmo. Sei, isso sim, que é muito desagradável treinar assim. Num dos treinos de séries, ao executar a primeira, comecei logo a sentir os gémeos a dar esticões e a querer enrijecer. Depois passou, talvez porque o organismo já está habituado, mas, tal como os meus músculos, também eu não me esqueci das dores que senti.

05
Out19

Revelar é pressionar?


João Silva

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Quando falei das superstições, mencionei um aspeto que procuro preservar sempre que possível: regra geral, não digo às mais variadas pessoas quantos quilómetros vou percorrer, quando estou em vésperas de treinos longos.

Por exemplo: se souber que vou correr mais de 30 km no sábado, caso converse com algum colega ou conhecido, procuro não dizer exatamente quantos quilómetros serão. Contudo, não o faço por egoísmo ou por não querer a companhia de outros colegas. Nada disso.

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Faço-o para não dar "azar", aqui está a parte da surpestição, porque acredito que pode agourar e porque gosto de mostrar o que foi feito não de criar expectativas sobre o que tenciono realizar: por um lado, não gosto da pressão adicional que isso vai gerar e, por outro, porque acredito que primeiro se faz e depois se diz, não o contrário.

Ao revelar os planos, sinto-me pressionado e, por exemplo, se sentir dores fortes nos músculos ou se as coisas não estiverem a correr bem, sinto a obrigação de fazer o dito longão "apenas" para manter a minha palavra, em vez de repousar ou de fazer algo que seja mais benéfico para o organismo.

Por essa razão é que falo em pressão, não tanto proveniente dos outros, mas, principalmente, por ter a necessidade de cumprir aquilo que "disse".

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Resumindo: prefiro dar conta do que fiz e falar nisso após a execução em vez de fazer "propaganda" a algo que, por este ou outro motivo, pode não chegar a acontecer. 

Mais alguém a fazer parte deste grupo?

04
Out19

Dores de amadurecimento


João Silva

Todos já ouviram falar em dores de crescimento, pelo que não me serve de muito estar a explicar o que significa.

Venho "introduzir" as dores de amadurecimento.

Não sei se o conceito existe, mas acredito piamente que haja muito mais pessoas e desportistas a sofrer desse "mal".

Então e o que são as ditas dores?

São aquelas que, de tão frequentes, persistentes ou nefastas, nos obrigam a aprender.

Neste contexto, como não poderia deixar de ser, vou falar da sua aplicação e presença no atletismo.

É uma espécie de cliché haver um atleta a dizer "no início não ouvia o meu corpo, mas agora aprendi". Na verdade, acho que, não poucas vezes, somos forçados pelo corpo a adquirir essa aprendizagem.

Dou-vos o meu exemplo: tenho consciência do que me faz mal, do que é incorreto na minha preparação, do que o meu corpo gosto e do que a minha cabeça aprecia para poder render. Contudo, tenho um defeito enorme: sou demasiado persistente, teimoso e, porque não dizê-lo, obstinado com os treinos. Não são poucas as vezes em que caio na "armadilha" da sobrecarga. Perante essa tendência quase tresloucada para destruir a minha evolução, acabo por conseguir contrariar tudo isso através de uma análise mais ponderada e racional.

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Ao longo destes quase três anos (dentro de um mês), cometi tantos exageros na forma como lidei com o meu corpo. No entanto, como gosto de pensar, fiz "bom proveito" das dores. Ou seja: por ter sofrido tanto em determinados momentos, por ter corrido a mancar durante semanas a fio (entre dezembro e janeiro de 2016), acabei perceber que o corpo chega a um ponto em que vai rebentar, em que diz chega e depois não o tens. Perante esse cenário e tendo em conta o meu receio (medo mesmo?!) de lesões (que, felizmente, até agora não tive ao ponto de ter de parar), acabei por aprender a parar, a ter paciência com as minhas exigências e a relativizar o treino e a sua intensidade.

Todavia, para chegar a esse nível de amadurecimento, tive mesmo de suportar muitas dores e muitas manhãs em que mal me conseguia mexer.

Costumo dizer à minha treinadora (esposa) que aprendo, mas que preciso de sofrer para que isso aconteça.

Vocês são iguais e caem no exagero ou conseguem parar atempadamente sem problemas?

03
Out19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

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Foto: Ao quilómetro 35 da maratona do Porto em 2018

 

Estamos precisamente a um mês da minha grande prova deste semestre, a maratona do Porto.

Não há, pois, melhor data para vos dar a conhecer a história de uma mulher de armas, uma verdadeira guerreira que conheci no mundo das corridas. Na verdade, foi por interposta pessoa, nomeadamente, pelo meu muito estimado Ricardo Veiga.

Trata-se da Lígia Casimiro, atleta do SC Espinho e que, tal como eu, fez a sua primeira maratona em 2018 na bela cidade do Porto. É difícil não admirar a Lígia pela garra com que corre. Apesar de ser craque e de já contar com várias consagrações e distinções, o que mais me fascina nesta atleta é a forma como se dedica a provas de estrada e como se prepara e trabalha sempre com o intuito de evoluir. Além disso, ao conversar com ela, percebe-se rapidamente que é humilde, sabe o que já conquistou mas também tem noção do que sofreu para lá chegar e do que precisa de fazer para continuar na crista da onda.

Dentro de 10 dias, estará a fazer a maratona de Chicago, fruto do resultado que obteve na maratona do Porto em 2018. Vamos, portanto, dar-lhe um impulso e desejar muita força.

Apresentações feitas, é tempo de lhe dar a palavra e de vos deixar com ela e com as suas visões e histórias do mundo do atletismo. Sabem aquelas pessoas que considero sempre "família" quando vou fazer uma prova? A Lígia é uma delas.

 

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Foto: Chegada à meta na maratona do Porto

  • Nome:

Lígia Casimiro

  • Idade:

43

  • Equipa:

Sporting Clube de Espinho / António Leitão

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Foto: Com a "irmã mais nova" do SCE (na chegada à meta da São Silvestre de Espinho)

  • Praticante de atletismo desde:

Julho de 2015

  • Modalidade de atletismo preferida:

Adoro tudo (Já experimentei pista, corta- mato, trail, estrada, corrida de obstáculos).

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Foto: com as colegas do SCE em junho quando foram campeãs distritais

  • Prefere curtas ou longas distâncias:

Prefiro longas distâncias, talvez porque não preciso sair da minha zona de conforto tão cedo.

  • Na atual equipa desde

Junho de 2018.

  • Volume de treinos por semana:

Neste momento, como me estou a preparar para uma maratona, faço 2 vezes por semana reforço muscular e 5 vezes por semana corrida, tenho um dia de descanso. Mas anteriormente fazia 1 vez por semana reforço (o que era muito pouco) e 3/4 vezes corrida.

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Foto: com a irmã do coração do SCE

  • Importância dos treinos:

Todos os treinos são importantes para a nossa saúde, quer seja musculação, natação, ciclismo, atletismo, qualquer desporto é importante para o nosso bem-estar físico e psíquico. O fundamental é praticarmos aquele que nos dá mais prazer. Eu acredito que, mesmo para aquelas pessoas que detestam/odeiam desporto, existe um que lhes irá dar prazer, têm é de procurar.

  • Tem treinador?

Até Agosto de 2017 não tive treinador, atualmente tenho uma treinadora (formada em educação física e fisioterapia), que faz o meu plano semanal de treinos (reforço e corrida), já que não me sinto capaz de o fazer sozinha.

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  • Diferenças existentes entre o atletismo no passado e atualmente:

Neste momento o atletismo está muito na moda, existem muitos grupos de corrida (o que é muito bom, porque incentivam as pessoas a praticar desporto) e todos os fins de semana durante todo o ano existem provas para todos os gostos, onde tanto homens como mulheres podem participar. Ainda assim, muitos iniciam esta e outras práticas desportivas sem consultarem primeiro um médico, o que é um grande erro. No passado, embora tivéssemos grandes atletas, que nos deram grandes alegrias a nível mundial, não existiam tantos praticantes, pelo que penso que a formação destes pequenos grupos de corrida veio ajudar/incentivar esta prática desportiva.

Contudo, tal como no passado, no nosso país, dá-se mais importância ao futebol, esquecendo-se outros desportos onde somos muitos bons. Em algumas modalidades, os nossos atletas têm muitas dificuldades em representar o nosso país, porque, para o futebol, há sempre patrocínios e para outros desportos os atletas que se desenrasquem.

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Foto: Corrida 4 estações em Coimbra

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas:

Tirando as amigas que vou fazendo nos treinos e provas de atletismo, só me recordo de uma: em julho de 2018, ao atravessar a meta numa prova, uma atleta desconhecida deu-me os parabéns (a Júlia S., agora já não é desconhecida e é uma simpatia). Até àquela data em todas as provas, quando chegava ao mesmo tempo que outra mulher, se tentava cumprimentar e dar os parabéns, viravam-me as costas e ou desapareciam. Em setembro do ano passado, numa meia maratona, no último abastecimento, disseram-me que era a quinta mulher. A cerca de 10 metros da meta, como o piso era em areão e cascalho, a quarta atleta apercebeu-se da minha aproximação e deu corda às sapatilhas. Eu fiquei em quinto lugar com uma diferença que nem chegou a 1 segundo. Tentei aproximar-me da quarta classificada para a felicitar, e quando esta se apercebeu, virou costas e acelerou o passo, foi preciso ir atrás dela e agarrar-lhe a mão, para lhe dar os parabéns e lhe dizer que tinha merecido. Primeiro, a reação dela primeiro foi de espanto e depois lá agradeceu, com um sorriso “amarelo”. Não entendo. Com os homens, nunca tal me acontece. Quando cruzo a meta, sou felicitada quer chegue primeiro ou depois deles e trato-os de igual forma. Esta falta de desportivismo entre mulheres entristece-me e mostra que muitas delas ainda têm muito a aprender.

Felizmente, nas provas de pistas não se vê esta falta de desportivismo e até há algum companheirismo entre atletas de equipas diferentes.

Em dezembro de 2018, participei no Grande Prémio de Atletismo Vila da Palhaça com os meus colegas do SCE. O percurso tinha 3 voltas. Iniciei a prova com dois colegas do SCE (a Carla e o Jorge). No fim da primeira volta, sem querer, deixei passar o primeiro abastecimento. Só quando vi outros atletas com a garrafa na mão é que me apercebi (sim, ainda não tinha feito 5 km e estava com uma sede que parecia que tinha atravessado o deserto, com um calor tórrido; na verdade, estava constipada e só conseguia respirar pela boca) e manifestei este percalço aos meus colegas em voz baixa. Num tom mais forte, para saber se tinha entendido o que tinha dito, o meu colega Jorge pergunta-me se estava com sede e eu respondi-lhe que sim. Qual não é o meu espanto ao ouvir um atleta desconhecido oferecer-me a garrafa dele e foi assim que uma garrafa de 33 cl deu para 5 ou 6 pessoas. Dei dois golos e passei a garrafa ao Jorge, que depois a foi passando a mais atletas (se alguém se constipou com os micróbios da minha constipação, estou isenta de culpas, porque dei conta do meu estado de saúde). Achei esta partilha da garrafa de água simplesmente sensacional, foi de um grande companheirismo. No fim, não agradeci novamente à alma caridosa por este gesto simplesmente porque não fixei quem ele era. Porém, se algum dia ele “passar” aqui no blogue e ler esta publicação, o meu muito obrigada.   

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Foto: Juntos no final da corrida 4 estações em Coimbra em março deste ano

  • Aventura marcante:

Para mim a aventura/prova mais marcante foi o ano passado na minha primeira maratona. Foi simplesmente um dia maravilhoso. A melhor prova de sempre. Foi a prova em que mais nervosa estava antes de a iniciar e, quando deram o “tiro” de partida, toda a ansiedade passou. O meu corpo descontraiu e desfrutei até ao fim. Das experiências mais marcantes que tive na minha vida.   

  • Participação em prova mais longa:

Foi o ano passado no dia 4 de novembro, no Porto na minha primeira maratona.

  • Objetivos pessoais futuros:

O meu objetivo/aventura deste ano é em outubro na maratona de Chicago. Com o resultado da maratona do Porto, consegui o índice para entrar nesta prova (uma das 6 majors).

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos:

Espero que com mais mulheres e crianças a praticar, e com mais desportivismo entre atletas.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos?

Ora bem, não sei muito bem o que dizer, mas espero que continue a ter saúde para correr, mesmo que não seja a competir, que o seja por lazer, porque me faz muito bem.

  • Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

Sinceramente não sei o que responder a esta pergunta, porque atualmente estamos presentes em tudo o que é desporto e em todas as modalidades temos excelentes atletas, mas o porquê de sermos tão poucas é uma incógnita para mim.

·         Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Temos claramente diferenças de tratamento, principalmente em provas mais antigas e tradicionais, em que os prémios monetários não são distribuídos de forma idêntica à dos homens. Muitas vezes, somos todas incluídas no mesmo escalão, enquanto os homens são distribuídos por escalões com direito a prémios separados. E, por vezes, os prémios monetários são de valor mais baixo para as mulheres. Nas provas mais recentes, já é raro ver-se essa desigualdade.

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Foto: Na São Silvestre de Aveiro com os colegas/amigos da empresa onde trabalha

02
Out19

Se não dá, baralha e volta a dar...diferente


João Silva

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Acabou por ser uma semana curiosa aquela que vivi entre o dia 05 e o dia 11 do passado mês de agosto.

Bem sei que já passaram praticamente dois meses, mas a menção serve apenas para explicar que nem sempre se consegue fazer o que está estabelecido e que, muitas vezes, é ponderado adaptar as coisas, no caso, os treinos.

Na semana em causa, tinha previsto fazer um treino de 42 km, como forma de preparação da maratona do Porto.

Inicialmente, por questões práticas, estava estipulado para o sábado.

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Contudo, com base na previsão meteorológica prevista para essa semana, decidi antecipar o dito longão para a sexta-feira, dia 09.

Como é hábito, a semana foi pesada e o corpo acusou cansaço. Além disso, na terça-feira, abusei um pouco com um treino de 1h30 de corrida. A esta distância, considerando o bem maior, era desnecessário e só prejudicou.

Na quinta-feira, já o treino tinha terminado há muito tempo, num movimento intenso, forcei demasiado os gémeos e as cãibras atacaram aquela região. Mas atacaram de tal forma que fiquei com memória da dor nas pernas durante três dias. 

Por isso, nessa noite, após algumas hesitações e ponderações, decidi que não podia fazer os 42 km na sexta-feira. O corpo não iria dar resposta capaz, por certo, iria contrair uma lesão e acabaria por prejudicar o bem maior.

Nesse sentido, foi necessário modificar três dias do plano de treinos. Confesso que é algo que não gosto muito de fazer mas que, em abono da verdade, tenho aprendido a fazer com base na experiência (e, às vezes, nas dores). Em vez do estipulado, fiz um treino de corrida de 02h00 na sexta (primeira imagem) e uma sessão intensa de ioga.

Tenho o dever de ser honesto: não devia ter corrido tanto tempo seguido na sexta-feira. O meu corpo ressentiu-se ainda mais, passei o tempo todo com imensas dores nos gémeos. Tive muito tempo para pensar na dita asneira durante a corrida. Foi a sessão intensa e profunda de ioga que me deixou em condições e me diminuiu as dores.

Isso e o facto de ter feito bicicleta estática e treino funcional no sábado.

Custou-me horrores não ter saído para correr no sábado, mas, à distância, sei que foi totalmente avisado.

E tanto assim foi que, no domingo, o corpo respondeu fanstasticamente bem, praticamente sem dores e novamente numa "viagem" de duas horas no asfalto (imagem do meio).

O desempenho melhorou substancialmente, mas, a parte que mais me satisfez, o corpo reagiu bem, não teve quebras nem "ressacas" dos exageros.

Apesar do desagrado por ter sido "obrigado" a adiar o treino dos 42 km para setembro, fiquei genuinamente feliz pela forma como lidei com as constantes contrariedades, logo eu que não gosto muito de imprevistos.

Além disso, refira-se também que há males que vêm por bem. Porquê? Porque assim pude dividir o trajeto do treino dos 42 km pela sexta e pelo domingo e porque isso me permitiu ter uma ideia mais exata do que iria encontrar quando fizesse o percurso sem interrupções.

Como diz o outro (seja lá ele quem for): vivendo e aprendendo.

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