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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

08
Abr20

Diz que é uma espécie de agradecimento


João Silva

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Quando dei conta da celebração do primeiro ano deste blogue, não foquei ninguém em específico. Em parte, acabou por ser intencional, porque não há leitores ou visitantes preferidos.

No entanto, como também é normal, há algumas pessoas que vão ganhando espaço no nosso coração pela generosidade que revelam. 

Assim sendo, sinto necessidade de destacar algumas pessoas e espaços com os quais me identifico. 

De uma forma ou de outra, reconheço nas pessoas que vou enumerar parecenças de personalidade. 

Não desfazendo de ninguém, um muito obrigado especial à Alala, ao João, à Luísa, à MJP, à Nala, à Sarin e ao Último.

Vocês dão dinâmica e vida ao meu canto, que acaba também por ser o vosso. É um prazer receber os vossos comentários. 

06
Abr20

Eu ex-obeso me confesso! (REPUBLICAÇÃO EDITADA)


João Silva

Na sequência da comemoração do primeiro ano deste espaço, que também acaba por ser o vosso canto, decidi trazer-vos o primeiro texto de todos.

Foram as primeiras palavras e as primeiras linhas no blogue. Serviu de catarse e sabem que mais? Ajudou a tirar um grande peso de cima.

Há coisas que não são fáceis de partilhar e, honestamente, há muita coisa que tem de ficar para nós próprios. No entanto, após o devido tratamento e processamento de tudo o que vivi desde novembro de 2016, senti que só tinha a ganhar com o desabafo.

Olho para o texto que vos deixo abaixo com muita "ternura", pois fui eu "in meinem Element", como dizem os alemães. Ou seja: fui eu próprio, sem "filtros".

Fiquem, pois, com o primeiro texto deste blogue:

 

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É caso para dizer: quem te viu e quem te vê!

Esta foto data de 06 de novembro de 2016 e funciona como o meu atestado de obesidade, tendo atingido a "mágica" marca dos 118 kg.

Desde muito novo que sempre tive propensão para engordar, não só por tudo aquilo que comia, pela falta de regras e de consciência alimentar e nutricional (e escassez de dinheiro), como também pela disposição "genética". Nunca fui alvo de nenhum exame que provasse essa mesma disposição genética, mas posso proferir a afirmação anterior com base em tudo o que foi e é a minha família.

Posto isto, passei por várias fases. Na adolescência sofri da "síndrome da rejeição", nunca fui um alvo apetecível para o sexo oposto. Na fase final da minha adolescência e na inicial da minha vida adulta, graças à prática de futebol amador num clube da terra, o U. D. Gândara, perdi cerca de 50 kg em apenas três meses. Foi um tempo monstro. Privei-me de todo o tipo de comida, o que, agora a uma distância temporal de 12 anos, confesso que se tratou de um erro.

Dado o processo de emigração dos meus pais, vivia sozinho na altura e estava prestes a entrar na Universidade de Aveiro.

Ao mudar de distrito, voltei a mudar de hábitos, trabalhei e estudei em simultâneo durante a licenciatura e o mestrado em tradução (francês e alemão) e abandonei por completo a prática desportiva, algo que sempre fora uma paixão.

Tudo isto conciliado com o facto de ter trabalhado numa pizaria e posteriormente num hipermercado com horários loucos redundou em nova subida de peso. No fundo, deixei de lutar contra a tendência e foi como se tivesse fechado o ciclo anterior da mesma maneira que o comecei: com excesso de peso. No fim de todas estas vivências, estava com 118 kg. E ainda nem tinha chegado aos 30 anos.

Passada uma fase agitada com mudança de emprego, casamento e mudança de residência, abracei novamente a missão de recuperar a minha saúde.

Foi então que "descobri" as caminhadas; primeiro com a minha cara-metade, depois com os meus cunhados (juntamente com a minha esposa, os grandes pilares e precursores da minha mudança). No dia 19 de novembro de 2016, já com duas semanas de caminhadas no corpo, decidi começar a correr.

A partir daí, mudei literalmente de vida. O gosto que sempre tive pelo desporto revelou-se o combustível certo para começar a alterar o meu padrão de alimentação e, consequentemente, a forma como via as coisas.

Agora, em abril de 2019, estou a 24 dias de fazer a minha segunda maratona oficial. Será no dia 28 deste mês em Aveiro, cidade onde vivi durante 10 anos e onde estudei, trabalhei e me casei. Será especial, sem dúvida!

Este espaço surge agora como forma de explicar ao "mundo" como a corrida mudou a minha vida e me transformou nisto:

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Haverá tempo e disposição para vos contar tudo o que fiz neste processo, para vos falar dos meus treinos diários, da minha alimentação, das minhas preferências de corrida, da minha vida desportiva, das minhas ambições pessoais e desportivas, bem como de outros assuntos que naveguem na minha cabeça, como a minha paixão louca pela Bundesliga e pelo Borussia Dortmund.

Partilharei também vídeos pessoais, relacionados com desporto ou não, artigos de entendidos, registos e informações sobre as diferentes provas. No fundo, este será um espaço que me permitirá contar-vos um pouco de mim.

Será um prazer ter-vos por aqui e contar com as vossas opiniões e/ou sugestões.

Não se "acanhem".

 

04
Abr20

Como o tempo passa...e parabéns


João Silva

Sim, é verdade. Este belo cliché tem um grande fundo de verdade. 

O tempo voa sem que nos demos conta disso. 

Hoje, dia 04, é dia de olhar para trás, em jeito de retrospetiva, e de felicitar este espaço pela sua existência.

O blogue celebra 1 ano de existência. 

Em momento algum lamentei as horas passadas a escrever ou a pensar no que escrever. 

Fico extremamente feliz por ter contado com "audiência" capaz de me desafiar no bom sentido. 

Só posso prometer que vou continuar a escrever. Sabem que mais? Até já tenho quem me forneça conteúdo: chega algures nas próximas semanas e vai ser recebido com muito amor. Peripécias para o blogue não me faltarão. 

Muito obrigado a todos vós. 

 

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03
Abr20

Sessão de alongamentos


João Silva

Sem querer, tropecei nos vídeos do grupo Globe-Runners.fr.

Felizmente, foi um bom tropeção. 

Partilham informação útil de forma constante e sem fim. 

Trata-se de uma espécie de manancial de boas práticas para quem corre.

Para hoje, decidi partilhar convosco uma sessão simples de alongamentos para todo o tipo de corredores: desde os de estrada aos de Trail, desde os profissionais aos amadores. 

Alguns deles já fazia antes, outros fiquei a conhecer agora. 

Não sou nenhum moralista e não procuro dar lições a ninguém, mas queria mesmo alertar para a importância dos alongamentos. 

Se pensar no meu caso, em que ando há meses a correr entre 400 e 600 km por mês, seria impensável fazê-lo, se não tivesse uma boa base de alongamentos para recuperar do esforço.

Deixo-vos o vídeo aqui:

 

01
Abr20

A magia do afastamento


João Silva

De uma forma sucinta, falo-vos de uma medida que tive de adotar na minha vida e que valeu ouro.

Em julho de 2019, pois é, já lá vão muitos meses, andava a roçar a saturação. Sentia que não estava bem e que precisava de retirar o foco de coisas que só me distraíam.

Na altura, já andava numa bela fase de vício em termos de redes sociais.

Procurava não perder uma Story no Instagram, comentava muitos perfis de corrida, partilhava aventuras, via fotos, lia publicações. De cada vez que o fazia, reparava que fica com uma espécie de "mágoa". Invariavelmente, comparava-me sempre com o que via e lia e tinha a sensação de que tudo o que fazia era e estava incorreto, o que, por si só, já era incorreto.

Posto isso, após uma fase de reflexão, daquelas que vamos adiando, meti tudo em pratos limpos comigo. Percebi que eu, sendo o meu maior inimigo desde sempre, não me podia dar ao luxo de olhar para o lado daquela forma.

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É importante olhar para o lado para aprender mas não para nos deprimirmos.

Devagarinho, fui perdendo o gosto pelo "bicho" das redes. Reduzi as idas ao espaço até que cheguei a uma altura em que deixei de usar por completo.

Honestamente, tirei um peso de cima do meu corpo. Fiquei muito mais solto, dei espaço à felicidade e foquei-me em mim. Se sinto falta? Correndo o risco de ser injusto, nenhuma.

Não sei se alguma vez voltarei a usar redes sociais (os canais ainda estão ativos), mas sei que me tornei muito mais feliz sem "aquilo".

Não sou apologista de que são o "demo", até porque ali a culpa foi minha. Fui eu quem se pôs a jeito e se deixou "manipular".

Dito isto, desde então que tenho valorizado muito mais tudo o que me rodeia e, principalmente, quem me rodeia.

30
Mar20

Fonte de conhecimento II


João Silva

Não conheço pessoalmente o autor da página que vos apresento, mas posso garantir que foi importantíssimo na minha evolução como atleta.

Quando percebi verdadeiramente que queria correr e melhorar o meu desempenho, foram as informações exaustivas do Carlos que me serviram de suporte.

Vale cada segundo de consulta. Tem textos e esquemas de treinos riquíssimos e abrange todo o tipo de temáticas. Lembro-me, por exemplo, que foi naquele espaço que descobri as técnicas de fartleks watson e que tirei referência dos tempos de treinos intercalados.

Se ou quando tiverem oportunidade e interesse, deem lá um salto. 

 

O espaço do Carlos encontra-se aqui:

http://www.atletismo.carlos-fonseca.com/

28
Mar20

É hora de mexer a anca


João Silva

É uma zona muito menosprezada nos atletas mais amadores. Em especial, tal ocorre porque poucos se dão ao trabalho de reforçar os quadris e de melhorar a sua postura.

Com os exemplos que vos mostro na partilha abaixo poderão melhorar a vossa passada, dando uma maior estabilidade à zona central do corpo e "agredido" menos os joelhos.

Foi através deste método que consegui melhorar o meu ritmo, pois passei a economizar mais energia e conseguir percorrer uma maior distância em menos tempo.

Demora até se tornar numa postura natural do atleta. Em média, diria que são precisas 4 semanas para que a adaptação ocorra efetivamente.

Além disso, acrescento que haverá algumas dores pela forma como os pés vão aterrar no piso. No entanto, o corpo adapta-se e a dor deixa de se sentir.

Termino com uma nota: no exercício com a kettle bell, por não ter, acabei por fazer com um peso semelhante. Por vezes, também fiz sem suplementos, só com o movimento do corpo.

Faço votos para que vos ajude tanto quanto o fez por mim:

 

https://youtu.be/ULmO1q5G_ug

 

26
Mar20

Silêncio, meditação, cérebro


João Silva

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Aflorei esta questão há uns dias, mesmo a terminar o mês de março e agora dou-lhe o remate final.

Disse que o silêncio era importante sem, no entanto, explicar verdadeiramente o motivo.

Em termos científicos, o silêncio assume, face ao cérebro, a mesma função que o esquecimento. Ou seja: são mecanismos de limpeza. Ao contrário do esquecimento, cuja importância se revê mais na limpeza e na higiene cerebral, o silêncio permite a assimilação do conhecimento. É, na verdade, o elemento responsável pela entrada em cena dos nossos pensamentos mais básicos.

Podem fazer a seguinte experiência: não ter nada ligado nem ninguém por perto. Verão que daí a uns minutos o vosso cérebro vai viajar sozinho para terrenos distantes, bem remotos, mas sempre com base nas informações que recolheram.

No fundo, o silêncio é o indutor da meditação, daqueles pensamentos puros (não necessariamente bons) que circulam e navegam no nosso cérebro. Aliás, numa fase em que não pude fazer sessões "reais" de meditação, foi assim que consegui organizar ideias e arrumar a minha cabeça.

Mais tarde, em pesquisas e em programas científicos, percebi que o silêncio ajuda, de facto, a compartimentar a informação, sendo ainda benéfico para as redes neuronais, porque lhes oferece organização. É desta mistura de silêncio, abstração e meditação que sai um cérebro mais completo e mais capaz de lidar com fases negativas. 

E entre vós, quantos são os que valorizam uma bela dose de silêncio? E preferem de manhã, de tarde ou à noite?

 

 

24
Mar20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Em mais um "episódio" desta rubrica, trago-vos uma pessoa que encontrei nestas andanças de blogues.

Foi, na verdade, talvez dos primeiros a encontrar o meu canto.

Com o passar do tempo, tem-se vindo a criar uma ligação de simpatia, arrisco-me a dizer.

E, portanto, não podia ficar indiferente ao facto de o jovem em causa também ser um corredor, embora, no seu entender, seja "apenas" alguém que leva a corrida com um fator social, parafraseando: "como workout".

Seja como for, deixo-vos abaixo com a entrevista feita ao autor do blogue muito conhecido O último fecha a porta, que, após lerem as palavras do autor, podem visitar aqui.

Vale a pena e, para quem o segue no blogue, fica "revelado" o mistério, já que o poderão ver "de frente" e, quiçá, apoiá-lo em algum evento desportivo.

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  • Idade

31 anos

  • Equipa

Individual

  • Praticante de atletismo desde

Não diria atletismo, mas corrida de fim de semana desde meados de 2017

  • Modalidade de atletismo preferida

Estrada

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Como tenho pouca resistência, opto por distâncias mais curtas (10 km)

  • Volume de treinos por semana

Dois (um mais curto e outro mais longo)

  • Importância dos treinos

Os treinos são importantissimos. Não há milagres. O nosso corpo só responde (sem lesões e sem “extras”) se for treinado para os objetivos. Procuro, sempre que possível, treinar em grupo, tendo a de na minha zona haver vários grupos amadores gratuitos de corrida. Com diferentes grupos e ritmos e com pessoas que também vêm correr depois de um dia de trabalho numa lógica de “workout”.

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  • Se tem ou não treinador

Não tem

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Hoje em dia creio que há mais atletas nas corridas, seja estrada ou trail. Uns aderem por gosto, outros por moda, outros por arrasto, outros pela vida saudável.

Ao olhar para a agenda no dia de hoje, há uma enorme variedadede opções para o fim de semana, numa geografia reduzida. Muita oferta, umas mais comerciais, outras mais amadoras. Acho isso positivo, quer para a prática desportiva e saudável, quer para a própria dinamização das localidades.

Na minha opinião, está-se também a tornar numa indústria, onde a rentabilidade começa a ser procurada. Preços elevados para poucas contrapartidas. Porém, os atletas vão-se também ajustando ao que lhes interessa.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Vomitei uma vez porque tomei o pequeno almoço 10 minutos antes de começar a correr. Numa subida e com mais esforço, “virei o barco”. Nunca mais comi iogurte antes de correr (risos).

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  • Aventura marcante

Foi num “grande prémio”. Foi a primeira e única vez que fui. O preço era acessível e perto de casa. Isso motivou-me a inscrever. Em pleno mês de julho, num sábado à tarde, quando cheguei, chamou-me a atenção estar pouca gente e tudo com t-shirts de clubes. Ao fim do primeiro quilómetro, já ia em último. E fui mesmo o último. Atrás de mim, vinha a amabulância e sentia o motor a fazer o meu ritmo. Pior, era a duas voltas e ia eu a acabar a primeira, já havia alteltas que tinham acabado. Não me meti mais em corridas dessas.

  • Participação em prova mais longa

Será no Trail do Ermelo (21 km)

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  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Vejo o atletismo como uma indústria e tentar a encontrar o seu ponto de equilibrio.

Com um mundo cada vaz mais tecnológico, já é possível com um leve e simples relógio ter todas as métricas e percursos de uma corrida. Perspetivo uma enorme evolução por essa via, com o aparecimento de novos players na medição de performance.

Por outro lado, nos últimos anos têm aparecido muitos eventos e novas variedades, desde corridas, trails e em 2019 muitas provas de obstáculos (chamados “challenges”).

Com tanta oferta e sem saber se o número de participantes consegue acompanhar,  têm desurgir ideias diferenciadoras: criatividade, novas formas de negócio, novos prémios aleatórios, cross selling, medalhões de várias provas, parcerias cada vez intensas com ginásios, ofertas de inscrições e até leilões de descontos já se veem. Ao nível de marketing, vai haver ainda mais agressividade. Daqui a cinco anos, prevejo mais participantes (o que me parece muito bom em termos de combate ao sedentarismo e a bons hábitos de saúde), mas também mais pressão comercial sobre os atletas.

Mesmo que uns adiram por moda, conseguirão estas ideias reter os corredores?

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  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Se não tiver lesões, já será bom sinal. Como gosto de correr, gostava de continuar neste desporto. Revejo-me a continuar no meu amadorismo e como workout, sempre na desportiva, melhorando o meu ritmo e resistência e ambicionando distâncias um pouco maiores. Gostava também de experimentar novas corridas e trails todos os anos.

 

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22
Mar20

A subir também se aprende


João Silva

Além de ser algo que nos ajuda a aprender, o treino de escadas é essencial para quem corre mais do que uma ou duas vezes por semana.

Passa por esse tipo de treino a chave do reforço muscular do corpo.

No entanto, apesar de ser "a chave", não tem de ser feito a toda a hora e a todo o instante. Basta que incorporem algumas subidas de escadas no final das vossas corridas ou que adotem uma sessão específica a rondar os 30 minutos depois de um treino menos intenso.

Deparei-me com o seguinte vídeo "por acidente", numa das pesquisas aleatórias pelo Youtube.

Após uma análise cuidada, vi que se tratava de mais um grupo francês (sempre eles os mais preocupados com a partilha de conhecimento nesta área) e fui "bisbilhotar".

Pois bem, antes de vos deixar praticar os exercícios de escadas revelados no vídeo, informo-vos de que o site dos Globe-Runners é uma mina de conhecimento e partilha para quem quer evoluir. Mesmo os que pretendem manter o "low profile" têm aqui uma excelente fonte de informação.

Partilham vídeos regularmente e falam também de fundamentos técnicos.

O site é: www.globe-runners.fr

Quanto ao vídeo, pratiquem e contem aqui se ficou a doer tanto quanto me doeu a mim após a primeira vez em que adotei este treino:

20
Mar20

O dia que mudou tudo


João Silva

Foi a 20 de março de 2009 que nasceu esta história, a nossa história, que se prepara agora para mais um capítulo extraordinário.

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Hoje estamos novamente de parabéns. Já levamos 11 anos de vida conjunta, 4 dos quais como marido e mulher. 

Já nem sei bem o que é a minha vida sem ti e, honestamente, também não pretendo saber. Sei, isso sim, que aquela tarde a dois junto ao Meliá em Aveiro marcou o início de um amor sem par. 

Sei, isso sim, que jamais me teria tornado no homem que sou hoje, se não te tivesse na minha vida. 

Sabes o que é mais interessante no meio disto? É que já passou tanto tempo e nunca nenhum de nós se cansou, porque, mesmo nos momentos mais complexos, nenhum de nós virou as costas ao desafio. Crescemos juntos. O casal que somos agora é diferente daqueles dois jovens que se começaram a apaixonar naquele passeio junto à Ria de Aveiro. 

E agora, superadas tantas etapas, preparamo-nos para crescer... a três. Falta tão pouco e mal posso esperar por contar ao Mateus as peripécias que envolveram o amor e a relação dos pais. 

Como já tantas vezes te disse, meu amor: muito obrigado! 

Parabéns a nós por estes 11 anos 😉

Amo-te muito! 

 

18
Mar20

Os dois lados do desporto na hora do aperto


João Silva

Adoro desporto. 

Não é novidade. 

No entanto, há momentos em que importa ter juízo e seguir as regras. A doença não escolhe nada. Ataca e pronto. 

Por outro lado, nós podemos escolher ajudar, prejudicar ou não fazer nada, sendo que, neste caso, este último já seria uma grande ajuda. 

Na semana passada, em Mönchengladbach, Alemanha, e em Paris, França, houve manifestações de afeto em massa perante resultados de equipas de futebol.

Como um romântico do futebol, reconheço que aquele jogo sem adeptos não tem sal, não tem paixão. 

Noutro prisma, furar o protocolo público previamente estabelecido e pôr em perigo a sociedade, desde logo, a própria equipa, é só estúpido. Não se faz. É de uma irresponsabilidade extrema, o que me deixa honestamente preocupado.

Posto isto, deixo-vos imagens dos dois casos para que saibam bem do que falo.

 

 

 

 

16
Mar20

Porque não importo apenas eu quando importamos todos


João Silva

Passaram alguns dias desde as novas mudanças que vieram afetar as nossas vidas.

Não venho dar uma de entendido, pois não o sou nem pretendo ser.

Venho, isso sim, manifestar a minha compreensão para com quem tomou todas estas decisões. Independentemente da cor política de cada um, acredito que um governo não pára um país de ânimo leve. Portanto, toca a colaborar para um bem comum. É disso que se trata.

Apesar de tudo, cá em casa temos uma vida mais recolhida. Saímos muito pouco, tirando o necessário. 

No meu caso concreto, saía todos os dias para ir correr. Nem sequer escolhia aglomerados e procurava sempre estradas mais recatadas, junto à natureza. 

Com o avançar de tudo isto, comecei a sentir muito medo. Não sou mais do que os outros. Todos os pensamentos aterradores ganham forma, mesmo tendo em conta que cá em casa não seguimos notícias e que só nos guiamos pelo que diz a DGS e a OMS. 

No entanto, chegou-se a um ponto em que tudo isto é maior do que nós.

Por nada deste mundo, pensava eu, ia ficar sem as minhas corridas ao ar livre, sem o meu momento de equilíbrio mental e de comunhão com o ar livre e a natureza. 

Não que antes não pensasse em nós, mas agora com um filho a caminho, já em fase de preparação para o receber, senti-me frágil. Arrepia-me a ideia de que uma simples sida para correr o pode matar.

Faz-me chorar e, mesmo procurando o equilíbrio, a sanidade, fica difícil não me assustar, sobretudo, pelo comportamento displicente de muitos. 

Ainda que tenha saído pouco na semana passada, numa ida normal ao supermercado, ia dando em maluco, não pelas compras, mas pelo risco de contágio. A juntar a tudo isto, tivemos uma consulta normal de gravidez. 

E sabem que mais? Como está tudo a correr bem, desejámos, quase que pedimos encarecidamente, não ter a consulta. Mas tivemos mesmo de ir. E fomos. E sofremos os dois com medo de tocar no que quer que fosse.

Perante este sentimento de terror, decidi que não iria correr enquanto isto não passasse. Não sei se imaginam o quanto isto me custou. Até ao dia 13 de Março, já levava mais de 1100 km (per)corridos em 2020. Tenho medo pela manutenção do peso, pela eventualidade de ter de deixar de correr. Destrói-me por dentro pensar nisso. Digo-o sem pruridos nem pudores. Porque me destrói muito mais saber que a minha irresponsabilidade pode matar o meu filho ou a minha mulher.

O Mateus ainda não está cá fora e já me dói tanto tudo o que lhe possa acontecer. 

Posto isto, parei a corrida na rua. Mas não parei o desporto. Continuo a pedalar na minha estática e amealhei conhecimento ao longo destes anos que me permite fazer trabalho intenso de força em casa.

Não sou mais do que ninguém é este texto não teve o intuito de mostrar superioridade. Tem, pelo contrário, o intuito de apelar a quem me lê para que se cuide e possa pensar um pouco em si e nos seus. Além disso, pensemos em todos aqueles que estarão no campo de batalha para nos ajudar. A troco de nada. Porque de nada serve o dinheiro se morrermos todos. 

Não me interessa discutir para já se é um exagero, se é tarde, se há dinheiro. Como disse Macron, présidente francês, na semana passada: “quoi qu'il en coûte".

 

 

Ninguém pára uma sociedade de ânimo leve. Posto isto, a maior força a todos e que nada vos afete. Que façam por isso e que olhem também pelo próprio. 

Quanto ao desporto, não deixem de o fazer, mesmo que limitado e em casa, porque vai acabar por vos ajudar. 

Um forte abraço. 

 

 

 

14
Mar20

Opinião no feminino VII


João Silva

E por fim, trago-vos a reflexão da Sarin, certamente já do conhecimento da maioria que circula nestas andanças, à minha pergunta.

Fazia parte do núcleo duro das minhas escolhidas para esta ação. É uma mulher de opiniões fortes, mas, mais importante, de opiniões muito fundamentadas. Não deixa créditos por mãos alheias. 

É curioso que tropecei nos seus escritos a propósito do blogue em que expõe o seu lado familiar. Revi-me com aquele lado de partilha das peripécias da sua sobrinha. Mais tarde, quando passei para o blogue dos "adultos", foi aí que percebi o quão capaz é esta jovem.

Certamente que não é indiferente a ninguém, principalmente, porque não se nega a um bom debate fundamentado, mas sem fundamentalismos.

Fiquem, portanto, com esta bela reflexão:

De que forma o desporto me faz sentir uma mulher mais forte?

Não faz. Estive em pausa prolongada no desporto, uma pausa que se arrasta há demasiado tempo e não apenas por minha vontade.

Mas fez. Desde miúda envolvida em actividades desportivas e dança, demorei anos a perceber o efeito que o desporto tinha e continuou a ter em mim – não a percepção teórica do “mens sana in corpore sano” que nos vem dos gregos, mas a percepção sensorial dos quase inexistentes episódios agudos de doença, da agilidade mental no pós-desporto por descansar a mente enquanto cansava o corpo, da calma satisfação nascida na empatia dos treinos e dos jogos. O desporto fez-me mais forte porque me fez física e mentalmente mais saudável e robusta, sim, mas também porque me permitiu explorar vários níveis de entrega e resistência ao cansaço – a paragem no desporto reduziu a eficácia alcançada, mas alguns dos efeitos perduram. E, tendo sido praticante de desportos colectivos (especialmente basquetebol), o desporto demonstrou-me poder-se aniquilar o adversário sem deixar de o respeitar em campo e abraçar fora dele, o que foi extremamente importante na consolidação de valores que me foram incutidos. A força da teoria feita prática.  

E fará. Porque meditação é bom, mas há que desarticular o sedentarismo.

A pergunta exige uma segunda reflexão: o desporto far-me-ia sentir um homem mais forte, se homem fosse. Mas numa sociedade ainda tão presa a preconceitos como as mulheres não jogam futebol (apesar de muitas demonstrarem que jogam e jogam bem), é fundamental que uma mulher seja emocional e mentalmente tão forte quanto possível, pois que fazemos o que os homens fazem e fazemo-lo de saltos altos – mas os saltos altos afectam a coluna e toda a paciência é pouca perante a discriminação a que estamos sujeitas, alguma tão subtil ou tão inconsciente que passa despercebida.

13
Mar20

Opinião no feminino VI


João Silva

A convidada seguinte dá pelo nome de Helena. Conheço-a há muito pouco tempo, mas já deu para perceber que a tenra idade engana e que não foge de reflexões complexas como esta que lhe pedi a propósito do dia da mulher.

Recentemente, criou um blogue e podem acompanhá-la aqui.

Verão que se trata de uma pessoa com conteúdo.

Aliás, o texto que se segue é a prova das minhas palavras:

 

 

 

A minha relação com o desporto começa, obrigatoriamente, na escola. As aulas de Educação Física eram tão complicadas. Por pressão social, apercebi-me de que teria de perder peso, mas não queria suar, correr, esforçar-me. Aos 18 anos, decidi, por iniciativa própria, apostar em algo que me ocupasse algum tempo. É aqui que as coisas mudam.

Atualmente, é difícil ter tempo livre. Não há muitas coisas que eu faça por mim própria, mas o desporto é uma delas.

O desporto é para mim algo “casual”. Não me considero uma desportista, sequer. Ainda assim, retiro benefícios de praticar desporto, que fazem de mim uma mulher forte, a nível individual e coletivo.

A nível individual destaco a minha saúde. Durante a prática do desporto, as minhas preocupações dissipam-se, dando forma a apenas uma: eu própria. Pela minha saúde física e mental, interrompo a rotina diária “automática”, – o clássico trabalhar, comer e dormir, - para me dedicar a mim mesma. Naquela hora e meia, preocupo-me em respirar, em esticar os braços, em desaparecer do mundo e ser eu própria.

Já a nível coletivo, e fazendo a ligação para o tema deste texto, destaco o papel das mulheres, como grupo social, no desporto. Quando iniciei a minha “jornada desportiva”, por muitas vezes que ouvi dizer: “Isso não é desporto” ou “Isso é desporto de mulher.” Por oposição a quê? A “desportos de homem”? Ainda hoje não percebo tal distinção. Enquanto que as mulheres têm o papel de “mãe” e “esposa” para desempenhar, os homens são o sexo do desporto, da força, do suor. Esta ideologia é retrógrada e cada vez mais diverge da realidade.

O simples ato de interromper a minha rotina diária para fazer exercício já demonstra que tenho vontades dentro de mim. Disso não haja dúvidas. Pô-las em prática é o que me diz que faço o que quero, não o que as pressões sociais exigem de mim. Posso ter uma casa para limpar, uma pilha de pratos para lavar, mas se o meu namorado quer acabar o jogo antes de ir arrumar a loiça ou fazer a cama de lavado, porque é que eu não poderia despender do meu tempo para dedicá-lo a mim mesma?

Este estereótipo de que só os homens é que praticam desporto tem de ser anulado. A diferença que existe entre os homens e as mulheres na área do desporto era grande. Está a começar a desaparecer e isso, claro, assusta a população machista. Mulheres e homens podem partilhar a vontade e a prática do desporto. Não é por isso não ser reconhecido que se põe em causa a virilidade dos homens.

As mulheres são fortes. Cada uma sofre, chora em silêncio, luta muito. Todas essas coisas nos definem, ainda que sejam “fraquezas” aos olhos de metade da população mundial. Não podemos continuar a ser vistas como o “sexo fraco” no desporto, como aquelas que só praticam desporto para ter um corpo bonito e agradar aos homens, em vez de se agradarem a si próprias. Há que bater com o pé e, principalmente, fazer aquilo que queremos. Não há ninguém que nos possa dizer o que fazemos ou deixamos de fazer a não ser nós mesmas. Isso é o que importa. Isso é o que nos torna fortes.

 

Desde cedo que todos ouvimos a expressão “corres como uma menina” atirada da boca para fora como um insulto entre crianças. Mas as meninas também correm rápido.

 

Mudemos isto, Mulheres.

 

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