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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 39 provas: 19 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 39 provas: 19 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

17
Nov19

Cai o pano sobre as 4 estações de 2019


João Silva

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No ano passado, esta prova foi muito especial: reunião da equipa na terra da mesma e final do circuito de 4 estações.

Houve honras de foto anual da equipa e no fim um belo almoço convívio.

Absolutamente espetacular. Ainda para mais, marcou a "ressaca" da maratona do Porto, a minha primeira.

Este ano, mais concretamente hoje, volto a correr oficialmente na terra da minha equipa. Isto, outra vez, depois da maratona.

Porém, desta vez, faço-o com uma certa disciplina que não tive em 2018: depois da maratona, decidi fazer um certo reset, sempre necessário para o corpo fechar um ciclo e voltar a abrir outro.

Embora não tenha parado, optei por caminhadas, depois bicicleta estática e, a acompanhar ambos, sessões de reforço muscular. Acreditem: só voltei a correr quase dez dias depois da maratona e o meu corpo está a dar uma excelente resposta,  embora não saiba nesta fase se conseguirá responder a esticões, porque o objetivo é começar agora a nova época e isso implica sempre algumas oscilações no rendimento.

Obviamente que penso em fazer boa figura na Venda, mas considero mais importante olhar pela minha saúde e forma física.

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O percurso deste ano mereceu honras de remodelação e parece-me muito mais exigente, desde logo, por ter 12 km em vez dos tradicionais 10.

Como gosto de correr muito, isso deixa-me satisfeito. Dá-me um quentinho no coração, bem necessário numa altura de muito frio.

Além da distância, a dureza também reside no percurso.

Sendo certamente uma vantagem, desde 2018 que comecei a correr mais "por aquelas bandas", pelo que, acredito, não vou ser surpreendido a esse nível.

Ainda assim, com um desempenho que deixou a desejar nas outras três provas deste circuito em 2019, pretendo terminar esse capítulo com uma boa prestação.

Atendendo aos meus registos em contrarrelógio, apesar da dureza do percurso, acredito que é possível terminar os 12 km algures entre 50 e 55 minutos. E é para aí que vou apontar.

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Naturalmente, o ideal para mim seria começar forte e aguentar-me sem quebras, até porque as duas primeiras voltas correspondem à fase mais dura do percurso. Se conseguir suportar bem a subida do Sebal Pequeno, acredito que é possível fazer 50 minutos. 

A ver vamos como diz o ceguinho.

 

16
Nov19

Finalmente percebi o vazio


João Silva

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Na altura em causa, optei por não falar nisso, muito sinceramente, para me proteger de eventuais comentários desagradáveis. Sei porque fiquei assim naquele momento e a coisa foi devidamente resolvida.

Já ouviram falar em vazio no desporto? Principalmente no ciclismo é comum. Passo a explicar: é o momento em que um corredor, aparentemente bem e em boa forma, não consegue responder a um ataque do adversário e não sai daquele marasmo. É como se estivesse a pedalar sempre no mesmo sítio.

Na corrida isso também acontece. Na semana de 26 a 31 de agosto, passei por isso três vezes, a última no treino mais longo de 38 km. E o que senti? Primeiro, um dos fatores causadores, não dormi bem nessa semana, muitas preocupações na cabeça. Já acordei meio zonzo. No entanto, aquilo de que falo é haver uma altura no treino em que o corpo continua a correr mas sem desenvolver, parece que não dá sinais de vida durante alguns minutos. Depois passa, mas é muito importante estar consciente e não deixar o cérebro desligar. Como se pode fazer isso? Tentando fazer um sprint ou uma mudança brusca de direção para o corpo acordar.

Aquilo assustou e foi claramente falta de glicose no corpo, senti a marca dos treinos todos daquele mês e daquela semana em particular. E não repus devidamente a energia. Como o corpo não é de ferro, ressentiu-se e, confesso, deixou-me um pouco preocupado para a maratona, mas correu tudo bem. Felizmente.

Já vos aconteceu o mesmo? Como resolveram a situação?

15
Nov19

Mas é quente ou é frio? Vamos lá esclarecer


João Silva

O título já diz ao que venho.

Este é um ponto muito importante, onde, confesso, sinto algumas dificuldades. Foi precisamente na sequência de uma espécie de canelite que procurei saber mais sobre o assunto para me ajudar na recuperação.

Falo da diferença entre quente e frio nos músculos.

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Normalmente, por exemplo, no banho, deve fazer-se alternância entre quente e frio para abrir e fechar poros e, com a água fria, eliminar os resíduos do treino, os radicais livres que provocam o a oxidação e o envelhecimento celular e dos tecidos.

De forma sucinta e resumida, o gelo deve ser usado imediatamente na sequência de uma lesão, por exemplo, uma torção ou entorse. O objetivo é reduzir a inflamação e deve ser feito no local magoado até 72 horas após o incidente. O gelo não deve entrar em contacto direto com a pele, sendo, pois, necessário usar um pano a proteger.

Mas depois dessa fase vem a necessidade de aplicar calor, desde logo, porque este vai promover a circulação e a mobilidade, os vasos sanguíneos dilatam e o local recebe mais oxigénio. Recomenda-se a ação do calor, também de forma a proteger a pele, em lesões mais prolongadas, mesmo crónicas, no caso muscular.

Quando os músculos estão demasiado tensos e doridos, recorrer ao calor pode ser muito benéfico, isto porque, graças à maior oxigenação da zona, vai eliminar também o ácido lático.

Desse lado, como fazem em relação à dicotomia de quente e frio para vos ajudar a recuperar a musculatura?

Não se esqueçam do seguinte: quando aplicam frio, os vasos fecham, daí desinflamarem, quando fazem calor, dilatam-nos, aumentando a circulação sanguínea.

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Nota: o meu texto foi inspirado em leituras nesta página, nesta e nesta.

14
Nov19

Não foi por acaso que morreu no fim


João Silva

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Já foi há alguns dias, malta porreiraça, que realizei mais um sonho bom. Voltei a uma cidade que me faz e fez muito feliz, a uma região que me diz muito e a uma prova que representa o meu maior desafio como atleta e homem por tudo o que lhe está inerente.

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Em jeito de conclusão do capítulo, vou dar-vos a conhecer um pouco da história por detrás da distância mítica e verão no fim a curiosidade que marcou o episódio e que acaba por ser um símbolo do que acontece na prova.

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O início da lenda tem lugar no ano de 490 a. C. na Grécia, quando um soldado, de seu nome Pheidippidis, foi enviado pelo general Milcíadis para, a correr, fazer uma distância de aproximadamente 40 km entre as cidades de Maratona e de Atenas para informar as mulheres atenienses de que tinham ganho a batalha contra os Persas. E porquê? Porque os soldados atenienses tinham deixado às suas mulheres a ordem para se matarem, bem como aos respetivos filhos, caso aqueles não regressassem da guera.

Ora, como a batalha demorou mais do que o previsto, apesar de os gregos ganharem, havia o receio de que as mulheres cumprissem as ordem.

O esforço do soldado foi de tal ordem que só teve hipótese de dizer "Vencemos" no momento em que chegou a Atenas, tendo falecido de imediato.

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Para homenagear o esforço do dito soldado, nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, em 1896, criou-se a prova denominada maratona, com a distância aproximada de 40 km. Curioso o facto de a distância não ter sido encarada como fixa, cada organização estipulava uma distância a seu belo gosto.

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Em 1908, nos Jogos Olímpicos de Londres, a distância foi finalmente fixada nos 42,195 km. E porquê? Porque as excelências monárquicas de Inglaterra queriam ver a partida da prova, mas não queriam assar as virilhas para se deslocar para fora do Castelo de Windsor. E assim nasceu a distância mítica.

Para nós portugueses, a maratona começou por ter um lado muito triste, isto porque em 1912, na maratona de Estocolmo (Suécia) o atleta Francisco Lázaro morreu em plena prova. 

Mais tarde, em 1985, em Roterdão, o grandioso Carlos Lopes venceu a prova com o tempo de 02h07'12''.

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Não deixa de ser relevante o facto de a prova estar associada a tanto sofrimento. Quem já a fez ou já treinou para a fazer sabe perfeitamente que é preciso ir ao inferno e voltar. É um desafio maior do que nós, mas que vale a pena tentar. É possível e executável!

 

Fontes consultadas para a história:

https://www.jn.pt/desporto/especial/interior/a-verdadeira-historia-dos-42-195-metros-arrancou-em-windsor-9358453.html

https://www.infopedia.pt/$maratona

https://www.infoescola.com/esportes/maratona/

13
Nov19

Sem açúcar adicionado é impossível


João Silva

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Meus caros, sou um teimoso inveterado em muitas coisas e não é por cliché que aponto a teimosia como um dos meus defeitos.

Desde há uns valentes meses a esta parte, meti na cabeça que ia deixar de abastecer com barras de geltinas em treinos acima de 2 horas e que o ia tentar fazer na maratona.

Em relação aos treinos, como adotei um sistema de inclusão de muitos treinos superiores as 2 horas, também com o auxílio da água consegui lidar bem com essa questão. O meu corpo aguenta bem e num ritmo bastante satisfatório.

Nos treinos até 03h20, também já consegui fazê-lo, embora tenha chegado ao fim completamente esgotado, mesmo tendo bebido água de forma faseada, por exemplo, a cada 10-15 minutos.

O problema é que, apesar de fazer milagres, a água não impede a acumulação de cansaço e quem já fez treinos ou provas muito longos sabe muito bem que o corpo se começa a ressentir.

Da experiência que já vou tendo, é a partir dos 30 km que tudo acontece, mas a ingestão de sólidos não pode ser guardada apenas para essa fase. Tem de ser um processo de acumulação. E é aqui que as barras de gelatina atuam no seu melhor: graças à maltodextrina, reduzem a sensação de fadiga, além de ajudarem no controlo das cãibras, já que oferecem um belo aporte de glicose aos músculos, que é a sua fonte de energia.

Portanto, findas todas as experiências, percebi a meio de setembro que não podia abdicar das ditas na maratona. E não se trata apenas de prestação desportiva, trata-se da sensação de que não acabaria uma prova dessas sem um sólido do género.

Porém, e isso foi um enorme ganho dos últimos meses, como a gestão do ritmo é diferente e se trata de uma prova longa, é possível reduzir a quantidade de gelatinas a ingerir. Nada contra quem o faz, mas meti na cabeça que quero o meu corpo livre dessas coisas, já me chegou os "maus tratos" que lhe dei dos 18 aos 28 anos. Resumindo: sim, tive de ingerir barras de gelatina, mas o mínimo "aceitável" para me permitir acabar bem a prova.

12
Nov19

O que mudou de novembro de 2018 para novembro de 2019


João Silva

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No fundo, o meu propósito com este texto não é tanto falar no mês de novembro em 2018 e em 2019 mas sim no processo de treinos e do longão de 42 km que antecederam as maratonas no Porto.

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Foto: treino de 42,250 km em 2018

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Foto: treino de 42,250 km em 2019

Desde logo, olhando para as imagens dos treinos em causa (acima), é curioso perceber que calharam na mesma semana de setembro e, na verdade, os motivos foram semelhantes: depois desta semana, começava a ser muito complicado ter um treino tão longo e duro porque iria retirar frescura para os treinos e para as provas em si.

Em 2018, tentei fazê-lo em agosto, mas o excesso de calor dificultou tudo e, curiosamente, um ou dois meses antes, tinha sofrido alguns contratempos nos treinos longos superiores a 30 km. No dia 15 de setembro, lembro-me que fiz o treino com um tempo muito fresco e um nevoeiro cerrado e bem cedo pela manhã. Além disso, fruto das dificuldades e das dúvidas que começava a sentir, tracei um percurso em circuito, com três voltas ao mesmo, o que acabou por ajudar bastante no tempo alcançado. Ainda outro aspeto interessante: durante aquele ano andei com "paninhos quentes" e geri treinos e afins, procurando andar mais "poupado".

Este ano, talvez pelas contrariedades dos primeiros seis meses do ano, o conhecimento é muito mais denso: de mim, das minhas capacidades, dos meus limites, das necessidades de abastecimento e das especificidades de abastecimento. Quando fiz este treino a 13 de setembro agora em 2019, já andava a carregar muito, com um acumulado de 403 km em julho e um de 470 km em agosto. Estava bem "oleado" e na semana do treino fiz uma sessão de técnicas de corrida. A diferença em termos de tempo, deveu-se sobretudo às maiores dificuldades do percurso, que não foi em circuito. E, pior no meio disto tudo, enfrentei temperaturas na ordem dos 30 graus. Foi complicado, mas senti que dominei bem e fiz o que procurava: acabar mais um treino de 42 km.

Isso é crucial para mim, no sentido em que ajuda a ter uma noção exata do meu corpo. Por ter querido fazer tudo muito rápido e a um ritmo muito elevado em julho e agosto, "falhei" duas oportunidades "inventadas" (decidi à última hora que ia tentar os 42 km nesses treinos) e senti que a minha cabeça estava a começar a criar um problema e uma dúvida que não existia.

No fim de contas, consegui tempos muito próximos e, tenho percebido isso com o tempo, em princípio, dará para tirar cerca de dez a quinze minutos ao tempo de treino no dia da prova.

Apesar das semelhanças, os processos foram diferentes e, sinceramente, achei que melhorei muito em 2019, não deixando, contudo, de registar que, tal como neste ano, também no ano passado atravessei um período inicial de muitas dúvidas e dificuldades.

 

11
Nov19

As mudanças necessárias


João Silva

Ontem falei-vos da redução da carga no mês de outubro e da importância que isso teve no meu desempenho nas provas.

O dito mês é, na minha opinião, o mês mais importante da preparação, isto porque teria tudo a perder e nada a ganhar. O mês anterior a uma prova da dimensão de uma maratona pode prejudicar o nosso desempenho, se fizermos asneira.

O que me propus a fazer foi, antes de mais, reduzir o volume de treinos. 

Fiz menos longões e rampas, mas mantive algumas sessões de velocidade para não descurar o ritmo nem a cadência.

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Ao nível do reforço, para não massacrar os tendões ou as articulações, reduzi o nível de treino de saltos.

Como complemento, aumentei alongamentos profundos e sessões de ioga. O propósito era bem claro: relaxar o corpo e dar elasticidade.

A tudo isto, claro está, não podia faltar a meditação, para me relaxar a alma.

E desse lado, o que fazem nas vésperas de uma prova importante? 

10
Nov19

Gala laranja


João Silva

Na passada sexta, foi dia de encerrar a época 18/19 e de começar a nova temporada.
Como dizia a minha avó: rei morto, rei posto.
E como fizemos isso na ARCD? Com uma bela jantarada entre todos os membros da equipa, como forma de receber os novos e de saudar quem vai para outras andanças. Naturalmente que esse é sempre o lado mais triste, porque o ciclo não continua com os mesmos, mas ficam as boas memórias e os conhecimentos.
Quanto aos novos, é bom poder criar já bons alicerces para o futuro.

Para terminar, deixo algumas imagens para vos darem uma bela ideia do que foi aquele momento de convívio.

Venham mais momentos destes:

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09
Nov19

Um dia tão especial quanto longo


João Silva

Não consigo partilhar convosco todas as emoções que tive nesta maratona. Dentro do possível, vou procurar recriar uma parte dessa euforia com fotos. Digo-vos que seria difícil pedir melhor. Fico grato pelas pessoas que encontrei e pelas boas conversas que tive com velhos amigos destas andanças. Fica um certo "amargo" por não ter contado com a presença da minha querida Diana, mas outros valores se levantaram. Foi mais importante ter repouso e fica para outras alturas.

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08
Nov19

Empedrado para dar e vender e a ilusão de que é simples


João Silva

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O percurso não mudou. Aliás, acho que não muda e foi curioso perceber, antes da prova, que, afinal, não me lembrava de tudo. Ainda bem, porque assim não deu tempo para grandes projeções.

Parece um percurso linear, mas tem algumas "armadilhas" espalhadas. A primeira está logo relacionada com o facto de se correr num espaço com tanta gente.

A segunda está nas viragens em determinadas alturas do percurso.

A terceira prende-se com falsas retas na zona de Matosinhos, na saída da Ribeira e na falsa reta final, composta por 3/4 km e com uma subida algo dura no final.

A maior dificuldade de todas residiu no empedrado. Sentir a calçada toda debaixo dos pés em Gaia e na zona seguinte à ribeira é muito complicado e só isso justifica que tantos corredores se afastassem da zona central da estrada.

Por tudo isto, ainda assim, recomendo claramente esta prova.

O Porto tem um encanto diferente e correr com pessoas a berrar o nosso nome é indescritível.
Leva-nos em pontas.
Fiz questão de agradecer a cada pessoa que me incentivou. Foi o mínimo que pude fazer para retribuir tudo o que me deram.

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07
Nov19

Organização praticamente imaculada


João Silva

Não admira, não andam nisto há dois dias e têm uma dimensão internacional que não lhes dá grande margem de manobra para falhar.
Houve algumas críticas ao facto de não ser possível levantar dorsais no dia, mas já imaginaram isso numa prova com, pelo menos, 15 mil pessoas? Podia dar confusão.

Logisticamente, é complicado para quem não vive no Porto, mas, neste capítulo, gostaria de deixar uma sugestão: poderem enviar dorsais e kits pelos CTT a troco de um dado valor, sendo que, dada a dimensão da prova, podia ser acordado um valor simpático. Claro, com um período limitado.

De resto, tudo em conformidade: muito apoio "contratado" com música e animação nas ruas, bons abastecimentos e devidamente espalhados a cada 5 km a partir de determinada altura. Esponjas, isotónicos e fruta em boas quantidades. Tirando meia banana no fim, não usei mais nada dos restantes mencionados, mas foi muito importante para outros atletas.

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Medalha espetacular, camisola inicial mais bonita que a do ano passado e a de finisher também era jeitosa, de mangas compridas, embora o material não pareça tão bom quanto o do ano passado.

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No fim, a nota é claramente positiva e só tenho pena de não ter conseguido visitar a feira antes da prova. Graças ao Nelson, que lá foi, ainda tive direito a umas belas meias da Joma.

Nota ainda para as melhorias que fizeram na zona dos bengaleiros e no circuito final da entrega das medalhas, mas o facto de não ter chovido também ajudou.

 

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06
Nov19

O Porto foi mágico para mim


João Silva

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O Porto não me desilude e este ano até me deixou ser mais feliz do que no ano anterior.
Antes da maratona desta semana, vinha com ideias de fazer 3h30, ou seja, menos 3 minutos do que em 2018.

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E sabem que mais? Saí do Porto com um novo recorde pessoal em maratonas: terminei a prova com 3h21m22s!!!!!!!

Caramba. Nem em sonhos podia pedir isso!!!

Nem me atrevo a ir ao cliché do sacrifício, do tempo investido, da dedicação, e da recompensa de tudo isso. Está implícito!!!!

Em termos de gestão, foi francamente perfeita.

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Comecei encaixado no setor das 3h30 e aí achei que ia num bom ritmo. Canelite esquerda e ancas a quererem interferir, mas nada disso foi impeditivo.

Depois disso, com o passar do tempo, sempre fresco, cheguei-me ao grupo das 3h15.

Estava endiabrado, o "gajo".

Confesso que tive medo de depois pagar a fatura mais tarde: numa maratona com 12,800 km ao fim de 56 minutos? Sacana.

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Mas correu tudo bem. A minha preocupação foi sempre não esticar demasiado para não sofrer no fim.

Perto dos 27 km, houve uma fase de ligeira quebra, o único momento em que senti que podia ter alguns problemas. Fechei os olhos, lembrei-me do que de melhor tenho na minha vida, deixei sair as lágrimas certas e ganhei ânimo.

A partir dos 30 km, em nova viragem, comecei a sentir a sério que conseguiria um tempo excelente.

Os incentivos destas pessoas, também elas "puxadas" por mim, levaram-me em pontas até à meta.

Houve tempo para gritar como mandam as regras e para deixar sair tudo.

Nota para os timings perfeitos de abastecimentos sólidos: a cada hora até às 2h e depois um às 2h30. Mais tarde, "atrevi-me" a meia banana aos 41 km para dar aquele puxão final. Os líquidos foram sempre ingeridos a uma média de 15 minutos. Abençoada mochila oferecida pelos cunhados.

Foi mágico, não consigo pôr de outra maneira.

Mais um dia em que senti amadurecimento na pele. Mais um dia de crescimento. Mais um dia feliz.
Palavra final para os meus colegas da Venda e os outros, também eles, "especiais".

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Começando pela Venda: a Vera e o Nelson estrearam-se nestas andanças. Muitos parabéns. Sem desprimor do Nelson, que esteve excelente face ao pouco volume de treino, a Vera voou e cavalgou praticamente até aos 34 ou 35 km. Depois teve uma ligeira quebra, mas acabou com um fantástico tempo de 3h27m. A Sara, mais uma vez, fez uma excelente prova, embora tenha acabado com dores. Diz que não faz mais nenhuma, mas acho que vai fazer de certeza.

Uma palavra de força e incentivo para o meu bom amigo Ricardo, com quem parti e que prometia muito, estava numa forma brutal, mas não passou bem e terminou em dificuldades.

Encontrei o bravo João Lima antes da prova. Estava muito nervoso, mas vi-o durante a prova e estava rijo como mandam as regras. Um prazer vê-lo.

Tempo ainda para um grande abraço ao Fábio Fernandes e uma menção de "saudade" em relação ao meu caro José Carlos. Foi tão bom receber a chamada dele. Caramba, senti tanto a falta dele que o confundi com outra pessoa na prova.

 

05
Nov19

Porque todo o durante tem um antes


João Silva

 

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Antes de vos "presentear" com a minha análise do percurso, decidi partilhar uma espécie de sinopse da viagem.

Só falarei nos tempos e no desempenho nos próximos dias.

O que fazia uma data de malucos junto ao cemitério de Taveiro às 06 da manhã?
Tão simples como isto: preparava-se para arrancar rumo ao Porto.

É sempre uma aventura e uma certa incerteza, que belo paradoxo, ir no próprio dia, mas a logística destas coisas é sempre complicada.
Seja como for, depois de uma semana em que o nervosismo esteve a brincar às eecondidas comigo, aparecendo a espaços sob a forma de irritabilidades, consegui descansar bem.

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Quando me deitei, estava tão cansado que nem sofri de ansiedade. Não acordei durante a noite e dormi muito bem. Levantei-me com a vontade de fazer "magia", o que é sempre um excelente indício.

 

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Este ano, pela primeira vez, sem a companhia da minha esposa e técnica, o sabor ao deixar a casa foi diferente. Por outro lado, temos um projeto em mãos, o maior das nossas vidas, que vai durar mais 7 meses a ganhar pernas, pelo que era mais seguro ela ficar no sossego.

Retomando a prova propriamente dita, esperava-nos uma manhã de chuva abundante. E de vento "sempre apetitoso".

Chegámos bem e com tempo, como eu gosto, para poder aquecer em condições e num local recatado.

Por sorte, ficámos exatamente no mesmo local do ano anterior, desta feita, com direito a estacionamento privado con WC improvisado.

Ele há sortes e coincidências que deixam antever coisas boas. 

E estas deixaram mesmo.

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04
Nov19

O que é ser maratonista?


João Silva

 

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Começo com um cliché: só quem passa por elas é que sabe.

Agora mais a sério, é difícil explicar os sentimentos e acho que, antes de mais, ser um maratonista é sentir, mesmo quando o nosso corpo deixa de o fazer, mesmo quando já passámos para lá do inteligível.

Antes de mais, não acho que seja algo inacessável ao comum dos mortais, por outro lado, considero que nem todos estão dispostos a embarcar na viagem que é a preparação.

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Tudo se resume ao momento em que cruzamos aquela linha de meta, mas essa é tão somente a conclusão. É, precisamente, o fechar de um ciclo que teve de ser iniciado alguns meses antes e que assentou muito na disciplina, seja pela necessidade de meter quilómetros na perna, seja pela urgência em criar mecanismos de gestão, de antecipação das dificuldades e de defesa para fazer face às dores e ao sofrimento em que a corrida se transforma.

Meio a sério meio a brincar, diz-se que uma maratona começa a sério aos 30 km. Por tudo o que se passa naqueles "desgraçados" 12 km, diria que é mesmo assim, que uma viagem tranquila e agradável de 30 km se pode tornar, "de repente", num pesadelo físico e mental.

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A disciplina que o treino requer e que nos impede de fazer "desvios", a gestão para determinar ritmos, para fazer face aos nossos gastos energéticos e à ingestão de alimentos, o foco em não deixar fugir aquela ideia de que se vai conseguir superar o obstáculo, a imaginação e o jogo de cintura para se adaptar às vicissitudes da corrida, a responsabilidade de cumprir o compromisso, as competências técnicas para correr "bem" e para superar o cansaço, o sofrimento e força mental para suportar a violência da prova.

Todos estes são traços que, no meu entender, marcam a personalidade do maratonista, sendo que, além disso, são características que nos devem acompanhar na nossa vida "normal".

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Olhando para trás, não me vejo a ser outra coisa que não maratonista, porque consigo encontrar pontos comuns entre o João corredor e o João pessoa "normal".

Quem já fez a prova, e eu já tive a felicidade de fazer três oficiais e três em treinos, sabe que tudo se resume à superação. É impossível pensar que se faz com uma perna às costas, porque a dureza derrota-nos de imediato.

Respeito muito a distância, talvez até de mais, porque, de cada vez que a faço, é como se me transformasse, como se excedesse o João "normal" e fosse para lá de mim.

Não é fácil (nem lógico) considerar uma maratona uma zona de conforto. No entanto, é precisamente isso que sinto. Consegui transformar aquele sofrimento e aquela superação a que muitos só se querem submeter uma vez na vida em algo contínuo, num "evento" que marca o meu renascimento, que me mostra que é possível e não há impossíveis. Requer persistência? Sem dúvida. É exigente? Não consigo encontrar melhor forma de descrever a prova. Porém, apesar de tudo, é um desafio que não se resume a um dia, começa muito antes e acompanha-nos dia e noite durante meses a fio. Talvez por isso goste de fazer "apenas" uma a duas por ano, porque me permite esboçar um plano e fazer tudo para o cumprir.

No fim de contas, ser maratonista é ser meticuloso e metódico, sem nunca esquecer uma dose saudável de loucura para fazer acontecer. Por conseguinte, olhando para as pessoas por trás dos maratonistas, diria, não desfazendo de ninguém, que têm um atestado de competência, que revelam responsabilidade e capacidade para passar "além da dor" e para concretizar. Tudo isto, traços relevantes em qualquer sociedade.

 

 

03
Nov19

A prova, the one and only


João Silva

A 04 de novembro de 2018, o desfecho foi maravilhoso, como se pode ver por estas duas fotos abaixo:

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Um dia de chuva copiosa em que tudo foi perfeito. Alinhou-se tudo e ainda me lembro que parecia uma criança, em parte assustada, quando me vi no meio de tanta gente com a minha loucura. Apesar de ter sido apenas a primeira edição, a maratona de Aveiro, realizada em abril de 2019, em nada se pode comparar com a dimensão internacional que a maratona do Porto tem.

Aliás, para cada zona que se olhe, na Invicta respira-se apoio incondicional, alegria e um povo que nos leva em bicos dos pés até à meta. E, além de tudo isto, estas duas maratonas que já fazem parte do meu currículo não podiam ter apresentado climas mais distintos: chuva no Porto, calor tórrido em Aveiro.

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O meu momento de forma em novembro era muito superior àquele com que me apresentei em Aveiro. No entanto, não se trata de comparar, porque não há forma justa de o fazer.

Trata-se, ao invés, de afirmar que os meus objetivos para o dia de hoje são, em primeiro lugar, terminar bem de saúde (vivo, como costumo dizer). Por muito "pobre" que seja, trata-se de um objetivo relevante, tal é a dureza de uma prova deste género.

Numa segunda fase, conquistado o primeiro objetivo, irei à procura de fazer menos de 03h33m37s, tempo com que terminei no ano passado. O meu propósito passa por colocar o cronómetro abaixo das 03h30.

Em termos de treinos, sei que fiz mais sesões técmicas este ano do que no ano passado e também tenho noção de que os meus conhecimentos aumentaram, mas isso não me garante nada e tudo se vai resumir à capacidade que terei para não me empolgar com o que fiz nos treinos. Porquê? Porque essa adrenalina e excitação iniciais acabam por se pagar muito caro numa fase mais adiantada do trajeto. Ainda me lembro do medo que senti ao ver pessoas a cair e já nas bermas a receber assistência depois dos 30 km. Modéstia à parte e sem saber o que esses atletas (não) fizeram em termos de preparação, sei que tomo muitos cuidados e que me defendo bem, mas isso pode não chegar.

Igualmente importante é abastecer bem e não esquecer o lado sólido que tantos "problemas" me causou nos treinos de longões.

Por fim e muito mais fundamental do que tudo isto, oxalá volte a viver uma simbiose perfeita com a multidão, Sou um "animal" social e adoro sentir o calor e os incentivos das pessoas. Preciso disso como de água para não desidratar durante uma corrida. O público do Porto é maravilhoso.

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