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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 72 kg graças à corrida e a mudanças na alimentação. Desde então, o contador vai em 35 provas: 19x10 km, 7 trails, 7 meias maratonas e 2 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 72 kg graças à corrida e a mudanças na alimentação. Desde então, o contador vai em 35 provas: 19x10 km, 7 trails, 7 meias maratonas e 2 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

23
Ago19

Nada cura tanto ou tão rápido quanto o desporto


João Silva

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Parece mais um dos clichés que se usam muito atualmente, mas, ainda assim, a verdade é que passamos imenso tempo à procura de soluções para os nossos problemas de saúde e, em abono da verdade, aquelas estão no desporto.

É um facto. Se tiverem algum problema de saúde e pesquisarem a fundo, vão ver que a maioria dos especialistas recomenda a atividade desportiva como solução. E não, não é necessário ser uma atividade intensa ou mais agressiva. Nem sempre tem de ser por essa via. Porém, verão que o ioga é sempre tido como uma excelente forma de controlar o aparecimento, por exemplo, de artoses ou de tensões nos tendões, desde logo, porque liberta o corpo. Uma simples caminhada tem repercussões hormonais e neuronais que nos dão literalmente anos de vida.

E notei isso em termos práticos comigo próprio?

Posso dizer claramente que sim.

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Quais foram os aspetos físicos, à exceção da redução de peso, onde notei melhorias?

Desde logo, passei a estar menos stressado, mais calmo. O que, a brincar a brincar, dá uma melhoria considerável ao organismo.

De seguida, sofria de princípios de uma espécie de apneia do sono. Algo como estar a dormir, sonhar que ficava sem ar e acordar quase sufocado. Deixou de acontecer. Nunca tinha dormido tão bem quanto agora. É verdade que passo por alguns episódios de ansiedade, mas isso não está relacionado com a prática desportiva, é uma caraterística própria do meu organismo, é a tensão acumulada em determinados momentos, sobretudo, porque quero muita coisa em pouco tempo e não sou realista na forma como procuro respostas para as minhas demandas em determinados pontos.

As dores no peito, o aperto constrangedor, tiveram direito a chá de sumiço. Agora sinto algumas quando pratico natação mas são sintomas do alargamento da caixa e não obstruções como sentia.

Algo tão evidente e do qual já me estava a esquecer: tinha problemas horríveis nas costas. Pudera, uma estrutura frágil a suportar diariamente 118 kg não é pera doce. Tive umas complicações num anterior trabalho que exerci. Depois de começar a praticar desporto, as dores que surgiram foram apenas as inerentes a más posições e não estruturais. Um verdadeiro alívio.

Antes de focar o aspeto que mais me supreendeu nesta minha vida mais virada para o desporto, refiro ainda os benefícios de que o meu colesterol  tirou proveio. Que diferença! E nem falo do quão bom foi depois mudar a alimentação. Por si só, o desporto foi um aliado de ouro. Em vez de pensarem em medicações para esses casos (falo dos mais simples em pessoas mais novas, não dos mais complicados), deveriam canalizar os vossos pensamentos para a prática de um desporto. Qualquer que ele seja. Desde que vocês adorem o que fazem e o façam com prazer, "go for it".

Por último, vem a sinusite. Ou melhor, com o passar do tempo e com base na evolução da minha prática desportiva, deixei mesmo de ter sinusite. Limpinho e sem espinhas, como é hábito comum afirmar.

E pronto, por agora, "só" me recordo destes benefícios do desporto na minha saúde. Se fosse médico, acho que a primeira coisa que prescreveria a um paciente seria, no mínimo, 30 minutos de qualquer atividade desportiva por dia.

22
Ago19

Trail chuvoso e sem óculos foi custoso


João Silva

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Não tenho nenhuma foto daquela prova que demonstre o que digo, mas o Trail de Soure em 2017 foi marcado por uma bela carga de água.

Foi a minha segunda participação a correr num trail.

Correu bem? Gostei imenso dos trilhos, não tem muita altimetria mas tem muitas "rasteiras" ao longo do trajeto. 

Quanto a tempos, francamente, não me recordo, mas penso que andaram dentro de 1h35 para 14 ou 15 km.

O curioso foi que, perante tanta chuva no momento da partida, tive de desistir da ideia de levar os óculos postos. 

Foi a primeira vez que este míope correu numa prova sem uma das suas "armas".

Demorei a focar os obstáculos e grande parte da prova foi feita aos "apalpões"...mas não meti a mão em ninguém, foi apenas nos paus e nas árvores.

Só ouvia os desesperados atrás de mim a gritar: toca a andar, a deixar passar. Chegámos a um pequeno riacho e por muita boa vontade que tivesse em deixá-los passar (e tinha), não consegui fazê-lo. Tiveram de aguentar alguns minutos.

No fim, tudo correu bem, mas foi uma experiência tão desconfortável. No fundo, os óculos estiveram sempre comigo...dentro da mala...

21
Ago19

Verão: paparocas simples e saciantes


João Silva

Há cerca de um mês deixei aqui algumas receitas interessantes a que recorro para suprimir aqueles momentos em que apetece de facto comer.

Hoje faço uma espécie de segunda compilação. Trata-se de comidas que cozinho/preparo praticamente todas as semanas.

A saber:

BOLO DE AVEIA/FARINHA DE TRIGO E BANANA

  • Receita da autoria da minha esposa. É uma verdadeira delícia: 4/5 colheres de sopa de farinha de trigo/aveia (se usarem aveia, podem utilizar fermento químico), 5 colheres de sopa de leite ou de outra bebida vegetal, 1 ovo, (acrescento um pouco de canela, ela não), triturar tudo com a varinha, 5 minutos no micro-ondas e saborear.

PAPAS DE FRUTA COM FARINHA DE ARROZ

  • Estão a ver aquelas papas deliciosas dos bebés? Pois bem, são parecidas, mas sem açúcares refinados, só com base em fruta em farinha de arroz ou similar (também dá com aveia ou com farinha de trigo). Faço sempre uma dose "industrial" para uma semana: 3 maças cortadas, 1 banana, canela, 2l de água. Levar ao lume, passar a lume brando durante 10 minutos após a fervura, triturar a fruta com a varinha com o lume no mínimo, acrescentar 10-12 colheres bem cheias de farinha de arroz e mexer com a vara de arames. Para ficar mais delicioso e homogéneo, tiro um café/descafeinado, acrescento uns pozinhos de cacau e canela, misturo tudo na panela e trituro novamente. 1 hora no frigorífico e fica uma delícia.

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IOGURTES NATURAIS MAGROS COM CHIA E LINHAÇA

  • Companheiros "de longa data". Faço os meus próprios iogurtes em casa: 1 l de leite magro e 1 iogurte natural magro, tudo batido com a vara de arames, 8 horas na iogurteira e "tcharãm". Pa

     

    ra enriquecer os iogurtes que como, 1 colher de sobremesa de chia e 1 de linhaça, por vezes, uns pozinhos de cacau e alguns frutos vermelhos. Mexer tudo e deixar no frigorífico de um dia para o outro. Fica simples mas mágico.

     

BOLACHAS DE COCO, AVEIA E PEPITAS DE CHOCOLATE

  • Trata-se de uma adaptação da receita de A pitada do pai: 1/2 chávena de flocos de aveia, 1/2 chávena de coco ralado, raspas de laranja (também funciona muito bem com lima), 1 ovo normal ou 1 ovo de linhaça, 1 cubo de chocolate negro de 81 % de cacau picado finamente. Mistura-se tudo e formam-se pequenas (ou grandes) bolachinhas. 8 a 10 minutos no forno (no meu, são 10 minutos), virar as bolachas e deixar o mesmo tempo do outro lado e têm umas bolachas muito fáceis de fazer e deliciosas.

"BROWNIE"  

  • Para ser sincero, nem sei bem onde encontrámos esta receita, mas já a fazemos há imenso tempo. Não se trata de um verdadeiro brownie, nós é que batizámos o dito como tal pela sua cor e textura: 1 banana madura esmagada com o garfo, 1 colher de sobremesa de manteiga de amendoim (inicialmente, a receita dizia 2 de sopa, mas com o tempo fomos reduzindo e até já fazemos com 1 colher de chá, serve na perfeição), 1 ovo, 1 colher de sopa de farinha de alfarroba, 1 colher de sopa de cacau (já só colocamos 1 colher de chá), 1 colher de café de fermento químico. 5 minutos no micro-ondas e uma verdadeira delícia nas nossas bocas.

"MARINHEIRAS"

  • A receita não é minha, foi aproveitada de A pitada do pai e adaptada às nossas necessidades cá em casa: pré-aquecer o forno a 180 graus, 1/2 chávena de farinha de arroz e 1/2 chávena de farinha de aveia, 2 colheres de sopa de sementes de girassol trituradas, 1 colher de sopa de chia, folhas de tomilho picadas, 1 colher de sopa de azeite, 1/2 copo de água morna. Misturar tudo e formar uma bola. Alisar com o rolo da massa (a massa alisa muito facilmente, pelo que convém não a deixar demasiado fina); cortar na forma pretendida (uso uma faca para lhes dar forma); levar ao forno durante 40 a 45 minutos e resistir o suficiente para as deixar arrefecer sem incinerar a cavidade bucal.IMG_20190401_140219.jpg

BOLO DE COCO

  • O que fazem aveia, ovos, cenoura ralada, leite de coco e fermento em pó num liquidificador? Transformam-se num bolo de coco que, após seis minutos no micro-ondas, é uma iguaria sem igual.
20
Ago19

A disciplina é uma coisa tramada, a falta dela ainda mais...


João Silva

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Pelo menos duas vezes por ano passo por este "martírio". É uma espécie de calvário e talvez seja também o preço a pagar por ter uma certa necessidade de encarreirar tudo numa determinada organização e com uma previsão pré-programada.

Em 2018, cheguei a fevereiro e lá tive de ceder às amarras da indisciplina e passei por uma fase com as guardas mais em baixo. Ou seja, canso-me de determinadas rotinas a que me submeto por vontade própria e depois preciso de um tempo de "deixa andar" até voltar ao ponto onde estava. Excelente nesse aspeto é o facto de não ser uma retoma rígida. Isto é, durante o tempo de "deixa andar", aprendi como poderia lidar com determinados elementos e introduzi essas informações na minha rotina. No fundo, alterei para refletir sobre como alterar.

Pensei, seriamente, que em 2019 tal não aconteceria. Sendo correto, não aconteceu da mesma maneira, isto porque os meus problemas do início de 2018 estavam mais relacionados com a balança e com a forma como me deixei prender por ela e pelo que ela significa(va) para mim.

A caminho de um ano e meio após essa reflexão, surgiu agora o seguinte ponto de mudança: como aumentei consideravelmente a atividade desportiva em maio e junho, senti que entrei rapidamente em overtraining. Já aqui expus o quão fico mal humorado e stressado com isso, pelo que vou saltar essa parte. 

Onde comecei a notar mais esse impacto foi no trabalho de reforço muscular, que implicava acabar o treino de corrida e depois adotar uma "postura mais calma".

Como percebi isso? Com o passar das semanas, sentia que chegava a casa depois da corrida e que me distraía com outras tarefas ou com o trabalho. Defino sempre as minhas tarefas e vejo muito frequentemente pequenas coisas como tarefas. Há alturas em que até "tremo" quando mexo no calendário do telemóvel para alterar e acrescentar lembretes, lá está, de tarefas.

O trabalho de força, que sempre planifiquei como a atividade seguinte, ficava para mais tarde. Primeira particularidade: quebra da disciplina e da metodologia de trabalho. Além disso, ao fazer o reforço a horas distintas e irregulares não garanto o devido descanso do meu corpo. Conclusão: o organismo não recupera em condições e as dores aparecem sem apelo nem agravo.

Como comecei a definir treinos diários com a duração de 2h30 a 3h00, senti-me prisioneiro do papel e foi por esse motivo que tive de adotar uma planificação mais "à vontade do momento" no mês de julho.

Por norma, faço o meu plano de treinos com um mês de antecedência. Desta feita, passei a fazê-lo semanalmente para incorporar exercícios e modalidades que fossem interessantes para a evolução da minha corrida.

Fazendo aqui um pequeno desvio, é interessante como em 2017 passei por algo semelhante em relação ao plano, uma vez que, ao fim de quase um ano e de quase 200 trajetos registados no meu computador, tive de fazer um "reset" e começar a correr por onde queria e não por onde estava estipulado. Ajudou imenso e manteve a paixão.

Ainda em relação à disciplina ou à falta dela, considerando que senti que o reforço muscular não estava a ser realizado com foco, passei a definir dias específicos para o fazer. Fantástico nessa mudança foi perceber o quanto o meu corpo gostou, porque assimilou melhor as cargas.

Como substituição, passei a definir sessões de treino igualmente longas mas de uma só modalidade. Ou seja: em vez de acabar a corrida e ir fazer reforço muscular, passei a correr duas horas seguidas ou a pedalar durante esse tempo e passei o reforço para sessões isoladas, por exemplo, duas ou três horas de reforço de abdominais, pernas e glúteos.

Ao fim de algumas semanas, o corpo agradeceu a (suposta) indisciplina.

E desse lado também há os eternos indisciplinados ou é tudo malta muito certinha?

19
Ago19

Dói, desfaz nós e dá cem anos de vida


João Silva

Nunca tinha feito essa experiência: submeter o meu corpo à lei dos rolos de espuma. 

Já tinha ouvido falar nos seus benefícios. Aliás, no começo, quando procurei informações relativas ao atletismo, deparei-me várias vezes com artigos muito elogiosos em relação aos rolos musculares.

Por motivos vários, nunca comprei nenhum, mas fiquei sempre com a pulga atrás da orelha. Até ao dia 18 de maio em que fui correr com a minha colega de equipa Sandra e ela me falou no seu. Perante o seu entusiasmo, não disse que não e aceitei o "empréstimo". Foi uma semana. Bastou para me deixar com água na boca. Trata-se de um modelo da marca Crivit do Lidl e tem medidas standard. É rugoso e, diga-se, duro, mas cumpre a sua função na perfeição.

O primeiro impacto é assustador. Sentir aquele objeto irregular a passar por cada área do nosso corpo e a "infligir" dor é desconfortável. Como sempre, os benefícios só se sentem nos dias seguintes. Na semana de 20 a 26 de maio, entre outras coisas, percorri 101 km em estrada e, posso garantir isso mesmo, nunca me senti tão bem do ponto de vista muscular. E o que eu subi! Mas foi o rolo muscular (fiz quatro dias e sempre 10 segundos lentos por cada exercício sugerido no manual do rolo) que me manteve "vivo". Dói (muito, imenso mesmo) mas liberta.

Posto isto, fiquei fã e vou ter mesmo de adquirir um para mim. É incrível como pude estar tanto tempo sem experimentar uma coisa que me libertará dos (muitos) problemas da acumulação de cansaço dos treinos.

Os radicais livres que se preparem, pois têm os seus dias contados no meu corpo.

 

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18
Ago19

O pote de ouro sob a forma de bebida


João Silva

De forma acidental, descobri no Instagram da nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida uma combinação interessante de especiarias para ajudar o nosso organismo.

Trata-se de uma bebida que não leva mais do que água, curcuma, canela, gengibre e pimenta preta.

Como não vi as quantidades, fui adaptando, mas gostei logo da primeira vez que ingeri a bebida.

Sou, de facto, um ser estranho, pois, segundo li, há muitas pessoas a acrescentar mel para tornar o líquido aprazível. Cotundo, não preciso. Gosto muito do sabor assim.

Inicialmente, fiz a mistura "a olho", mas depois passei a usar uma colher de chá de cada.

Agita-se a garrafa com água (faço 1,5 l) e, mediante a preferência, coloca-se no frigorífico. Faço isso e vou bebendo ao longo do dia.

E, em termos objetivos, o que faz essa bebida?

Devido aos agentes anti-inflamatórios misturados na água, desde logo, a bebida ajuda a prevenir a inflamação das células, uma das principais causas de mal-estar e, a longo prazo, de cancro. É, por conseguinte, muito importante para o organismo, para o manter saudável.

É também antioxidante, um pouco à imagem do chá verde, impedindo, uma vez mais, o envelhecimento celular.

Além disso, promove uma aceleração do metabolismo, originando uma maior produção energética.

Por último, uma espécie de "benefício paralelo", tem cariz termogénico. Isto é: promove o aumento da temperatura interna do corpo, provocando, simultaneamente, um maior gasto energético.

Existe em versão de "leite dourado", onde se usa leite ou bebida vegetal em vez de água. Nunca testei essa versão.

A bebida é muito benéfica para o nosso organismo e recomendo-a por completo. Ao que pude apurar, não é muito comum haver efeitos secundários, no entanto, impera o bom senso de que é necessário ouvir o corpo. As grávidas ou lactantes, bem como as pessoas que sofram de doenças hepáticas ou cardíacas ou que apresentem úlceras não a devem ingerir.

A estrela da combinação é claramente a curcuma, especiaria frequentemente usada na medicina aiurvédica, típica da Índia. Contém fitoquímicos, é antioxidante, antialérgico, antibacteriano, ajuda na recuperação muscular, reduz o colesterol mau e aumenta o bom e reduz os triglicéridos no sangue. Além de tudo isto, tem um papel importante nas doenças cardiovasculares, em algumas doenças intestinais e aumenta o metabolismo basal.

Sinceramente, recomendo mesmo. Fiquei fã. 

17
Ago19

Ajuda-me a ajudar-te...versão vídeo


João Silva

Um resumo visual rápido que esobça bem alguma da boa disposição que se viveu no treino que serviu para a minha colega Isabel Madeira fazer a sua primeira meia maratona em junho.

Este vídeo é, no fundo, uma partilha dos bons momentos (acompanhado) na estrada por alguém que não estava ainda habituado a fazer mais de 15 km em estrada. Há sempre uma primeira vez para tudo.

Foi um bom percurso, sobretudo plano, mas com duas inclinações bem jeitosas e que serviram o propósito de ajudar a minha colega.

O tempo passado em conjunto não poderia ter sido mais marcado pela boa disposição. Dois tagarelas juntos, portanto. 

It takes just one to know another, já diz o ditado em inglês.

17
Ago19

Muito e mais lento, curto e mais rápido ou ambos?


João Silva

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Embora já tivesse pensado no tema muitas vezes, acabei por escrever sobre o mesmo na sequência de um artigo que li no blogue da aplicação de GPS Runtastic. Refiro-me à dicotomia entre treinos longos e mais lentos e curtos e mais rápidos.

É comum sacar-se do argumento de que um invalida o outro. Na verdade, isso não é bem assim.

Genericamente, cada uma dessas tipologias tem um propósito e o mesmo atleta pode e deve usá-las para melhorar o seu desempenho global.

Assim, regra geral, o treinos curtos são mais intensos em termos de respiração e ativação muscular. A resposta tem de ser imediata e o descanso acaba por ser muito mais encurtado. Uma das particularidades prende-se com a mais-valia para as variações de ritmo do corredor. A título de exemplo, os fartleks (embora também possam ser feitos em treinos longos) e as séries enquadram-se nesta tipologia de treino. Acrescento igualmente os time-trials, também conhecidos como contrarrelógios, ou os treinos específicos de rampas (aqui podem ser curtos, mas parece-me que a velocidade não poderá ser muito elevada). O níveis de oxigénio são melhorados em grande escala, sucedendo o mesmo com a caixa torácica.

Apesar de serem muito úteis e importantes para "abanarem" o corpo e o metabolismo, estes treinos curtos e rápidos não são muito adequados para provas de longa distância. Isto é: devem ser feitos, claro, mas não podem servir de modelo único da preparação. Numa prova longa, interessa também pôr quilómetros nas pernas, porque o corpo estará submetido a um desgaste prolongado e repetitivo.

É neste âmbito que se inserem os treinos longos, que, normalmente, não requerem tanta explosividade, havendo o risco de o atleta "acabar" rapidamente o combustível.

Em jeito de conclusão, não há necessariamente a exigência de que um treino curto seja rápido, um longo também o pode ser ou um curto também pode ser lento. No entanto, por norma, é habitual fazer assim a separação das águas.

Nos longos, é muito difícil adotar uma velocidade muito elevada. Regra geral, a caixa não aguenta a explosividade durante muito tempo.

Ainda assim, acho possível conseguir um elevado desempenho de velocidade em treinos até 02h00 e em trajeto plano.

Em termos pessoais, prefiro longos e intermináveis, desenvolvo melhor as minhas características, além de poder ter tempo para pôr os meus pensamentos em dia.

Apesar de tudo o que disse, acho que os treinos de velocidade são muito importantes e podem fazer milagres, porque ajudam, posso garantir, nos treinos e provas mais longas, sobretudo, pela forma como nos permite manter um ritmo constante alto. Mas, perdoem-me a frontalidade, afugentam muitas pessoas. São um "sofrimento" engraçado. Pior do que as sessões em si são os dias seguintes a estes treinos e as ressacas físicas.

Há pouco tempo, pude experienciar a teoria de que é difícil manter um ritmo muito elevado num treino longo. A 20 de julho, fui "vergado" por ter corrido 1h45 a um ritmo muito alto (contas por alto, dava cerca de 42 km ao fim de 3h30). Não aguentei mais de 34 km em 03 horas, conforme dei conta na devida altura.

No dia 03 de agosto, graças a uma gestão mais equilibrada do ritmo, percorri 38 km em 03:30:04 e o desgaste, apesar evidente, foi sentido de forma mais suave pelo corpo.

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Desse lado, como é? Preferem um treino longo e mais lento ou curto e mais rápido?

16
Ago19

Aquele nervoso miudinho bem útil


João Silva

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Em julho retomei os treinos de séries, também conhecido como intervalado.

Já dei conta disso mesmo numa publicação dos últimos dias.

Por isso, não vou focar a questão técnica, sublinho apenas algo que senti antes de sair de casa.

Primeiro, existe um aquecimento até ao início da sessão específica.

Quando me levantei, senti-me nervoso. Percebi o que me incomodava. Há muito tempo que já não me sentia assim. O regresso das séries e a consciência do que ia sofrer estavam ali a morder os calcanhares.

Um pensamento curioso que me acompanha nestes casos é sempre o de me "acobardar". Não sei se é humana esta característica de procurarmos motivos (inúteis e despropositados) para não fazermos algo que sabemos nos fará sofrer, mas foi o que sucedeu naquele dia.

Como já conheço essa minha tendência, recorri à estratégia que desenvolvi há imenso tempo: chuto para canto a ideia de renúncia e penso sempre que, se não conseguir, pelo menos, tentei.

Talvez por saber o bem que ia fazer ao meu corpo apesar do mal inicial, lá fui eu. E não é nada mau nem errado deixar entrar este burburinho no estômago. É sinal de que nos testamos, de que saímos da nossa zona de conforto. 

Apesar do ligeiro incómodo, fiquei muito feliz por voltar a sentir que não era um dado adquirido. E não foi. Bem pelo contrário, foi tão duro que nem consigo encontrar termo comparativo. 

Mas o melhor estava para vir...uns dias depois, já começava a sentir algumas melhorias.

Aquilo magoa mesmo, mas faz tão bem depois.

Ainda na questão dos nervos, quando, na semana seguinte, fiz rampas na zona de Alcabideque, os pensamentos foram iguais. E foi tão bom.

15
Ago19

Eu bem queria correr para fugir mas era pior


João Silva

Como poderão ver na imagem, o medo acompanhou-me.

Esta é mais uma daquelas histórias curiosas. 

Primeiro, devo confessar a bela loucura que foi decidir ir correr perto de 35 km debaixo de 40 graus em agosto do ano passado.

É verdade que saí de casa às 05h50, mas não foi suficiente para fugir ao calor. Nem as duas garrafas de água que levei na mochila ajudaram. Se tivesse pensado nisso, teriam sido maravilhosas para usar num belo caldo quentinho.

Todavia, a história em si não foi essa. 

O percurso levava-me de Condeixa a Soure. Belo trajeto, pensara eu, repleto de sobe e desce, mas sem perigos de maior. Uma vez mais, pensava eu.

Logo ao fim de dois quilómetros, na passagem por São Fipo, vejo um pastor alemão solto a soltar o muro da casa onde habitava. 

Não havia carros a passar na Nacional 342 para safar. E, sendo sincero, nem o dono, que estava a regar o quintal, se preocupou muito com os avanços do seu cão.

A minha sorte foi ter parado imediatamente. O cão ficou a uns três ou quatro metros, parou de ladrar e lá voltou para o seu pouso.

Não refeito do susto, chego a Soure, sempre com aquele episódio no pensamento.

Dou a volta no sítio previsto e, no regresso, junto ao Intermarché local, avisto dois cães, cuja raça não consegui descortinar mas que em nada ficavam a dever ao pastor alemão que vira na ida.

Sou ateu, mas "rezei" para que não me vissem. Eles deviam estar chateados um com o outro, porque ladravam muito entre si e estavam-se a preparar para se atacar. 

Entre um cão e o seu amigo cão não se mete o dedão e não quis ser rude. Deixei-os a discutir, passei de fininho, sempre com a parvoíce de o fazer a correr e lá me safei.

Acho que foi mesmo o dia em que me cruzei com mais cães soltos. Pelo menos, com mais cães daquela envergadura. Envergonhavam a minha altura.

Já em casa, estava tão irritado que só me apetecia chamar as autoridades, mas lá me acalmei e não fiz nada.

Que sirva de lição...para os cães, para os donos ou, o mais provável, para mim.

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14
Ago19

Aquele longão para recordação


João Silva

Felizmente, já tenho muitos no meu portfólio, mas o que vos trago aqui hoje foi um realizado no dia 24 de maio (foram 36 km), num início de fim de semana onde ainda fiz mais 20 km no sábado e 24 km no domingo, tendo chegado pela primeira vez aos 100 km em estrada, tudo isto apenas numa semana.

Foi mágico e merece ser partilhado.

Por isso, aqui ficam alguns dos melhores momentos.

Espero que gostem do que virem.

13
Ago19

And now...mais umas paparocas


João Silva

Aproveitando esta época sempre propícia a boas comidas e a "petiscos" rápidos, decidi deixar no blogue mais uma compilação do "meu cardápio".

GELADO DE BANANA E MANTEIGA DE AMENDOIM

  • Banana cortada às rodelas no congelador, retirar umas horas antes, acrescentar uma colher de sobremesa de manteiga de amendoim, triturar tudo e voilà, que delícia;

PIMENTOS PADRÃO NO FORNO

  • Tão simples como: lavar pimentos padrão, juntar azeite a gosto e sal q.b. numa taça, molhar o pincel e passar por cima dos pimentos. 20 minutos no forno, virar, mais 20 minutos e "tcharam".

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ABÓBORA HOKAIDO NO FORNO

  • Abóbora cortada em pedaços finos, colocar num tabuleiro, sal fino por cima, cerca de 1h a 1h30 no forno e fica uma delícia.

ABÓBORA MANTEIGA NO FORNO

  • Cortar a abóbora a meio, retirar as sementes, polvilhar com canela, deixar cerca de 1h30 no forno. Pode ser comida quente ou fria, depois de ir ao frigorífico.

UVAS GELADAS

  • Dá com uvas ou com bagas. Colocá-las no congelador aproximadamente 1 hora. Retirar e comer assim (congelo já lavadas).

TORANJA COM MANJERICÃO

  • Espremer uma toranja, colocar com gelo num copo e acrescentar uma ou duas folhas de manjericão.

BOLACHAS DE BANANA, AVEIA E MANTEIGA DE AMENDOIM

  • Duas bananas esmagadas, 1 colher de café de manteiga de amendoim (ou mais se quiserem) e 4 colheres de sopa de aveia. Misturar tudo, moldar bolachas ou biscoitos, levar ao forno a 180 graus, deixar cerca de 20 minutos, virar ao fim de 10.
12
Ago19

Fiz regressar os velhos amigos


João Silva

Refiro-me ao treino de séries ou intervalado e aos fartleks.

Após a maratona do Porto, em novembro de 2018, confesso que me desleixei neste capítulo e poucos foram os dias em que me submeti à dureza destes treinos. 

São treinos de velocidade, mas servem, além disso, como desencadeadores de novas energias no corpo e como geradores de oxigénio em situações de "aperto". Fazem maravilhas pela nossa caixa torácica e pela capacidade de gerir e impor ritmos diferentes numa prova.

Talvez por serem tão dolorosos e por os fazer mal inicialmente os tenha posto de parte. E, sendo franco, está aí uma das explicações na quebra de desempenho desde o início de 2019. 

O corpo deixou de ser testado e habituou-se ao treino. As sessões de séries ou de fartleks fazem o metabolismo dançar, deixam-nos a arfar e isso depois reflete-se em melhorias. Não é preciso muito para que se façam sentir.

 

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Quando percebi em que consistiam estes métodos de treino, por exemplo, no caso das séries, comecei por fazê-las em retas junto à biblioteca, ao campo e ao IC3. Com o passar do tempo, fui lendo e fui vendo. Se as primeiras que fiz foram de 100  ou de 200 m, as atuais são de 400 m, as indicadas para um atleta de fundo. As duas mais pequenas são muito boas para velocistas puros e por isso são "explosão" imediata. 400 m, por seu turno, dão uma margem maior e obrigam o corpo a gerar oxigénio numa distância também ela maior. Há ainda quem faça de 1000 m. Confesso que ainda não cheguei lá.

No caso dos fartleks, não há tanto essa rigidez de processos. Se, nos treinos intervalados, uma série de sprints deve ser acompanhada por uma série de trote ou corrida "quase parada" (por exemplo, 1 minuto m sprint, 45 segungos a trote), nos fartleks, há essa distinção entre rápido e lento, mas o ritmo mais baixo não é quase parado, assim como o mais rápido não é o de um sprint. As sessões de fartleks podem ser feitas com qualquer "coisa": por exemplo, ver um obstáculo a 300 m e correr a um ritmo elevado até ao mesmo.

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Para poder fazer a gestão de ritmos da melhor maneira possível, prefiro recorrer aos fartleks Watson: 15' de aquecimento, 8 x 4' ritmo rápido + 1' ritmo lento, 5' retorno à calma.

Além destes dois "velhos amigos", outros responsáveis pela melhoria do meu desempenho são os sprints curtos (num espaço de 50 m e com a postura de sprinter) ou os triângulos: sprint numa direção, corrida de costas noutra e depois corrida lenta com os joelhos levantados.

Demorei a fazê-los regressar. Sendo sincero, foi preciso seguir o exemplo de algumas pessoas com mais experiência e com outros métodos. Já que os fiz regressar, dá jeito não os deixar ir embora novamente.

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11
Ago19

Tudo bem, é a partida, mas de onde?


João Silva

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Um assunto, por sinal, interessante e que divide muitos atletas profissionais, amadores ou meros curiosos.

Falo da estratégia na partida das provas.

Tenho colegas que não passam sem partir bem, logo dos lugares da frente. Conheci mesmo uma pessoa que sabia que ia "rebentar" em três tempos, mas que, ainda assim, fazia questão de partir na frente. Para as fotos, argumentava.

Depois, há os que preferem sair no meio do pelotão e, a partir dessa zona, começar a desbravar terreno. Normalmente, é nessa zona que me encaixo.

Por último, existem aqueles que relativizam esta questão e que não se importam de arrancar na cauda. O argumento é de que não estão ali para ganhar nada. Válido e aceitável.

No meu entender, sair na linha da frente implica um pulmão infinito e a capacidade de assegurar um ritmo altíssimo. Diria que são atletas que, na pior das hipóteses, vão ficar nos 35 minutos num prova de 10 km, por exemplo.

Por outro lado, se não houver pernas nem pulmão, lá se vai tudo num instante e depois o lado psicológico pode sofrer.

Os que partem no meio são, na minha ótica, os mais avisados, porque, tendo capacidade para isso, vão cavalgar de trás para a frente e vão ganhar ritmo gradualmente. Claro que nem sempre é assim e há muitas provas em que a gestão não corre necessariamente como estou a dizer. No entanto, pegando no meu caso, sinto-me muito mais confortável se sair no primeiro terço do meio do que na linha da frente. Porquê? Como não sou um velocista puro, necessito de ritmo e de cadência para conseguir chegar a um bom tempo. Ora, por essa razão, preciso de quilómetros nas pernas para evoluir bem. No geral, os meus melhores tempos foram alcançados assim.

Por último, partir no derradeiro terço do grupo de atletas vai exigir um enorme trabalho de sapa para chegar à frente e para fazer um bom tempo. Requer muito pulmão também e muita confiança. Há pessoas que fazem bem essa gestão, mas não me parece muito fácil. Isto é, a gestão deve fazer-se de trás para a frente, mas também é suposto que seja realista.

Tudo isto que referi aplica-se essencialmente numa prova de 10 km, por ser mais rápida, mais explosiva e por deixar menor margem de erro ao atleta. Numa de 21 ou de 42 km, a gestão tem de ser diferente, mais faseada e sempre a pensar num bem maior e mais moroso de alcançar.

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10
Ago19

Tão próximas na importância, tão distantes na execução


João Silva

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Falo do ioga e do pilates.

Tenho consciência de eventuais preconceitos por um homem praticar estas modalidades, mas, como dizem os estimados brasileiros, "tô nem aí".

A verdade é que as duas são distintas e, numa primeira análise, não diria que o eram. No entanto, completam-se e dão-nos muito.

O ioga consite mais num jogo de alongamentos superficiais e profundos combinados com uma respiração pausada. O objetivo é trazer os músculos (e o corpo como um todo) para um estado de harmonia, de equilíbrio. A respiração é feita mais com o estômago e as contagens são pausadas. Normalmente, 10 segundos por exercício. Os alongamentos são feitos em todo o lado e mais algum e dão-nos uma flexibilidade incrível.

Comecei a fazer ioga no início de dezembro de 2018. Não faço todos os dias as versões mais profundas, porque o primeiro impacto no corpo é deixá-lo K.O.. Pelo menos, uma vez por semana faço uma sessão longa e procuro abranger todas as partes do meu corpo. Foi nesta senda que descobri a meditação. Algo que mudou efetivamente a minha vida. Exige abastração e concentração em simultâneo e assenta numa "audição" da respiração. Se inicialmente é uma sensação estranha, depois é algo de incontornável.

Já o pilates é uma fruta mais recente. Já andava com a pulga atrás da orelha e depois li uma publicação do blogue da estimada Luísa Sousa e não resisti. Guardei o vídeo e segui o que lá estava. A primeira vez custou imenso devido à (falta) de sincronização. Depois disso, não quis outra coisa. É uma "obrigação" pelo menos uma vez por semana.

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Ao contrário do ioga, o pilates assenta numa respiração mais superficial (feita na zona do peito) e rápida e num conjunto de exercícios que vão fortalecer e tonificar a estrutura profunda do corpo. Atua essencialmente no abdómen e nos glúteos, mas, deixem-me que vos diga, é altamente eficaz. Alguns exercícios já os fazia no meu treino funcional, mas decobri muitos outros e tem sido um excelente desafio, não só por ser aliciante na sua execução mas pelos benefícios. Indiretamente confere-nos maior elasticidade, mas essa é uma função mais a cargo do ioga.

Não faço distinções e gosto destas duas modalidades. Coincidência ou não, tenho notado o meu corpo muito mais resistente, flexível e tonificado. Considerando que não tomo quaisquer substâncias, de alguma coisa deve ser.

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Separador destinado aos posts de alimentação e a todo o processo de emagrecimento e de reeducação alimentar que me fez baixar de 118 kg par 74 kg desde novembro de 2016.

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